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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Ok Computer

O verdadeiro código binário

Ele costumava dizer que desde que Deep Blue derrotou Kasparov, o mundo nunca mais foi o mesmo. Era a vitória do cálculo binário sobre o imponderável humano, coisa em que, aliás, ele nunca acreditou.
Ele calculava suas jogadas com no mínimo dez lances de antecedência, isto se ele não derrotasse seu opositor com menos que isso.  Para ele, tudo era passível de planejamento. Ela costumava chamá-lo de Exterminador do Futuro: só podia ser feito de metal líquido por dentro. Tinha um cooler no lugar do coração. 

Ela era puro caos. Jamais planejava jogadas, respondia ao lance seguinte tentando escapar das ciladas que ele, travessamente, armava para ela. Ele tentava com isso fazer com que ela fosse menos impulsiva nas jogadas, mas não adiantou de nada. Para ela, jogar xadrez era uma aventura na selva. Até tentou aprender do jeito dele, mas não conseguia. Ela se encontrava na bagunça. 

Esta combinação poderia ser desastrosa, mas o fato é que não era. Na maioria das vezes, ele ganhava, mas ela costumava dar bastante trabalho para ele conseguir a vitória. Era a única que o deixava louco com sua imprevisibilidade e tenacidade, ela não era de empatar ou abandonar. As partidas eram longas e desafiadoras, assim como as transas.
Dividiam-se entre a cama e o tabuleiro. E o tabuleiro era o avesso da cama: ela fazia questão de deixar seu rei nu, de despi-lo principalmente deste raciocínio lógico-matemático que de tão assertivo, chegava a ser irritante. Ele, por sua vez, fazia questão de se vingar: toda a imprevisibilidade a qual ela o submetia no xadrez, ele a fazia passar na cama. Penetrava nela nos lugares mais insólitos, em todos os buracos do corpo e com todos os seus falos. Fazia questão de comê-la com todos os talheres. 

Ele, no final das contas, ganhava na cama e no tabuleiro. No xadrez, sua técnica era vencedora, ela só era uma adversária estranhamente difícil. Na cama, a abatia com a mesma competência: sua técnica sexual era tão eficiente quanto a sua técnica enxadrística. Fazê-la gozar era para ele um xeque-mate. 

De tudo que ele ponderava, ela simplesmente ria. No tabuleiro, ela era caça fugidia, a vítima do astuto predador que manipulava até as fugas de sua presa. Na cama, ele perdia a cabeça e de quebra, a servia como se serve a uma rainha. E ela ainda o fazia pensar que a ideia partia dele. Bobinho. 

... Por essas e outras é que ela achava essa história de computadores derrotando o humano uma tremenda bobagem. Código binário para ela, só se fosse Yin e Yang, Apolo e Dioniso. E como funcionavam bem juntos.

Flavia Teodoro Alves

16/03/2010
Texto revisado por Adriana Gregório

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Movimentos aleatórios

É melhor jorrar as ideias tão logo elas aparecem. TM não é um grande meio de comunicação em massa, por isso que não dá certo fazer pauta. Simplesmente não é sua vocação - nem a minha, que nem jornalista sou.

O que ocorre é: acabei de ouvir o novo álbum do Radiohead. Frase do outro lado da parede:

"Sabe, eles são uns filhas da puta..."

E eu: "Manda matar!"

A minha resposta foi tão orgânica que entendi o tão falado nexo entre o assassino do John Lennon e O Apanhador no Campo de Centeio. Nunca tinha visto relação entre as duas coisas.

Thom Yorke, Ed O´Brien e sua trupe que se cuidem. Aff!



Boa cambalhota noturna para vocês!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Esperando Godot II

Agora sabemos:
O novo não substituirá o velho
Um dia e cada vez mais breve,
O novo se torna velho
E o velho se torna a coqueluche novidadadeira do ultimos tempos, como:
Cores new wave, olhos delineados, cinturas altas, óculos Ray-ban.
Tudo isso é piada velha, mas sempre se acha alguém que ainda não riu delas.

Sou mesmo ainda um velho bolachão
Feita de vinil e sulcos.
O que me toca, raspa a superfície.
É o que me faz cantar.

O que agora é virtual
Corre o risco de se perder na virtualidade dos seus arquivos.
Mp3 é o caralho.

Para meu amigo Luiz Filipe

domingo, 23 de janeiro de 2011

Summer Soul Festival

Nem sei se faz sentido falar do Summer Soul Festival uma semana depois, quando já saiu toda a sorte de críticas e resenhas sobre ele, com todos os lugares-comuns já explorados à exaustão.

O primeiro deles: o Mayer Hawthorne fez um show bacana, mas não empolgou. E deveria? Todo artista emergente com um mínimo de elegância não vai dar uma de Ivete Sangalo e querer que todo mundo já saia pulando no show de abertura. E vai do interesse do público também, que estava de fato marcando lugar para a hora do show da Amy. Para mim, ele foi ótimo: conversou com o público, tirou uma foto nossa e pediu pose, fez piada com o fato de ser desconhecido (contando que deu um autógrafo para o cara do aeroporto, confundido com o Tobey Maguire), e a música tem um balanço vintage que é uma delícia. As baladas têm uma cara de The Manhattans que tocariam no Love Line da Radio Cidade fácil, como "I wish I would rain". I love you, Spider Man!

