terça-feira, 4 de outubro de 2011
Solar
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Ecce Homo
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Piadinhas...
O menino, junto com a mãe, para em frente a uma barraca de DVD´s e pergunta: "Você também tem original?" O camelô responde: "Não, só genérico!"
... Depois encontrei o mesmo menino no shopping checando seu Orkut numa Lan House.
2 - Sobre persuasivos vendedores metidos a espirituosos:
O vendedor de livros para em frente à moça, no meio da Paulista. Ela achou que ele ia pedir fogo, mas não. Faz a estupÍenda pergunta: "Você sabe qual a diferença entre corpo e alma?" "Não", responde a moça já tomando o caminho da roça. "A resposta está neste livro..." Ela hesita e para outra vez: "É de graça?". "Não, é de papel." "Ah! Então não quero!"
...E a moça vai embora, dando uma bela tragada no seu cigarro fedorento.
domingo, 6 de setembro de 2009
Paralelas
Na verdade, não é nada disso. É que ando num momento Paralelas, saca? Correndo a cem por hora atrás de objetivos, trabalhando feito louca, como sempre. "E no escritório em que eu trabalho e (não) fico rico, quanto mais eu multiplico, diminui o meu amor"... Estou anti-poética, sem inspiração, nem tempo.
Porém, os micos da semana tornaram-se estímulo para eu retornar desse silêncio. Não gosto da desgraça alheia, mas é impossível não admitir que o chá de sumiço do Belchior - o Hugo Possolo soltou um caco sobre o tal desaparecimento em O Papa e a Bruxa e por pouco não caio da cadeira de tanto rir - e o Hino Lisérgico Nacional Brasileiro da Vanusa animaram as duas últimas semanas. Danilinho, num serviço de utilidade pública, me mostrou o video do hino na terça. Foi para isso que o senhor colocou computadores na sala dos professores, seu Serra? Se foi, meus parabéns, é uma excelente medida anti-stress para mestres esgotados pelo magistério. Deos meu, isso não é um mico, é um orangotango vestido de Carmen Miranda.¹ Não o Serra, a Vanusa.
Em entrevista a Silvia Poppovic, Vanusa declarou que estão desprezando seus 41 anos de carreira por conta de um mau momento que ela teve. Também pudera, não é um mau e sim um péssimo momento numa sessão solene da Câmara com nada mais nada menos que o Hino Nacional Brasileiro e na era Big Brother, em que a gente vive com câmeras em toda a parte. É muita ingenuidade. Nem um jogador de futebol tinha estragado nosso hino com tanto garbo e elegância.
O que é curioso é que eu dei mais risada com essa história da Vanusa não com o vexame do hino, mas com uma que Bozoca - a verdadeira - soltou um dia, no carro. Ela disse que quando ouvia Paralelas, na parte em que Vanusa canta "no apartamento, oitavo andar, abro a vidraça...", ela imaginava a cantora num clipe abrindo a janela intempestivamente, com a cabeleira loura chanel tamanho médio esvoaçando ao vento. Mais the 80´s, mais kitsch, impossível.
Quanto ao Belchior, compositor que admiro bastante, ri um tanto lembrando da homenagem feita a ele pelos Mamonas Assassinas no único disco da banda, se não me engano, na quarta faixa. Uma Arlinda Mulher é cuspida e escarradamente uma cópia do estilo de Belchior, desde a voz, a melodia, a batida do violão, até os versos. "Te ensinei os auto-reverse da vida e o movimento de translação que faz a Terra girar, te ensinei que o importante é competir, mas te mato de pancada se você não ganhar..." Sublime, poético, sacada genial daqueles doidos de Guarulhos. Só quem nasceu antes de 1995 entende isso.
Assim, decidi ceder aos apelos da cantora e mostrar um bom - talvez excelente - momento de sua carreira cantando Belchior, em um momento espetacular também. Paralelas é linda, e a gravação da Vanusa é um estouro, de longe a melhor de todas. Justiça seja feita. Todo mundo tem seu momento símio, até Fernando Pessoa disse isso².
Piadas Prontas à la Simão:
1 - O Zé não pediu, mas essa do orangotango coloquei por causa dele. Foi ele que disse que isso era piada pronta.
