segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Melancholia
terça-feira, 11 de outubro de 2011
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Metaleira, eu?
Não sei que milagre aconteceu para a Globo transmitir o show na íntegra, sem aqueles cortes horríveis que ela costuma fazer até em show do Brasa. Não sei que outro milagre ocorreu para eu assistir o show inteiro, sem dar uma cochilada sequer. Na verdade, eu sei. Foi um puta showzaço!
Aí me dei conta: Metallica é uma banda balzaquiana, só um ano mais velha do que eu. Nem no auge, nem decadente, na confortável posição de não ter mais que provar nada para ninguém. Fez umas bobagens na vida - o Load inteiro foi limado deste show sem fazer falta, e do Reload, só foi tocada a única música que presta, Fuel. Não abusaram de hits o tempo inteiro e fizeram um line-up não linear, o que eu gostei bastante. Prova de que o tempo que passa se mistura com o de agora, e ainda com o que está por vir. Não sei o que me espera, e que eu deixei para trás era excesso de bagagem. Viajante que se preza, só carrega o essencial.
No, je ne regrette rien! Só eu mesma para começar falando de Metallica e terminar com Piaf. E daí?
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Ellington´s Song
Beata, roqueira, comunista, blogueira,
Heroína sentimental autoproclamada
(Ou talvez, só um arremedo cômico de tudo isso)
Não passar de uma garota
Alérgica aos cuidados que sua idade começa a pedir
É mais do que suficiente.
Das aventuras e trapalhadas,
O que ainda resiste, de maneira camaleônica,
É só esta retumbante, faraônica
Fome de vida.
Eu não quero comida, eu quero mesmo é a fome.
É o Enigma de Kaspar Hauser, outra vez.
No meio da madrugada,
Da vitrola brota um jazz.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Esperando Godot II
O novo não substituirá o velho
Um dia e cada vez mais breve,
O novo se torna velho
E o velho se torna a coqueluche novidadadeira do ultimos tempos, como:
Cores new wave, olhos delineados, cinturas altas, óculos Ray-ban.
Tudo isso é piada velha, mas sempre se acha alguém que ainda não riu delas.
Sou mesmo ainda um velho bolachão
Feita de vinil e sulcos.
O que me toca, raspa a superfície.
É o que me faz cantar.
O que agora é virtual
Corre o risco de se perder na virtualidade dos seus arquivos.
Mp3 é o caralho.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Cumpleaños
Hoje, isto não faz a menor diferença.
O que era techinicolor agora é high definition
Menos as minhas vistas, que se turvam quando estão cansadas.
O corpo não perdoa mais os abusos,
Não obstante estas olheiras de urso panda,
Delatoras de cada noite mal dormida que vivi.
Hoje, me diverte o antigo esforço em deixar a meninice para trás.
Já não sou mais garota que não parava quieta na cadeira da cabelereira e por isso estava sempre com a franja torta.
Para que tanto esforço em crescer?
De fato pouca coisa mudou, ou vai mudar.
Exceto a oração matinal, acompanhada pelo creme anti-idade:
Deus, não permita que eu vire um buldogue.
Mesmo assim, decidi que a idade me fará bem.
O único contratempo é esta luta inglória
Pela revogação da Lei da Gravidade.
Meus peitos que o digam.
Moderno é envelhecer.
domingo, 15 de agosto de 2010
Urbana Legio Omnia Vincit
1980 e alguma coisa, com 5 ou 6 anos, uma música tocava na rádio e frases soltas ficavam ecoando, dançando na minha mente. Falava de pais, filhos, de amar sem amanhã. Não consigo precisar quanto tempo isso me consumiu, mas eu já estava impressionada com a letra e nem sabia disso.
Ps: Renata, essa é pra você, minha irmã: UrbanaLegio...GiovannaBaby????? Kkkkkkkkkkk...
