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domingo, 12 de junho de 2011

Aprendendo a amar vol. 1

Este texto é o primeiro da série "Aprendendo a amar", escrito em 2009. Dedicado a meus alunos, ex-alunos, colegas e principalmente para quem amou e se decepcionou, mas que deu a volta por cima!

Um dia no intervalo das aulas, uma conversa entre os professores: aquela escola estava muito parada ultimamente, era preciso animar o período da tarde.  Então, é surge a idéia de fazer uma festa do dia dos namorados, já que a professora de inglês estava trabalhando com textos sobre São Valentim com as sétimas séries. O professor que quisesse entrar na dança era só contribuir com a sua idéia e a professora de inglês escreveria o projeto pedagógico da coisa.

A professora de Artes aderiu ao projeto na hora, mas com a dúvida de qual trabalho poderia fazer sobre seus alunos, afinal, se resolvesse trabalhar com Arte Erótica ou com o Nu na História da Arte poderia até ser exonerada do cargo, dado o moralismo indecente de sua época. Alguém soprou no seu ouvido para fazer cartões para correio elegante com as suas turmas. Ela, que normalmente xingaria quem deu essa idéia, dessa vez, sabe Deus porque, aceitou a idéia com simpatia.

Quando os alunos começaram a fazer os cartões nas aulas, ela entendeu porque ela topou fazer uma atividade que não tinha nada a ver com sua concepção vanguardista de Arte-Educação. A última vez que tinha feito correio elegante foi para as quermesses da Igreja, que tinham ficado para trás há um bom tempo. Tinha se esquecido a diversão que era aquele recorta-e-cola, somado à chuva de glitters, purpurinas, lantejoulas e corações feitos em série, como se fosse uma linha de produção.

Corações grandes, pequenos, em duplas, em trios e, em sua grande maioria, vermelhos. Todos de um vermelho pulsante, cor de cartolina comprada na papelaria da esquina. Lá pelas tantas, a professora se pergunta que cor estaria seu coração neste momento e apostou num azul, já que seu pobre coração andava um tanto gelado.

Não que seu coração nunca tivesse sido vermelho, só que da última vez que ele ficou vermelho foi de raiva, depois de uma decepção daquelas. Já estava recuperada do tombo, mas se deu conta, às vésperas de promover uma Festa do Dia dos Namorados com seus alunos, que tinha se fechado em copas para o amor. Como poderia reclamar que ninguém gostava dela? Ela não achava mais graça em ninguém. Todo mundo era feio, todo mundo era chato.

“Sou muito nova para ficar assim”, preocupou-se a professora. E sua preocupação foi ficando cada vez mais provinciana, apavorando-se com a idéia de se tornar uma professora solteirona típica, daquelas que usam “saia-lápis na altura do joelho, coque e óculos armação-tartaruga”. Sua preocupação, porém, durou poucos segundos, até um aluno cortar seus pensamentos com uma tesourinha sem ponta e dúvidas bem menos filosóficas: “É para cortar para direita ou para a esquerda, Prô?”

Longe da bagunça das salas, a professora foi avaliar o resultado da produção dos seus alunos. Contar os cartões, ver erros de português, essas coisas. Em contato com os corações, que ora escondiam, ora revelavam mensagens apaixonadas – tão clichês para os mais velhos, mas pura novidade para aquela molecada que está começando a descobrir os prazeres do amor – sentiu o seu próprio se aquecer. Entendeu o que seus velhos professores lhe diziam com: “Ensinar é via de mão dupla, a gente também aprende com nossos alunos”. Ela passou anos achando que isso era um bordão vazio, agora viu que era pura verdade. Graças a seus alunos e àquela bagunça de cartões sem fim, estava reaprendendo a amar.

sábado, 29 de maio de 2010

Frutos do acaso

Presenciei o exato momento em que uma folha caiu da árvore e tocou o asfalto. Em uma época nem tão remota, eu e meus colegas de classe ficávamos na hora da saída no pátio externo da escola, apostando quem conseguia pegar as flores que caiam antes de tocar o chão.


E fiquei pensando no acaso. Por toda minha vida escutei que nada ocorre por acaso e que uma folha não cai de uma árvore sem que Deus permita. Esta visão fatalista influenciou a minha vida inteira. Eu sinceramente pensava a vida como um roteiro de filme, como se ela fosse assim, estética e arquitetada.


Apenas hoje vejo como tudo isso é uma grande bobagem. Somos frutos do acaso, nascemos por acaso. Por acaso era aquele óvulo, por acaso era aquele espermatozóide. Por acaso nasceu de proveta, por acaso foi clonado.


Crer que tudo é por acaso para mim é tão fatalista quanto crer que nada é por acaso. O ser humano não se conforma com isso. E tenta dominar a própria vida. Gente assim é realmente admirável, também não dá para esperar banda passar o tempo todo. Mas é preciso ter em mente que estamos só minimizando riscos e a desconfortável sensação de sermos marionetes do Destino... Aliás, isto existe?


