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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Melancholia

Nunca pensei que melancolia tivesse algo a ver com o mito de Narciso. Melancolia é o desapontamento de Narciso ao ver que não poderia tocar sua linda imagem refletida no lago: sem poder tê-la, morreu vidrado no redemoinho que desmanchava o seu reflexo ao ser tocado. 

Não parece, mas eu sou melancólica. E eu, que bem gosto dessa melancolia, não me assustei quando a minha terapeuta me explicou a visão da psicanálise sobre esse sentimento temido à exaustão por um mundo que insiste em fazer o jogo do contente todo o tempo. Muito pelo contrário, me encantei ainda mais. 

Passei os últimos meses contemplando o redemoinho. Era (ou é) só tristeza: algo tão normal quanto alegria, algo que passa, mas parece ser um crime ficar triste, e não é. É um luxo ao qual eu me reservo quando algo não vai bem.

Por isso gostei tanto de Melancholia, o último filme do Lars Von Trier. O estado melancólico é exatamente aquela sensação de pernas paralisadas que acometeu Justine (Kirsten Dunst). E foda-se se é o dia do seu casamento, ou se o mundo inteiro diz que gostaria de estar no seu lugar e que você deveria estar feliz. A melancolia te abraça, te enrosca pelas pernas e quando elas travam, não tem que as faça seguir.  


No entanto, as coisas mudam diante de um perigo real. Na iminência do desastre, Claire (Charlotte Gainsbourg), sempre tão centrada, se desespera e Justine, sempre tão errática, sabe exatamente o que fazer. Ela que já tinha visto a Melancholia se aproximar tantas vezes, não se assustou e buscou dentro de si a força para suportar o fim. 

Dizem que a depressão é o mal do século. Pode ser, mas tenho para mim que o mal é justamente temer tanto a tristeza, fugir dela como se pudesse fugir do planeta Melancholia. Quando a tristeza bate, quando se vai às lágrimas, só nos resta entrar na nossa cabana invisível. Quem tem medo de tristeza não sabe que isso não tem nada a ver com desistir, muito pelo contrário: é caçar o último fio de força para sobreviver e jamais entregar os pontos. Sucumbir acontece com quem não aguenta o tranco da melancolia se aproximando e saber que não se pode fazer nada. A arrogância humana é tanta, admitir impotência é algo tão inadimissível, que há quem simplesmente não sabe o que fazer, quando não há mais nada a fazer. 

Isso não é só uma metáfora de cinema. Há que se ter pernas fortes para aguentar a vida. Porque estar vivo dói, até quando é bom. Além do mais, não é qualquer soco no estômago que vai me fazer beijar a lona. 

E para quem teve pernas para subir e descer mais uma Colina Melancólica, aquele abraço!




segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Metaleira, eu?

Engraçado que algumas coisas passam e outras sobrevivem na vida sem pedir a sua licença. Pois é, até eu tinha me esquecido que gostava de Metallica. Banda que me remete a tardes vagabundas na casa da Carol e do Juninho, quando a gente passava horas e horas escutando o Black Album e outras pérolas noventistas, como o Dookie do Green Day, ou Melancholy and Infinite Sadness, do Smashing Pumpkins. Ou ainda sábados na casa da Priscila ouvindo os discos mais antigos do Metallica como o Master of Puppets ou And Justice for All. Mas nostalgia é uma gripe que não me dá mais. Não sinto saudade de mais nada, não lamento mais nada. Para que se apegar a tantas lembranças?


Não sei que milagre aconteceu para a Globo transmitir o show na íntegra, sem aqueles cortes horríveis que ela costuma fazer até em show do Brasa. Não sei que outro milagre ocorreu para eu assistir o show inteiro, sem dar uma cochilada sequer. Na verdade, eu sei. Foi um puta showzaço!


Aí me dei conta: Metallica é uma banda balzaquiana, só um ano mais velha do que eu. Nem no auge, nem decadente, na confortável posição de não ter mais que provar nada para ninguém. Fez umas bobagens na vida - o Load inteiro foi limado deste show sem fazer falta, e do Reload, só foi tocada a única música que presta, Fuel. Não abusaram de hits o tempo inteiro e fizeram um line-up não linear, o que eu gostei bastante. Prova de que o tempo que passa se mistura com o de agora, e ainda com o que está por vir. Não sei o que me espera, e que eu deixei para trás era excesso de bagagem. Viajante que se preza, só carrega o essencial.



No, je ne regrette rien! Só eu mesma para começar falando de Metallica e terminar com Piaf. E daí? 

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Ellington´s Song

Para quem, entre outras coisas, foi
Beata, roqueira, comunista, blogueira,
Heroína sentimental autoproclamada
(Ou talvez, só um arremedo cômico de tudo isso)

Não passar de uma garota
Alérgica aos cuidados que sua idade começa a pedir
É mais do que suficiente.
Das aventuras e trapalhadas,
O que ainda resiste, de maneira camaleônica,
É só esta retumbante, faraônica
Fome de vida.


Eu não quero comida, eu quero mesmo é a fome.

É o Enigma de Kaspar Hauser, outra vez.
No meio da madrugada,
Da vitrola brota um jazz.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Esperando Godot II

Agora sabemos:
O novo não substituirá o velho
Um dia e cada vez mais breve,
O novo se torna velho
E o velho se torna a coqueluche novidadadeira do ultimos tempos, como:
Cores new wave, olhos delineados, cinturas altas, óculos Ray-ban.
Tudo isso é piada velha, mas sempre se acha alguém que ainda não riu delas.

Sou mesmo ainda um velho bolachão
Feita de vinil e sulcos.
O que me toca, raspa a superfície.
É o que me faz cantar.

O que agora é virtual
Corre o risco de se perder na virtualidade dos seus arquivos.
Mp3 é o caralho.

Para meu amigo Luiz Filipe

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Cumpleaños

No ano em que nasci já existia TV a cores.
Hoje, isto não faz a menor diferença.
O que era techinicolor agora é high definition
Menos as minhas vistas, que se turvam quando estão cansadas.

O corpo não perdoa mais os abusos,
Não obstante estas olheiras de urso panda,
Delatoras de cada noite mal dormida que vivi.

Hoje, me diverte o antigo esforço em deixar a meninice para trás.
Já não sou mais garota que não parava quieta na cadeira da cabelereira e por isso estava sempre com a franja torta.

Para que tanto esforço em crescer?
De fato pouca coisa mudou, ou vai mudar.
Exceto a oração matinal, acompanhada pelo creme anti-idade:
Deus, não permita que eu vire um buldogue.
Mesmo assim, decidi que a idade me fará bem.

O único contratempo é esta luta inglória
Pela revogação da Lei da Gravidade.
Meus peitos que o digam.

Moderno é envelhecer.

domingo, 15 de agosto de 2010

Urbana Legio Omnia Vincit

Dedicado à minha irmã Renata

1980 e alguma coisa, com 5 ou 6 anos, uma música tocava na rádio e frases soltas ficavam ecoando, dançando na minha mente. Falava de pais, filhos, de amar sem amanhã. Não consigo precisar quanto tempo isso me consumiu, mas eu já estava impressionada com a letra e nem sabia disso.

