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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Parte II - O que fazer com o muro?

(Segunda Parte do meu Festival de Bobagens: Sur le non sens (das bobagens): O que se aproveita?)

Neste caso, não é exatamente uma bobagem, muito pelo contrário. Eu estava falando do meu trabalho e da minha pesquisa, mais precisamente de como é difícil persistir em propostas que partem de pressuspostos completamente diferentes do que regem a escola. Mas como estas questões desafiam não só meu intelecto e sim minha vida inteira, eu devo ter falado demais. Feito da aula terapia, por mais que eu não quisesse.

Entendam, não se trata de fazer da aula um Muro das Lamentações. Trata-se de estar fartx de tantos muros, os reais e os invisíveis. Trata-se de o quanto estes muros doem (mais aqui).  E, evidentemente, de nem sempre saber o que fazer com eles. Ou de identificar onde exatamente os muros conceituais estão.

Prof. Carminda, porém, com seu blend de perspicácia com delicadeza e ternura, soube fazer a síntese. Ela disse que quando a gente descobre onde está o muro, imediatamente a gente sabe o que fazer com ele. Esta é a tarefa da minha pesquisa e da minha vida, enquanto professora de Arte de escola pública.

Esta é a primeira tarefa. Muro de Berlim, 2015.

A imagem do muro me afeta profundamente já há algum tempo, e a experiência de ver o que sobrou do Muro de Berlim apenas me fez ver com meus próprios olhos o horror que estes muros representam. E como ainda não aprendemos a eliminá-los.
Primeiramente, Berlim não se desfez completamente do muro. Por onde ele passou, existe uma marca (duas fileiras de paralelepípedos, cortando ruas, calçadas, ciclovias) e às vezes a placa:

A Cidade e suas cicatrizes. Provavelmente perto da Postdamer Platz, 2015.
O que restou do Muro, de fato, é o memorial chamado Topographie des Terrors (Topografia do Terror), exatamente em frente onde ficava a sede da Gestapo. Mesmo que memórias reeditadas fiquem mais organizadas e ganhem um certo verniz, a atmosfera mantinha seu horror. Apesar de um sol bonito ainda brilhando às oito da noite no verão berlinense.


Topographie des Terrors, 2015.
Estes painéis mostram a história desde a conjuntura política pós-Primeira Guerra (República de Weimar) até a ascensão e queda do Nazismo. (Sim, fiz a turista louca e tirei foto de quase tudo, mas também eu li.) E o que estes painéis me mostraram? O quão estamos próximos, aqui no Brasil, deste clima que favoreceu o surgimento do Nazismo, na Alemanha. E depois, nas aulas sobre Currículo e Formação de Professores, ministrado pelo meu orientador, Prof. Palma, ele cita um livro (ou uma coleção, não sei ao certo, mas provavelmente este), em que diz que a educação escolar autoritária durante a República de Weimar foi fermento na massa do regime nazista. (Encontrei uma referência aqui também).


O antigo muro, agora protegido por grades. Virou “peça de museu”...
Esta citação ao muro de Berlim é para mostrar como ele ainda pode existir, apesar da tentativa em envidraça-lo e fazer dele acervo do mundo. (Aliás, como ainda está existindo, atualizado na forma dos muros levantados nas fronteiras para barrar os refugiados que tentam se salvar na Europa, por exemplo), e para refletir sobre como a Educação pode ajudar a construir estes muros.
...E também como pode destruí-los, em que pese a Ocupação das Escolas pelxs estudantes secundaristas da Rede Estadual de São Paulo, movimento este que soube usar os muros da escola a seu favor.
Sonhando com uma vida sem muros, apesar de ainda estar aprendendo a lidar com eles. Por enquanto, estou estudando suas fissuras, por onde algum vento de transformação pode soprar.

 

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O patriarcado segundo Agostinho Carrara

Cena1
Bebel: Qual o problema de ser olhada?
Agostinho (exaltado): Não gosto! Não gosto! Não gosto de vagabundo olhando a mulher da gente, que isso!
(...)
Bebel: Quer dizer que a gente nunca mais vai à praia? (Olha para seus novos seios siliconados)
Agostinho: Maria Isabel, não tenho culpa, a gente vive num mundo em que as pessoas estão degradadas moralmente... (Exaltando-se ainda mais) Vagabundo não respeita mais a mulher dos outros! ´Cê tá com a sua mulher, nego olha pra ela, olha dentro dela! Lá de onde eu vim isso é coisa inadmissível! Não tem mais condição de ir à praia não!
Bebel: Escuta aqui, neguinho: não sou cuscuz pra morrer abafada, hein? Pronto, falei! (Levanta, estufa ainda mais o peito, e sai rebolando)