Há algumas ocasiões em que tudo se encaixa tão perfeitamente que até parece que a vida é mesmo um roteiro arquitetado, como se fôssemos mesmo predestinados. Besteira, a gente corre atrás das experiências que precisa viver, mesmo que inconscientemente. E quando acontece, pensa-se no acaso ou no destino e não é nem uma coisa nem outra, é o anti-acaso. Quem procura, acha, oras. O ser humano tem essa necessidade de buscar sentido na vida, mas colocar essa tarefa a cargo de um destino que talvez nem exista, é fria.

Sou completa vítima do acaso. O acaso impera, o caos reina.

*Crédito da imagem: cena de Anticristo, de Lars Von Trier.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Léxico Nordestino 2.0 - A redenção

Passei minhas férias na terrinha onde não chove, mas o mato é verde, a pequenina Paraíba. Nessa história, fui bater em mais outros três estados do Nordeste: Mossoró (RN), Tibau (CE) e Recife / Olinda (PE). A caminho do aeroporto, Zé, esse cabra bom que alegra nossa vida até quando ele não quer, me ligou e disse: "Que esta viagem te traga muitas ideias." E trouxe, até mesmo antes de partir.

Apesar de não usar constantemente, sou uma pessoa bilíngue no meu próprio idioma: falo paulistês e paraibês fluentemente. E precisava informar minha companheira de viagem, Mácia - no paraibês, este R praticamente some - a respeito de alguns verbetes, para ela não boiar muito e ainda assim, algumas vezes, ela me olhou com cara de conteúdo e disse: traduz! Mas isso durou pouco, porque rapidinho ela trocou o "cara" por cabra e em vez de falar "Isso!", começou a falar "Pronto!". Parecia até que a galega era de lá. Deu nela uma muléstia dos cachorro, que gastou tudinho as precata no forró!

Quem conhece os TM de longa data, deve se lembrar de um textículo chamado Léxico Nordestino, comentando verbetes do dicionário de Cearês e Pernambuquês. Na época, achei um de Paraibês, que de tão fulêra nem coloquei no textículo, por achar indigno da terrinha que até Gonzagão elogiou!

Acabou que antes de viajar, encontrei no Oráculo um cordelista de Patos, radicado em João Pessoa, que não contente em compilar o léxico paraibês, fez isso em forma de cordel, um cabra muito do desenrolado chamado Vicente Campos Filho!¹. Cheguei de lá com dois exemplares, e também existe um em forma de verbetes mesmo num chaveirinho, que eu também trouxe para meu cunhado, para ele começar a estudar e não chegar lá passando vergonha.

Segundo o autor, ele compilou expressões do interior, do sertanejo mesmo, e isso é tanto verdade que ouvi até a voz do velho Zaca falando algumas delas. E sentada na praça de alimentação do Mercado de Artesanato, fiz um jogo de adivinhação com o cabra safado do meu primo, Luiz Carlos, um legítimo paraibano e baieense (apesar dele negar sua procedência da Terra dos Corno, Bayeux, ele é de lá). Eu lia metade do verso, e ele tinha que dizer o resto, e pasme, ele errou várias! Normal, existem variações joão-pessoenses. Por exemplo, longe no sertão é lá na caixa-prego, na baixa da égua ou em caixa-bozó. Para Luiz Carlos, o Miami Visse, longe é lá no inferno das cuia. E por aí vai.

Não vou reproduzir parte do cordel do Vicente Campos Filho, porque ele já fez isso. Vou fazer é uma espécie de Parte Dois, de coisas que ele não colocou em seu cordel. Fica uma sugestão para você fazer isso, visse, bichin?

Pegar Ar - Ficar nervoso, estressado
Tá c´a Muléstia dos Cachorro - Mais ou menos a mesma coisa que o anterior, pode ser também uma coisa muito boa
Tá c´a Gota Serena - Sinônimo de Tá c´a Muléstia dos Cachorro. É só lembrar da Clara Nunes elogiando Sivuca em Feira de Mangaio: "Eita sanfoneiro da gota serena!"
Tá c´a Gota - O mesmo do anterior, mas da gota serena exagera a expressão.
Marminino - Interjeição de admiração. O mesmo que "Mas, menino!"
Márrapai - Variação de Marminino. O mesmo que "Mas, rapaz!"
Bilôra - Mal-estar do estomâgo, gastura, desmaio. Acontece muito com quem não tá acostumado com a soma de cumê com sustança com o calorão da bixiga de John Person. Oferece um rubacão para Mácia, para ver se ela aceita!
Rubacão - Receita que leva feijão com pedaços de queixo de coalho derretido com carne de charque picada por cima.
Cumê - Refeição. "Dê um cumê pra esse minino!"
Suadô - A suadeira que dá depois de um cumê quente e com sustança, tipo uma cabeça de galo no café da manhã.
Sustança - Alto valor nutricional, geralmente gorduroso.
Minino - Criança, sendo de qualquer sexo. "Essa mulé tá esperando minino outra vez!"
Da bixiga/ Da gota/Da porra - Expressões que exageram o valor de qualquer coisa que se fale. Por exemplo: "Eita, forró bom da gota!" ou "Remédio rim da bixiga"
Rim - O mesmo que ruim.
Com força - Muito. "Era gente com força naquele lugar!"
Pense! - Expressão praticamente multiuso, geralmente serve para fazer o seu interlocutor imaginar exatamente o que você está dizendo. "Pense numa marmota!"
Marmota - pessoa desajeitada, ou maluquice. "Que marmota é essa, menino?"
Pão Bola - o mesmo que pão de hambúrguer.
Pão Caixa - o mesmo que pão de forma.
Desenrolado - Gente decidida, ativa, vivaz, articulada, sem frescura.
Pronto! - Expressão de concordância.
Homi, pelamor de Deus!
ou Homi, por caridade! - Expressão para pedir encarecidamente um favor, ou ainda, para exagerar uma narrativa.