Anos depois, a professora de português da 8ª série leva logo esta música para a gente analisar! Professora Miyoko, gente boníssima, me emprestou o CD, a essa altura eu já era fã da banda. No ônibus, lendo o encarte, um garoto mais ou menos da mesma idade me aborda: "Ei, você é fã de Legião?"

"Fã? Não. Doente. D-o-e-n-t-e!"

Ficamos amigos: ele tinha banda, eu escrevia. Dois roqueirinhos deslocados em salas lotadas de gente besta e insensível, cada um na sua escola, eu estudando no Derville, ele no Cedom. A gente passou a pegar o mesmo ônibus, depois, perdemos contato e nos reencontramos um ano depois, eu acho. Rolou uma paixonite aguda adolescente, lógico. Meio torta, enviesada. Como conseguir gostar de dois ao mesmo tempo? "Flávia, tô com medo. Longe de você, tenho medo de mim mesmo." Respondi: "Sete Cidades!" Foi o único beijo. "Se eu ao menos conseguisse me salvar, Lu... Não tenho como ser sua heroína..." Depois ele sumiu, como se tivesse sido somente uma viagem minha.

Meu Deus, são tantas lembranças!  Essa banda passou feito um rolo compressor pela minha vida, e sei que não sou a única. O dia em que o Renato morreu eu tenho inteiro na minha mente. Dois dias antes do meu aniversário de 14 anos, de manhã, eu tinha ido ao shopping escolher meu presente de aniversário, um tênis - em tempos de dureza extrema, usei até o bicho se desintegrar. Chegamos em casa, ouvi a notícia no rádio. "O quê??????" (Lembrem-se, ninguém sabia que ele estava doente.) Fui para escola de cara amarrada, o Gil, meu amigo, com a mesma cara. "Com tanta porcaria, morrer logo ele! Que merda!" Peguei o ônibus, mais que rápido para dar tempo de ver o Jornal Nacional. Só estava a Cris em casa, ela nem tinha se casado. No dia do meu aniversário, todo mundo aqui, até o padre legiãomaníaco que tinha acabado de chegar na paróquia. Todo mundo meio passado, cantamos Perfeição. Estranho, os bons morrem antes.

Durante a minha fase de perda de identidade, parei de ouvir Legião, sem deixar de gostar, claro. Voltei a ouvir em 2007, aninho desgraçado, cheio de perdas. E fui recuperar logo essa parte da minha vida! Comprei o primeiro álbum da Legião, o meu preferido, 10 conto nas Americanas. Sorvi no volume máximo, como sempre Dado, Bonfá e Renato recomendaram. O especial de TV Por Toda a Minha Vida do Renato também foi um marco na minha história, porque tomei consciência dos sonhos parados no meio do caminho, de que precisava voltar à minha essência, a ser aquilo que eu sempre gostei de ser. Para que ser certinha, se gosto da perturbação? Ver a Aninha, Chiquinho, Tio Nico e Seu Fernando partindo cedo demais aumentou meu desepero. Não temos tempo a perder. Se parar pra pensar, na verdade, não há. Ruuuuuuuuuuuuuuun, Forrest, ruuuuuuuuuuuuun! Não cheguei, mas tô correndo.



Semana passada, Gazela chamou a gente para assistir ao monólogo Renato Russo, em cartaz desde 2006. Como gostei da atuação do Bruce Gomslevsky no especial de TV - ele não interpreta, praticamente recebe a entidade, além do que ele naturalmente se parece muito com o Renato -  fui achando que era tiro certeiro, como bala que já cheira a sangue. De fato, foi, mas ainda havia surpresas. As soluções cênicas para resumir em duas horas uma vida de 36 anos controversa, cheia de poesia, conflitos e descobertas foram brilhantes e a produção é irretocável.

Não é só nostalgia. Legião Urbana e Renato Russo não fazem parte do meu passado. Fazem parte do meu DNA, até o fundo do osso. Ver a peça só fez aumentar essa certeza.

I´ve got you under my skin, Renato. Always, always, always. Forever.

Urbana Legio Omnia Vincit!


Ps: Renata, essa é pra você, minha irmã: UrbanaLegio...GiovannaBaby????? Kkkkkkkkkkk...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

The Cranberries

São Paulo me recebeu com chuva. Percebi que estava entrando na cidade quando o avião entrou por um amontoado de nuvens, como se estivesse mergulhando em algodão. Sorri e falei para Terra da Garoa: "Sabia que você não me daria trégua! Mas não tô nem aí, estou aqui de novo!!" Desembarquei no Congonhas pronta para outra. Tinha um encontro com o lendário ano de 1997, ano em que descobria, entre uma confusão e outra, a mim mesma e The Cranberries.

Quem me apresentou The Cranberries foi meu amigão da sétima e oitava série, o Gilson, tão louco por música quanto eu, apesar das diferenças - eu estava moldando minha personalidade à base de rock n´roll e ele, adorava pop. Ele me apresentou o terceiro album da banda, To The Faithful Departed. E eu fiquei louca por Salvation, Free to Decide e depois as mais antigas e conhecidas: Linger, Ode to my Family, Zombie.

Essa minha turminha do Derville era engraçada. Não estávamos nem aí para os "populares", os aborrescentes que faziam a maior força para mostrar que já eram adultos. Éramos bem crianções, a gente vivia rindo, brincando e cantando. Alanis Morissette, No Doubt (a banda preferida do Forrest, rsrs) e até Spice Girls estavam no nosso repertório. Direto e reto cantando, parecia até musical da Metro.

Esta era acabou quando concluímos o Ensino Fundamental, quando só eu consegui passar para o curso de Mercadô e a Isabel para o de Magistério. Fiquei totalmente órfã destes malucos e dos nossos dias de Família Do-Re-Mi. Minha vida foi por outro rumo e este tempo ficou perdido nas ruínas da memória. Até sexta passada, pelo menos.

O show do The Cranberries - pela primeira vez no Brasil, ora essa! - funcionou como uma máquina do tempo, para mim e para todos que estavam lá, eu aposto. Quando tocou Salvation, quase no fim do show, nem precisei fechar os olhos para ver o Splash sacolejando em volta de mim, toda vez em que eu comprava uma ficha na Jukebox que havia por lá só para ouvir essa música e sair pulando pelo bar, catarticamente.

Eles fizeram um show seguro, afinal trata-se de uma banda com uma coleção de hits para escolher e para mim, nenhum ficou de fora. Salvation, Zombie e Ridiculous Thoughts na sequência quase me mata do coração! Como bem observaram algumas resenhas que eu li, eles fizeram um retrato da década de 90, o único album dos 2000 foi lembrado em somente uma música. E todas foram cantadas pelo público, palavra por palavra. Os hits e as obscuras. As lentas e as agitadas. As alegres e as soturnas. Todas.

Eu sempre disse que tenho bronca de bandas que vêm ao Brasil depois de mil anos em turnês caça-níqueis, mas sinceramente, não creio que seja o caso do The Cranberries. Se fosse assim, Dolores e sua trupe não fariam um show tão cheio de alma e vigor, como este, que emocionou pra valer todos os neo-tiozinhos que estavam lá, inclusive a professorinha fazedora de textículos aqui.