2 - Se você leu Poema em Linha Reta, do Fernando Pessoa, sabe do que estou falando. Também está farto de semideuses?
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Curtindo a Vida Adoidado
Diretor de "Curtindo a Vida Adoidado", John Hughes morre aos 59 anos
Save Ferris!
terça-feira, 28 de julho de 2009
Extra! Extra! Textículos de Mulher também são poderosos amuletos

sábado, 11 de julho de 2009
Ídolos
Ah, ídolos. A pseudo-morte do Michael Jackson e as comemorações do 50 anos de carreira do Roberto Carlos tem me feito pensar como a vida fica divertida com eles. quarta-feira, 24 de junho de 2009
Peeeeeeeense positivo!
Esse é textículo mesmo, uma coisa até 'twittante' - acabei de entrar nessa coisa me perguntando: "Uátarrel is dis?"- Não ter pontas duplas no cabelo;
- Usar o Bankline;
- Lembrar de usar o Renew para sinais mínimos de envelhecimento facial;
- Utilizar fio dental;
- Ir para a balada no final de semana, mesmo morrendo de sono;
- Lembrar de mandar uma carta para o meu primo;
- Fazer musculação quando não estou com a menor vontade;
- Fechar a boca (isso serve tanto para comer como para falar menos);
- Fazer book para meu currículo de atriz - puro, casto e imaculado no momento;
- Mesmo sem tempo para nada, achar que sinto falta de um namorado, sendo que não sei há espaço para um na minha neste exato momento e por fim:
- Escrever textículos engraçados, mas consistentes, inspirados e com regularidade para a Seleta Audiência que agora monitoro de perto no Google Analytics - mais uma tarefa inútil para minha vida, mas essa ao menos mata minha curiosidade insana, se alguém realmente lê este Festival de Bobagens neste mar de blogs sem fim.
E depois de tudo isso sou obrigada a ter tempo para pensar positivo?!?!?! Fala sério. Sou obrigada a fazer uma auto-citação:
"(...)Rabungentices à parte, o pior dessas auto-ajudices não é a pilha de clássicos que as pessoas deixam de conhecer. É essa obrigação permanente e implícita de vencer sempre, se dar bem sempre, ser bem comida sempre, sorrir sempre. (...)"
...Melhor mesmo é não pensar. Quem diria que eu terminaria este texto à maneira zen, hein, Alice Ruiz*?
Nota inutiél:
*Por pura sem-vergonhice não escrevi sobre a oficina de hai-kais que fiz com essa figura fodástica no Sesc Pompeia em abril. Quem sabe me dá na telha um dia desses, mas com certeza é uma experiência que pre-ci-sa ser compartilhada.
domingo, 10 de maio de 2009
Crianças
Esta observação sobre crianças me lembrou um breve episódio deste fim de semana, marcado por uma festinha de aniversário de criança típica, com direito a bedel vigiando os brigadeiros antes do parabéns. Sobre uma horda de crianças adoráveis (com uma maçã cravada na boca e devidamente assadas, claro), meu tio me pergunta: Você que é professora, como é que a gente dá jeito nesse monte de crianças sem-educação?
Eu, sem pestanejar, respondi: "Anticoncepcional".
domingo, 3 de maio de 2009
Machado Skylábrico
Soneto que Bentinho não fez
Ó, flor do céu! Ó, flor cândida e pura!
Ao ver-te, esqueço-me das mazelas
De não ter o teu amor, nem as estrelas
Do céu, que nos permite somente vê-las,
Como quem deseja os amores de uma donzela
E desvendar os mistérios da sua candura,
Impossível de penetrar na realidade mais dura.
O choque entre verdade e ilusão escancara
A fragilidade da pétala arrancada
Da flor do meu sonho, que a vida me roubara.
Por vencido não me dou, que a história inda não é acabada,
Pois o desejo de fato nunca falha.
Perde-se a vida, mas ganha-se a batalha!
E o do Rogério:
Oh! Flor do céu! Oh! Flor cândida e pura
às margens de um córrego
cheio de esgoto.
O adubo que te alimenta,
te fez crescer.
Flor do brejo,
onde crianças são desovadas:
é aqui teu habitat.