E quem quiser que conte outra, ou outras. Todas essas expressões são tipicamente paraibanas, ou ainda, não apareceream² nem no Dicionário de Matutês de Pernambuco, ou no Dicionário Cearês, que aproveito para atualizar os links. Deixo para outro textículo o capítulo Placas de João Pessoa e adjacências, que também me fez rir um bocado lá. E é para todos leitores de textículos essa cambalhota, quer dizer, esse cangapé!

Notas:
1 - Recomendo também o Cordel do mesmo autor "O marciano que invadiu a Paraíba para roubar a rapadura". Ri litros.
2 - Marmota apareceu no dicionário de Pernambuco.


terça-feira, 28 de julho de 2009

Sobre Saramago, Twitter e Mussum Day

*Aviso aos navegantes: este textículo só é suportado em cérebros com o Software "Duplipensar 2.1"



Está provado: em matéria de redes sociais, o último grito da moda é o Twitter, mesmo que seja um grito de até 140 toques de teclado, só. Segundo o escritor português José Saramago , não é nem grito, é grunhido mesmo. O escritor, que gosta de lançar mão de "frases longas e bem elaboradas", declarou em uma entrevista ao jornal O Globo, sobre a nova febre: "(...)Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido."

Podem me bater, nunca li Saramago. Nada contra, é que nunca caiu na minha mão, se cair um dia, eu leio. Isso significa que não posso falar dele com profundidade, mas é interessante a minha reação à opinião dele a respeito da tendência ao monossílabo, porque tenho motivos para concordar e discordar dele em igual medida.

Concordando: estamos vivendo um tempo de esvaziamento da palavra e o pior, do seu sentido. Como bem observa Vizinhíssimo, a imagem vai ganhando contornos digitais, altíssima definição e as tecnologias sonoras, conforme avançam, vão ficando cada vez mais pobres em fidelidade (vinil - CD - mp3). Quem leu 1984, sabe a importância que a Novilíngua tinha para o regime totalitário - a ideia era tornar o idioma cada vez mais sintético, com menos palavras possíveis, para se tirar o poder de reflexão das pessoas, de perceber as nuances da realidade e exprimir essa percepção. Não pelos mesmos motivos, mas estamos vivendo essa tendência à Novilíngua hoje. Exemplo: você fala "miguxês"? Gente velhinha como eu há de convir que esse dialeto internético soa bem como grunhidinhos, bem como disse Saramago. Estou em sala de aula, então sei muito bem o sacrifício que é desenvolver um discurso mínimo que seja. A grande maioria da molecada não consegue acompanhar. Não é nem que eles julgam chato o que estou falando, a maioria para de ouvir antes de chegar a essa conclusão, simplesmente porque não conseguem, não tem o ouvido treinado para formas de comunicação mais lentas, já que o mundo digital é ultrarrápido, e deixa os dinossauros da sala de aula como eu, a comer poeira, com toda "tecnologia" disponível na grande maioria das escolas para os professores - giz, lousa, saliva e olhe lá. Então, por essas e outras, concordo com Saramago.

Discordando: apesar de ser uma verborrágica incorrigível, não creio que períodos longos sejam imprescindíveis para exprimir ideias longas, às vezes é até o oposto. Uma palavra só, deixada como um fio solto, pode deixar um monte de sentidos à solta também, e provocar muito mais que um discurso "pequenino" de Fidel Castro (diz a lenda que os menores deles tinham no mínimo umas duas horas). Para a comédia, para um hai-kai, poesia concreta ou mesmo para a composição, a concisão é sim, a alma do negócio. Na literatura dramática, é recomendado ao novo dramaturgo evitar diálogos só com monossílabos, mas Nelson Rodrigues, por exemplo, fazia isso como ninguém, sempre abusando das intenções de fala do ator e o resultado era quase sempre, fantástico. Titio Shakespeare também dizia: "A brevidade é alma da sagacidade." Então, acho até bacana ter só aqueles 140 toques para exprimir uma ideia, porque me tira do conforto de uma postagem sem fim. Quem me lê há algum tempo sabe que estes textículos de "ículos", não tem nada, mas é como eu disse no começo: sempre primando pela brevidade, prolixidade ou incoerência, ou o que vier primeiro. (Escrevi assim, porque já contava que não seguiria um padrão.)

