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terça-feira, 20 de março de 2012

Enjoy the silence

"Mas é você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem!"
Belchior
 

Não existe nem velho, nem novo. O que existe mesmo é o tempo!
Enjoy the silence!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Melancholia

Nunca pensei que melancolia tivesse algo a ver com o mito de Narciso. Melancolia é o desapontamento de Narciso ao ver que não poderia tocar sua linda imagem refletida no lago: sem poder tê-la, morreu vidrado no redemoinho que desmanchava o seu reflexo ao ser tocado. 

Não parece, mas eu sou melancólica. E eu, que bem gosto dessa melancolia, não me assustei quando a minha terapeuta me explicou a visão da psicanálise sobre esse sentimento temido à exaustão por um mundo que insiste em fazer o jogo do contente todo o tempo. Muito pelo contrário, me encantei ainda mais. 

Passei os últimos meses contemplando o redemoinho. Era (ou é) só tristeza: algo tão normal quanto alegria, algo que passa, mas parece ser um crime ficar triste, e não é. É um luxo ao qual eu me reservo quando algo não vai bem.

Por isso gostei tanto de Melancholia, o último filme do Lars Von Trier. O estado melancólico é exatamente aquela sensação de pernas paralisadas que acometeu Justine (Kirsten Dunst). E foda-se se é o dia do seu casamento, ou se o mundo inteiro diz que gostaria de estar no seu lugar e que você deveria estar feliz. A melancolia te abraça, te enrosca pelas pernas e quando elas travam, não tem que as faça seguir.  


No entanto, as coisas mudam diante de um perigo real. Na iminência do desastre, Claire (Charlotte Gainsbourg), sempre tão centrada, se desespera e Justine, sempre tão errática, sabe exatamente o que fazer. Ela que já tinha visto a Melancholia se aproximar tantas vezes, não se assustou e buscou dentro de si a força para suportar o fim. 

Dizem que a depressão é o mal do século. Pode ser, mas tenho para mim que o mal é justamente temer tanto a tristeza, fugir dela como se pudesse fugir do planeta Melancholia. Quando a tristeza bate, quando se vai às lágrimas, só nos resta entrar na nossa cabana invisível. Quem tem medo de tristeza não sabe que isso não tem nada a ver com desistir, muito pelo contrário: é caçar o último fio de força para sobreviver e jamais entregar os pontos. Sucumbir acontece com quem não aguenta o tranco da melancolia se aproximando e saber que não se pode fazer nada. A arrogância humana é tanta, admitir impotência é algo tão inadimissível, que há quem simplesmente não sabe o que fazer, quando não há mais nada a fazer. 

Isso não é só uma metáfora de cinema. Há que se ter pernas fortes para aguentar a vida. Porque estar vivo dói, até quando é bom. Além do mais, não é qualquer soco no estômago que vai me fazer beijar a lona. 

E para quem teve pernas para subir e descer mais uma Colina Melancólica, aquele abraço!




terça-feira, 15 de novembro de 2011

Pedro Rocha – A manteiga derretida mais dura na queda do mundo

Eu era como Pedro, o apóstolo xará: primitivo, turrão, porém havia em mim um coração enorme. Só que não encontrei nenhum Cristo para seguir, então, segui em frente. Troquei o tênis pelo mocassim, a mochila pela pasta e me tornei corretor. De imóveis. Vendi tudo que via pela frente: quitinete, mansão, casa na praia. Ganhei uma grana razoável para estudar e me tornar o mesmo executivo detestável que era o meu patrão. Contudo, eu era jovem ainda, não estava tão preocupado assim com meu futuro. Esse papo de faculdade era mais pra dourar a pílula e manter o meu emprego.

Típico machista idiota, de tanto esquecer meu próprio coração, esqueci que as pessoas têm sentimentos. Mulheres, principalmente. Preconceito bobo esse, porque homens também sentem, mas o fato é que antes do que me aconteceu eu sinceramente acreditava que homens não choravam.

Como num conto dos irmãos Grimm, me apaixonei por uma princesa e, de tanto pisar no seu nobre coração, ela tornou-se sapo ao invés de me transformar em um. Do contrário, passei a ter peitos e sangrar mês a mês e mais do que corpo, me deu mente e coração de mulher. Fui amaldiçoado. Tornei-me objeto do meu próprio desejo e o cartão de crédito não resolvia esse problema.

Entendendo meu objeto de desejo é que começou a penosa volta ao verdadeiro Pedro Rocha, a manteiga derretida mais dura na queda do mundo, de tênis e mochilão nas costas, durango e insatisfeito.

Essa princesa me fodeu. Mas ela jura que foi pro meu bem.

Janeiro de 2005


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Filme de Mulherzinha Ataca Novamente

Está provado cientificamente: comédias românticas podem estragar a sua vida. Mas eu, particularmente não estou nem aí. Quando nasci, cinto de segurança não era obrigatório e merthiolate ardia e ainda assim, estou viva, vivinha. Da Silva, Teodoro Alves, o que quiserem. Acreditem!

Tentei me recuperar, mas é inútil: o dano cerebral causado pelas comédias românticas noventistas estreladas por Meg Ryan, Renè Zellwegger, Julia Roberts e afins é acumulado. Já era, meus miolos foram indiscutivelmente carcomidos. Só restou o coração, que sem um pingo de vergonha na cara, ainda pulsa: bridget-jones, bridget-jones. Happy-end, happy-end. 