Cena 2

(Bebel tomando sol no quintal de casa. Um bando de marmanjos olhando)

Bebel: Acontece, neguinho que o corpitcho é meu!
Agostinho: Não é não! É nosso! Nós casamos em comunhão de bens, metade é meu!
Bebel: Isso diz respeito aos bens materiais, não ao meu corpo!
Agostinho: Mas, Maria Isabel, acontece que eu considero que certas partes do seu corpo são bens materiais meus!
Bebel: Tá falando de que? Do meu silicone, é?
Agostinho: É, tô falando dos 120 ml de silicone, que eu tô pagando em 36 vezes, tenho direito de não querer que marmanjo usufrua de um investimento que fui eu que fiz!



Cena 3:

Agostinho: É território! O que é dele, tem que limitar! Tem que lutar pelo o que é dele, ficar alerta, ficar de guarda, senão, vagabundo toma posse, entendeu? Toma posse! Vagabundo chega junto!

Que Simone de Beauvoir que nada! O filósofo do horário nobre Agostinho Carrara (Pedro Cardoso) sintetizou a posse do corpo feminino enquanto território do macho como ninguém, explicando o conceito e demonstrando! E ainda há quem tome as discussões de gênero como coisa de feminista ultrapassada.




Lineu Silva (Marco Nanini), quem diria, também não fica atrás. Enquanto sua esposa estava cantando como hobby, tudo bem, agora quando ela começa a gostar da brincadeira e a virar profissional, hum, não vai dar, não! Começa a se deslumbrar com o mundo, com o próprio sucesso... Isso chama a atenção de outros homens.





Assistir a Globo para esperar a transmissão da Record do voleibol feminino também enriquece meus estudos – amadores – sobre a questão de gênero.  Aliás, não sei por que tanto me espanto. Mídia serve para isso mesmo: criação e reiteração da norma. Onde está a surpresa?

Não sei porque também me surpreendo com o final. Dentro do ônibus, ao perceber um olhar de cachorro-olhando-frango-de-padaria de um malandro em sua direção, Bebel olha para Agostinho e diz: “Você não vai fazer nada, neguinho?” Quem primeiro contribui com a reiteração da norma são, em geral, as próprias mulheres. 



O mais engraçado de tudo isso é que o tiro sai pela culatra. Agostinho esquece toda sua cabra-machice ao encarar o marmanjo que estava olhando a sua mulher, que era duas vezes maior que ele, um autêntico sibito de lagoa de tão magricela. Não dá para levar este mundo a sério mesmo! Ainda neste século, tudo que a mulher ainda não conseguiu é ser dona da sua própria voz.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Eric Clapton

Como se fosse a sala de casa!
Estive no show do Clapton no último dia 12. Antes eu me perdia em um milhão de coisas desnecessárias, como por exemplo, pegar set list do show antes, e depois, ler as críticas. Ah, as críticas. Larrosa tem razão: padecemos de excesso de informação e opinião. Geralmente, não se aproveita nem 10% do Festival de Bobagens que o povo fala e que a mídia veicula. 

Saca só: estávamos no show do Eric Clapton, conhecido como DEUS da guitarra. Não é rei, não é mestre, precisamente deus. Até eu, que sou falastrona, me calo diante de um deus. Mas sempre há um entendido para cuspir informação inútil. Diante de um solo nas primeiras do show, um ser me solta um: "Que feeling!" Não é uma das piores que eu ouvi na vida, mas dava para passar sem essa. Cala a boca e escuta, ô infeliz! 

Andaram reclamando que ele não fala com o público. Isso é coisa de gente carente e desavisada. Se querem um entertainer, que tentem os animadores de auditório. Há também shows de stand-up feito por pseudo-comediantes de péssimo gosto que só sabem fazer piada de gordo e loira de primeiríssima linha pululando a cada esquina. Eles animam à beça, ó!

Artista agrada com a sua arte, não fazendo sala. Depois de tantos anos com a guitarra em punho, para que falar? A guitarra fala, grita, geme, sussurra por ele, não é necessário mais nada. 



E ao final, as críticas. Graças ao Barbudão, dispensei essas muletas para construir meu gosto. Mas ainda me reservo a ingenuidade de me indignar. Dizer que Gary Clark Jr. - guitarrista que fez o show de abertura era ruidoso e exagerado é um pouco demais. Quer botar defeito no show, fala que o telão pifou, que não se achava o local para se retirar os ingressos porque a comunicação visual não estava comunicando nada,  e que por sua vez os funcionários não passavam nenhuma informação corretamente, que o preço das bebidas e comidas era extorsivo... São defeitos de verdade, nem é necessário inventar.