Estou usando o Twitter faz pouco tempo: depois de uns três convites chegando na minha caixa de entrada, resolvi aderir. E como eu disse, o limite de caracteres estão me ajudando a ter 'timing' na hora de soltar a piada e também gosto de como ele pode exprimir coisas e momentos bem fugazes, aquele que quando você pára para olhar, já passou. Sem contar que gente bem bacana ajudou a "fazer" o Twitter, como o Marcelo Tas, por exemplo, que até o fechamento da edição da Continuum (revista do Itaú Cultural), tinha 118 mil e tralalá seguidores. Ainda não sei bem que bicho pega lá, mas o poder de mobilização é grande. Dizem que, em matéria de trend topics- ranking dos assuntos mais abordados no Twitter- mais que o Fora Sarney, só mesmo o Mussum Day. Cacildis!
Um textículo que começa com Saramago e termina com Mussum é no mínimo surreal, mas não é por isso que vou me furtar a conclui-lo:


Do grunhido ao sermão, o que importa é o sentido: fazer, não fazer, inventar, que seja. Palavra é subversão.



Ai! Eu não resisto a uma nota no final:
*A imagem do textículo é um verdadeiro achado. Nunca tinha me ligado que Mussum é um palíndromo! Benvindo ao maravilhoso mundo das palavras. Créditos da imagem: www.eupodiatamatando.com

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Subindo no banquinho e xingando a rainha 2.0

Pela segunda vez na história desse blog, eu subo no banquinho pra xingar a rainha. A indignação é grande, minha gente. E se escrevo em tom jocoso mais uma vez, é por pura revolta. Sou riot girl desde criancinha.

O que indigna tanto a fazedora de textículos não é um fato isolado, são várias pílulas de mediocridade, imbecilidade, somadas a um absolutamente odioso falso senso de politicamente correto. Quer ver?

Reforma ortográfica. Lei antifumo. Jonas Brothers¹. A redenção do Simonal. Agora todo mundo se esforça para ser bonzinho, mas é como naquela rima popular: "Por fora, bela viola. Por dentro, pão bolorento." A sociedade, em tempos de ditadura branca, não melhorou um milímetro, porque o que manda é a consciência e essa continua inexistente.

É antiga essa bronca, mas é cada vez mais forte o cheiro de ditabranda no ar, a caretice cada vez mais imperante. Ontem pensei comigo que na adolescência, eu surtei, endoideci e se naquela época, eu soubesse que este mundo ficaria tão falsamente comportado, eu teria surtado o triplo. E tenho dito!

Várias vezes comecei um textículo com esse tema, mas sabe-deus-porquê, ele não engatou, talvez porque faltasse o tom certo da tragédia (ou tragicomédia, se preferirem). Em 17 de fevereiro, um editorial da Folha ganhou notoriedade por classificar o regime militar brasileiro (1964-1985) de "ditabranda", termo cunhado por Pinochet, meu pedagogo preferido². Causou justificada indignação entre os que viveram este período que foi brando mesmo só para a direita e a milicaiada. Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato³ saíram em defesa dos que sabem muito bem que a dita não foi branda e na réplica, a Folha os chamou de "cínicos". No mínimo, sintomático isso. Depois, houve manifestação na porta da Folha e não sei porque merda não fiquei sabendo, senão teria ido. Isso virou matéria de capa na Caros Amigos do mês passado, com ótimas reportagens. Trata-se de uma piada velha? Que isso: não é piada, porque não tem graça e não é velha porque como diz Skylab: se quer notícia atualizada, que leia jornal (de preferências esses que chamam um período sangrento e cheio de desaparecidos políticos de pouca coisa, eu diria).

Para não ficar neurótica, eu dou risada. Ecos do duplipensamento. Aliás, o tom desse textículo foi dado pela minha indignação frente à indignação com uma piadinha politicamente incorreta minha, feita não por ignorância, mas por traquinagem mesmo. Pessoas, me economizem. Desse jeito vai faltar água e Flávia*no planeta. E a auto-sustentabilidade, onde é que fica?

Notas inútieis:
1 - Descobri a existência dos Jonas Brothers com um desenho de uma aluna e até lá, nenhuma objeção. Toda garota tem uma boyband pra chamar de sua. Mas esse negócio de usar anelzinho para mostrar que é cabaço é um pouco demais, não?
2 - "Se não conseguir com Piaget, vá de Pinochet." Trocadilho infame de professor tomando café com bolachas em parcos minutos de diversão num intervalo qualquer.
3 - Quando minhas bolas estavam (ainda) mais à esquerda, ouvi essas duas feras falando. Se não me engano, a Maria Vitoria no Fé e Política e o Comparato no Mística e Militância, ambos em 2002.
4 - Eis que Lady Hepburn revela sua identidade! Dãããã! ...Como se não soubessem.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Abduzida por Tantra e Van Gogh



Fui abduzida por uma canção, há poucas horas. De vez em quando tocava no rádio e eu nem ligava muito pra ela, apesar de ter simpatia pela banda que toca. Na Antológica Festa da Chapinha, a última, que teve de tudo, desde ex-aluna presenciando minha esbórnia com meus queridíssimos amigos da Velha Guarda até fim de festa deprê em grau máximo, eu vi os meninos comentando que a canção "Corvos sobre o Campo", foi inspirada na tela "Campo de trigo com corvos", de Van Gogh. E aí, a lembrança empoeirada me veio a mente, mas não me retive muito nisso, porque O Menino que eu Gostava curtia essa banda. Ia dar curto-circuito lembrar, ainda mais naquele dia.