Ela prometeu voltar, espero que, dessa vez, com um novo álbum do The Cranberries. Porque todo este retorno ao passado para mim se presta apenas a um sorriso por saber que eu era feliz, e sabia, como tenho sido hoje. Eu quero é mais, nosso tempo é agora.

Só senti falta mesmo de uma coisa: Gil, você não estava lá!!! Onde você foi parar, cabra???

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

TPM

Barriga, inchada.
Seios, explodindo.
Nervos, à flor da pele.

E o útero...
sempre esperando.

(29/12/2009)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Filme de mulherzinha


Passei a década de 90 assistindo comédias românticas. Eu gosto de filme de mulherzinha, e daí? Uma Linda Mulher (que segundo a minha mãe deveria se chamar Um Lindo Homem, e eu concordo em gênero, número e Richard Gere - Ui!), todos ou quase todos da Meg Ryan, Jerry Maguire - A grande virada e O Casamento de Muriel fizeram a minha cabeça. O roteiro deste tipo de filme é quase sempre feito de favas contadas - na verdade estou sendo boazinha, é um lugar-comum atrás do outro - e a parte água com açúcar geramente é temperada com sequências de humor impagáveis, com elencos via de regra muito bons.

Seguindo a tradição, munida da companhia gazelística, neste último sábado fui assistir à estreia de Falando Grego (My life in ruins, no original). Nia Vardalos é Georgia, uma greco-americana que se muda para Atenas para lecionar história clássica, perde o emprego e, para se virar, trabalha numa agência de turismo pra lá de fuleira, não se dá com o trabalho e quer dar aulas de história e mitologia grega pra um bando de turistas que só querem saber de se entupir de sorvete no meio do calor da Grécia. Georgia está à beira de um ataque de nervos até que ela conhece o "urso que tirou carteira de motorista" que foi contratado para dirigir o ônibus da excursão, que seria a última que ela acompanharia e aí... começa o filme, que mostra a jornada de Georgia em busca do seu kefi, palavra grega que significa alegria, vivacidade, nosso brilho natural e para isso, recebe ajuda de um turista (Richard Dreyfuss) que começa como o metido a engraçadinho da excursão e termina como um velhinho fofo, espirituoso e movido a uma "pilulazinha azul da Pfizer que o governo paga", e até bancou o Oráculo de Delfos no meio da história.

O enredo é chavão puro, claro, mas a diferença estão nas sequências de humor, baseadas ou em mal-entendidos surreais ou na cara de "ahn?" que só a Nia Vardalos consegue fazer. Tenho boas lembranças dela - foi isso que me motivou a ver o filme na estreia, coisa que nunca fiz. Casamento Grego, um dos seus filmes mais conhecidos, não assisti inteiro, só vi uma temporada da série do mesmo nome alugada em DVD na casa de Bozoca, em um dos momentos mais fundo do poço dos últimos tempos da minha vida, e me arrancou boas risadas. Se a Nia Vardalos me fez rir naquelas circunstâncias, anything is possible.

Além do humor, as paisagens. Ah, as paisagens. Pathernon, Monte Olimpo, Teatro de Epidauro... Uma mais linda que a outra, as tais ruínas onde se perdeu a vida de Georgia. O segredo do sucesso dos chavões de Hollywood está aí. Todo mundo já foi Georgia um dia, a ponto de um dia se olhar e ver que perdeu o viço, o brilho, que não faz mais o que gosta, preferindo o contrário para agradar gente de que você não gosta. E de repente, resolve-se chutar o balde, apertar o botão do foda-se, dar uma imensa banana para o mundo, mas acaba-se por nem precisar. O destino se encarrega de virar a mesa por si só, deixando para si o deus-ex-machina do final da história. Aí que tá, não foi Hollywood que inventou isso. Advinha quem foi?

Na verdade, deus-ex-machina é a solução "engenhófica" de um conflito sem solução dentro de uma trama no teatro clássico grego, onde se fundou as bases para o teatro ocidental de hoje. Quem traz a solução milagrosa de um conflito a princípio insolúvel é a ação de um deus, daí o nome, um deus feito de máquina.

A virada do personagem é a sua virada. Georgia reencontra seu kefi por você, que respira aliviado quando sobem as letrinhas dos créditos, sem ter movido uma palha para tanto. Não, você não é o único, nem eu, todo mundo faz isso, inconscientemente. E isso não é loucura, é catarse. Aliás, isso é uma maravilha, resolveu sua vida e nem desfez a escova! Acha que foi Freud que postulou sobre este comportamento?

Catarse não é invenção freudiana e sim aristotélica. O discípulo de Sócrates postulou em Poética, o processo catártico da tragédia clássica, que eu descrevi acima à minha maneira, porque obviamente, na Antiguidade clássica não existia chapinha e muito menos salas de cinema. Mas o processo é exatamente o mesmo, a jornada do herói sempre trilhará este caminho.

Vou parando por aqui, antes que vocês pensem que estou falando grego. Encurtando o papo: quem gosta de filme de mulherzinha vai adorar Falando Grego: as mocinhas e os heroicos machos sem medo de comédias românticas. Sim, eles existem.

sábado, 11 de julho de 2009

Ídolos

Ah, ídolos. A pseudo-morte do Michael Jackson e as comemorações do 50 anos de carreira do Roberto Carlos tem me feito pensar como a vida fica divertida com eles.

Minha mãe sempre dizia para minhas irmãs (com quilos e quilos de pôsteres e revistas primeiro do Menudo e depois do New Kids On The Block) que idolatria era pecado, sendo ela própria, fã-fanzaça-fanzoca do Rei: mais da metade dos discos de vinil de casa são de Sua Majestade O Brasa, mora?

Lá pelos distantes anos 1980, eu não escutava discos, eu via discos. Crianças não mexiam nas ainda incipientes parafernalhas eletrônicas e quando uma mãozinha esperta se aproximava do 3 em 1, era batata escutar: "Tira a mão daaaaaaaaaaaaííííííííííííííí, meninaaaaaa!". O máximo que a gente fazia sem ter os tímpanos estourados era ligar a TV -sem controle remoto.

Com essa restrição tecnológica me restava entrar no meu mundim estranho e perder tardes e mais tardes fuçando os discos de casa, o que explica o fato de a memória do que eu escutava por tabela quando era criança ser visual. (Eu disse que era estranho!) Manusear as capas dos discos era muito mais fácil para minhas mãos pequenas de então, do que equilibrar o braço do toca-discos entre dois dedinhos e colocar a agulha no início da faixa com precisão.

As capas dos discos então, é o que restou de tudo, apesar de ainda existirem os vinis. Depois de quebrar o toca-discos, a gente matava a saudade olhando para elas, grandes e muito mais vistosas que os encartes de CD. Duas capas povoam meu imaginário até hoje: do disco da Clara Nunes, a Guerreira, com aquela imagem célebre, coroada de búzios e olhando ao longe e o Thriller, do Michael Jackson. Sim, texticular audiência: a família Teodoro contribuiu para as estatísticas do Guiness Book. Eu olhava perplexa para a capa e pensava: Ué, ele era negro???? Nem lembrava das músicas do álbum, mas tudo indica que dei meus primeiros passos na Vila Ede escutando isso por tabela, porque ao escutar Thriller agora, eu reconheci todas as músicas - Beat It, Billie Jean e Thriller não valem, é claro - porque são os maiores hits do álbum.