Além do mais, comédia romântica pode até estragar uma vida, mas não um blog. O textículo mais acessado deste faroeste é a resenha sobre Falando Grego, da Nia Vardalos. Aqui, elas até ajudam!

Anos depois, adicionando uma licencinha poética para o festival de bobagens que lhe são devidas, vejo que comédias românticas tem lá suas pilulazinhas de sabedoria. Tolas, inocentes, mas ainda assim válidas, verdadeiras em sua tolice. 

Como Medianeiras, Buenos Aires na Era do Amor Virtual. Em se tratando da ideia de discutir cultura digital, é uma ótima propaganda para os produtos da Mac. De tão escancarada, nem parece merchandising. Parece peça publicitária mesmo, na cara-larga. 


Gosto de filmes em que cidades são personagens. Uma Buenos Aires contemporânea, pós-crise, de longe é a personagem mais fascinante. A protagonista é arquiteta, e é dela que vem a metáfora das medianeiras, aquele lado dos edifícios que não serve para nada, a não ser para abrigar propaganda e limo. Como nas pessoas, expõe o lado mais frágil, feio e vulnerável de construções que precisam se fazer sólidas e fortes. Abra uma janela na sua medianeira, mesmo que ilegalmente. Deixe entrar luz no seu apartamento, vai te fazer bem.

Também gosto de gente neurótica nos filmes. Mitigam minha vergonha. Além do que são muito mais verossímeis: Mariana taca coisas na parede, chora por bobagem e carência, fuma mais que preto-velho no terreiro. Martin é fóbico, hipocondríaco, insone, atrapalhado. Leve seus cachorros para passear, mesmo que eles sintam medo. Eles precisam se acostumar com outros cachorros. 


Se toda essa firula ao final vendesse só iPod, eu até perdoaria. Foda é vender a ilusão de um amor único perdido na cidade, vestido com uma blusa listrada de vermelho e branco, óculos e gorro à sua espera, prontinho para ser encontrado. Se você começar a procurar onde está o Wallie com 14 anos, quem sabe você o encontre aos 30! Mas use uma lupa, porque isso é trabalho para mais de metro. 

Procurar Wallie é uma tarefa muito difícil para míopes não operados como eu, então fica para outro dia. Não comprei a ilusão, mas me diverti com a conversa mole do vendedor. Atitude típica de 1984, um duplipensar para esquentar as turbinas. Porque só agora posso começar a abrir um vitrô na minha medianeira, sair com meus cães assustados por aí. Spring is coming! 

domingo, 20 de março de 2011

Lope

" Eu quero tudo!"
Lope de Vega




Assisti a esse filme ontem no Unibanco da Augusta, depois de ter visto o cartaz no Unibanco da Pompeia e não ter conseguido assistir porque já tinha saído de cartaz por lá. Fora os oscarizados e as boas animações 3D, são os filmes mais babacas que sustentam a audiência das salas de cinema de shopping - o cinema do Bourbon é uma exceção, também apresenta opções que fogem do blockbuster. Logo, um filme que ficou pouquíssimo tempo em exibição no cinema de um shopping deveria ser no mínimo interessante. Gazelita descobriu que ainda havia sessões rolando no Unibanco da Augusta e a gente se mandou para lá. 
Na verdade, não foi só um instinto anti-mainstream que me atraiu para assistir Lope. Lope de Vega é um dos maiores dramaturgos da história do Teatro, tanto em volume de trabalho - já que escreveu feito louco -  quanto por suas inovações em termos de dramaturgia e encenação. Eu não conheço a sua vastíssima obra em profundidade (e a professorinha de Artes Cênicas deveria, né?). Mesmo que neste tipo de filme tenha quase sempre injetada uma boa dose de ficção, eles sempre ajudam a entender o contexto histórico do período em que criou,  suas referências estéticas, a atmosfera da época. Shakespeare in love fez a mesma coisa pelo Bardo e levou Oscar, quem sabe Lope não leve também no próximo ano.

Qualidade de produção para isso o filme tem. É uma co-produção Brasil-Espanha, com Andrucha Waddington na direção, Selton Mello e Sonia Braga no elenco. O único filme que eu tinha assistido dele foi Eu, Tu, Eles, que é ótimo e totalmente diferente em temática de Lope.

O início é cozido em fogo lento, quase parece monótono. Na verdade, é sua intrincada trama sendo urdida aos poucos. Quando o circo está armado por completo, aí é que fica bom. E ele literalmente pega fogo. Lope é a personificação do artista subversivo, audacioso e intempestivo, que arranja confusão com meio mundo porque não aceita se vender por pouca coisa,  mesmo que estivesse tão ferrado a ponto de vender o almoço para comprar o jantar;  habilidoso com a pena e com a espada, não leva desaforo para casa e adora se meter - literalmente - com a mulher errada. E elas adoram - afinal, ele as enlouquece com seus românticos sonetos e seus calorosos amassos. (Sem uma sacanagem, a história de um poeta louco de amor seria simplesmente inverossímil. Fosse eu uma donzelinha madrilenha em meados do século XVI, teria dado pra ele fácil, fácil. Ninguém é de ferro, né? Eu menos ainda.)

Moral da história: nem só de Almodóvar vive o cinema espanhol,  nem só de Globo Filmes vive o cinema brasileiro.

sábado, 12 de março de 2011

Cisne Negro

"There are two tragedies in life. One is not to get your heart's desire. The other is to get it."*
George Bernard Shaw

"Estar pronto é tudo."
  Hamlet, ato V, cena II.