No último ensaio da nossa banda sem nome - o desespero é tanto que estou pensando em até fazer enquete com alguns nomes surgidos - o Renato, nosso caçula e genial guitarrista e talvez o único que tenha algum juízo na cabeça, comenta que só os primeiros versos realmente falam da imagem do quadro. Eu não exatamente discordei, porque não lembrava da letra toda, mas lembrei a ele do Universo Pirante que é Van Gogh, que seria impossível esgotar uma tela em uma canção, que dirá nos primeiros versos. Pausa para o café. Ou melhor, pra cerveja.



Do nada eu estava cantarolando essa canção na terça-feira, na mesa do bote, com a porção Velha Guarda da Banda, e Forrest me diz que é essa canção é ótima. Por sorte, lembrei de procurar e baixar hoje, qual a surpresa com o resto da letra, que vai por um caminho estranho mesmo, o que é absolutamente normal se lembrarmos que estamos falando de Vincent Van Gogh. O fato que a letra sou eu nos últimos tempos.



Como estou me despedindo definitivamente da minha dor, afinal há sobrevida depois da Pior Dor-de-Cotovelo da História, resolvi publicar a tela, com a letra de Corvos sobre o Campo. Não vou analisar a canção, nem dar o histórico do Tantra, porque acho que nosso baterista e último a ser escolhido nas aulas de Educação Física faz isso mil vezes melhor que eu. Só digo que fico satisfeita em redescobrir que os anos 90 produziu um bom rock brasileiro, ao contrário do que eu sempre disse. Corvos sobre o campo* é uma pequena maravilha, em termos de rock com pegada pop, feita para tocar no rádio a valer, e com uma letra bonita e criativa, cheia de poesia. É tudo que nós e nossa banda inbatizável queremos fazer.



Corvos sobre o campo - Tantra



Céu azul, campo amarelo

Corvos avançam em nossa direção

E não há porque se assustar

Deixa o medo entrar no seu coração



Tudo o que eu fiz foi por amor

Acho até que encontrei

O motivo de um final feliz

Nunca imaginei o nosso fim

Construí meu castelo com as pedras que eu te atirei



Yeah, yeah, yeah, nada vai durar

As maldades serão coisas belas, enfim

Nada vai durar tanto assim

Abra os olhos, então

Olha os corvos sobre o campo



Céu azul, campo amarelo

Corvos avançam em nossa direção

Vermelhos caminhos, ecos de cores

Vaga pulsação, de clara escuridão





...Minha dor se despede com a beleza lisérgica de Van Gogh. Deixa o medo entrar em seu coração. No meu, só cabe alegria agora.




Nota 'inutiél':



*Agora já tem Corvos sobre o campo no 4Shared.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O dia em que fui trabalhar na Bienal do Livro


De volta aos boletins da minha dura vida na Ilha de Caras que não interessam a ninguém, mas que insisto em fazer. A última vez que fiz isso foi quando relatei a minha emocionante estréia no mundo dos testes para atriz-teza, semi-cega, sozinha e na chuva. Nem pude ver a cara de desgosto do Hugo Possolo com meu teste, cheio de buracos de esquecimento no texto, rsrsrs.

Hoje fui à Bienal do Livro, fugindo descaradamente do instinto defenestrador de alunos que me atacou essa semana e da rouquidão -estou prestes a ficar afônica e estou sim desesperaaaaaada! Como é que vou gravar a voz da demo da nossa banda sem nome? Aulas são mero acessório nesta história - e antes dei uma passadinha no médico pra ver se dou jeito nesta tosse de cachorro. Pausa para esclarecimento - o posto não dá atestado médico, ou seja acesso negado para fugida estratégica do trabalho por vias malandras tradicionais que todo vagabundo que se preza conhece.

Na real, entrei pela porta da frente da Bienal. Porque sexta passada eu descobri que eu poderia ir à Bienal hoje, assinando ponto lá e ainda ganhando o dia de trabalho, bastava levar o holerite - atestado de pobreza e insanidade do magistério. (E nenhuma boa alma para divulgar isso na escola. Por que será??) Como eu não consegui confirmar esta notícia, eu passei no médico antes.