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
The Cranberries
Quem me apresentou The Cranberries foi meu amigão da sétima e oitava série, o Gilson, tão louco por música quanto eu, apesar das diferenças - eu estava moldando minha personalidade à base de rock n´roll e ele, adorava pop. Ele me apresentou o terceiro album da banda, To The Faithful Departed. E eu fiquei louca por Salvation, Free to Decide e depois as mais antigas e conhecidas: Linger, Ode to my Family, Zombie.
Essa minha turminha do Derville era engraçada. Não estávamos nem aí para os "populares", os aborrescentes que faziam a maior força para mostrar que já eram adultos. Éramos bem crianções, a gente vivia rindo, brincando e cantando. Alanis Morissette, No Doubt (a banda preferida do Forrest, rsrs) e até Spice Girls estavam no nosso repertório. Direto e reto cantando, parecia até musical da Metro.
Esta era acabou quando concluímos o Ensino Fundamental, quando só eu consegui passar para o curso de Mercadô e a Isabel para o de Magistério. Fiquei totalmente órfã destes malucos e dos nossos dias de Família Do-Re-Mi. Minha vida foi por outro rumo e este tempo ficou perdido nas ruínas da memória. Até sexta passada, pelo menos.
O show do The Cranberries - pela primeira vez no Brasil, ora essa! - funcionou como uma máquina do tempo, para mim e para todos que estavam lá, eu aposto. Quando tocou Salvation, quase no fim do show, nem precisei fechar os olhos para ver o Splash sacolejando em volta de mim, toda vez em que eu comprava uma ficha na Jukebox que havia por lá só para ouvir essa música e sair pulando pelo bar, catarticamente.
Eles fizeram um show seguro, afinal trata-se de uma banda com uma coleção de hits para escolher e para mim, nenhum ficou de fora. Salvation, Zombie e Ridiculous Thoughts na sequência quase me mata do co
Eu sempre disse que tenho bronca de bandas que vêm ao Brasil depois de mil anos em turnês caça-níqueis, mas sinceramente, não creio que seja o caso do The Cranberries. Se fosse assim, Dolores e sua trupe não fariam um show tão cheio de alma e vigor, como este, que emocionou pra valer todos os neo-tiozinhos que estavam lá, inclusive a professorinha fazedora de textículos aqui.
Ela prometeu voltar, espero que, dessa vez, com um novo álbum do The Cranberries. Porque todo este retorno ao passado para mim se presta apenas a um sorriso por saber que eu era feliz, e sabia, como tenho sido hoje. Eu quero é mais, nosso tempo é agora.
Só senti falta mesmo de uma coisa: Gil, você não estava lá!!! Onde você foi parar, cabra???
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
TPM
Seios, explodindo.
Nervos, à flor da pele.
E o útero...
sempre esperando.
(29/12/2009)
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Filme de mulherzinha
O enredo é chavão puro, claro, mas a diferença estão nas sequências de humor, baseadas ou em mal-entendidos surreais ou na cara de "ahn?" que só a Nia Vardalos consegue fazer. Tenho boas lembranças dela - foi isso que me motivou a ver o filme na estreia, coisa que nunca fiz. Casamento Grego, um dos seus filmes mais conhecidos, não assisti inteiro, só vi uma temporada da série do mesmo nome alugada em DVD na casa de Bozoca, em um dos momentos mais fundo do poço dos últimos tempos da minha vida, e me arrancou boas risadas. Se a Nia Vardalos me fez rir naquelas circunstâncias, anything is possible.
Além do humor, as paisagens. Ah, as paisagens. Pathernon, Monte Olimpo, Teatro de Epidauro... Uma mais linda que a outra, as tais ruínas onde se perdeu a vida de Georgia. O segredo do sucesso dos chavões de Hollywood está aí. Todo mundo já foi Georgia um dia, a ponto de um dia se olhar e ver que perdeu o viço, o brilho, que não faz mais o que gosta, preferindo o contrário para agradar gente de que você não gosta. E de repente, resolve-se chutar o balde, apertar o botão do foda-se, dar uma imensa banana para o mundo, mas acaba-se por nem precisar. O destino se encarrega de virar a mesa por si só, deixando para si o deus-ex-machina do final da história. Aí que tá, não foi Hollywood que inventou isso. Advinha quem foi?