O segundo: Janelle Monáe é uma diva em franca ascensão. Dããã! Esses críticos fazem observações muito perspicazes, hein? Até uma garota pré-balzaquiana com um blog laranja de título duvidoso já tinha cantado essa bola. Era a aposta da noite, e cumpriu o prometido. Sem chamar a atenção, sem tentar roubar a cena, com a elegância que só uma diva totalmente segura de si é capaz de ter. Ela faz um show meio como o Ney Matogrosso, entra no personagem e fica nele, totalmente concentrada. Não fica tentando animar o público como se fosse o Silvio Santos. Ponto para ela, nem precisava. Ela escolheu o filé do The Archandroid e mandou ver. O final com Come Alive foi apoteótico, com seu topete de retroescavadeira totalmente desmanchado. Apesar de tantas críticas e chavões, o comentário do Rafa sobre a Janelle foi definitivo: "Janellinha fez a lição de casa direitinho, hein?" A única coisa ruim foi que o show foi curtíssimo: 45 minutos não dá nem pra fazer cócegas, uma artista de mão cheia como essa baixinha merecia mais. Será que tinha gosto de "Volto logo" ? Pode ser.

O terceiro e principal: Amy fez um show morno. A gente é fã, mas não é idiota. Ninguém estava esperando que ela fizesse uma performance espetacular. Aliás, eu e a torcida do Curintia estávamos esperando muito mais um festival de bafões que um show de verdade, o que revela um certo sadismo por parte nossa. Mas a Amy tocou o foda-se e não deu o que o público que estava pedindo. Ela gosta de ser do contra e por isso  ela virou ícone, para o bem e para o mal. Agora, se ela resolveu surpreender poderia pelo menos fazer um  show que passasse do "Olha, eu ainda consigo cantar!" - não desafina, mas se perde nos floreios - e colocar um pouco mais de proximidade com sua própria obra. Era engraçado sua pose de diva que se economiza, como se não soubesse da sua decadência. Um tanto triste e poético, como seu olhar alheio e seus cabelos levemente movendo-se ao vento. A mídia e o público costumam ser cruéis com grandes artistas que tropeçam, logo, sua redenção provavelmente virá quando passar desta para uma melhor, tal e qual aconteceu com Elvis e Michael Jackson. Mas no caso da Amy, ela poderia pelo menos enxergar o apoio de uma plateia que topou pagar para vê-la, mesmo sabendo que ela não entregaria o seu melhor. Quem torcia por sua redenção, saiu do Anhembi convencido que ela precisa de muito mais, quem sabe uma ressurreição. Ressuscita, Amy!

Outras coisas passaram despercebidas da crítica, pelo menos não encontrei ninguém que comentasse: Miranda Kassin e André Frateschi, o casal Amy e Bowie, não conseguiam esconder que estavam felizes feito p no lixo abrindo o festival. A banda é muito boa, e fazem outros covers de clássicos do soul, já havia assistindo o show do Studio SP. Mas acabaram virando trilha sonora para a fila do caixa e da cerveja (Caaaaras, por sinal). E o show do Instituto foi bem bacana, achei melhor que o que eu vi no Contato de 2009, em São Carlos.

Pronto, já brinquei de crítica cultural hoje. Agora, o melhor de tudo isso: chegar em São Paulo e reencontrar os amigos. Como desculpa para isso, o Summer Soul foi excelente.

É para todos essa cambalhota, pessoal!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Netinho agora, só o da Dilma


Chupa, Netinho!
Há mais coisas entre o eleitor e a urna que possa provar sua vã filosofia, Datafolha (ou Ibope, que seja). Dilma não levou de primeira. O golpe do PIG deu certo.

Se é para palpitar, acho que Serra não leva essa. O segundo turno foi orquestrado para que o candidato do PSDB não saísse totalmente desmoralizado deste pleito. Nem o Lula levou o primeiro turno nas duas eleições que ganhou. Seria a morte do tucano e sim, eles estão em extinção. O PSDB é totalmente quebrado por dentro.

Se o Datafalha não dá uma dentro, o Educação Política acertou no palpite Marina.  Ela bagunçou o coreto e agora, mais que Cléo Pires, é "a mulher mais desejada do Brasil", como vi algum gaiato comentar no Tuiter. O discursinho em cima do muro da candidata do PV é perfeito agora para ela e para o PIG, que hoje nela jogou um confetinho básico, em razão da "votação expressiva" que ela obteve. Uhum, sei.

O clima é totalmente pessimista, afinal eu vou aguentar mais quatro anos de PSDB como meu patrão. Ouvi no rádio logo de manhã Seu Alckmin falar. Quando ele é apertado pelo jornalista da Band a respeito do fracasso retumbante da educação paulista, em quem ele bota a culpa? No professor, claro. Só podia ser o Chaves mesmo. Ele disse algo mais ou menos como: "os alunos são reprovados apenas por faltas. Se ele vai à escola e não aprende, a culpa é de quem? Existe reforço para alunos que não aprendem. "

Ele se esqueceu de dizer, no entanto, que a escola não tem nenhuma garantia legal para fazer os alunos frequentarem o reforço. Conselho Tutelar? Conta outra, irmão. Desafio a me provarem que estou enganada, adoraria estar. Tanto que há pouco, o atual governo lançou a "incrível" ideia de pagar alunos para frequentar o reforço. Ideia que de tão ruim não recebeu apoio nem da Revista Nova Escola, notório aparelho do PIG para aplaudir toda porcaria que o PSDB fizer na educação por aqui, agora e sempre, amém.