E essa visita ao médico merece uma parada especial, porque eu sou o Bozo de Calça Amarela. Reclamei de tosse seca por tempo prolongado e ganhei um pedido de exame de tuberculose. É, isso mesmo! Sou uma tísica em potencial. Sendo que não tive febre e tô 'gorda lisa', como diz a minha mãe. Sendo que tenho rinite e sofro com tempo seco, desde que me entendo por gente. Sendo que contei que sou professora em turno duplo e faço esforço vocal constantemente. Ainda assim, tive que cuspir no potinho - eca! (Ops, na verdade é teste de escarro, mas a minha tosse é seca. Não tem nem vapor d´água pra escarrar) e amanhã tenho que levar de novo meu cuspe para análise. Cuspe em jejum, coisa duplamente nojenta.

Livre da sina dos cuspes, eu corri pra Bienal. Com medo, afinal eu sou formiguinha, operária-padrão, com marmita e livro-ponto. Não é coisa à-toa fugir do trabalho na cara larga. Mas como eu descobri que era verdade que eu ganharia o dia na Bienal, se fosse hoje, eu não fugi do trabalho, fui trabalhar na Bienal. Com credencial e tudo, porque apresentei meu atestado de pobreza e insanidade e peguei credencial. Na sequência, fui falar com os representantes dos 'patrão' e fui muito bem recebida, diga-se de passagem. (Nota brechtiana¹: por que será que pobre adora essas pequenas provas de status, né? A 'crasse' média também gosta, então tá tudo em casa!)

Fui zanzando por lá, comprei alguns livrinhos e assisti a um bate-papo com o João Batista de Andrade, cineasta brasileiro pra lá de consagrado e diretor de O Homem que Virou Suco, filme genial, na minha modesta opinião. Comprei o livro-roteiro do filme e peguei autógrafo do cara, super boa gente. Comentei da passagem deste filme na minha vida, e como ele me influencia e tal.

Na verdade eu tinha me esquecido que ele iria participar da Bienal, fui atraída para o local da palestra por "forças estranhas". Meu destino foi desviado por um daqueles chatos que vendem livro de poesia na porta do MASP, que me assaltou com meu aval. Como eu fiquei dura, tive que sacar dinheiro para comer. Do lado do caixa eletrônico tinha uma lanchonete e o estande onde o João Batista estava.

Gosto de acreditar que a gente segue o caminho certo sem roteiro, desde que a gente saiba o que quer. Isso até me consola, já que sou uma perdida de carteirinha. É o triunfo da intuição hipertrofiada feminina que me persegue, e às vezes até me contraria. Tudo isso me fez sair do Anhembi dando pulos secretos², tal e qual uma bicha legítima presa num corpo feminino que sou³.

Saldo da epopéia: ganhei duplamente o dia, porque fiz tudo isso trabalhando!

E é para mim mesma esta cambalhota!
Notas inúteis:

1 - Princípio do Distanciamento, segundo Brecht. Se vira e vai pesquisar, estou com preguiça de explicar.

2 - Bozoca sempre sai pulando de felicidade quando consegue algo que quer muito, e eu também faço isso. Sua cunhada diz que isso é bichice pura, mas a gente pode, porque a gente É bicha, e das loucas.

3 - Tal qual Madonna e Bozoca, eu sou um viado (com 'i' mesmo) que nasceu num corpo de mulher. E tenho dito.

domingo, 13 de julho de 2008

Mensagens na garrafa

Este Blog de Vida Dupla Mais sem Audiência do Ciberspaço, como sabem, veio depois dos diários de papel, mas não os sucedeu: é como se fosse meu marido e o meu diário, o amante, que pego na calada da noite em busca de proteção e abrigo.

Recomecei com os diários no fim de 2002, na época para registrar a minha meditação. Só que eu sou samsara demais para desvendar a vida sentada em flor-de-lótus. Cá estou eu na galhofa outra vez.

Aos poucos a vida comum foi entrando nesses registros, mas é meu mundo interno que impera lá, como nos diários de Frida Kahlo. Acho que isso é resqúício da meditação, da contemplação. É o meu modo de entender a vida.

Todas as cartas de amor são ridículas, todas as mulheres são putas e todos os díários são patéticos. O meu não deixaria de ser, lindamente patético. É muito engraçado ler aquela observação tão definitiva sobre uma coisa completamente fugaz. Com algum treino você não se envergonha disso.

Ultimamente, porém, estes diários da segunda fase assumiram a forma de um diário de uma adolescente, igual ao que eu tinha quando tinha 12 anos. Daqueles que os meninos roubam para ler e tripudiar da dona depois, munidos do segredo da pobrezinha. Daqueles que se fala do seu amor secreto (o meu agora é declaradamente escancarado). Daqueles em que não se fala outra coisa a não ser do menino que se gosta. O menino que eu gosto não me dá a menor bola, sabe? (Mas não tô nem aí, isso é problema dele).