Pois é, procura-se este exemplar do disco mais vendido em toda a história desesperadamente. Há uns três anos atrás, fui mostrar este disco para uma amiga e cadê o dito cujo? Sumiu, escafedeu-se, finou-se. Então, de todas as dúvidas que povoam a morte do ídolo, para mim a maior delas é: Onde foi parar meu Thriller? Paga-se bem, porque isso é pior que procurar agulha no palheiro. Já estou até conformada, crendo até que achar o Santo Graal é mais fácil.

Pelo menos aqui em terras tupiniquins, os holofotes estão mais voltados para a turnê do Rei do que para a morte do Rei do Pop. O que a gente não faz para agradar a nossa mãe? Fui comprar os ingressos do show do Brasa hoje e passei duas horas dando com os burros n´água tentando comprar os benditos no site de uma rede de compra de ingressos chamada Ingresso RÁPIDO. Fico pensando se a rede se chamasse Ingresso Lento, quantos dias essa provação iria durar. A turnê do mais popular artista brasileiro, patrocinada pelos gigantes Nestlè e Itaú, não tem uma operação específica de venda de ingressos. O Rei não merecia um hotsite só pra ele, ora essa?

Resultado: tive que ligar. Quando consegui, era a 74ª na fila de espera e quando consegui comprar, tinha a cadeira azul, Vip dos Vips? Que nada, os clientes Personalitté paparam todas, sem exceção. Assim não tem nem graça ser classe média! Nunca quis tanto ser cliente Irritaú Personalittè.

O máximo que consegui foi o setor verde, meio de banda, na penúltima fila, desembolsando mais de 300 cru e falando com um atendente pra lá de garoto-enxaqueca. E para que fazer tudo isso? Além de deixar Betona feliz, uma maluca por música perderia este momento histórico? Mais que assistir à turnê de 50 anos de carreira do Roberto Carlos, só ver o Jimi Hendrix tocando Star Spangled Banner em pleno Woodstock. Mas para conseguir isso, só com sessão espírita ou máquina do tempo, e não disponho de nenhum dos recursos agora. Ou seja: que venha o Rei!

Peço a texticular audiência que lancem mão de seus credos religiosos, sejam lá quaisquer que forem, porque há outra provação que está por vir para chegar no Ginásio do Ibirapuera: o trânsito!

E é para mamãe esta cambalhota*!

Notas:
* Outra história da carochinha, mas esta é da minha irmã. Ela ficava olhando na janelinha da porta da casa da Vila Ede, morrendo de medo, toda vez que minha mãe ouvia a fita do Brasa com a música: "O leão está solto nas ruas, já faz uns dias que ele fugiu...." Não é de se estanhar que ela fosse brincar comigo ainda bebê, usando um coelho azul com fundo de ferro. Eita, era de Aquário!

* Meu pai também gosta de Roberto Carlos e foi ele que ficou esperando no telefone, porque sabia que eu ia desistir, se eu ficasse na linha. Morrer de ciúmes do Brasa, só mesmo o Lineu Silva, dA Grande Família, porque com meu pai não tem crise.

* E a imagem que ilustra este textículo é uma das minhas capas preferidas - o disco também - de Sua Majestade O Brasa, com pérolas como Eu sou Terrível, Quando e O Sósia.

domingo, 3 de maio de 2009

Machado Skylábrico

Falta agora pouco menos de meia hora para a Virada Cultural acabar, e já rendeu bons frutos, como por exemplo, a minha vontade de matar as antas organizadoras do evento (o transporte estava uma bosta completa, mais do que nos outros dias do ano), tanto que já estou aqui texticulando sobre.

A gama de opções era tanta, mas tanta, mas tanta... que acabei indo em um evento só e perto de casa, o que não me impediu de dar uma volta pelo centro da cidade para ver o que dava pra aproveitar. Como estava tudo muito lotado, fui ao CCJ ver o Zé do Caixão e o Rogério Skylab, este último não conhecia até então, e garanto que já não vivo sem ele, hahaha.

Zé do Caixão não decepcionou, mas é muito difícil ser mito, então a surpresa da noite foi o Skylab. Sua obra é marcada pelo grotesco e pelo bizarro, não só exatamente pelo horror. Rola também uma sacanagem e um gosto pela escatologia também. Como o terror me diverte, acho que nunca dei tanta risada, perto dos muros do cemitério da Cachoeirinha, nem quando eu e a velha guarda íamos para lá tomar uns porres à meia-noite. Hoje, fui caçar informações do meu novo ídolo e sex simbol (sua reboladinha só não é mais gostosa que a do Ney) no Oráculo, obviamente.

No seu blog, descobri que ele abordou um tema que já há algum tempo me instigava, mas ainda não tinha compartilhado com a minha Seleta Audiência. Quem já leu Dom Casmurro, que não é meu caso, sabe que Bentinho deixou um soneto que só tem o primeiro e o último verso, deixando o miolo para ser preenchido por um leitor desocupado. Eu fiz o tal soneto, como um treino, já que nunca consegui obedecer métrica, número de versos, estrofes, e também pelo fato de nunca ter gostado dessa poesia romântica, fofinha. E vi que Skylab também o fez, totalmente ao seu estilo pós-vanguardista. Vi que isso era um sinal dos deuses para veicular o tal soneto. Primeiro vai a minha versão:


Soneto que Bentinho não fez


Ó, flor do céu! Ó, flor cândida e pura!
Suas pétalas exalam frescor de doçura
Ao ver-te, esqueço-me das mazelas
De não ter o teu amor, nem as estrelas

Do céu, que nos permite somente vê-las,
Como quem deseja os amores de uma donzela
E desvendar os mistérios da sua candura,
Impossível de penetrar na realidade mais dura.

O choque entre verdade e ilusão escancara
A fragilidade da pétala arrancada
Da flor do meu sonho, que a vida me roubara.

Por vencido não me dou, que a história inda não é acabada,
Pois o desejo de fato nunca falha.
Perde-se a vida, mas ganha-se a batalha!

E o do Rogério:

Oh! Flor do céu! Oh! Flor cândida e pura
às margens de um córrego
cheio de esgoto.
O adubo que te alimenta,

te fez crescer.
Flor do brejo,
onde crianças são desovadas:
é aqui teu habitat.

Floresces em meio às fezes,
epidemias e corpos mutilados.
Tua haste delicada, tuas pétalas,

foram forjadas no inferno.
Será assim teu epitáfio:
Perde-se a vida, ganha-se a batalha.

E isso é só a ponta do iceberg... Até que estou bem, para quem detestava blogs com poesia. Se eu soubesse que participariam, até relançaria o desafio machadiano à minha seleta audiência, mas acho que esse Machado Skylábrico matou a pau, quer dizer, a machadadas, quaisquer tentativas que se façam de escrever este soneto novamente.

Beijo do Bozo!