God save The Swan Queen!
O que dizer de um filme que já levou o Oscar, foi ovacionado pela crítica e que provalmente já foi destrinchado, dissecado, analisado por todo o tipo de gente?

Não vou dizer que este filme nasceu clássico, que a câmera dança junto com a Natalie Portman, que ela entrou definitivamente para o panteão das deusas do cinema. Sua beleza bastaria para isso, mas sua atuação é a coisa mais visceral que eu vi em toda a minha vida.

Este filme não é apenas sobre balé, ou como a perfeição atlética exigida das bailarinas pode levá-las à loucura. Também não trata somente do fio da navalha que há na intrincada relação entre intérprete e personagem.

Este filme nos encara profundamente e diz, sem rodeios: incorpore sua sombra, aquela parte obscura, selvagem, incontrolável que cada um carrega dentro de si. Acolha sua sombra ou será deglutido por ela. O que seria do bordado sem o seu avesso? Então, vire do avesso de vez em quando. Exiba-o. Ame-o. Orgulhe-se dele.

Ainda pensa que Bem vai vencer o Mal? Na vida real, eles são parceiros, babe. Um exalta o brilho do outro. Nunca ouviu falar em yin e yang? Acorda, Nina.



Isso, na verdade, é bem junguiano. Cisne Negro é o processo de individuação de Nina, ela tragicamente incorpora sua sombra a seu self. (Falei alguma besteira, psicólogos? Se falei, por favor, corrijam.) Todo mundo precisa passar por este dolorosíssimo processo. Nina leva o seu magistralmente às últimas consequências e não aguenta o tranco, afinal, era uma garota presa no corpo de uma mulher, como Olga  presa no corpo de um cisne.
Saí do cinema chapada, chapadinha. A coisa mais pesada que usei foi água com gás. Entre o milhão de coisas que se passaram pela minha mente, coração e libido, me lembrei de uma canção que eu escrevi há algum tempo e que sem um pingo de modéstia, adoro. Somente agora, tendo assistido ao Cisne Negro, entendi de fato o que ela queria me dizer:
 
"Permanecer na superfície
A todo custo evitando a descida aos infernos é besteira  
(...)
Trate de abandonar a utopia
De que o ser humano é inteiro sensatez
Perca o juízo de vez
(...)Solte os bichos"
...Solte os bichos. O que mais nos resta fazer?
  
*Há duas tragédias na vida. Uma é não conseguir o que nosso coração deseja. A outra é conseguir.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Princesa Moanna

Não preciso me curvar a ninguém,
Inventei minha própria realeza.
Não preciso de mesuras também
Minha loucura é toda feita de certeza.

Insurreta nata,
Quantas ditaduras tive que vencer?
Esquece: desajuste é meu aconchego
Às vezes, meu desassossego.

O que há de tão errado?
Mais comum que maria-sem-vergonha,
Nem sou tão diferente assim,

Exceto pelas gambiarras expostas em mim.
E teatro épico não agrada plateia de novela.
Foi contra estes olhos tortos que construí minha cidadela.

agosto de 2010

 

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Chanel 4Ever

Copiei o corte da Mayana ou...
Gente, meu cabelo está causando.  Posei para a revista Cabelos&Cosméticos,  em (mais um) passo a passo do corte de cabelo da Melina/Mayana Moura, um dos mais pedidos nos salões de cabelereiros por aí afora. O resultado ficou muito bom: o cabelereiro (ou seria hair stylist?) é fera e meu cabelo é naturalmente liso, escuro e pesado, o que cai bem  para este corte. Lógico que o meu tutorial é o mais legal!


...ela que copiou o meu?
De fato, o chanel me persegue desde a mais tenra idade, o que faz deste meu novo visual um legítimo auto-retrô. Logo eu,  que tinha veementemente abandonado a franja reta de curumim na passagem da infância para a adolescência.

Como nunca recebi tantos apelidos diferentes e engraçados por conta do meu cabelo, resolvi fazer uma colagem de referências - das glamourosas às caricatas - para homenagear este corte de cabelo eternamente moderno, prático e chique. Viva Coco Chanel!


Louise Brooks - atriz de cinema mudo
A inspiração para o cabelo da Mayana

 Playmobil
Muita chapinha e laquê de gesso

 Amelie Poulain  
Gosto dessa versão mais bagunçadinha


Velma Kelly
All that jazz! Adoro essa vedete assassina

 

Edna Moda
Gêmea perdida

Uma Thurman
Vale um twist com o Travolta!
 
Velma - ScoobyDoo
Gêmea Perdida (2)

E para terminar...


Zacarias
E essa franjinha repartida, hein, hein? Tudo!


...E é para todos esta cambalhota! Cabelos&Cosméticos esta semana nas bancas!

sábado, 23 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2


O coronel em seu lado humano e desarmado

Fui assistir Tropa de Elite 2 pensando: eu vou porque o Capitão Nascimento (Wagner Moura) é o cara - ops, agora é coronel. Logo no início do filme, percebe-se que nem tanto, mestre: o conflito da trama começa com uma cagada típica da polícia brasileira, não só da carioca: o dedinho que coça no gatilho na hora errada, vide casos como do sequestro da Eloá e do ônibus 174. A diferença é que nos casos reais morreram as vítimas, na ficção o Mathias (André Ramiro) acerta o bandido. Bom de pontaria, mas mesmo assim "puta dum mané, parceiro!" Simplesmente porque seu superior - o coronel - tinha mandado não atirar, ficar só de espreita. O que o zé-ruela fez? O total oposto, invadiu e atirou pra matar. Mesmo assim, o coronel dá cobertura para o amigo e toma a responsabilidade para ele, talvez porque no fundo era isso mesmo que ele queria fazer: mandar matar!