Essa é a pior notícia para mim e para todos os educadores da Rede Estadual que não estão anestesiados pela ideia de ganhar um bônus de merda em abril próximo. Mas sabe que estas eleições tiveram algumas boas notícias?

Todos só conseguem ver que o Tiririca ganhou um milhão de votos, mas ao menos sua candidatura foi colocada em xeque, um pouco tarde, é fato. Em contrapartida, várias velhas raposas da política estão de fora como Genoino, Jereissati e Arthur Virgílio. A bancada do PFL (porque muda o nome, mas as moscas são as mesmas) DESPENCOU em relação aos pleitos anteriores. É só ver a composição do Congresso.

E o melhor de tudo: Netinho, só se for o da Dilma. Desacreditei quando vi o partido ao qual já fui filiada tentando colocar no Senado um "camarada" que andou por aí dando uns boxes na mulher. É como diz o Vizinho das Galáxias: "Para os homens, o Netinho não tem nenhum projeto, mas para mulher, ele tem uma porrada."

Vizinho matou a pau. Depois dessa, vou dormir, Forrest. Um beijo pro meu pai, pra minha mãe e pra você.


domingo, 15 de agosto de 2010

Urbana Legio Omnia Vincit

Dedicado à minha irmã Renata

1980 e alguma coisa, com 5 ou 6 anos, uma música tocava na rádio e frases soltas ficavam ecoando, dançando na minha mente. Falava de pais, filhos, de amar sem amanhã. Não consigo precisar quanto tempo isso me consumiu, mas eu já estava impressionada com a letra e nem sabia disso.

Anos depois, a professora de português da 8ª série leva logo esta música para a gente analisar! Professora Miyoko, gente boníssima, me emprestou o CD, a essa altura eu já era fã da banda. No ônibus, lendo o encarte, um garoto mais ou menos da mesma idade me aborda: "Ei, você é fã de Legião?"

"Fã? Não. Doente. D-o-e-n-t-e!"

Ficamos amigos: ele tinha banda, eu escrevia. Dois roqueirinhos deslocados em salas lotadas de gente besta e insensível, cada um na sua escola, eu estudando no Derville, ele no Cedom. A gente passou a pegar o mesmo ônibus, depois, perdemos contato e nos reencontramos um ano depois, eu acho. Rolou uma paixonite aguda adolescente, lógico. Meio torta, enviesada. Como conseguir gostar de dois ao mesmo tempo? "Flávia, tô com medo. Longe de você, tenho medo de mim mesmo." Respondi: "Sete Cidades!" Foi o único beijo. "Se eu ao menos conseguisse me salvar, Lu... Não tenho como ser sua heroína..." Depois ele sumiu, como se tivesse sido somente uma viagem minha.

Meu Deus, são tantas lembranças!  Essa banda passou feito um rolo compressor pela minha vida, e sei que não sou a única. O dia em que o Renato morreu eu tenho inteiro na minha mente. Dois dias antes do meu aniversário de 14 anos, de manhã, eu tinha ido ao shopping escolher meu presente de aniversário, um tênis - em tempos de dureza extrema, usei até o bicho se desintegrar. Chegamos em casa, ouvi a notícia no rádio. "O quê??????" (Lembrem-se, ninguém sabia que ele estava doente.) Fui para escola de cara amarrada, o Gil, meu amigo, com a mesma cara. "Com tanta porcaria, morrer logo ele! Que merda!" Peguei o ônibus, mais que rápido para dar tempo de ver o Jornal Nacional. Só estava a Cris em casa, ela nem tinha se casado. No dia do meu aniversário, todo mundo aqui, até o padre legiãomaníaco que tinha acabado de chegar na paróquia. Todo mundo meio passado, cantamos Perfeição. Estranho, os bons morrem antes.

Durante a minha fase de perda de identidade, parei de ouvir Legião, sem deixar de gostar, claro. Voltei a ouvir em 2007, aninho desgraçado, cheio de perdas. E fui recuperar logo essa parte da minha vida! Comprei o primeiro álbum da Legião, o meu preferido, 10 conto nas Americanas. Sorvi no volume máximo, como sempre Dado, Bonfá e Renato recomendaram. O especial de TV Por Toda a Minha Vida do Renato também foi um marco na minha história, porque tomei consciência dos sonhos parados no meio do caminho, de que precisava voltar à minha essência, a ser aquilo que eu sempre gostei de ser. Para que ser certinha, se gosto da perturbação? Ver a Aninha, Chiquinho, Tio Nico e Seu Fernando partindo cedo demais aumentou meu desepero. Não temos tempo a perder. Se parar pra pensar, na verdade, não há. Ruuuuuuuuuuuuuuun, Forrest, ruuuuuuuuuuuuun! Não cheguei, mas tô correndo.



Semana passada, Gazela chamou a gente para assistir ao monólogo Renato Russo, em cartaz desde 2006. Como gostei da atuação do Bruce Gomslevsky no especial de TV - ele não interpreta, praticamente recebe a entidade, além do que ele naturalmente se parece muito com o Renato -  fui achando que era tiro certeiro, como bala que já cheira a sangue. De fato, foi, mas ainda havia surpresas. As soluções cênicas para resumir em duas horas uma vida de 36 anos controversa, cheia de poesia, conflitos e descobertas foram brilhantes e a produção é irretocável.