Textículo jorrado em 03/05, 18h13.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Links de utilidade pública

Já disse inúmeras vezes aos meus amigos que perdi as contas de quantas reencarnações eu preciso para viver, ver, ler e assistir tudo que eu quero na minha vida, curta para tantos desejos. Eles concordam comigo e compartilham dessa sensação. Muitas outras pessoas também devem ter esse tipo de paranóia, porque é moda agora livros e afins do tipo: "501 Must See Movies" ou "1001 discos para ouvir antes de morrer". Sinceramente, escorreu uma baba no cantinho da minha boca por estes livros. Ai, como é difícil ser cult e cool...

Na verdade, sou fanática por listas como essa. Nunca mais publiquei textos com Top5, porque minha seletíssima audiência regula sua mixaria e a grande maioria não posta comentários, mas continuo gostando muito. Ontem me diverti com "As 100 mais em 100 anos", lista das 100 músicas mais tocadas de 1904 a 2003. Você olhou a lista do ano em que você nasceu? Bingo! É praticamente impossível não se sentir curioso? Será que na sala de parto onde nasci tinha um rádio ligado, como em Cidade dos Anjos? (Filme que para mim, por um acaso, só prestou mesmo pela trilha sonora.) Fico rindo, de pensar em mamãe se esguelando na sala, enquanto a Zizi Possi se esguelava no rádio: "Me faz pequena, aaaaaaaaaaaaaaaaaaasa morena..." Rá! Eu sei que não tem graça nenhuma, Duley.

Também é tentador olhar a lista do ano que mudou a sua vida. E a decepção do Vizinho: na lista de 1997 não tem Radiohead! Na verdade a lista serve para rir, porque a quantidade de porcarias e guilty pleasures é imensa. A lista mais chiquérrima foi a de 1948, ano de nascimento da Betona: primeiro lugar para Dick Farney, considerado em sua época o Sinatra brasileiro. Na verdade, o popular era naturalmente mais sofisticado. Essa coisa que para o povão tem que ser ralé, é uma ideia lamentavelmente recente.

Mesmo antes deste festival de listas, estava começando a formar a lista dos 100 sites que você precisa acessar antes de bater a caçoleta, finar-se, bater as botas. (Já reparou como são numerosos os eufemismos para a morte? E o pior, os mais engraçados.)

Voltando a lista: eu mal tenho 5 para um Top, mas como eu sou teimosa, eu chamo a audiência para dar a sua contribuição:

1 - Desencalha Wanderson (http://www.desencalhawanderson.com.br/) - Indispensável pelas fotos com cara de "Manhê, eu tô com gases" e pelo texto comicamente mal redigido;
2 - Vida de merda (http://www.vidademerda.com.br/) - A vida é uma merda, mas ainda assim, é capaz de te matar de rir;
3 - Horóscopo Astral (http://www.horoscopo-astral.com/) - Ótimo para formar "Astrólogos de Mouse", como eu. Este site, com sua data, hora e local de nascimento, não descobre apenas seu signo ascendente, como também a cor do seu MM´s favorito;
4 - Nimportequi.com (http://nimportequi.com/) - Não tenho muitas informações a respeito, este link foi mandado por Forrest ao especularmos a formação desta lista. Grupo de comédia francês com esquetes genais no mesmo nível que as do Monthy Pynton. Humor finérrimo;
5 - Textículos de Mulher - Dispensa comentários. Se você não acessar, eu choro!

Dispensei os links que eu já recomendo usualmente, exceto o do guru da campanha pela minha saída do caritó. Por este motivo, é que não está aí meus blogs preferidos, como o OkComput3r e HTP, nem os sites que reconheço como utilidade pública. As nobres almas que me acompanharão nesta empreitada, por favor, defendam os pequenos e desconhecidos. Sem culpa cristã, excluirei listas do tipo "Orkut, Youtube, MSN, Myspace, UOL", porque estes não são novidade nenhuma. Mas Pérolas do Orkut e GTO aceito sim, obrigada.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Smells like a gunpowder spirit


Na última quarta-feira, a Seleta Audiência pode ter ouvido falar que, em uma escola municipal da Zona Norte de São Paulo, um aluno de 14 anos atirou acidentalmente em sua colega com revólver calibre 38 cano longo. É uma tendência nossa acreditar que isso pode acontecer em qualquer lugar, nunca perto da gente. Pois é, Seleta Audiência, até o ano passado, eu trabalhei nessa escola. E mais: tenho uma leitora de textículos trabalhando lá agora e que estava na sala ao lado quando isso aconteceu. Por muito pouco teria sido ela a professora a estar naquela sala na hora do ocorrido.

Todo mundo acha um absurdo, todo mundo se pergunta onde vamos parar assim, e principalmente, coloca a culpa na direção e no corpo docente da escola, como vi pela TV. O mané-pipoca do Percival de Souza falou naquele 'espreme-sai-sangue' do Cidade Alerta que isso era falha da direção da escola. E a gente tem direito de revistar mochila de aluno por um acaso, Sr. Especialista em Generalidades?


Ano passado, em outra escola em que trabalho, eu vi, ouvi e cheirei uma bomba no corredor bem na volta do intervalo. A confusão foi tanta que me perguntei se estava na Faixa de Gaza e cogitei mudar o patrono da escola para "Bin Laden". Naquela época já fiquei atordoada, me perguntando com que tipo de gente eu estava lidando. Imagine hoje, ao saber que por pouco não tomei uns pipocos, se tivesse continuado naquela escola da prefeitura, isso sem contar a Bozonifácia, que acompanhou tudo de perto.


Certa vez, na minha sala de aula, um colega trouxe uma arma, só que era de brinquedo e a munição de chumbinho. Ainda assim, a professora ficou desesperada: "Menino, me dá essa arma!"


"Mas professora, é de brinquedo!" E a professora: "Claro que não é, menino, já estou sentindo o cheiro da pólvora, me dá isso!"


Depois dessa frase, a prô perdeu o respeito, a sala desabou a rir. Se não tinha nem munição, que dirá pólvora pra ter cheiro?


Imagino o desespero da minha ex-professora, hoje colega de profissão, mas não deixa de ser engraçado o pânico da pobre com aquele 'treisoitinho' em cima da carteira do meu colega. Se ela estivesse no lugar da Bozonifácia, ela cairia dura. Renata, que mal teve tempo de sentir o cheiro da pólvora, teve que sentir também o legítimo cheiro de sangue, afinal o tiro acertou o joelho da infeliz que fez o favor de ficar perto de um zé-ruela armado sabe-Deus-porquê.


Por essas e outras começo a achar românticos estes anos 90. As pequenas transgressões - como uma arma de chumbinho - tinham graça. Porque, para mim, esta notícia não é nem um pouco engraçada, assim como os ares de Mcgyver que ganhou o Magistério contemporâneo. Não tem graça nenhuma, Duley.


*Por razões óbvias troquei a imagem original por uma foto do Kurt com armas: http://media.photobucket.com/image/kurt%20cobain%20with%20guns/afewrandomdrunks/Kurt_20Cobain_20Gun.jpg

terça-feira, 24 de março de 2009

Sonho de um sonho II

Neste domingo, fui uma das 30 mil pessoas que assistiram ao show do Radiohead em São Paulo, e aquela sensação duplipensante de viver o momento ao mesmo tempo em que se tenta racionalizar a experiência para relatar depois funcionou só durante alguns instantes, porque o que eu vivi foi tão surreal, que me sinto como o Segismundo, protagonista de A vida é sonho: estava dormindo e acordei aqui ou foi o contrário, tudo isso é um sonho?