Este show poderia ter rolado num estádio de grande porte como o Morumbi ou num boteco obscuro. Poderia ser o deus da guitarra, ou um tiozinho inglês de 66 anos que toca um blues desde que se entende por gente. Não mudaria muita coisa. Num lugar daquele tamanho, e todo mundo tão catatônico (e quieto) que o áudio dos vídeos está perfeito - fora quando eu resolvi cantar Layla, mesmo rouca.

À parte todos os rótulos, o que fica é a música. Nada mais importa, para quem a ama de verdade. Só quem estabelece uma relação direta com ela, sabe do que estou falando. Coisa de viciado em grau máximo.

Para os que amam a música do fundo do seu baço é que eu dedico esta cambalhota! 

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Filme de Mulherzinha Ataca Novamente

Está provado cientificamente: comédias românticas podem estragar a sua vida. Mas eu, particularmente não estou nem aí. Quando nasci, cinto de segurança não era obrigatório e merthiolate ardia e ainda assim, estou viva, vivinha. Da Silva, Teodoro Alves, o que quiserem. Acreditem!

Tentei me recuperar, mas é inútil: o dano cerebral causado pelas comédias românticas noventistas estreladas por Meg Ryan, Renè Zellwegger, Julia Roberts e afins é acumulado. Já era, meus miolos foram indiscutivelmente carcomidos. Só restou o coração, que sem um pingo de vergonha na cara, ainda pulsa: bridget-jones, bridget-jones. Happy-end, happy-end. 

Além do mais, comédia romântica pode até estragar uma vida, mas não um blog. O textículo mais acessado deste faroeste é a resenha sobre Falando Grego, da Nia Vardalos. Aqui, elas até ajudam!

Anos depois, adicionando uma licencinha poética para o festival de bobagens que lhe são devidas, vejo que comédias românticas tem lá suas pilulazinhas de sabedoria. Tolas, inocentes, mas ainda assim válidas, verdadeiras em sua tolice. 

Como Medianeiras, Buenos Aires na Era do Amor Virtual. Em se tratando da ideia de discutir cultura digital, é uma ótima propaganda para os produtos da Mac. De tão escancarada, nem parece merchandising. Parece peça publicitária mesmo, na cara-larga. 


Gosto de filmes em que cidades são personagens. Uma Buenos Aires contemporânea, pós-crise, de longe é a personagem mais fascinante. A protagonista é arquiteta, e é dela que vem a metáfora das medianeiras, aquele lado dos edifícios que não serve para nada, a não ser para abrigar propaganda e limo. Como nas pessoas, expõe o lado mais frágil, feio e vulnerável de construções que precisam se fazer sólidas e fortes. Abra uma janela na sua medianeira, mesmo que ilegalmente. Deixe entrar luz no seu apartamento, vai te fazer bem.

Também gosto de gente neurótica nos filmes. Mitigam minha vergonha. Além do que são muito mais verossímeis: Mariana taca coisas na parede, chora por bobagem e carência, fuma mais que preto-velho no terreiro. Martin é fóbico, hipocondríaco, insone, atrapalhado. Leve seus cachorros para passear, mesmo que eles sintam medo. Eles precisam se acostumar com outros cachorros. 


Se toda essa firula ao final vendesse só iPod, eu até perdoaria. Foda é vender a ilusão de um amor único perdido na cidade, vestido com uma blusa listrada de vermelho e branco, óculos e gorro à sua espera, prontinho para ser encontrado. Se você começar a procurar onde está o Wallie com 14 anos, quem sabe você o encontre aos 30! Mas use uma lupa, porque isso é trabalho para mais de metro. 

Procurar Wallie é uma tarefa muito difícil para míopes não operados como eu, então fica para outro dia. Não comprei a ilusão, mas me diverti com a conversa mole do vendedor. Atitude típica de 1984, um duplipensar para esquentar as turbinas. Porque só agora posso começar a abrir um vitrô na minha medianeira, sair com meus cães assustados por aí. Spring is coming! 

quarta-feira, 23 de março de 2011

Hadouken, Zangief!

Ou ainda: Chupa, dentuço!

Rita Lee e Zélia Duncan já disseram: só quem já morreu na fogueira sabe o que é ser carvão*. Hoje fala-se tanto em bullying que até parece novidade. A novidade é a superexposição da vida da molecada através das redes sociais, vídeos no celular e coisas do gênero. O que acabou gerando o cyberbullying,  uma versão ainda mais assustadora deste fenômeno, porque aterroriza e tortura até quando se está fora da escola.