Não é só nostalgia. Legião Urbana e Renato Russo não fazem parte do meu passado. Fazem parte do meu DNA, até o fundo do osso. Ver a peça só fez aumentar essa certeza.

I´ve got you under my skin, Renato. Always, always, always. Forever.

Urbana Legio Omnia Vincit!


Ps: Renata, essa é pra você, minha irmã: UrbanaLegio...GiovannaBaby????? Kkkkkkkkkkk...

sábado, 17 de julho de 2010

Besta é tu

Na estreia oficial do In-pessoa, o já antológico "Live at Forest´s House - Tormenting the Neighborhood", aconteceu um negócio curioso, sem deixar de ser corriqueiro. Folheando a Rolling Stone deste mês, cai nas mãos do Renato a reportagem sobre "o melhor disco da música popular brasileira", o Acabou Chorare (Novos Baianos, 1972). E ele desce a lenha, não exatamente no disco, mas nessa mania de pegarem de tempos em tempos alguma banda brasileira para Cristo, não para crucificar, mas para fazer de O Novo Messias da MPB.

Concordo com o Renato - é um verdadeiro porre esses críticos disfarçados de Indiana Jones o tempo todo caçando o tesouro da música brasileira, quando na verdade, ninguém devia levar muito a sério estas listas. Podem ter algum fundo de razão, mas eleger um único disco como representante da brasilidade musical equivale a procurar agulha no palheiro. Lembro de coisas tão distintas quanto Chega de Saudade (João Gilberto), Elis e Tom e Da Lama ao Caos (CS& Nação Zumbi) serem alçados a este posto.

Aliás, faz algum tempo que desisti do rótulo MPB. Como todo rótulo para arte, é arbitrário e reduz mediocremente o que tenta rotular. Olha só: música brasileira pode ser samba, choro, coco, maracatu, carimbó, xote, manguebeat, guitarrada, lundu, maxixe, fora os ritmos vindos de fora e incorporarados ao nosso repertório e a infinidade de ritmos nacionais que ficaram de fora destas linhas. E MPB, o que é? Chico, Caetano, Gal e Betânia. E o rock brazuca dos anos 80, não é Música, Popular e Brasileiro? E essa "nova MPB"? Colocar Maria Gadu ao lado de Chico Buarque na mesma prateleira é uma coisa tão esdrúxula que só o Nelson Motta mesmo para fazer e tentar nos convencer que é jóia! Troféu Joinha para ele.

Mas não deixo de adorar o Acabou Chorare, tanto que graças à reportagem da RS e o desabafo nervoso do Renato, eu lembrei de baixar para matar a saudade. Em 2005, assisti no SESC Pompeia a um show que reproduzia o álbum na íntegra com gente muito diferente tocando junto, o que literalmente botou abaixo a plateia do teatro. Todo mundo desceu das cadeiras e caiu na dança!

Antológico, divertido, e ainda honrou o original. Direção musical de Rômulo Fróes. A Baby fez o papel de testemunhar que toda aquela loucura aconteceu de verdade um dia, e até esqueceu um pouco das suas crentices. Lanny Gordin, genial guitarrista, fez as vezes de Pepeu, já que foi seu primeiro mestre. Davi Moraes, que também foi morador daquele sítio lisérgico, representou o pai Moraes Moreira. Lampirônicos exerceram a função da Cor do Som, o conjunto dentro do conjunto. Elza Soares e Luiz Melodia também estavam lá.

Quem ouvir somente o disco, ignorando o blá-blá-blá da crítica, com certeza vai gostar. Simplesmente porque é vibrante, alegre, criativo. Tem raízes brasileiras, mas também é rock n´roll, como em Um Bilhete para Didi. Gosto do timbre jovem e anti-virtuosísitico da então Baby Consuelo em Tinindo Tricando e A Menina Dança, da delicadeza de Acabou Chorare, da doideira de Mistério do Planeta e Swing de Campo Grande. Também tenho uma ligação sentimental com Preta Pretinha, porque lembra meu apelido de criança, Preta. (No caso, meus cabelos.)




Imagino que quando essa galera maluquete se reuniu, eles não pretendiam genialidade. Nesse ponto, todas as bandas (pelo menos as bacanas de se ouvir) são iguais: só querem saber de tocar e se divertir. Quem coloca a vontade de ser aprovado antes da vontade de fazer música, se lasca. O reconhecimento, da crítica ou do público, vem como acréscimo.


Então, um grito para a crítica: Besta é tu! Deixem as pessoas saborearem sem análises prévias!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Sem querer, saiu sem título. Precisa? Então, Sorria!

É, acho mesmo que tenho menos a dizer, os TM não carregam mais a intensidade e a urgência do seu início. E como eu odeio a vida assim, em marcha lenta. Tudo bem, não tenho sofrido por conta de problemas imaginários, mas cadê a sensação de vento na cara, de vida à flor da pele? Droga, gosto mesmo é de uma Montanha Russa.


Evidente, porém, é que não vesti meu pijama de bolinhas e me dei por vencida. Caras como Brian Wilson não permitem que eu faça isso, nem de brincadeira. Explico: ouça Smile, mais do que isso, mergulhe neste álbum e em sua incrível história.