Engraçado porque quem é fã absoluto e irrestrito de Radiohead não sou eu, acho difícil superar Vizinhíssimo e TioZé em loucura insana por Thom Yorke e seus parceiros, mas isso não impediu que eu me comportasse como uma fã, a começar pelo dia em que eu comprei o ingresso, uns três meses antes. Por que eu fiz isso, se não era tão fã assim? Simples, eles decidiram vir ao Brasil no seu melhor momento, e conta-se nos dedos as bandas internacionais que fazem isso. Sabia, desde sempre, que seria este um show histórico¹. E foi.

A surrealidade da experiência começa pelo fato que faz uns 10 anos que eu não vou a um grande show de rock e sinceramente pensei que esta fase já tinha passado. Clichê muito piegas, mas verdadeiro: é como se eu tivesse a minha adolescência de volta. E isso é bom demais.

Minha mente ainda tagarelava no show do Los Hermanos, que no início eu desprezei, mas que depois ganhou um gosto de piada velha envelhecida em barris de carvalho, como um bom vinho. O show foi melhor que eu esperava e achei muita graça em eu não conhecer nada de Los Hermanos que ultrapassasse a chatice da "Anna Julia". Eles que não são bobos nem nada, não tocaram essa pérola do cancioneiro chato do pop-rock brasileiro. Conclusão: apesar de ter apanhado do Chorão e de dar uns sapecos na pirralha da Mallu Magalhães, o Marcelo Camelo merece algum respeito musical, mesmo com sua cara de funcionário da Nasa dos anos 70, misturada com cara de judeu de Higienópolis com traços de estudante de sociais da USP ou coisa que o valha que me irrita um tanto, eu confesso. E o Rodrigo Amarante fez mais bonito que nosso idish-apollo13. Alguém tem o telefone dele, por favor? :-P

Outra piada velha, mas que eu conheci estes dias, portanto tem graça foi o Kraftwerk. Eles tem mais de 20 anos de carreira, mas para mim foi a descoberta da pólvora. Vi tudo naquele show: poesia concreta, Mondrian, crítica social. Mais um drama tostines na minha vida: eles são realmente vanguarda ou o que a gente faz e ouve em termos de música é que está datado? We are the robots!

O Radiohead, como bem informa a notícia do link, entrou pontualmente em cena. E aí que começou meu desespero, do alto dos meu 1,63m de altura. Não adiantava ficar na grade, como bem observou o já iniciado em shows do Radiohead - o dono do... OKcomput3r! - para que se pudesse ver o show na íntegra, com os efeitos de luz que ajudaram ainda mais a criar o clima de "isso é verdade mesmo?" que permeou todo o show. Só que era gente demais naquele lugar e ver mesmo o show, eu não vi. Demorou um tempo para entender que aquilo não era um show, era uma experiência, e que em shows de rock o legal não é ver e sim participar. Foi aí que a coisa ficou boa para mim, quando rolaram os melhores momentos do show, na minha opinião: Paranoid Android, Karma Police, e do In Rainbows, Reckoner. No bis, Fake Plastic Trees foi atrapalhada por uma briga perto de mim. Como bem observou um outro cara que estava por lá: "Brigar logo na hora do Carlinhos, pô?" Aí, estragou.

Hora de ir, quase um enrosco, em plena madrugada de domingo para segunda. E lá estávamos, mais uma vez, eu e meus companheiros de aventura, tentando sobreviver na cidade. Chegamos três da manhã em casa e em vão tentei acordar às 5h30 para ir trabalhar e abri os olhos com essa sacada do Segismundo: estou acordando agora ou voltando a dormir?

Esta pergunta se mantém sem resposta. Desde que acordei/dormi, tenho ouvido Radiohead feito uma louca, tentando "concretar o fluido", reter na memória o que passou, o que eu senti. Essa bola eu cantei para o Zé, na saída do show: acho que só vou entender o que aconteceu de verdade daqui a alguns anos. E olhe lá.

Por isso fica para o próximo textículo um pouco mais da minha relação com o Radiohead, como se fosse os TM um filme do Tarantino, que vai e volta no tempo com garbo e elegância, como eu*. É para nós mesmos esta cambalhota!

1 - Aos que sobreviveram para contar esta história comigo, aquele abraço!

sábado, 21 de março de 2009

Inclassificáveis

Fui assistir ontem ao show do Ney Matogrosso de um de seus trabalhos mais recentes, o sucesso de crítica e público Inclassificáveis. Estava tentando ir deste agosto do ano passado, quando diziam que seria a última passagem deste show em São Paulo, o que se mostrou um belíssimo papo furado. Quando fiquei sabendo que neste final de semana rolariam mais três shows, eu corri para comprar a mesa mais próxima que eu pudesse e não perder este show por nada deste mundo e ainda carreguei junto Filhutti e TioZé, amigo, companheiro de banda, parceiro e compositor que até me faz às vezes eu me sentir uma diva, por conta das canções fodásticas que ele me dá para cantar, apesar de toda a desafinação que me acompanha. Seria ele um chamariz para invadir o camarim do Ney? Mistérios insondáveis da Velha Guarda.

Eu já conhecia o produto. Em 2004 assisti ao show da turnê Vagabundo, que ele fez junto com Pedro Luís e a Parede, que eu já conhecia e gostava também. Desta vez, porém, houve um mega-salto de qualidade. No show do Vagabundo, eu fiquei no poleirão, o setor em cima do camarote do finado Olympia (ah, que saudade, assisti ao primeiro show do Offspring no Brasil lá, no inesquecível ano de 1997). Desta vez no Citibank Hall (antigo Palace e DirecTV Music Hall), fiquei nas mesas do Setor 1 e escutei até as tomadas de fôlego do Ney na hora de cantar.


Essa coisa de ser blogueiro nerd é uma bosta. No show, entre uma gozada e outra, eu só pensava nessa merda de blog, nas frases que escreveria, em como descreveria aquela pélvis endemoniada que deixa Elvis Presley parecer um coroinha de igreja. E o Elvis nem chegou aos 67 anos - idade do gostosão Ney Matogrosso - e aos 40 já parecia um cachaço perto de ser abatido. Eu tive que respirar e abstrair, para poder viver a experiência como se deve, sem pirações ciberculturais.


O show é uma rara experiência de espetáculo completo: visual, performático, musicalmente perfeito. O Ney é artista consagrado, e neste show fica evidente sua segurança, sua experiência, seu domínio de cena absolutamente indiscutível e com tudo isso, ainda executa sua performance com uma paixão de primeira vez no palco. O Vagabundo também foi assim, mas no Inclassificáveis houve uma diferença. Senti uma maior economia nos gestos, aquela malandragem que só a idade é capaz de nos trazer. É diferente de estar contido, sua rebolada continua fantástica, tanto que ele não a gasta à toa. Nada mais perfeito para o tema do álbum e do show, a passagem do tempo e como isso nos espanta, passando pelo amor, pelo sexo, e acaba sendo um retrato dele: inclassificável. Sendo gay ou não, pouco importa: a figura dele causa tesão até na ponte Rio-Niteroi, e com este show ele prova (mesmo sem precisar) que é também atemporal.