Provavelmente, a agressão foi gravada para depois exaltar o ego do agressor na rede, mas bem que dizem  por aí que só os idiotas são cem por cento autoconfiantes. Este estava tão seguro de si a tal ponto que esqueceu: o trouxa de que ele pretendia tripudiar tinha pelo menos o triplo do seu tamanho, e como não contava que ia levar um hadouken de foder, o tiro saiu pela culatra.

Este assunto caiu nas minhas mãos ontem, através do meu amigo e novo provador de textículos, Porpeta, que postou em seu perfil o link do texto de uma amiga sobre o caso, muito bem escrito e corajoso, porque fugiu da hipocrisia e falou com todas as letras: quem mexe com quem está quieto merece sim levar uma na cara para aprender. Não é revanchismo, é o direito que todos têm de se defender quando sua dignidade é ameaçada.

Sei bem o que é isso, fui vítima de bullying na escola. E digo que é horrível, e olha que não sou de ficar quieta. O motivo: até o ensino fundamental, eu fatalmente era a primeira aluna da sala e visivelmente a protegidinha da mamãe. Estava estampado na minha cara. Alvo fácil para bullies, que eram não só moleques, como pode-se cair na tentação de pensar. Meninas também perseguem com tortura psicológica, agressão física, colocando apelidos, roubando suas coisas. Maldade não tem idade nem sexo definido: não adianta dizer que isso é coisa de moleque ou que é briga de criança que logo passa. 

A minha sorte é que eu nunca fui de sofrer calada, então eu sempre pus a boca no trombone, o que criou uma par de situações hilárias na minha época de escola. Porque sim, a Betona ia com toda fúria de leoa defender sua cria na escola, como uma Dona Florinda vai defender seu Quico. A única diferença é que ela não batia em ninguém, ia reclamar direto na Direção da escola, num voo praticamente sem escala. 

Eu, que não sou nenhum Ghandi, também cerrava meus punhos de vez em quando para acertar meus algozes. E como não tenho juízo até hoje, eu levava uma com qualquer um que mexesse comigo, até aqueles ditos mais perigosos. Afinal, eu também sou mano da Brasilândia, pô!

Uma hora isso acabou passando, hoje acho foi que por conta do meu temperamento explosivo. Como não aguento sofrer calada, faço logo um estardalhaço. Mas na maioria das vezes a vítima de bullying é retraída e não consegue reagir. E quando reage, sai de perto, porque vem muita merda pela frente. 

Casey Heines só revidou o ataque e deu a sorte de ser gravado. Só que esse tipo de reviravolta pode ser muito, mas muito pior. Alguém se lembra do Massacre em Columbine? Não é totalmente aceito o fato, mas considera-se que eles eram excluídos da ala dos descolados, atletas e populares da escola. O que eles fizeram foi coisa de psicopata, é claro, mas nunca se conhece totalmente os demônios que há dentro de cada ser humano. Aqui no Brasil, aconteceu coisa parecida, alguns anos atrás, acho que numa cidade do interior de São Paulo. Antes de se matar, o garoto fez questão de levar a arma pra escola e atirar para tudo quanto é lado.

De tudo isso, o que mais me assusta é a completa ignorância das famílias sobre o fato. Há pais e mães que simplesmente não conhecem o filho que tem ou que não conseguem perceber quando o filho está sofrendo agressões na escola, principalmente a psicológica, mais sutil e perigosa. Mesmo meus pais, que sempre foram super presentes, não entendiam totalmente o quão horrível é ser torturado o tempo todo, principalmente na adolescência, onde a autoestima é algo tão frágil. No caso do Zangief Kid, nem o pai da vítima nem do agressor sabiam do que acontecia com seus filhos.

E a escola? Agora sou professora, este assunto está na pauta do dia hoje, não é coisa do passado para mim. O que tenho a dizer sobre o outro lado dessa história é que é muito difícil identificar bullying em sala de aula, porque: 

1 - O comportamento bully é covarde. Vai aprontar quando não tiver chances de ser pego;

2 - Aquilo que alguns pais e mães não dão conta quando estão com duas em três crianças em casa, deve ser multiplicado por pelo menos 35 no caso do professor em sala de aula. Se a gente parar para resolver  todas as situações de conflito em sala de aula, abandonando todo o resto, dependendo de quão danada é a turma, em meio segundo vai ter gente até no teto. E nós somos responsáveis por TODOS que estão dentro da sala quando estamos em aula. Se alguém se machuca, a gente é que responde pelo fato.