A virada do personagem é a sua virada. Georgia reencontra seu kefi por você, que respira aliviado quando sobem as letrinhas dos créditos, sem ter movido uma palha para tanto. Não, você não é o único, nem eu, todo mundo faz isso, inconscientemente. E isso não é loucura, é catarse. Aliás, isso é uma maravilha, resolveu sua vida e nem desfez a escova! Acha que foi Freud que postulou sobre este comportamento?
Catarse não é invenção freudiana e sim aristotélica. O discípulo de Sócrates postulou em Poética, o processo catártico da tragédia clássica, que eu descrevi acima à minha maneira, porque obviamente, na Antiguidade clássica não existia chapinha e muito menos salas de cinema. Mas o processo é exatamente o mesmo, a jornada do herói sempre trilhará este caminho.
Vou parando por aqui, antes que vocês pensem que estou falando grego. Encurtando o papo: quem gosta de filme de mulherzinha vai adorar Falando Grego: as mocinhas e os heroicos machos sem medo de comédias românticas. Sim, eles existem.
sábado, 11 de julho de 2009
Ídolos
Ah, ídolos. A pseudo-morte do Michael Jackson e as comemorações do 50 anos de carreira do Roberto Carlos tem me feito pensar como a vida fica divertida com eles. domingo, 3 de maio de 2009
Machado Skylábrico
Soneto que Bentinho não fez
Ó, flor do céu! Ó, flor cândida e pura!
Ao ver-te, esqueço-me das mazelas
De não ter o teu amor, nem as estrelas
Do céu, que nos permite somente vê-las,
Como quem deseja os amores de uma donzela
E desvendar os mistérios da sua candura,
Impossível de penetrar na realidade mais dura.
O choque entre verdade e ilusão escancara
A fragilidade da pétala arrancada
Da flor do meu sonho, que a vida me roubara.
Por vencido não me dou, que a história inda não é acabada,
Pois o desejo de fato nunca falha.
Perde-se a vida, mas ganha-se a batalha!
E o do Rogério:
Oh! Flor do céu! Oh! Flor cândida e pura
às margens de um córrego
cheio de esgoto.
O adubo que te alimenta,
te fez crescer.
Flor do brejo,
onde crianças são desovadas:
é aqui teu habitat.
Floresces em meio às fezes,
epidemias e corpos mutilados.
Tua haste delicada, tuas pétalas,
foram forjadas no inferno.
Será assim teu epitáfio:
Perde-se a vida, ganha-se a batalha.
E isso é só a ponta do iceberg... Até que estou bem, para quem detestava blogs com poesia. Se eu soubesse que participariam, até relançaria o desafio machadiano à minha seleta audiência, mas acho que esse Machado Skylábrico matou a pau, quer dizer, a machadadas, quaisquer tentativas que se façam de escrever este soneto novamente.
Beijo do Bozo!
Textículo jorrado em 03/05, 18h13.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Links de utilidade pública
Na verdade, sou fanática por listas como essa. Nunca mais publiquei textos com Top5, porque minha seletíssima audiência regula sua mixaria e a grande maioria não posta comentários, mas continuo gostando muito. Ontem me diverti com "As 100 mais em 100 anos", lista das 100 músicas mais tocadas de 1904 a 2003. Você olhou a lista do ano em que você nasceu? Bingo! É praticamente impossível não se sentir curioso? Será que na sala de parto onde nasci tinha um rádio ligado, como em Cidade dos Anjos? (Filme que para mim, por um acaso, só prestou mesmo pela trilha sonora.) Fico rindo, de pensar em mamãe se esguelando na sala, enquanto a Zizi Possi se esguelava no rádio: "Me faz pequena, aaaaaaaaaaaaaaaaaaasa morena..." Rá! Eu sei que não tem graça nenhuma, Duley.