Esse tiro bem dado num traficante fudidaço em Bangu I muda a vida do Nascimento. "Os intelectuaizinhos de esquerda" e a imprensa - leia-se Diogo Fraga (Irandhir Santos), atual marido da ex-mulher do coronel - caem matando em cima do BOPE e por pouco Mathias e Nascimento não se fodem de verde e amarelo sendo expulsos da corporação. Mas a opinião pública pressiona e a Secretaria de Segurança Pública promove o coronel para o Setor de Inteligência da Secretaria de Segurança Púlica e o Mathias se fode sozinho: é expulso do BOPE, voltando para um batalhão comum e o coronel não consegue livrar a cara do parceiro. Esse é o ponto de partida da trama.



José Padilha diz que não gosta de fazer "filme intelectual" e no caso do Tropa de Elite 2 ele acerta no ponto. É um puta filmaço - a pegada pop é tão forte que fiquei imaginando que o sangue que escorria da tela do cinema tinha gosto de groselha Milani. Impagável a cena dos policiais no "crematório" - a terra do presunto perdido - com um crânio incinerado na mão, citando sarcasticamente o famoso monólogo de Hamlet e o outro policial responde: "Ê, parceiro, que mal gosto ficar citando a Bíblia aqui!" "Ê, mas como você é burro, isso é coisa da novela!"




Tropa de Elite 2 é de fato uma pérola pop, da qual Tarantino se orgulharia. Duas horas e quarenta minutos que não se desgruda os olhos da tela. Esteticamente falando é perfeito, mas politicamente falando é um desastre. Como levantar a discussão de um tema tão sério - e complexo - sendo superficial? Sim, porque o raciocínio do coronel é absolutamente simplista, como se tudo fosse um western de mocinhos e bandidos. Na verdade o fim do filme marca a mudança de pensamento do nosso heroi controverso, ele percebe um pouco tarde que o buraco é mais embaixo. A impressão que se tem é que esta película não poupa ninguém - políticos, a polícia, a sociedade, a direita, a esquerda, a mídia - mas não se livra totalmente dos clichês, como por exemplo o dos direitos humanos e a esquerda - como se direitos humanos fosse coisa só para defender bandidos sanguinários e como se a esquerda tivesse sido sempre "paz e amor". No escritório do Fraga, o intelectual de esquerda e pacifista do filme, mostra ao fundo um cartaz do Marighela e em outro momento um cartaz com o logo do MST, movimento que defende a luta armada. Como é que vai ser guerrilheiro sem pegar em armas e matar, hein, parceiro? Sem contar que o filme ainda mostra a tortura policial como método de investigação. A única vantagem é que para a grande massa a discussão do filme mostra porque NUNCA vai haver legalização das drogas aqui, simplesmente porque o tráfico beneficia o "sistema", pagando iates e caviar para muita gente caishca grossa, como diria o coronel.


O filme de fato é muito bom, mas me fez mudar de ideia. Não acho mais que o coronel Nascimento seja o cara. O Wagner Moura sim é que o é. Apesar do personagem em si ser bastante fascinante, cheio de nuances e controversões, ele não teria metade do carisma que tem se não fosse a competência do ator que o interpreta.


Tropa de Elite 2 empolga, mas não dá nenhuma vontade de fazer justiça com as próprias mãos. Dá vontade de fazer cinema.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Mary and Max

Ou A Vida é um soco no estômago



A fofa Mary Daisy Dinkle


Esta pequena maravilha caiu nas minhas mãos no último domingo. O soco na boca do estômago foi tão forte que nem vou me alongar: digo apenas que este desenho desanimado foi uma das coisas mais lindas, poéticas e comoventes que vi em toda minha vida. Esqueça os clichês e boa sorte.



sábado, 7 de agosto de 2010

Vênus de Milo



Expressionista

Eu distante,
Sou tão mais interessante
Quando à boca da noite
Você não me vê dormir.
Com este ronco barulhento,
que chega a ser nojento
De tão anti-estético que é.

Eu distante,
Tenho a pele bem mais macia
Quando me torno retrato na parede.
Muito mais quando minhas mãos,
Ásperas como o quê, tocam as suas.

Eu distante,
Consigo ser bem mais importante
Do que estas ideias toscas sobre a vida.

Eu, que não sou nenhuma Vênus de Milo,
Não tenho talento nem para ser estátua.
Por, favor, me toque.


Veja o resto da cena de The Dreamers aqui

sábado, 24 de julho de 2010

O Pequeno Nicolau

Nunca tinha ido assistir a um filme só pelo cartaz. No cinema de hoje, em que se pode assistir trailers no Youtube, e talvez nem precise ir até o cinema para ver, com a possibilidade de fazer um download e ver em casa, ou nem fazer o download e assistir em streaming, achava que cartaz só funcionava para moderninhos colocarem na parede ou fazerem camisetas de filmes icônicos como Pulp Fiction, Matrix, ou Laranja Mecânica. Lembro de uma vez que saí do cinema e havia o cartaz de "Uma noite no museu", com uma estátua de um suposto homem das cavernas. Se você passasse do lado, ele pulava na sua frente. O negócio era tão engraçado que a gente sentou no saguão do cinema só para assistir o susto dos passantes.