Floresces em meio às fezes,
epidemias e corpos mutilados.
Tua haste delicada, tuas pétalas,
foram forjadas no inferno.
Será assim teu epitáfio:
Perde-se a vida, ganha-se a batalha.
E isso é só a ponta do iceberg... Até que estou bem, para quem detestava blogs com poesia. Se eu soubesse que participariam, até relançaria o desafio machadiano à minha seleta audiência, mas acho que esse Machado Skylábrico matou a pau, quer dizer, a machadadas, quaisquer tentativas que se façam de escrever este soneto novamente.
Beijo do Bozo!
Textículo jorrado em 03/05, 18h13.
sábado, 11 de abril de 2009
Desencalha Wanderson - Boletim de Caras
Já dizia o gênio Chacrinha que nada se cria, tudo se copia. Em tempos digitais então, essa máxima chacrinhesca se repete à velocidade da luz. Aliás, as coisas caem na obsolescência em ritmo frenético por aqui. Olha só, mal publiquei um textículo novo, me aparece um assunto absurdamente irresistível.Toda a nação blogueira, impressionada com a comoção do caso, menor apenas que a causada pelas mortes de Eloá e Isabella, se riu do pobrezinho, porque achou que está exigente demais para um encalhado. Eu, como boa encalhada, esclareço: todo encalhado É exigente, assim como todo louco, que jura que é normal.
Acho que nem é preciso tanta pena, porque o guru Wanderson está se deliciando com sua fama repentina. Gaba-se da grande quantidade de acesso em seu site em míseras três semanas e criou uma comunidade para os encalhados como ele: "Vamos desencalhar". Estamos vendo o cumprimento de outra profecia: Wanderson está amando seus 15 minutos de fama, garantidos por Andy Warhol.
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Corpitcho Bacana
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Links de utilidade pública
Na verdade, sou fanática por listas como essa. Nunca mais publiquei textos com Top5, porque minha seletíssima audiência regula sua mixaria e a grande maioria não posta comentários, mas continuo gostando muito. Ontem me diverti com "As 100 mais em 100 anos", lista das 100 músicas mais tocadas de 1904 a 2003. Você olhou a lista do ano em que você nasceu? Bingo! É praticamente impossível não se sentir curioso? Será que na sala de parto onde nasci tinha um rádio ligado, como em Cidade dos Anjos? (Filme que para mim, por um acaso, só prestou mesmo pela trilha sonora.) Fico rindo, de pensar em mamãe se esguelando na sala, enquanto a Zizi Possi se esguelava no rádio: "Me faz pequena, aaaaaaaaaaaaaaaaaaasa morena..." Rá! Eu sei que não tem graça nenhuma, Duley.
Também é tentador olhar a lista do ano que mudou a sua vida. E a decepção do Vizinho: na lista de 1997 não tem Radiohead! Na verdade a lista serve para rir, porque a quantidade de porcarias e guilty pleasures é imensa. A lista mais chiquérrima foi a de 1948, ano de nascimento da Betona: primeiro lugar para Dick Farney, considerado em sua época o Sinatra brasileiro. Na verdade, o popular era naturalmente mais sofisticado. Essa coisa que para o povão tem que ser ralé, é uma ideia lamentavelmente recente.
Mesmo antes deste festival de listas, estava começando a formar a lista dos 100 sites que você precisa acessar antes de bater a caçoleta, finar-se, bater as botas. (Já reparou como são numerosos os eufemismos para a morte? E o pior, os mais engraçados.)
Voltando a lista: eu mal tenho 5 para um Top, mas como eu sou teimosa, eu chamo a audiência para dar a sua contribuição:
1 - Desencalha Wanderson (http://www.desencalhawanderson.com.br/) - Indispensável pelas fotos com cara de "Manhê, eu tô com gases" e pelo texto comicamente mal redigido;
Dispensei os links que eu já recomendo usualmente, exceto o do guru da campanha pela minha saída do caritó. Por este motivo, é que não está aí meus blogs preferidos, como o OkComput3r e HTP, nem os sites que reconheço como utilidade pública. As nobres almas que me acompanharão nesta empreitada, por favor, defendam os pequenos e desconhecidos. Sem culpa cristã, excluirei listas do tipo "Orkut, Youtube, MSN, Myspace, UOL", porque estes não são novidade nenhuma. Mas Pérolas do Orkut e GTO aceito sim, obrigada.