Também é tentador olhar a lista do ano que mudou a sua vida. E a decepção do Vizinho: na lista de 1997 não tem Radiohead! Na verdade a lista serve para rir, porque a quantidade de porcarias e guilty pleasures é imensa. A lista mais chiquérrima foi a de 1948, ano de nascimento da Betona: primeiro lugar para Dick Farney, considerado em sua época o Sinatra brasileiro. Na verdade, o popular era naturalmente mais sofisticado. Essa coisa que para o povão tem que ser ralé, é uma ideia lamentavelmente recente.
Mesmo antes deste festival de listas, estava começando a formar a lista dos 100 sites que você precisa acessar antes de bater a caçoleta, finar-se, bater as botas. (Já reparou como são numerosos os eufemismos para a morte? E o pior, os mais engraçados.)
Voltando a lista: eu mal tenho 5 para um Top, mas como eu sou teimosa, eu chamo a audiência para dar a sua contribuição:
1 - Desencalha Wanderson (http://www.desencalhawanderson.com.br/) - Indispensável pelas fotos com cara de "Manhê, eu tô com gases" e pelo texto comicamente mal redigido;
Dispensei os links que eu já recomendo usualmente, exceto o do guru da campanha pela minha saída do caritó. Por este motivo, é que não está aí meus blogs preferidos, como o OkComput3r e HTP, nem os sites que reconheço como utilidade pública. As nobres almas que me acompanharão nesta empreitada, por favor, defendam os pequenos e desconhecidos. Sem culpa cristã, excluirei listas do tipo "Orkut, Youtube, MSN, Myspace, UOL", porque estes não são novidade nenhuma. Mas Pérolas do Orkut e GTO aceito sim, obrigada.
segunda-feira, 30 de março de 2009
Smells like a gunpowder spirit

Todo mundo acha um absurdo, todo mundo se pergunta onde vamos parar assim, e principalmente, coloca a culpa na direção e no corpo docente da escola, como vi pela TV. O mané-pipoca do Percival de Souza falou naquele 'espreme-sai-sangue' do Cidade Alerta que isso era falha da direção da escola. E a gente tem direito de revistar mochila de aluno por um acaso, Sr. Especialista em Generalidades?
Ano passado, em outra escola em que trabalho, eu vi, ouvi e cheirei uma bomba no corredor bem na volta do intervalo. A confusão foi tanta que me perguntei se estava na Faixa de Gaza e cogitei mudar o patrono da escola para "Bin Laden". Naquela época já fiquei atordoada, me perguntando com que tipo de gente eu estava lidando. Imagine hoje, ao saber que por pouco não tomei uns pipocos, se tivesse continuado naquela escola da prefeitura, isso sem contar a Bozonifácia, que acompanhou tudo de perto.
Certa vez, na minha sala de aula, um colega trouxe uma arma, só que era de brinquedo e a munição de chumbinho. Ainda assim, a professora ficou desesperada: "Menino, me dá essa arma!"
"Mas professora, é de brinquedo!" E a professora: "Claro que não é, menino, já estou sentindo o cheiro da pólvora, me dá isso!"
Depois dessa frase, a prô perdeu o respeito, a sala desabou a rir. Se não tinha nem munição, que dirá pólvora pra ter cheiro?
Imagino o desespero da minha ex-professora, hoje colega de profissão, mas não deixa de ser engraçado o pânico da pobre com aquele 'treisoitinho' em cima da carteira do meu colega. Se ela estivesse no lugar da Bozonifácia, ela cairia dura. Renata, que mal teve tempo de sentir o cheiro da pólvora, teve que sentir também o legítimo cheiro de sangue, afinal o tiro acertou o joelho da infeliz que fez o favor de ficar perto de um zé-ruela armado sabe-Deus-porquê.
Por essas e outras começo a achar românticos estes anos 90. As pequenas transgressões - como uma arma de chumbinho - tinham graça. Porque, para mim, esta notícia não é nem um pouco engraçada, assim como os ares de Mcgyver que ganhou o Magistério contemporâneo. Não tem graça nenhuma, Duley.