O fato é que um bom cartaz ainda funciona. Na fila de outro filme, vi este e achei engraçado estes meninos com nomes de velho, terninho, calça curta e cara de Mad - lembra da revista? Pois é, fiquei curiosa e fui conferir.

Hoje em dia, há animações tão boas no mercado de filmes para crianças, e agora em 3D, que é raro encontrar bons filmes "de verdade" com temática infantil. "O Pequeno Nicolau" é a adaptação de uma série de livros francesa do escritor René Goscinny com ilustrações de Jean-Jaques Sempé que eu também não conhecia.

Nicolas é um menino comum, que adora sua vida de filho único em uma família pequeno-burguesa parisiense e estuda em uma escola só para garotos. A possível gravidez de sua mãe é a ameaça para sua vida perfeita, ele sente medo de ser abandonado na floresta e faz de tudo para se desfazer desse bebê que nem existe de fato. A partir daí, é uma trapalhada atrás da outra, dele e de seus amigos.



Ri litros com as cenas de escola. O filme se passa nos anos 1950, tanta coisa mudou na família e na infância desses tempos para cá, mas é incrível como outras não mudam. A educação continua sendo um misto de martírio com sadismo. Pobre daquela professora.

Apesar dos moleques serem umas pestes, o filme é realmente muito bonitinho, singelo, sem duvidar da inteligência e perspicácia da garotada. Para adultos, nos lembra que a criança tem seu próprio universo, mas que não está dissociado do mundo em que ela vive. Os medos infantis - como o do abandono, por exemplo - podem ou não ter fundamento, mas dentro do seu universo são verdadeiríssimos. A gente já sentiu esses medos, alguns destes nos acompanham a vida toda, mesmo que a gente não admita. Se isso fosse mentira, Freud não teria causado metade do frisson que causou.

Gostei tanto que estou pensando levar meu sobrinho mais velho para ver, que há um ano deixou de ser filho único. Só tenho medo que ele se inspire a contratar um gângster para tentar se livrar do irmãozinho. Vai saber!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Billy Elliot - o filme

Vida de blogueira e operária ao mesmo tempo é postar no feriado. Fazer o quê, estava faltando vontade também, mesmo tendo assunto. É o tédio corroendo as paredes do meu quarto.

Há um tempo atrás caiu na minhas mãos um filme inglês de 2000, que é uma pequena maravilha: Billy Elliot, de Stephen Daldry. É tão apaixonante que fiquei me perguntando onde eu estava que não tinha visto aquele filme antes.

O personagem-título descobre no susto um talento nato para dançar e aposta nesta que era sua única ficha em um momento tenso para ele, sua família, sua cidade, até seu país. Obviamente, enfrenta preconceito e resistência por ser menino e ter se interessado por balé em uma cidade em que todo "macho" que se prezasse lutava boxe no clube da cidade. Mas não é só isso. A trilha sonora é impecável, recheada de T-Rex, The Jam, Clash e Tchaikóvsky; os números de dança são cheios de vigor, mais do que de técnica; as atuações são primorosas e como se isso bastasse, o filme tem uma história e tanto que comove sem apelar para clichês.

Acho que o único mesmo é o preconceito que meninos bailarinos devem enfrentar até hoje, o que me motivou a pegar esse filme que passa despercebido na caixa de DVD´s que a secretaria da Educação mandou para as escolas da rede estadual. Quando tenho que falar de dança em aula, o que mais ouço são comentários, geralmente dos garotos, insinuando que um ou outro é gay. Como cansei de ser mamute e dar homéricas broncas em aula, o filme foi uma alternativa para mostrar que uma coisa não está necessariamente ligada a outra, afinal Billy Elliot estava muito mais interessado em acertar um arabesco do que usar tutu. De fato, passei esse filme em sala de aula, e pelas discussões e comentários, parece que funcionou, pelo menos para começar um trabalho. Mas essa é uma questão menor no filme, que coloca no seu devido lugar o significado da palavra drama (em grego, drao): "eu faço, eu luto". Foi o que praticamente todos personagens do filme fizeram: o pai e o irmão, na greve dos mineradores ingleses, Billy, ralando para acertar um giro desgraçado, a professora, lutando contra a própria frustração, no melhor estilo, "alguém pode se salvar dessa droga toda". Partiram todos para a ação.

Resumindo: fui preparar uma aula, e acabei ganhando um filme que entrou para meu Relicário de Lembranças Adoradas.

Para fechar, a fodástica Angry Dance, ao som de Town Called Malice:


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Piadinhas...

1 - Sobre a bem-sucedida domesticação das futuras gerações:

O menino, junto com a mãe, para em frente a uma barraca de DVD´s e pergunta: "Você também tem original?" O camelô responde: "Não, só genérico!"

... Depois encontrei o mesmo menino no shopping checando seu Orkut numa Lan House.

2 - Sobre persuasivos vendedores metidos a espirituosos:

O vendedor de livros para em frente à moça, no meio da Paulista. Ela achou que ele ia pedir fogo, mas não. Faz a estupÍenda pergunta: "Você sabe qual a diferença entre corpo e alma?" "Não", responde a moça já tomando o caminho da roça. "A resposta está neste livro..." Ela hesita e para outra vez: "É de graça?". "Não, é de papel." "Ah! Então não quero!"