Em algum domingo perdido de 2009, depois de um ensaio, estavam lá os In-pessoa de bobeira em frente à TV. Quer coisa mais prosaica que assistir televisão na casa do vizinho? E eis que cai em nossos olhos, um documentário sobre o Brian Wilson, líder dos Beach Boys, do qual costuma-se dizer simplesmente que foi o único cara que ficou pau a pau com os Beatles, enquanto o resto da música pop sequer fazia cócegas no Fab Four, por ter feito o Pet Sounds (1966), após ter ficado literalmente enlouquecido ao ouvir Rubber Soul, e ter se determinado a fazer algo melhor. Conseguiu. Paul McCartney e George Martin fizeram reverências ao álbum, hoje devidamente sorvido por mim, que agora posso engrossar um coro de vozes que dura mais de 40 anos a dizer: é uma obra-prima. Sem exageros.


Os Beatles se propuseram a superar Pet Sounds, saiu Sgt. Peppers. Para quem gosta e entende de (boa) música pop, dizer isso basta. Brian Wilson ficou louco mais uma vez e se trancou no estúdio para gravar Smile. E aí que começa este tal documentário que assisti com os meninos. Wilson se atirou tanto na tarefa de produzir este álbum, tanto, mas tanto, e não chegou a concluí-lo na época. Ele compunha sozinho enquanto os outros Beach Boys saíam de turnê, isso mesmo antes de Pet Sounds. A loucura de Smile é tanta que os componentes do grupo não aguentaram o tranco, foram abandonando o projeto. E ele ficou sendo o álbum que mudaria a história do rock, que superaria a genialidade de Sgt. Peppers, tudo assim, no futuro do pretérito. Brian Wilson, 24 anos à época, já com uma saúde mental frágil, por pouco não sucumbiu. Anos depois, ele retira das catacumbas partituras, gravações incompletas, tudo, e parte para a missão de mergulhar na sua catarse e concluir, em 2004, a gravação de Smile, agora como um álbum solo de Brian.


Quando o programa acabou, fiquei catatônica, como fico quando me espanto diante da beleza. Primeiro, da história. A viagem, não só do artista, mas do ser humano, que desceu ao seu próprio inferno e voltou vivo, é comovente. Sem pieguices, fiquei realmente emocionada com isso. Depois, do álbum. Somente a sua história o faria surpreendente. 34 anos para ficar pronto! Mas ao ouvir o álbum, eu dei graças ao Barbudão por ele ter sido concluído.
Não sei mais o que dizer, estou desconcertada. Com o álbum, com a sua história, com a tarde besta que me levou a conhecê-lo. Chega. Veja e ouça, será que ainda terá algo a ser dito?

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

The Cranberries

São Paulo me recebeu com chuva. Percebi que estava entrando na cidade quando o avião entrou por um amontoado de nuvens, como se estivesse mergulhando em algodão. Sorri e falei para Terra da Garoa: "Sabia que você não me daria trégua! Mas não tô nem aí, estou aqui de novo!!" Desembarquei no Congonhas pronta para outra. Tinha um encontro com o lendário ano de 1997, ano em que descobria, entre uma confusão e outra, a mim mesma e The Cranberries.

Quem me apresentou The Cranberries foi meu amigão da sétima e oitava série, o Gilson, tão louco por música quanto eu, apesar das diferenças - eu estava moldando minha personalidade à base de rock n´roll e ele, adorava pop. Ele me apresentou o terceiro album da banda, To The Faithful Departed. E eu fiquei louca por Salvation, Free to Decide e depois as mais antigas e conhecidas: Linger, Ode to my Family, Zombie.

Essa minha turminha do Derville era engraçada. Não estávamos nem aí para os "populares", os aborrescentes que faziam a maior força para mostrar que já eram adultos. Éramos bem crianções, a gente vivia rindo, brincando e cantando. Alanis Morissette, No Doubt (a banda preferida do Forrest, rsrs) e até Spice Girls estavam no nosso repertório. Direto e reto cantando, parecia até musical da Metro.

Esta era acabou quando concluímos o Ensino Fundamental, quando só eu consegui passar para o curso de Mercadô e a Isabel para o de Magistério. Fiquei totalmente órfã destes malucos e dos nossos dias de Família Do-Re-Mi. Minha vida foi por outro rumo e este tempo ficou perdido nas ruínas da memória. Até sexta passada, pelo menos.

O show do The Cranberries - pela primeira vez no Brasil, ora essa! - funcionou como uma máquina do tempo, para mim e para todos que estavam lá, eu aposto. Quando tocou Salvation, quase no fim do show, nem precisei fechar os olhos para ver o Splash sacolejando em volta de mim, toda vez em que eu comprava uma ficha na Jukebox que havia por lá só para ouvir essa música e sair pulando pelo bar, catarticamente.

Eles fizeram um show seguro, afinal trata-se de uma banda com uma coleção de hits para escolher e para mim, nenhum ficou de fora. Salvation, Zombie e Ridiculous Thoughts na sequência quase me mata do coração! Como bem observaram algumas resenhas que eu li, eles fizeram um retrato da década de 90, o único album dos 2000 foi lembrado em somente uma música. E todas foram cantadas pelo público, palavra por palavra. Os hits e as obscuras. As lentas e as agitadas. As alegres e as soturnas. Todas.

Eu sempre disse que tenho bronca de bandas que vêm ao Brasil depois de mil anos em turnês caça-níqueis, mas sinceramente, não creio que seja o caso do The Cranberries. Se fosse assim, Dolores e sua trupe não fariam um show tão cheio de alma e vigor, como este, que emocionou pra valer todos os neo-tiozinhos que estavam lá, inclusive a professorinha fazedora de textículos aqui.