Eu já conhecia o álbum, fui atrás de me afiar que não sou besta nem nada, mas ainda assim tive surpresas. Na passagem da primeira para a segunda parte do show, quando ele tira o primeiro figurino em cena e fica apenas com uma malha finíssima que até parece que está seminu com o corpo pintado, ele canta Cavaleiro de Aruanda, do repertório do Ronnie Von na sua fase mais fantástica. Quando ele canta "Por que a gente é assim?", de longe a minha preferida do álbum, ele desce do palco e canta - literalmente - na minha frente!!!! Se não morri naquela hora, não morro nunca mais. No bis, ele canta Simples Desejo, canção do primeiro álbum da Luciana Mello, que eu também adoro. Puta que pariu, gente. É de gozar mesmo.


Falando em gozar, desde que eu comprei o ingresso até a hora de sentar à mesa, eu disse que ia gritar lindo, gostoso, vai lá em casa e etc., coisa que eu e mais um monte de malucas fizeram no show do Vagabundo lá no Poleirão do Olympia. Mas ontem, quando o show começou, eu mal piscava, e suspirava. Só conseguia fazer isso. Como o Bozo de Calça Quadrada aqui só faz se f****, tinha umas pós-balzaquianas que fizeram isso por mim e pela plateia inteira, e mais pareciam um bando de adolescentes histéricas gritando pro Zac Efron no High School Musical, e o pior, só para aparecer, porque gritavam até no meio das músicas, das mais lentas inclusive, como Coisas da Vida, por exemplo.

Nestas horas se justifica meu ódio extremo pela "crasse média" medíocre que a gente tem nesse país. Nem dá para colocar a culpa na falta de estudo, de cultura ou de dinheiro, é falta de camisinha mesmo. Nascer já foi o erro. Filhutti estava bem atrás dessas frígidas e sofreu a pobrezinha. Nem sei como eu e ela não enfiamos nosso copo na boca daquelas malditas e um nabo em outro lugar, para tentar ver se sossegavam. Traduzindo: fora pela visão de palco, grande merda ficar no Setor 1. Sem contar o trânsito de garçons, às vezes tampando a visão do show. A culpa não é nem deles, que trabalhavam como se estivessem numa trincheira de guerra, quase de joelhos: era da plateia mesmo. Quer beber, que vá pro boteco e se quer comer, que vá pro restaurante. A última coisa que interessa a este tipo de público é a música. Nota zero para eles.

E quem quiser que conte outra, porque este fim de semana tem mais: amanhã assisto ao Radiohead e Kraftwerk, primeiro show internacional que vejo em quase dez anos, acompanhada de dois verdadeiros radioheadmaníacos. Segunda tem mais textículo, para mim e para esta seleta audiência que me acompanha. É para nós esta cambalhota!

Créditos da imagem: http://portal180graus.tempsite.ws/musicapelomundo/wp-content/uploads/2008/03/ney.jpg

segunda-feira, 16 de março de 2009

Moças Casadoiras

Dedicado à toda equipe que se esforçou em me casar a todo custo!

Tinha começado, há pouco, um textículo de solteirona em crise à la Sex and The City; o fato é que estou f-a-r-t-a desse tipo de discussão. Não sei porque ser amada precisa ser um luxo hoje em dia e como diz Amorzona Layr Ribeiro, não sei também se eu tenho mesmo que arrumar um "namoradinho crasse média" e ir pra Ubatuba todo fim de semana. Será?

Como boa Pré-Balzaquiana em Crise Anônima (agora declarada), só por hoje não vou cair na besteira de achar que preciso casar antes do 30. Sinto, porém, que avancei um dos doze passos, hehe.

Há uma semana atrás, "ganhei" um pretendente, segundo a Bozo de Calças Vermelhas, fofo, inteligente e educado. Inclusive, me senti nos anos 1950, vestida de I Love Lucy. Quem, em plenos anos 2000 (por mais contra-revolucionários que tem sido), vai ter um pretendente, igualmente casadoiro como você?

O fato é que fui apresentada ontem, com ares de mega-evento de Caras e casamento arranjado à moda indiana - na onda da novela - a meu pretendente, como eu já disse fofo, inteligente e educado. Mas sabe o que acontece? Nem ele, nem eu estamos na vibe de caçar um noivo e casar amanhã. Há outras necessidades, outras prioridades, outros desejos. Ficamos amigos sem dor no coração, pelo menos de minha parte. Dele também, eu acho.

Pode ser que as coisas mudem? Sim, por que não? Não importa, só por hoje eu desencanei, e é um grande avanço não se agarrar a ninguém numa crise de carência, causando dor e decepção totalmente desnecessárias para mim e para outra pessoa que não tem nada a ver com a Light. Demorou anos para a Bozo de Calça Quadrada aqui entender esse preceito básico. E isso me faz bem.
(E outra: não tenho mais medo dos 30. Iniciei, acompanhada pelo igualmente nascido em 1982 Vizinho das Galáxias, uma cruzada mesopotâmica para se chegar aos 30 no auge em todos os sentidos possíveis e imagináveis. Que 'moça véia' que nada.)

*Renata, Fernanda, João, os bozos-cupidos de plantão: aquele abraço! Ao Carlos também, o pretê-gonista dessa história.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Felicidade Guerreira

Bozoca defende uma tese que em dezembro existe um cheiro quente pairando no ar que, se você procurar por ele em 30 de novembro não tem e em 1º de janeiro, ele já passou.

Confesso, não gosto de fim de ano. Trauma da faculdade, porque sempre entregava a porcaria da pasta de estágios no fio da navalha, prestes a pegar DP por causa de um monte de relatórios que logo depois iria virar comida de Baratinha, literalmente e não literalmente. Gente que estudou ou estuda na Famosp-pi sabe bem do que estou falando. E como professor tem mais é que se f*, ano passado era a Via-Sacra de entrega de diários nas três mil escolas em que eu trabalhei para compor a jornada de professor contratado do Estado. Sem contar os três mil amigo-secretos em que eu cheguei a ouvir "Como dizia o poeta Manuel Bandeira... 'Tudo vale a pena se a alma não é pequena'!"¹ dito por uma professora de português em altíssimo estado etílico. Sorte de todos os presentes que não perceberam a gafe, provavelmente por acompanhá-la no alto grau etílico da festa. Azar o meu, que não tinha bebido o suficiente.

Sem contar o quanto que se engorda nesta época do ano, recorde em orgias alimentares.

Como 2008 é o Ano do Bozo, este ano é diferente. De uma hora pra outra, meu bode decorrente de todas as bozices que aconteceram este ano, foi embora. De semi-cegueira a reprise de filme sem-graça da minha vida, passando por um assalto, um mega arranca-rabo com baixista e amigo de muitos anos e um telefone jogado pela janela por causa de empresas que não prestam um serviço decente, eu quase enlouqueci. Gente, foi por pouco, muito pouco. Não sei como eu não me joguei pela janela.