...E a moça vai embora, dando uma bela tragada no seu cigarro fedorento.

domingo, 20 de setembro de 2009

Che 2 - A Guerillha

No último domingo, assisti à Che 2 - A Guerrilha e gostei, mais do que o primeiro. Gosto da estética naturalista do filme, com uma ação lenta, focada na marcha da guerrilha e não nos combates, quase sem triha sonora, com iluminação natural. Benicio del Toro é um Che Guevara sem afetação nenhuma, acertou na mosca em interpretar o líder revolucionário de uma maneira humana, sem pesar para o lado do heroísmo, mesmo assim, mostrando o grande caráter do guerrilheiro.

Essas características estão nas duas partes do filme, é óbvio, mas no primeiro filme chega uma hora em que a ação se arrasta e na segunda parte isso não aconteceu, apesar do ritmo da ação ser exatamente o mesmo.

É triste você ver na sua frente uma história que você conhece bem, sabendo que o final foi desastroso. Não é nada catártico ver o fim de Ernesto Che Guevara na sua frente. Primeiro porque é História - com H maiúsculo, não tem aquela de respirar aliviado no fim porque era mentirinha, como na tregédia clássica grega. Segundo porque sabemos qual é a implicação de não termos tido uma revolução popular na América Latina. Tivemos uma série de ditaduras militares ao longo do século XX que criaram feridas que ainda não fecharam, e duvido que vão fechar, porque sempre aparece uma contrarrevolução para estancar este processo. Honduras que o diga, e isso é sim, problema nosso. O mais estapafúrdio é a justificativa para esse golpe: preservar a democracia (?!). E como um Maquiavel ao contrário, digo que pouco importam as supostas causas nobres para os fatos, e sim os métodos totalitários adotados pelo regime golpista, como por exemplo, sitiar a embaixada brasileira em Tegucigualpa, onde o presidente deposto Zelaya se encontra.

Revoltante que no caso da presença de Che na Bolívia, o próprio partido comunista de lá se opôs, não queriam estrangeiros no seu ninho e abertamente boicotaram a ação. Não sei se foi ingênuo ou corajoso da parte de Che crer que todos eram tão internacionalistas quanto ele, porém quando ele poderia sentar o traseiro em um gabiente como o segundo homem mais importante da Revolução Cubana, ele começou tudo de novo. O que prova, para mim pelo menos, que ele não estava interessado em poder e sim na transformação deste mundo de fato.
Mesmo sabendo de tudo isso, não conseguia de repetir um bocado de vezes para mim mesma, até cochichando, sozinha no cinema, que eu preferia uma revolução latino-americana triunfante, do que a figura do herói morto, tatuada na minha mente.
Depois de tudo isso, foi no mínimo indigesto sair da sala escura e dar de cara com um shopping. Não consegui tomar nem um milkshake.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Filme de mulherzinha


Passei a década de 90 assistindo comédias românticas. Eu gosto de filme de mulherzinha, e daí? Uma Linda Mulher (que segundo a minha mãe deveria se chamar Um Lindo Homem, e eu concordo em gênero, número e Richard Gere - Ui!), todos ou quase todos da Meg Ryan, Jerry Maguire - A grande virada e O Casamento de Muriel fizeram a minha cabeça. O roteiro deste tipo de filme é quase sempre feito de favas contadas - na verdade estou sendo boazinha, é um lugar-comum atrás do outro - e a parte água com açúcar geramente é temperada com sequências de humor impagáveis, com elencos via de regra muito bons.

Seguindo a tradição, munida da companhia gazelística, neste último sábado fui assistir à estreia de Falando Grego (My life in ruins, no original). Nia Vardalos é Georgia, uma greco-americana que se muda para Atenas para lecionar história clássica, perde o emprego e, para se virar, trabalha numa agência de turismo pra lá de fuleira, não se dá com o trabalho e quer dar aulas de história e mitologia grega pra um bando de turistas que só querem saber de se entupir de sorvete no meio do calor da Grécia. Georgia está à beira de um ataque de nervos até que ela conhece o "urso que tirou carteira de motorista" que foi contratado para dirigir o ônibus da excursão, que seria a última que ela acompanharia e aí... começa o filme, que mostra a jornada de Georgia em busca do seu kefi, palavra grega que significa alegria, vivacidade, nosso brilho natural e para isso, recebe ajuda de um turista (Richard Dreyfuss) que começa como o metido a engraçadinho da excursão e termina como um velhinho fofo, espirituoso e movido a uma "pilulazinha azul da Pfizer que o governo paga", e até bancou o Oráculo de Delfos no meio da história.

O enredo é chavão puro, claro, mas a diferença estão nas sequências de humor, baseadas ou em mal-entendidos surreais ou na cara de "ahn?" que só a Nia Vardalos consegue fazer. Tenho boas lembranças dela - foi isso que me motivou a ver o filme na estreia, coisa que nunca fiz. Casamento Grego, um dos seus filmes mais conhecidos, não assisti inteiro, só vi uma temporada da série do mesmo nome alugada em DVD na casa de Bozoca, em um dos momentos mais fundo do poço dos últimos tempos da minha vida, e me arrancou boas risadas. Se a Nia Vardalos me fez rir naquelas circunstâncias, anything is possible.

Além do humor, as paisagens. Ah, as paisagens. Pathernon, Monte Olimpo, Teatro de Epidauro... Uma mais linda que a outra, as tais ruínas onde se perdeu a vida de Georgia. O segredo do sucesso dos chavões de Hollywood está aí. Todo mundo já foi Georgia um dia, a ponto de um dia se olhar e ver que perdeu o viço, o brilho, que não faz mais o que gosta, preferindo o contrário para agradar gente de que você não gosta. E de repente, resolve-se chutar o balde, apertar o botão do foda-se, dar uma imensa banana para o mundo, mas acaba-se por nem precisar. O destino se encarrega de virar a mesa por si só, deixando para si o deus-ex-machina do final da história. Aí que tá, não foi Hollywood que inventou isso. Advinha quem foi?