Ela prometeu voltar, espero que, dessa vez, com um novo álbum do The Cranberries. Porque todo este retorno ao passado para mim se presta apenas a um sorriso por saber que eu era feliz, e sabia, como tenho sido hoje. Eu quero é mais, nosso tempo é agora.

Só senti falta mesmo de uma coisa: Gil, você não estava lá!!! Onde você foi parar, cabra???

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Pano pra manga

A garota Geisy fez o milagre da multiplicação dos tecidos. Seu suposto microvestido deu pano pra manga, nacional e internacionalmente.

Escrevi no domingo, segunda de manhã, a UNIBAN anuncia a expulsão da aluna, com um discurso pra lá de TALEBAN. Depois, MEC aperta, UNE e entidades feministas também, a instituição volta atrás e revoga a expulsão. A única coisa que não mudou é que nenhuma punição foi sequer cogitada a quem participou da arruaça. Claro, vai desagradar o público pagante? Uma coisa é um aluno, uma mensalidade. Outra coisa são quinhentos alunos, quinhentas mensalidades. E ainda acham que vão convencer alguém falando de moral. Moral de uc é rloa, mermão. Agora o discurso é que promoverão "medidas educativas" com os envolvidos no incidente.

A farofa continua, os alunos vaiaram o protesto da UNE e a Unitaleban (ou Uniburca, como vi em algum lugar) ficou com medo da repercussão negativa em torno da instituição, recuando na sua decisão e o MEC também arquivou o caso. Agora o papo de hoje é especulação em torno da especulação que revistas masculinas poderiam talvez estar fazendo agora para quem sabe ter a aluna na capa de uma dessas publicações. Essa conversinha mole convenceu alguém? Tempo!

Como já disse, ela não tem condições de se tornar ícone feminista, por mais que as entidades militantes tentem fazer isso dela. O máximo que ela consegue mesmo é ser celebridade instantânea. Mas fica a discussão de como os estudantes de ensino superior têm sido cada vez mais sectários, com um discursinho vazio e conservador, típico de quem estuda não para adquirir mais conhecimento ou para ampliar a perspectiva com que veem o mundo e sim, para única exclusivamente "obter uma qualificação profissional para conquistar uma posição de destaque no concorrido mercado de trabalho". Não é esse o tom publicitário de qualquer Unicoisa que a gente vê por aí?

O resultado está aí: diplomas e cérebros de minhoca fabricados em série, a toque de caixa. E quem acha que isso é coisa de instituições particulares que pipocaram a partir da segunda metade da década de 90, está enganado. Alunos de instituições públicas* e tradicionais também estão com sério atrofiamento mental. Vizinhíssimo, mestrando em História, sempre fala do desencanto com que vê na bicharada que entra na USP ultimamente, por exemplo. Trabalhei com alunos da PUC como estagiária numa exposição e alguns deles eram tão tontinhos e vazios que até desencanei do complexo de vira-lata que eu tinha de não estudar em uma grande instituição tradicional.

Não estou falando só na teoria. Estudei numa instituição pequena, com público C e D, conservadora até as tampas. Vi muitos colegas que só estavam a fim de conseguir o diploma ao final de três anos e de preferência, na Lei do Mínimo Esforço. As instituições estimulam esse pensamento. Esqueçam da visão iluminista da universidade como templo de conhecimento, isso é coisa do passado, na visão pragmática e mercantilista com que a Educação é tratada nos nossos tempos. Penso, logo desisto.

*Exceção: Nem tudo está perdido. No meio das notícias sobre o caso da Uniburca, surge que uma que destoa do tom fútil com que o caso é tratado pela farofa midiática. Alunos da UnB promoveram um protesto hoje em frente a reitoria da universidade em apoio a aluna da Uniban e denunciando casos semelhantes de violência contra a mulher e outras minorias acontecidos na instituição de Brasília. Alguém precisa reagir. Meus bichos feministas voltaram, oba!

terça-feira, 28 de julho de 2009

Sobre Saramago, Twitter e Mussum Day

*Aviso aos navegantes: este textículo só é suportado em cérebros com o Software "Duplipensar 2.1"



Está provado: em matéria de redes sociais, o último grito da moda é o Twitter, mesmo que seja um grito de até 140 toques de teclado, só. Segundo o escritor português José Saramago , não é nem grito, é grunhido mesmo. O escritor, que gosta de lançar mão de "frases longas e bem elaboradas", declarou em uma entrevista ao jornal O Globo, sobre a nova febre: "(...)Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido."

Podem me bater, nunca li Saramago. Nada contra, é que nunca caiu na minha mão, se cair um dia, eu leio. Isso significa que não posso falar dele com profundidade, mas é interessante a minha reação à opinião dele a respeito da tendência ao monossílabo, porque tenho motivos para concordar e discordar dele em igual medida.