Na verdade, quando Bozoca (a verdadeira, meninas²) falou desse cheiro quente, não consegui acompanhá-la na brisa, mas agora sei exatamente do que ela está falando. É ele que me faz sentir agora a melhor das esperanças: aquela sem motivo, que surge do nada e não nos decepciona, porque não é expectativa vazia colocada em coisas externas.

Como não sei e não quero saber qual é o motivo dessa mudança de humor - quero mais é curtir, resolvi achar um bode expiatório, à mesma maneira de Volver³: a culpa é desse cheiro quente que só dezembro é capaz de ter, que me faz rir sem motivo, dançar sem parar e principalmente, achar que só de virar a folhinha do calendário, minha vida vai mudar radicalmente e pra melhor. Que venha 2009!

"N
otas inútieis"
1 - Quem escreveu isso foi Fernando Pessoa, que conste nos autos.
2 - À maneira de Silvio Santos, um esclarecimento para minhas colegas de trabalho, que me chamam de Bozo: originalmente não sou o Bozo de Calça Amarela, no trio das losers eu era a Macabéa. Alilás, vale um Feliz Aniversário pra Renata-que-não-é-a-minha-irmã, que completou primaveras dia 13, que recomendou os Textículos no seu perfil do Orkut e tudo.
3 - Neste filme do Almodovar, dizia-se que na cidade do interior de onde vinham as personagens, as mulheres enloqueciam por conta dos ventos que sopravam na região.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Amy, Amy, Amy¹

Há muito tempo essa maluca com cabelo de colméia merecia um textículo só pra ela. Ela foi meu rito de passagem para os meus 25 anos, na minha escalada por esta montanha de esperanças².


Não veio antes porque estas coisas precisam de estalos e estes ainda não tinham vindo. E eis que nessa semana Sandra Dee-que-loucura me manda um email com fotos da Amy Winehouse, numa espécie de melhores e piores momentos da maluca em questão. E me assustei, porque os piores momentos são de f****. O ó da decadência.



Não que eu não tivesse visto estas fotos antes, mas todas elas juntas dão uma certa náusea. E pena. Afinal ela é bonita (sim, originalmente Amy Winehouse é bonita), jovem e está lá, no bicaço do urubu. São motivos clichê e piegas, mas absolutamente sinceros. Porque Britney Spears e Paris Hilton, por mim, podem cheirar uma carreira de um metro que eu não tô nem aí. Só que pela Amy eu lamento sim, porque ela é talentosa pracaralho, não tem outra definição. (Muita gente também diz isso, mas geralmente referindo-se apenas a seu vozerão de negona do Bronx. E ela é inglesa.) Só que se esquecem que ela também é uma compositora fantástica. Nos seus dois álbuns tem tudo: jazz, hip hop, soul, letras surpreendentes, arranjos encorpados, e tudo isso resultou em uma coisa que anda faltando na música pop em geral: originalidade.



Acho que essa originalidade, rara hoje em dia, fez com que essa maluca inglesa roubasse minha pobre alma definitivamente. E frases como "Ele se vai, o Sol se põe/ Ele leva o dia embora, mas já sou crescidinha. /Minhas lágrimas secam sozinhas" (Tears Dry on their own), cantadas como se fosse uma prece. Só um brutamontes é capaz de não se comover com isso. E eles existem. Aos montes.










Não gosto do tratamento dado para ela na imprensa. Porque é público e notório que ela não dá as suas bozadas para aparecer. Gostei quando Andrew Lloyd Weber, que não é qualquer um, saiu em defesa da Amy, dizendo que ela é uma pessoa que não sabe lidar com seus conflitos e com seu talento. Ela realmente sofre. Claro que um papparazzo está pouco se importando com os conflitos existenciais de uma celebridade drogada e presa fácil, mas a tratam como se ela fosse uma espécie de avis rara. E ela é um ser humano. Acho que esta fonte de escândalos que ela se tornou é justamente porque ela não tá nem aí para os holofotes que a rodeiam. It´s just a girl.

Gosto dessa humanidade em excesso que ela tem. A parte ruim é que ela sofre com isso. Mas tem faltado isso nas pessoas públicas em geral, todas elas parecem ser ... de cera. (Coincidência ou não, sua estátua no Madame Tussauds foi inaugurada esses dias. Ela não quis ver. Certa ela. É como se todos estivessem já adiantando seu fim. E se ela se recusou a ir, é porque ainda estão rolando os dados.)



Este duplipensar me mata. Tratada como excêntrica porque se mostra humana em todos seus conflitos, é dada como "morta" para a música, e no entanto está aí, enchendo as páginas de escândalos, sendo celebrada e desprezada na mesma medida. Olha só:



Final de 2007. Junto com Victoria Beckham, é considerada a celebridade inglesa mais cafona. E alguns meses depois, a Vogue faz um ensaio com Isabeli Fontana posando de Amy Winehouse. E isso ecoou aqui em terras tupiniquins, na época do Fashion Week, só que com a Gisele Itié. Peraí: cafona, mas ícone fashion? Eita, mundo estranho.




Como eu quero mudar de mundo, não quero mais brincar de entender essa gente estranha. O fato é que as canções dessa desmiolada fazem parte do meu mundo e de outras pessoas também. Realmente não sei se ela sobrevive a tanto 'tóchico', mas mesmo que sobreviva, é difícil bater o Back to Black. Se ela estivesse bem já seria difícil, com toda a sorte de problemas que ela tem que superar agora - sobreviver, inclusive - eu confesso que meu coraçãozinho de fã tem poucas esperanças. Estou tentando me contentar com seus dois álbuns de estúdio.
Poucas, mas existem. Torço para que ela se reinvente, calando a boca dessa gente careta e maldita³. Ela merece, eu acho.




Referências:


1 - Última canção do primeiro álbum, Frank. A Musicoteca tem os dois álbuns na íntegra.


2 - Penúltimo textículo, "Para gente não loira".


3 - Alusão à Joana, cançao bem-humorada do segundo álbum da Ana Carolina.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Textículos ao Molho Forrest

Não há como negar, meu coração está partido, e toda vez que isso acontece é grande a necessidade de me reinventar.

Das outras vezes tosei os cabelos como Frida Kahlo¹, mas hoje não estou tão rebelde assim. Assim, o vizinho preferido resolveu acumular mais uma função: além de “baterista, desenhista, historiador e contador de mentiras sobre si mesmo”, ele resolveu atacar de chef e criou os “Textículos ao molho Forrest”, apostando nos contrastes entre a doçura da Bonequinha de Luxo, Audrey Hepburn e a acidez e androginia de Marlene Dietrich, equilibrando o sabor com um laranja brilhante ao fundo, não por causa da vitamina C, mas porque esta é a cor da minha energia, segundo Filhutti.

Assim, temos Textículos de cara nova, graças dotes culinarísticos de web designer do Vizinho das Galáxias. Valeu, querido, por este band-aid no meu coraçãozinho. Quem tem textículos, não precisa de coração!
1 - Link para o site do MoMa (Museum of The Modern Art), onde está o Self-Portrait with Cropped Hair (1940), da Frida.