*Por razões óbvias troquei a imagem original por uma foto do Kurt com armas: http://media.photobucket.com/image/kurt%20cobain%20with%20guns/afewrandomdrunks/Kurt_20Cobain_20Gun.jpg
terça-feira, 24 de março de 2009
Sonho de um sonho II
Engraçado porque quem é fã absoluto e irrestrito de Radiohead não sou eu, acho difícil superar Vizinhíssimo e TioZé em loucura insana por Thom Yorke e seus parceiros, mas isso não impediu que eu me comportasse como uma fã, a começar pelo dia em que eu comprei o ingresso, uns três meses antes. Por que eu fiz isso, se não era tão fã assim? Simples, eles decidiram vir ao Brasil no seu melhor momento, e conta-se nos dedos as bandas internacionais que fazem isso. Sabia, desde sempre, que seria este um show histórico¹. E foi.
A surrealidade da experiência começa pelo fato que faz uns 10 anos que eu não vou a um grande show de rock e sinceramente pensei que esta fase já tinha passado. Clichê muito piegas, mas verdadeiro: é como se eu tivesse a minha adolescência de volta. E isso é bom demais.
Minha mente ainda tagarelava no show do Los Hermanos, que no início eu desprezei, mas que depois ganhou um gosto de piada velha envelhecida em barris de carvalho, como um bom vinho. O show foi melhor que eu esperava e achei muita graça em eu não conhecer nada de Los Hermanos que ultrapassasse a chatice da "Anna Julia". Eles que não são bobos nem nada, não tocaram essa pérola do cancioneiro chato do pop-rock brasileiro. Conclusão: apesar de ter apanhado do Chorão e de dar uns sapecos na pirralha da Mallu Magalhães, o Marcelo Camelo merece algum respeito musical, mesmo com sua cara de funcionário da Nasa dos anos 70, misturada com cara de judeu de Higienópolis com traços de estudante de sociais da USP ou coisa que o valha que me irrita um tanto, eu confesso. E o Rodrigo Amarante fez mais bonito que nosso idish-apollo13. Alguém tem o telefone dele, por favor? :-P
Outra piada velha, mas que eu conheci estes dias, portanto tem graça foi o Kraftwerk. Eles tem mais de 20 anos de carreira, mas para mim foi a descoberta da pólvora. Vi tudo naquele show: poesia concreta, Mondrian, crítica social. Mais um drama tostines na minha vida: eles são realmente vanguarda ou o que a gente faz e ouve em termos de música é que está datado? We are the robots!
O Radiohead, como bem informa a notícia do link, entrou pontualmente em cena. E aí que começou meu desespero, do alto dos meu 1,63m de altura. Não adiantava ficar na grade, como bem observou o já iniciado em shows do Radiohead - o dono do... OKcomput3r! - para que se pudesse ver o show na íntegra, com os efeitos de luz que ajudaram ainda mais a criar o clima de "isso é verdade mesmo?" que permeou todo o show. Só que era gente demais naquele lugar e ver mesmo o show, eu não vi. Demorou um tempo para entender que aquilo não era um show, era uma experiência, e que em shows de rock o legal não é ver e sim participar. Foi aí que a coisa ficou boa para mim, quando rolaram os melhores momentos do show, na minha opinião: Paranoid Android, Karma Police, e do In Rainbows, Reckoner. No bis, Fake Plastic Trees foi atrapalhada por uma briga perto de mim. Como bem observou um outro cara que estava por lá: "Brigar logo na hora do Carlinhos, pô?" Aí, estragou.
Hora de ir, quase um enrosco, em plena madrugada de domingo para segunda. E lá estávamos, mais uma vez, eu e meus companheiros de aventura, tentando sobreviver na cidade. Chegamos três da manhã em casa e em vão tentei acordar às 5h30 para ir trabalhar e abri os olhos com essa sacada do Segismundo: estou acordando agora ou voltando a dormir?