Escrevendo eu me descubro e não enlouqueço, e muito cedo nesses diários que tenho feito desde os vinte anos (blues), eu vi que o que um diário mais quer é ser revelado. Ninguém escreve nada para não ser lido. O que explica o náufrago que joga no mar uma garrafa com um bilhete para qualquer um que encontrá-la? Save our souls. (Alimento essa fantasia quase sexual: que o menino que eu gosto roubasse todos meus diários e os lesse, um por um, às escondidas. Ele sabe disso.)

Ando jogando tantas garrafas no mar, que se o Greenpeace me pega, eu estou frita. Estou escrevendo demais, como se fosse morrer amanhã. E de todos os jeitos possíveis: aqui, no diário, compondo canções, cartas inentregáveis, e-mails insuportavelmente longos. Só deixei de escrever poesia, porque nem meu muso me lê! Não tem a menor graça.

Inentregáveis merecem um capítulo à parte. Cometi essa insanidade de entregar uma inentregável ao menino que gosto. E virou inlegível. O bruto não se deu o trabalho de ler, porque para ele são palavras apenas, palavras pequenas... Palavras ao vento.

Diz o ditado que palavras o vento leva, principalmente sobre essas de promessas não cumpridas, esses amores que acabam na base do 'tudo certo e nada resolvido'. Por mim, o vento pode levar minhas palavras, como aquela peninha do Forrest Gump. Alguém vai encontrar e ler as mensagens na garrafa.

O menino que eu gosto não sabe da missa a metade. Não sabe que antes de ser apaixonada por ele, sou apaixonada pela vida, que está me tratando como um cão sem dono tanto quanto ele está. E que, tanto quanto ele, me faz a mulher mais feliz do mundo, mesmo sem tê-lo agora. Mas de uma coisa ele sabe: o menino que eu gosto não é O Amor da Minha Vida. O Amor da Minha Vida é o Drummond! Só ele é capaz de me entender agora. "Porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo."

Textículo jorrado em 13/07/2008

segunda-feira, 10 de março de 2008

Explicação

A semana passada mereceria ser limada do calendário, caso isto fosse possível. Pudera, não teve a menor graça, mesmo com este Festival de Bobagens e Piadas Velhas que eu jorrei por aqui. Alilás, este Festival de Bobagens foi uma verdadeira vingança, uma retaliação a tanta merda concentrada. Ridendo Castigat Mores¹. E viva Gil Vicente.

Hoje, porém, o Textículo não será meu e sim do Amor da minha Vida, o Drummond. Só para que vocês saibam, meus leitores de Textículos, de onde vem meu slogan para posts toscos. O Chacrinha já dizia que nada se cria, tudo se copia, neste mundo de Piadas Velhas aos montes. Só que pego Piada Velha da maior qualidade, dá licença?


"Explicação²

Meu verso é minha consolação.
Meu verso é minha cachaça. Todo mundo tem a sua cachaça.
Para beber, copo de cristal, canequinha de folha-de-flandres,
folha de taioba, tudo serve.
Para louvar a Deus como para aliviar o peito,
queixar o desprezo da morena, cantar minha vida e trabalhos
é que faço meu verso. E meu verso me agrada.
Meu verso me agrada sempre...
Ele às vezes tem o ar sem-vergonha de quem vai dar uma cambalhota,
mas não é para o público, é para mim mesmo esta cambalhota.

Eu bem me entendo.
Não sou alegre, sou até muito triste.
A culpa é da sombra das bananeiras de meu país, esta sombra mole, preguiçosa.
Há dias em que ando na rua de olhos baixos
para que ninguém desconfie, ninguém perceba
que passei a noite inteira chorando.
Estou no cinema vendo fita de Hoot Gibson,
de repente ouço a voz de uma viola...
saio desanimado.
Ah, ser filho de fazendeiro!
À beira do São Francisco, do Paraíba ou de qualquer córrego vagabundo,
é sempre a mesma sen-si-bi-li-da-de.

E a gente viajando na pátria sente saudades da pátria.
Aquela casa comercial de nove andares comerciais
é muito interessante.
A casa colonial da fazenda também era.
No elevador penso na roça,
na roça penso no elevador.
Quem me fez assim foi minha gente e minha terra
e eu gosto bem de ter nascido com esta tara.
Para mim, de todas as burrices a maior é suspirar pela Europa.
A Europa é uma cidade muito velha onde só fazem caso de dinheiro
e tem umas atrizes de pernas adjetivas que passam a perna na gente.
O francês, o italiano, o judeu falam uma língua de farrapos.
Aqui ao menos a gente sabe que tudo é uma canalha só,
lê o seu jornal, mete a língua no governo,
queixa-se da vida (a vida está tão cara)
e no fim dá certo.

Se meu verso não deu certo, foi seu ouvido que entortou.
Eu não disse ao senhor que sou senão poeta?"

Por hoje é só, pessoal. Só que hoje, essa cambalhota é para todos!