Na verdade, deus-ex-machina é a solução "engenhófica" de um conflito sem solução dentro de uma trama no teatro clássico grego, onde se fundou as bases para o teatro ocidental de hoje. Quem traz a solução milagrosa de um conflito a princípio insolúvel é a ação de um deus, daí o nome, um deus feito de máquina.

A virada do personagem é a sua virada. Georgia reencontra seu kefi por você, que respira aliviado quando sobem as letrinhas dos créditos, sem ter movido uma palha para tanto. Não, você não é o único, nem eu, todo mundo faz isso, inconscientemente. E isso não é loucura, é catarse. Aliás, isso é uma maravilha, resolveu sua vida e nem desfez a escova! Acha que foi Freud que postulou sobre este comportamento?

Catarse não é invenção freudiana e sim aristotélica. O discípulo de Sócrates postulou em Poética, o processo catártico da tragédia clássica, que eu descrevi acima à minha maneira, porque obviamente, na Antiguidade clássica não existia chapinha e muito menos salas de cinema. Mas o processo é exatamente o mesmo, a jornada do herói sempre trilhará este caminho.

Vou parando por aqui, antes que vocês pensem que estou falando grego. Encurtando o papo: quem gosta de filme de mulherzinha vai adorar Falando Grego: as mocinhas e os heroicos machos sem medo de comédias românticas. Sim, eles existem.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Curtindo a Vida Adoidado

Não é exatamente uma notícia exclusiva, porque está agora na primeira página do UOL.

Diretor de "Curtindo a Vida Adoidado", John Hughes morre aos 59 anos

NOVA YORK (AP) - Uma porta-voz confirmou hoje, quinta (6), a morte de John Hughes, vítima de ataque cardíaco. O cineasta, diretor de "Curtindo a Vida Adoidado" (1986), "Clube dos Cinco" (1985) e produtor da série de filmes "Esqueceram de Mim", morreu aos 59 anos. Michelle Bega disse que Hughes morreu durante uma caminhada matinal. Ele estava visitando a família em Manhattan. Ele transformou a atriz Molly Ringwald em uma jovem estrela com o "Gatinhas & Gatões" (1984), sobre o problemático aniversário de 16 anos de uma garota, às vésperas do casamento da irmã mais velha. Ringwald também estrelou "Clube dos Cinco", sobre um grupo de alunos encrenqueiros que acaba na detenção da escola no sábado, e "A Garota de Rosa Shocking" (1986). Hughes morava no estado americano de Illinois e ambientou muitos de seus filmes na região de Chicago.

Isso me inspira um antológico momento Sessão da Tarde! Ferris Bueller curtindo a vida adoidado cantando Twist and Shout:



Save Ferris!

sábado, 18 de julho de 2009

Furo de última hora

Para mim e não para a notícia, que fique bem claro. Achei esta notícia enquanto caçava imagens para o textículo anterior:

01/07/2009 18h07
Karl Malden, de Um Bonde Chamado Desejo, morre aos 97 anos
Ele concedeu uma longa entrevista para os extras de Uma Rua Chamada Pecado (ai, que bronca deste título em português), falando da primeira montagem da peça, da amizade com Marlon Brando, da experiência de trabalhar com Elia Kazan. Um ator de sólida e longa carreira, um coadjuvante de peso. E era o último sobrevivente que andou no bonde de Tennesse Williams.

Um Bonde Chamado Desejo

Todo mundo já pegou este bonde, eu por pouco não me esmaguei nele, descendo ladeira abaixo. Tenessee Williams mostrou que pegar este bonde pode ser trágico, mas não se desiste dele. Tomei uma overdose desse cara nos últimos tempos.

Assisti a Gata em Teto de Zinco Quente (com um Paul Newman lindo e uma Liz Taylor deslumbrante), e como nunca tinha lido sua obra mais célebre, resolvi dar uma conferida na peça e comprei uma edição barata de bolso de Um Bonde Chamado Desejo e no último domingo, encontrei o DVD da versão cinematográfica deste texto a um preço módico, cujo título em português sei lá por qual motivo se tornou Uma Rua Chamada Pecado. O título original (A Streetcar Named Desire) é a cara do texto, achava mais justo uma tradução literal. Depois eu vi que muita coisa do original foi mudada, para escapar da censura, e que a mudança do título é um fato mínimo em relação a mudança da gênese do conflito da protagonista.

Quando se assiste a um filme baseado em um livro que já foi lido, geralmente a preferência é pela obra original ou a gente lê o livro depois de ter visto o filme e percebe que o filme não é tão bom quanto o livro - li O Diabo Veste Prada e descobri que Andrea Sachs não era aquela tonta com a cara da Anne Hathaway. No caso de Uma Rua Chamada Pecado, mesmo com as perdas em relação original, isso não aconteceu. Adorei o filme. Talvez porque o roteiro foi assinado pelo próprio Tenessee Williams e o diretor foi o mesmo da primeira montagem - Elia Kazan, com o elenco teatral em peso, exceto a protagonista, no filme vivida pela Vivien Leight, que também interpretou Blanche no teatro, só que em Londres (alguém lembra da Scarlett O´Hara, de ...E o Vento Levou ? Então, é ela alguns anos mais velha, mas uma atriz ainda sensacional que correspondeu exatamente à imagem que fiz da quase-doida Blanche DuBois enquanto lia o texto da peça).
O brucutu Stanley Kowalski é um caso à parte. É mau-caráter, nojento, semi-humano, mas está no corpo (e que corpo!) do Marlon Brando, interpretando seu personagem com uma fúria impressionante. Morre-se de ódio e de tesão por este cara.