segunda-feira, 30 de março de 2009
Smells like a gunpowder spirit

Todo mundo acha um absurdo, todo mundo se pergunta onde vamos parar assim, e principalmente, coloca a culpa na direção e no corpo docente da escola, como vi pela TV. O mané-pipoca do Percival de Souza falou naquele 'espreme-sai-sangue' do Cidade Alerta que isso era falha da direção da escola. E a gente tem direito de revistar mochila de aluno por um acaso, Sr. Especialista em Generalidades?
Ano passado, em outra escola em que trabalho, eu vi, ouvi e cheirei uma bomba no corredor bem na volta do intervalo. A confusão foi tanta que me perguntei se estava na Faixa de Gaza e cogitei mudar o patrono da escola para "Bin Laden". Naquela época já fiquei atordoada, me perguntando com que tipo de gente eu estava lidando. Imagine hoje, ao saber que por pouco não tomei uns pipocos, se tivesse continuado naquela escola da prefeitura, isso sem contar a Bozonifácia, que acompanhou tudo de perto.
Certa vez, na minha sala de aula, um colega trouxe uma arma, só que era de brinquedo e a munição de chumbinho. Ainda assim, a professora ficou desesperada: "Menino, me dá essa arma!"
"Mas professora, é de brinquedo!" E a professora: "Claro que não é, menino, já estou sentindo o cheiro da pólvora, me dá isso!"
Depois dessa frase, a prô perdeu o respeito, a sala desabou a rir. Se não tinha nem munição, que dirá pólvora pra ter cheiro?
Imagino o desespero da minha ex-professora, hoje colega de profissão, mas não deixa de ser engraçado o pânico da pobre com aquele 'treisoitinho' em cima da carteira do meu colega. Se ela estivesse no lugar da Bozonifácia, ela cairia dura. Renata, que mal teve tempo de sentir o cheiro da pólvora, teve que sentir também o legítimo cheiro de sangue, afinal o tiro acertou o joelho da infeliz que fez o favor de ficar perto de um zé-ruela armado sabe-Deus-porquê.
Por essas e outras começo a achar românticos estes anos 90. As pequenas transgressões - como uma arma de chumbinho - tinham graça. Porque, para mim, esta notícia não é nem um pouco engraçada, assim como os ares de Mcgyver que ganhou o Magistério contemporâneo. Não tem graça nenhuma, Duley.
*Por razões óbvias troquei a imagem original por uma foto do Kurt com armas: http://media.photobucket.com/image/kurt%20cobain%20with%20guns/afewrandomdrunks/Kurt_20Cobain_20Gun.jpg
domingo, 29 de março de 2009
Desencalha, Bozo!
segunda-feira, 16 de março de 2009
Moças Casadoiras
Tinha começado, há pouco, um textículo de solteirona em crise à la Sex and The City; o fato é que estou f-a-r-t-a desse tipo de discussão. Não sei porque ser amada precisa ser um luxo hoje em dia e como diz Amorzona Layr Ribeiro, não sei também se eu tenho mesmo que arrumar um "namoradinho crasse média" e ir pra Ubatuba todo fim de semana. Será?
quinta-feira, 12 de março de 2009
Mulheres-andróide*
Então, quanto mais a gente discute sobre cibercultura, Vizinho das Galáxias, eu me pergunto: cheguei ao século XXI para isso? É contra-revolução pura, mermão! No meu tempo, o futuro era uma coisa bem mais interessante: os Jetsons eram descolados e a Rose é muito mais fofa que a tal da Aiko. Me manda direto pros 1960, por favor.
domingo, 4 de janeiro de 2009
Pedra que rola não cria limo
Não sei se estas ideias que estão na fila vão ser colocadas em órbita na Blogosfera, porque algumas se tornaram piadas velhas (lembram dessa?), outras talvez sejam relidas, retransformadas e, colocando algum óleo nas juntas, quem sabe elas rodem novamente. Aguardem cenas dos próximos capítulos, crianças.