Esta pergunta se mantém sem resposta. Desde que acordei/dormi, tenho ouvido Radiohead feito uma louca, tentando "concretar o fluido", reter na memória o que passou, o que eu senti. Essa bola eu cantei para o Zé, na saída do show: acho que só vou entender o que aconteceu de verdade daqui a alguns anos. E olhe lá.
sábado, 21 de março de 2009
Inclassificáveis
Essa coisa de ser blogueiro nerd é uma bosta. No show, entre uma gozada e outra, eu só pensava nessa merda de blog, nas frases que escreveria, em como descreveria aquela pélvis endemoniada que deixa Elvis Presley parecer um coroinha de igreja. E o Elvis nem chegou aos 67 anos - idade do gostosão Ney Matogrosso - e aos 40 já parecia um cachaço perto de ser abatido. Eu tive que respirar e abstrair, para poder viver a experiência como se deve, sem pirações ciberculturais.
O show é uma rara experiência de espetáculo completo: visual, performático, musicalmente perfeito. O Ney é artista consagrado, e neste show fica evidente sua segurança, sua experiência, seu domínio de cena absolutamente indiscutível e com tudo isso, ainda executa sua performance com uma paixão de primeira vez no palco. O Vagabundo também foi assim, mas no Inclassificáveis houve uma diferença. Senti uma maior economia nos gestos, aquela malandragem que só a idade é capaz de nos trazer. É diferente de estar contido, sua rebolada continua fantástica, tanto que ele não a gasta à toa. Nada mais perfeito para o tema do álbum e do show, a passagem do tempo e como isso nos espanta, passando pelo amor, pelo sexo, e acaba sendo um retrato dele: inclassificável. Sendo gay ou não, pouco importa: a figura dele causa tesão até na ponte Rio-Niteroi, e com este show ele prova (mesmo sem precisar) que é também atemporal.
Eu já conhecia o álbum, fui atrás de me afiar que não sou besta nem nada, mas ainda assim tive surpresas. Na passagem da primeira para a segunda parte do show, quando ele tira o primeiro figurino em cena e fica apenas com uma malha finíssima que até parece que está seminu com o corpo pintado, ele canta Cavaleiro de Aruanda, do repertório do Ronnie Von na sua fase mais fantástica. Quando ele canta "Por que a gente é assim?", de longe a minha preferida do álbum, ele desce do palco e canta - literalmente - na minha frente!!!! Se não morri naquela hora, não morro nunca mais. No bis, ele canta Simples Desejo, canção do primeiro álbum da Luciana Mello, que eu também adoro. Puta que pariu, gente. É de gozar mesmo.
Falando em gozar, desde que eu comprei o ingresso até a hora de sentar à mesa, eu disse que ia gritar lindo, gostoso, vai lá em casa e etc., coisa que eu e mais um monte de malucas fizeram no show do Vagabundo lá no Poleirão do Olympia. Mas ontem, quando o show começou, eu mal piscava, e suspirava. Só conseguia fazer isso. Como o Bozo de Calça Quadrada aqui só faz se f****, tinha umas pós-balzaquianas que fizeram isso por mim e pela plateia inteira, e mais pareciam um bando de adolescentes histéricas gritando pro Zac Efron no High School Musical, e o pior, só para aparecer, porque gritavam até no meio das músicas, das mais lentas inclusive, como Coisas da Vida, por exemplo.
Nestas horas se justifica meu ódio extremo pela "crasse média" medíocre que a gente tem nesse país. Nem dá para colocar a culpa na falta de estudo, de cultura ou de dinheiro, é falta de camisinha mesmo. Nascer já foi o erro. Filhutti estava bem atrás dessas frígidas e sofreu a pobrezinha. Nem sei como eu e ela não enfiamos nosso copo na boca daquelas malditas e um nabo em outro lugar, para tentar ver se sossegavam. Traduzindo: fora pela visão de palco, grande merda ficar no Setor 1. Sem contar o trânsito de garçons, às vezes tampando a visão do show. A culpa não é nem deles, que trabalhavam como se estivessem numa trincheira de guerra, quase de joelhos: era da plateia mesmo. Quer beber, que vá pro boteco e se quer comer, que vá pro restaurante. A última coisa que interessa a este tipo de público é a música. Nota zero para eles.