Este DVD é um verdadeiro achado: duplo, no primeiro disco apresenta o filme em sua versão integral, contendo as cenas cortadas para o filme não ser condenado pela Legião da Decência(Pensou sacanagem? Foi só o olhar decidido da Stella antes de correr para seu marido depois de ter tomado uns sopapos do próprio e o blues quente que toca ao fundo no primeiro contato de Blanche e Stanley, simbolizando uma tensão sexual entre os dois) e o segundo, com extras sobre a montagem teatral, o teste de Marlon Brando para Um Rebelde Sem Causa (para o personagem que se tornou antológico com James Dean), detalhes sobre a censura e os takes não utilizados para o filme.

Fui totalmente tragada pelo filme, chorei mais de uma hora pelo trágico destino de Blanche Dubois e perdi uma rara tarde de ócio com este DVD de Informações Especiais. Não sou cinéfila, só ando louca por cinema ultimamente. :P

Gostou? Morra de inveja:
Uma Rua Chamada Pecado, 1951. Dir: Elia Kazan. Com Marlon Brando, Vivien Leight, Kim Hunter e outros.
Um Bonde Chamado Desejo, de Tennesse Williams. Tradução de Beatriz Viégas-Faria. L&PM Pocket, 2008.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Links de utilidade pública

Já disse inúmeras vezes aos meus amigos que perdi as contas de quantas reencarnações eu preciso para viver, ver, ler e assistir tudo que eu quero na minha vida, curta para tantos desejos. Eles concordam comigo e compartilham dessa sensação. Muitas outras pessoas também devem ter esse tipo de paranóia, porque é moda agora livros e afins do tipo: "501 Must See Movies" ou "1001 discos para ouvir antes de morrer". Sinceramente, escorreu uma baba no cantinho da minha boca por estes livros. Ai, como é difícil ser cult e cool...

Na verdade, sou fanática por listas como essa. Nunca mais publiquei textos com Top5, porque minha seletíssima audiência regula sua mixaria e a grande maioria não posta comentários, mas continuo gostando muito. Ontem me diverti com "As 100 mais em 100 anos", lista das 100 músicas mais tocadas de 1904 a 2003. Você olhou a lista do ano em que você nasceu? Bingo! É praticamente impossível não se sentir curioso? Será que na sala de parto onde nasci tinha um rádio ligado, como em Cidade dos Anjos? (Filme que para mim, por um acaso, só prestou mesmo pela trilha sonora.) Fico rindo, de pensar em mamãe se esguelando na sala, enquanto a Zizi Possi se esguelava no rádio: "Me faz pequena, aaaaaaaaaaaaaaaaaaasa morena..." Rá! Eu sei que não tem graça nenhuma, Duley.

Também é tentador olhar a lista do ano que mudou a sua vida. E a decepção do Vizinho: na lista de 1997 não tem Radiohead! Na verdade a lista serve para rir, porque a quantidade de porcarias e guilty pleasures é imensa. A lista mais chiquérrima foi a de 1948, ano de nascimento da Betona: primeiro lugar para Dick Farney, considerado em sua época o Sinatra brasileiro. Na verdade, o popular era naturalmente mais sofisticado. Essa coisa que para o povão tem que ser ralé, é uma ideia lamentavelmente recente.

Mesmo antes deste festival de listas, estava começando a formar a lista dos 100 sites que você precisa acessar antes de bater a caçoleta, finar-se, bater as botas. (Já reparou como são numerosos os eufemismos para a morte? E o pior, os mais engraçados.)

Voltando a lista: eu mal tenho 5 para um Top, mas como eu sou teimosa, eu chamo a audiência para dar a sua contribuição:

1 - Desencalha Wanderson (http://www.desencalhawanderson.com.br/) - Indispensável pelas fotos com cara de "Manhê, eu tô com gases" e pelo texto comicamente mal redigido;
2 - Vida de merda (http://www.vidademerda.com.br/) - A vida é uma merda, mas ainda assim, é capaz de te matar de rir;
3 - Horóscopo Astral (http://www.horoscopo-astral.com/) - Ótimo para formar "Astrólogos de Mouse", como eu. Este site, com sua data, hora e local de nascimento, não descobre apenas seu signo ascendente, como também a cor do seu MM´s favorito;
4 - Nimportequi.com (http://nimportequi.com/) - Não tenho muitas informações a respeito, este link foi mandado por Forrest ao especularmos a formação desta lista. Grupo de comédia francês com esquetes genais no mesmo nível que as do Monthy Pynton. Humor finérrimo;
5 - Textículos de Mulher - Dispensa comentários. Se você não acessar, eu choro!

Dispensei os links que eu já recomendo usualmente, exceto o do guru da campanha pela minha saída do caritó. Por este motivo, é que não está aí meus blogs preferidos, como o OkComput3r e HTP, nem os sites que reconheço como utilidade pública. As nobres almas que me acompanharão nesta empreitada, por favor, defendam os pequenos e desconhecidos. Sem culpa cristã, excluirei listas do tipo "Orkut, Youtube, MSN, Myspace, UOL", porque estes não são novidade nenhuma. Mas Pérolas do Orkut e GTO aceito sim, obrigada.