Concordando: estamos vivendo um tempo de esvaziamento da palavra e o pior, do seu sentido. Como bem observa Vizinhíssimo, a imagem vai ganhando contornos digitais, altíssima definição e as tecnologias sonoras, conforme avançam, vão ficando cada vez mais pobres em fidelidade (vinil - CD - mp3). Quem leu 1984, sabe a importância que a Novilíngua tinha para o regime totalitário - a ideia era tornar o idioma cada vez mais sintético, com menos palavras possíveis, para se tirar o poder de reflexão das pessoas, de perceber as nuances da realidade e exprimir essa percepção. Não pelos mesmos motivos, mas estamos vivendo essa tendência à Novilíngua hoje. Exemplo: você fala "miguxês"? Gente velhinha como eu há de convir que esse dialeto internético soa bem como grunhidinhos, bem como disse Saramago. Estou em sala de aula, então sei muito bem o sacrifício que é desenvolver um discurso mínimo que seja. A grande maioria da molecada não consegue acompanhar. Não é nem que eles julgam chato o que estou falando, a maioria para de ouvir antes de chegar a essa conclusão, simplesmente porque não conseguem, não tem o ouvido treinado para formas de comunicação mais lentas, já que o mundo digital é ultrarrápido, e deixa os dinossauros da sala de aula como eu, a comer poeira, com toda "tecnologia" disponível na grande maioria das escolas para os professores - giz, lousa, saliva e olhe lá. Então, por essas e outras, concordo com Saramago.

Discordando: apesar de ser uma verborrágica incorrigível, não creio que períodos longos sejam imprescindíveis para exprimir ideias longas, às vezes é até o oposto. Uma palavra só, deixada como um fio solto, pode deixar um monte de sentidos à solta também, e provocar muito mais que um discurso "pequenino" de Fidel Castro (diz a lenda que os menores deles tinham no mínimo umas duas horas). Para a comédia, para um hai-kai, poesia concreta ou mesmo para a composição, a concisão é sim, a alma do negócio. Na literatura dramática, é recomendado ao novo dramaturgo evitar diálogos só com monossílabos, mas Nelson Rodrigues, por exemplo, fazia isso como ninguém, sempre abusando das intenções de fala do ator e o resultado era quase sempre, fantástico. Titio Shakespeare também dizia: "A brevidade é alma da sagacidade." Então, acho até bacana ter só aqueles 140 toques para exprimir uma ideia, porque me tira do conforto de uma postagem sem fim. Quem me lê há algum tempo sabe que estes textículos de "ículos", não tem nada, mas é como eu disse no começo: sempre primando pela brevidade, prolixidade ou incoerência, ou o que vier primeiro. (Escrevi assim, porque já contava que não seguiria um padrão.)

Estou usando o Twitter faz pouco tempo: depois de uns três convites chegando na minha caixa de entrada, resolvi aderir. E como eu disse, o limite de caracteres estão me ajudando a ter 'timing' na hora de soltar a piada e também gosto de como ele pode exprimir coisas e momentos bem fugazes, aquele que quando você pára para olhar, já passou. Sem contar que gente bem bacana ajudou a "fazer" o Twitter, como o Marcelo Tas, por exemplo, que até o fechamento da edição da Continuum (revista do Itaú Cultural), tinha 118 mil e tralalá seguidores. Ainda não sei bem que bicho pega lá, mas o poder de mobilização é grande. Dizem que, em matéria de trend topics- ranking dos assuntos mais abordados no Twitter- mais que o Fora Sarney, só mesmo o Mussum Day. Cacildis!
Um textículo que começa com Saramago e termina com Mussum é no mínimo surreal, mas não é por isso que vou me furtar a conclui-lo:


Do grunhido ao sermão, o que importa é o sentido: fazer, não fazer, inventar, que seja. Palavra é subversão.



Ai! Eu não resisto a uma nota no final:
*A imagem do textículo é um verdadeiro achado. Nunca tinha me ligado que Mussum é um palíndromo! Benvindo ao maravilhoso mundo das palavras. Créditos da imagem: www.eupodiatamatando.com

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Piada amywinehouseana pronta 2.0

Essa chegou até mim através do Vizinho, que ficou impressionado com a frase de Lupicínio Rodrigues: "As mulheres que mais me chutaram foram as que mais me fizeram ganhar dinheiro". Pois é, amizade, agora nem se vingar de um fora com arte você pode mais, tem que dar comissão para o (a) infeliz que te fez sofrer. É mole?



"O ex-marido da cantora Amy Winehouse, Blake Fielder-Civil, estaria prestes a pedir indenização à artista por ter sido usado como inspiração para músicas.

Blake deve pedir uma indenização de 6 milhões de libras (equivalente a R$ 19 milhões), de acordo com o site do jornal britânico News of The World.
No processo ele deve usar argumentos envolvendo os problemas que teve com Amy.O disco "Back to Black", responsável pelos sucessos de Amy, foi escrito no período em que os dois estavam em crise e envolvidos em boatos de traição.
"Amy escreveu Back to Black quando Blake a deixou, mas qual o motivo para ela dar algo para ele por tê-la deixado mal?", indagou uma amiga da artista ao jornal.
Já Winehouse adiantou dizendo que não pretende dar nem um centavo ao ex-companheiro.

"É mole? Mas sobe, ora essa! :
Estava caçando imagens da Amy para colocar no textículo, mas não deu, a bicha tá feia demais. Em compensação, achei uma preciosidade cômica: os antepassados brasileiros de Winehouse.
fubap.org/vladivostok/tag/amy-winehouse/
Imperdível!

domingo, 10 de maio de 2009

Crianças

Não é novidade para os leitores de textículos que desde o seu nascimento, este cafundó eletrônico bate uma bola e tanto com a sua vizinhança real e virtual, mais precisamente com o OkComput3r e seu dono Luiz Filipe.