Estou com um pouco de medo de ter perdido o jeito de texticular, mas acho difícil, dado o meu vício de escrever. Aí, pra dar uma animada, e ver que quem é Macabéa nunca perde sua macabeíce, fui revisitar os arquivos dos Textículos. Não é por nada não, mas vi muita coisa linda lá, e não é do meu talento pra literatura orgulhosa medríocre que estou falando. É que consegui extrair com alguma arte, beleza das dores, das frustrações, da melancolia que às vezes me diverte. Terminei este ano comemorando, sobretudo o fato que o mesmo acabou-se. Mas agora, revendo os textículos, vi que as jorradas foram realmente férteis, cumprindo a profecia do primeiro textículo e que alguma coisa boa se realizou e as ruins viraram lenha pra queimar, porque do que eu gosto mesmo é de ver o circo pegar fogo.
Ainda não pensei em nada a respeito de repaginar este cafofo na Blogosfera, mas acho que a ocasião merece e coisas novas virão e não só as ideias requentadas que citei acima. O que importa é que estamos em movimento de novo, e pedra que rola não cria limo. Quero mais que o mundo se acabe em barranco, e eu, like a rolling stone, não dou pelota para meus joelhos esfolados, vou rolando junto. É para mim mesma esta cambalhota!
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Felicidade Guerreira
Confesso, não gosto de fim de ano. Trauma da faculdade, porque sempre entregava a porcaria da pasta de estágios no fio da navalha, prestes a pegar DP por causa de um monte de relatórios que logo depois iria virar comida de Baratinha, literalmente e não literalmente. Gente que estudou ou estuda na Famosp-pi sabe bem do que estou falando. E como professor tem mais é que se f*, ano passado era a Via-Sacra de entrega de diários nas três mil escolas em que eu trabalhei para compor a jornada de professor contratado do Estado. Sem contar os três mil amigo-secretos em que eu cheguei a ouvir "Como dizia o poeta Manuel Bandeira... 'Tudo vale a pena se a alma não é pequena'!"¹ dito por uma professora de português em altíssimo estado etílico. Sorte de todos os presentes que não perceberam a gafe, provavelmente por acompanhá-la no alto grau etílico da festa. Azar o meu, que não tinha bebido o suficiente.
Sem contar o quanto que se engorda nesta época do ano, recorde em orgias alimentares.
Como 2008 é o Ano do Bozo, este ano é diferente. De uma hora pra outra, meu bode decorrente de todas as bozices que aconteceram este ano, foi embora. De semi-cegueira a reprise de filme sem-graça da minha vida, passando por um assalto, um mega arranca-rabo com baixista e amigo de muitos anos e um telefone jogado pela janela por causa de empresas que não prestam um serviço decente, eu quase enlouqueci. Gente, foi por pouco, muito pouco. Não sei como eu não me joguei pela janela.
Na verdade, quando Bozoca (a verdadeira, meninas²) falou desse cheiro quente, não consegui acompanhá-la na brisa, mas agora sei exatamente do que ela está falando. É ele que me faz sentir agora a melhor das esperanças: aquela sem motivo, que surge do nada e não nos decepciona, porque não é expectativa vazia colocada em coisas externas.
Como não sei e não quero saber qual é o motivo dessa mudança de humor - quero mais é curtir, resolvi achar um bode expiatório, à mesma maneira de Volver³: a culpa é desse cheiro quente que só dezembro é capaz de ter, que me faz rir sem motivo, dançar sem parar e principalmente, achar que só de virar a folhinha do calendário, minha vida vai mudar radicalmente e pra melhor. Que venha 2009!
"Notas inútieis"
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
O dia em que fui trabalhar na Bienal do Livro
De volta aos boletins da minha dura vida na Ilha de Caras que não interessam a ninguém, mas que insisto em fazer. A última vez que fiz isso foi quando relatei a minha emocionante estréia no mundo dos testes para atriz-teza, semi-cega, sozinha e na chuva. Nem pude ver a cara de desgosto do Hugo Possolo com meu teste, cheio de buracos de esquecimento no texto, rsrsrs.