1 - "Rindo se castiga os costumes". Altamente recomendável A Farsa de Inês Pereira. "Mais vale asno que me carregue que cavalo que me derrube!"
2 - A-há! Este aqui o Oráculo não achou e então digitei letrinha por letrinha. Agora ele tem. Palmas pros Textículos! (ANDRADE, Carlos Drummond. Reunião: 10 livros de poesia. 7ª Ed., Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1976, p. 27 - Alguma Poesia)

Textículo jorrado por Flaming00 em 10/03/2008

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Léxico nordestino

Dia desses eu tive um ataque de bobeira, não por falta do que fazer: minhas férias acabaram e professor leva trabalho para casa sim, senhores. (Se eu faço o que tinha que fazer, é outra história, pula essa parte.)
Voltemos ao ataque. Minha amiga Nadja, ex-Bozolina, trabalha com gente de várias partes do Brasil e até do mundo, praticamente uma garota multinacional. E ela me vem com uma história de que tinha aprendido uma expressão nova com um técnico lá das terras de cima do mapa do Brasil, que, como diz meu pai, "onde não chove mas o mato é verde".
Eu sempre tive um verdadeiro fascínio pelo que chamo agora de "léxico nordestino". Lembra umas coisas que eu só ouvia dos meus avós, e que de vez em quando ainda ouço da minha mãe, das minhas tias, às vezes até minha irmã vem com umas expressões que me sinto como se estivesse "nas Paraíba". Pense!*
Quando Ná me vem com "butar buneco=aprontar confusão", tirei dos arquivos empoeirados de minha mente fálica dois endereços que acessei ainda nos tempos que trabalhava para a Aol: o dicionário de Cearês¹ e o dicionário de Pernambuquês². (Achei o de Paraibês também, mas não era completo como poderia ser. Humpf!)
Como diz a Garota Multinacional, eu perguntei ao oráculo (o Google), se estes sites ainda existiam e a-há! - eles ainda estavam lá. Vou ver se colo aqui algumas expressões mais absurdas e as que me arrancaram mais risadas.

Pílula-bufante - Batata-doce (Tá com gases presos? Uma pílula bufante resolve seu problema!!!)
Selada – Mulher virgem (Se vacilar, aqui em São Paulo, vira "Itaipava"...)
Bulida - Antônimo de selada, mulher que perdeu a virgindade. (Antes ser bulida que ser bundeira, ver significado abaixo)
Bundeira – Mulher que pratica sexo anal mas continua virgem: "Ela ainda não tá perdida, é só bundeira" (Gente, pára tudo!!! Ter 'termo técnico' para um caso tão específico! Depois eu é que sou louca! Eu sou normal, o mundo é que é estranho.)
Baitola - Homossexual masculino. A palavra tem origem na construção da primeira estrada de ferro do Ceará. O chefe da obra era um engenheiro inglês, muito afetado, que repetia "atenção para a baitola" se referindo a bitola - distância entre os trilhos. (O negócio é tão caprichado que tem até etimologia!)
Rebuceteio – Confusão; revide (De uso praticamente impossível por aqui. Imagina eu entrando numa sala de aula em pandemônio e esbravejar: "que rebuceteio é esse???" Pode até dar Conselho Tutelar. Eu, hein, sai fora!)
Quiprocó – Situação confusa, confusão (esse é mais bonitinho...)
Chei dos pau - Bêbado. (Sem comentários)
Fazer mal - Desvirginar. "Ele fez mal à moça". (Se o serviço foi caprichado, devia ser "fez bem", né?)
MÚSICA PRA QUEM TEM MÃE NA ZONA - Música brega. (Puta merda, essa expressão é grande utilidade!)
PENTEADEIRA DE PUTA - Enfeitado. (Esse é pra fechar. "Cuidado para não investir num visual muito over, você pode estar parecendo uma penteadeira de puta!!")

*Pense! - uma expressão paraibana que não apareceu em nenhum dos Dicionários e é uma interjeição de uma admiração que pode vir só ou acompanhada, tipo "Pense num cabra c'a mulesta-dos-cachorro!!"
1- http://www.pe-az.com.br/especiais/pernambuques.htm
2-http://www.mpinfo.com.br/phpBB2/viewtopic.php?p=65664&highlight=&sid=135274f779d7b98737ad52b319b74636

Por hoje é só pessoal! É para mim mesma esta cambalhota. Quem quiser pode assistir, quem quiser que conte outra!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Mas que porra é essa?

Estes textículos não são, não estão e nem vêm das bolas. Vem dos óvulos, ops! - quer dizer, dos lóbulos cerebrais, se bem que a minha cabeça sempre teve lá sua inclinação para a esquerda.

Como pau que nasce torto morre torto, eu não fujo à regra. Escrever para mim é um vício, um exercício constante, sem o qual eu não vivo. A única diferença é que agora resolvi compartilhar deste vício da palavra com amigos e quem quer que seja, aqui, na vastidão deste universo, chamado Internet.

Assim, espero que estas palavras (seminais) sejam estopim para o surgimento de outras palavras, outras idéias, outros pensamentos. É o princípio básico da criação. Caso alguém não tenha gostado, sorry. Vou continuar jorrando, ops! Quer dizer, postando. Para estes, revisito Drummond: "Não é para os outros, é para mim mesmo esta cambalhota".