Logo depois do Viva Boal (logo abaixo), ele me mandou um link de um jornal alemão ressaltando a importância do teatrólogo no exterior - que eu tornei disponível para esta audiência heroica em me aguentar. Sua nova postagem, inspirada ou não na minha primeira observação sobre estar realmente informado no mundo de hoje, fala do mesmo assunto com a profundidade que merece. A postagem anterior a essa fala da robô-professora que encanta as crianças japonesas com seu "realismo emocional". Até aí, tudo bem. A piada é que nosso futuro professor de História deixou o melhor pro final: sua sarcástica observação sobre o real sentimento que a robô precisaria externar para parecer uma professora bem humana. A minha gargalhada foi tão sonora que acho que até ele ouviu, do outro lado da parede.

Esta observação sobre crianças me lembrou um breve episódio deste fim de semana, marcado por uma festinha de aniversário de criança típica, com direito a bedel vigiando os brigadeiros antes do parabéns. Sobre uma horda de crianças adoráveis (com uma maçã cravada na boca e devidamente assadas, claro), meu tio me pergunta: Você que é professora, como é que a gente dá jeito nesse monte de crianças sem-educação?

Eu, sem pestanejar, respondi: "Anticoncepcional".

Ps: Antes que eu me esqueça, roubei vááááários brigadeiros antes do parabéns. Sou subversiva, esqueceram?

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Links de utilidade pública

Já disse inúmeras vezes aos meus amigos que perdi as contas de quantas reencarnações eu preciso para viver, ver, ler e assistir tudo que eu quero na minha vida, curta para tantos desejos. Eles concordam comigo e compartilham dessa sensação. Muitas outras pessoas também devem ter esse tipo de paranóia, porque é moda agora livros e afins do tipo: "501 Must See Movies" ou "1001 discos para ouvir antes de morrer". Sinceramente, escorreu uma baba no cantinho da minha boca por estes livros. Ai, como é difícil ser cult e cool...

Na verdade, sou fanática por listas como essa. Nunca mais publiquei textos com Top5, porque minha seletíssima audiência regula sua mixaria e a grande maioria não posta comentários, mas continuo gostando muito. Ontem me diverti com "As 100 mais em 100 anos", lista das 100 músicas mais tocadas de 1904 a 2003. Você olhou a lista do ano em que você nasceu? Bingo! É praticamente impossível não se sentir curioso? Será que na sala de parto onde nasci tinha um rádio ligado, como em Cidade dos Anjos? (Filme que para mim, por um acaso, só prestou mesmo pela trilha sonora.) Fico rindo, de pensar em mamãe se esguelando na sala, enquanto a Zizi Possi se esguelava no rádio: "Me faz pequena, aaaaaaaaaaaaaaaaaaasa morena..." Rá! Eu sei que não tem graça nenhuma, Duley.

Também é tentador olhar a lista do ano que mudou a sua vida. E a decepção do Vizinho: na lista de 1997 não tem Radiohead! Na verdade a lista serve para rir, porque a quantidade de porcarias e guilty pleasures é imensa. A lista mais chiquérrima foi a de 1948, ano de nascimento da Betona: primeiro lugar para Dick Farney, considerado em sua época o Sinatra brasileiro. Na verdade, o popular era naturalmente mais sofisticado. Essa coisa que para o povão tem que ser ralé, é uma ideia lamentavelmente recente.

Mesmo antes deste festival de listas, estava começando a formar a lista dos 100 sites que você precisa acessar antes de bater a caçoleta, finar-se, bater as botas. (Já reparou como são numerosos os eufemismos para a morte? E o pior, os mais engraçados.)

Voltando a lista: eu mal tenho 5 para um Top, mas como eu sou teimosa, eu chamo a audiência para dar a sua contribuição:

1 - Desencalha Wanderson (http://www.desencalhawanderson.com.br/) - Indispensável pelas fotos com cara de "Manhê, eu tô com gases" e pelo texto comicamente mal redigido;
2 - Vida de merda (http://www.vidademerda.com.br/) - A vida é uma merda, mas ainda assim, é capaz de te matar de rir;
3 - Horóscopo Astral (http://www.horoscopo-astral.com/) - Ótimo para formar "Astrólogos de Mouse", como eu. Este site, com sua data, hora e local de nascimento, não descobre apenas seu signo ascendente, como também a cor do seu MM´s favorito;
4 - Nimportequi.com (http://nimportequi.com/) - Não tenho muitas informações a respeito, este link foi mandado por Forrest ao especularmos a formação desta lista. Grupo de comédia francês com esquetes genais no mesmo nível que as do Monthy Pynton. Humor finérrimo;
5 - Textículos de Mulher - Dispensa comentários. Se você não acessar, eu choro!

Dispensei os links que eu já recomendo usualmente, exceto o do guru da campanha pela minha saída do caritó. Por este motivo, é que não está aí meus blogs preferidos, como o OkComput3r e HTP, nem os sites que reconheço como utilidade pública. As nobres almas que me acompanharão nesta empreitada, por favor, defendam os pequenos e desconhecidos. Sem culpa cristã, excluirei listas do tipo "Orkut, Youtube, MSN, Myspace, UOL", porque estes não são novidade nenhuma. Mas Pérolas do Orkut e GTO aceito sim, obrigada.