Hoje fui à Bienal do Livro, fugindo descaradamente do instinto defenestrador de alunos que me atacou essa semana e da rouquidão -estou prestes a ficar afônica e estou sim desesperaaaaaada! Como é que vou gravar a voz da demo da nossa banda sem nome? Aulas são mero acessório nesta história - e antes dei uma passadinha no médico pra ver se dou jeito nesta tosse de cachorro. Pausa para esclarecimento - o posto não dá atestado médico, ou seja acesso negado para fugida estratégica do trabalho por vias malandras tradicionais que todo vagabundo que se preza conhece.
Na real, entrei pela porta da frente da Bienal. Porque sexta passada eu descobri que eu poderia ir à Bienal hoje, assinando ponto lá e ainda ganhando o dia de trabalho, bastava levar o holerite - atestado de pobreza e insanidade do magistério. (E nenhuma boa alma para divulgar isso na escola. Por que será??) Como eu não consegui confirmar esta notícia, eu passei no médico antes.
E essa visita ao médico merece uma parada especial, porque eu sou o Bozo de Calça Amarela. Reclamei de tosse seca por tempo prolongado e ganhei um pedido de exame de tuberculose. É, isso mesmo! Sou uma tísica em potencial. Sendo que não tive febre e tô 'gorda lisa', como diz a minha mãe. Sendo que tenho rinite e sofro com tempo seco, desde que me entendo por gente. Sendo que contei que sou professora em turno duplo e faço esforço vocal constantemente. Ainda assim, tive que cuspir no potinho - eca! (Ops, na verdade é teste de escarro, mas a minha tosse é seca. Não tem nem vapor d´água pra escarrar) e amanhã tenho que levar de novo meu cuspe para análise. Cuspe em jejum, coisa duplamente nojenta.
Livre da sina dos cuspes, eu corri pra Bienal. Com medo, afinal eu sou formiguinha, operária-padrão, com marmita e livro-ponto. Não é coisa à-toa fugir do trabalho na cara larga. Mas como eu descobri que era verdade que eu ganharia o dia na Bienal, se fosse hoje, eu não fugi do trabalho, fui trabalhar na Bienal. Com credencial e tudo, porque apresentei meu atestado de pobreza e insanidade e peguei credencial. Na sequência, fui falar com os representantes dos 'patrão' e fui muito bem recebida, diga-se de passagem. (Nota brechtiana¹: por que será que pobre adora essas pequenas provas de status, né? A 'crasse' média também gosta, então tá tudo em casa!)
Fui zanzando por lá, comprei alguns livrinhos e assisti a um bate-papo com o João Batista de Andrade, cineasta brasileiro pra lá de consagrado e diretor de O Homem que Virou Suco, filme genial, na minha modesta opinião. Comprei o livro-roteiro do filme e peguei autógrafo do cara, super boa gente. Comentei da passagem deste filme na minha vida, e como ele me influencia e tal.
Na verdade eu tinha me esquecido que ele iria participar da Bienal, fui atraída para o local da palestra por "forças estranhas". Meu destino foi desviado por um daqueles chatos que vendem livro de poesia na porta do MASP, que me assaltou com meu aval. Como eu fiquei dura, tive que sacar dinheiro para comer. Do lado do caixa eletrônico tinha uma lanchonete e o estande onde o João Batista estava.
Gosto de acreditar que a gente segue o caminho certo sem roteiro, desde que a gente saiba o que quer. Isso até me consola, já que sou uma perdida de carteirinha. É o triunfo da intuição hipertrofiada feminina que me persegue, e às vezes até me contraria. Tudo isso me fez sair do Anhembi dando pulos secretos², tal e qual uma bicha legítima presa num corpo feminino que sou³.
Saldo da epopéia: ganhei duplamente o dia, porque fiz tudo isso trabalhando!
E é para mim mesma esta cambalhota!
1 - Princípio do Distanciamento, segundo Brecht. Se vira e vai pesquisar, estou com preguiça de explicar.
2 - Bozoca sempre sai pulando de felicidade quando consegue algo que quer muito, e eu também faço isso. Sua cunhada diz que isso é bichice pura, mas a gente pode, porque a gente É bicha, e das loucas.
3 - Tal qual Madonna e Bozoca, eu sou um viado (com 'i' mesmo) que nasceu num corpo de mulher. E tenho dito.