Créditos da imagem: http://portal180graus.tempsite.ws/musicapelomundo/wp-content/uploads/2008/03/ney.jpg
segunda-feira, 16 de março de 2009
Moças Casadoiras
Tinha começado, há pouco, um textículo de solteirona em crise à la Sex and The City; o fato é que estou f-a-r-t-a desse tipo de discussão. Não sei porque ser amada precisa ser um luxo hoje em dia e como diz Amorzona Layr Ribeiro, não sei também se eu tenho mesmo que arrumar um "namoradinho crasse média" e ir pra Ubatuba todo fim de semana. Será?
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Felicidade Guerreira
Confesso, não gosto de fim de ano. Trauma da faculdade, porque sempre entregava a porcaria da pasta de estágios no fio da navalha, prestes a pegar DP por causa de um monte de relatórios que logo depois iria virar comida de Baratinha, literalmente e não literalmente. Gente que estudou ou estuda na Famosp-pi sabe bem do que estou falando. E como professor tem mais é que se f*, ano passado era a Via-Sacra de entrega de diários nas três mil escolas em que eu trabalhei para compor a jornada de professor contratado do Estado. Sem contar os três mil amigo-secretos em que eu cheguei a ouvir "Como dizia o poeta Manuel Bandeira... 'Tudo vale a pena se a alma não é pequena'!"¹ dito por uma professora de português em altíssimo estado etílico. Sorte de todos os presentes que não perceberam a gafe, provavelmente por acompanhá-la no alto grau etílico da festa. Azar o meu, que não tinha bebido o suficiente.
Sem contar o quanto que se engorda nesta época do ano, recorde em orgias alimentares.
Como 2008 é o Ano do Bozo, este ano é diferente. De uma hora pra outra, meu bode decorrente de todas as bozices que aconteceram este ano, foi embora. De semi-cegueira a reprise de filme sem-graça da minha vida, passando por um assalto, um mega arranca-rabo com baixista e amigo de muitos anos e um telefone jogado pela janela por causa de empresas que não prestam um serviço decente, eu quase enlouqueci. Gente, foi por pouco, muito pouco. Não sei como eu não me joguei pela janela.
Na verdade, quando Bozoca (a verdadeira, meninas²) falou desse cheiro quente, não consegui acompanhá-la na brisa, mas agora sei exatamente do que ela está falando. É ele que me faz sentir agora a melhor das esperanças: aquela sem motivo, que surge do nada e não nos decepciona, porque não é expectativa vazia colocada em coisas externas.
Como não sei e não quero saber qual é o motivo dessa mudança de humor - quero mais é curtir, resolvi achar um bode expiatório, à mesma maneira de Volver³: a culpa é desse cheiro quente que só dezembro é capaz de ter, que me faz rir sem motivo, dançar sem parar e principalmente, achar que só de virar a folhinha do calendário, minha vida vai mudar radicalmente e pra melhor. Que venha 2009!
"Notas inútieis"
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Amy, Amy, Amy¹
terça-feira, 22 de julho de 2008
Textículos ao Molho Forrest
Das outras vezes tosei os cabelos como Frida Kahlo¹, mas hoje não estou tão rebelde assim. Assim, o vizinho preferido resolveu acumular mais uma função: além de “baterista, desenhista, historiador e contador de mentiras sobre si mesmo”, ele resolveu atacar de chef e criou os “Textículos ao molho Forrest”, apostando nos contrastes entre a doçura da Bonequinha de Luxo, Audrey Hepburn e a acidez e androginia de Marlene Dietrich, equilibrando o sabor com um laranja brilhante ao fundo, não por causa da vitamina C, mas porque esta é a cor da minha energia, segundo Filhutti.
Assim, temos Textículos de cara nova, graças dotes culinarísticos de web designer do Vizinho das Galáxias. Valeu, querido, por este band-aid no meu coraçãozinho. Quem tem textículos, não precisa de coração!