Para a escola, não adianta combater situações isoladas com punições igualmente isoladas. O bullying é um fenômeno que acontece de maneira sistemática e deve ser combatido da mesma maneira pela escola e pela academia. É um absurdo, não se estuda este assunto nas licenciaturas e só agora estudos acadêmicos e livros sobre o assunto estão ganhando alguma notoriedade. Então a escola dos dois garotos que puniu a briga com uma suspensão para os alunos e depois lavou as mãos, está errada. Pode-se até punir para deixar claro que a violência não será tolerada, mas onde toda esta tolerância zero estava quando Casey Heines era constantemente agredido? Como eu disse, é difícil descobrir, mas a partir do momento que se descobre, a escola como instituição deve se posicionar contra isso. O bullying é um câncer da sociedade, que se reflete na escola. Logo, a gente tem que fazer alguma coisa, sim. E rápido.

Defende-se que o agressor não pode ser jogado na fogueira  como herege pura e simplesmente e que também precisa de atenção, talvez até de tratamento. É  mesmo doentio ter que rebaixar o outro para se sentir melhor, isto deve ser cuidado, mas jamais tratando os agressores como coitadinhos. E o bestiário pedagogês adora o jogo do coitadinho. A mídia norte-americana também entrevistou Richard Gale, o menino que tentou agredir Heines e ele diz: "minha mãe diz para eu ter sucesso na vida", chora uma lagriminha de crocodilo, mas depois deixa escapar que não lamenta ter agredido Casey e ainda mente muito mal dizendo que ele tinha sido agredido antes.



O caso Zangief Kid é emblemático, trouxe à tona um assunto importante que deve ser tratado por toda a sociedade. Mas é lógico que o PIG estadunidense reduziu este acontecido a um mero heroes and vilains muito do chinfrim. Casey Heines virou heroi sem ter feito nada heroico, ele só revidou a agressão e isto é instintivo. Colocá-lo nesta posição de maneira tão simplista só incita mais o ódio e apologiza a violência, o que não resolve o assunto. E será que o garoto que antes era tratado como o mosquito-do-cocô-do-cavalo-do-bandido está preparado para tanta exposição na mídia e do dia para noite passar a ter duzentos mil amigos no Facebook? Ele só queria que o deixassem em paz. (Sem contar que agora é o Gale que está sendo perseguido. Reviravolta a là Tom&Jerry esta, hein?)

Mais que um heroi, Casey tornou-se um símbolo de uma situação que só agora está sendo vista pela sociedade em geral com um pouco mais de consciência. Deve-se aproveitar a situação para conversar sobre o bullying não somente dentro das escolas, mas em casa também. Então, pais e mães: por favor, conheçam de fato seus filhos e o que acontece com eles dentro e fora da escola, principalmente  quando estão online.  Isto não é controle, é cuidado. Vítimas de bullying: não sofram calados e não esperem para tomar uma atitude quando se está no limite da razão, como Casey Heines fez. Educadores: não podemos mais ignorar o assunto. Bullying sempre existiu e sempre foi grave, mas na era digital 2.0 conseguiu ficar pior. E para acabar, Bullies:  tomem cuidado com quem vocês batem. Vocês podem apanhar feio. 

Epílogo
Com todo o politicamente correto que nos massacra neste mundo, atire a primeira pedra quem não viu o moleque magricela e dentuço beijando o chão e não pensou: "Se fo-deu!"
(Ok, os mais educados podem ter pensado somente um Bem feito. Mas equivale em sentido.)

segunda-feira, 21 de março de 2011

O Discurso do Obama

Ele não é gago nem rei, mas nem por isso o discurso do presidente dos Estados Unidos da América por aqui foi menos esperado. Eu nem estava acompanhando, estou na fase de pensar na morte da bezerra e no sexo das borboletas, mas hoje fui ler o tal discurso. Estivesse eu na minha fase engajada, pegaria ponto por ponto do que ele disse e ver o que é necessário fazer efetivamente para honrar tão aguardadas palavras, mesmo que eu até tenha feito isso no pensamento enquanto lia. Mas o fato que este textículo de hoje é mais uma rapidinha para se manter em atividade do que para elucubração política.


Fui ouvir Mr. President, da Janelle Monáe, pensando: será que ela e sua turma escreveram essa canção para ele? Nunca tinha feito a associação. Aí, fui ler a letra - meu listening ainda não é lá essas coisas - e pelo menos agora, foi exatamente esta leitura que eu fiz. Afinal, ele se tornou fato histórico por ser o primeiro presidente estadunidense negro, mas ele precisa fazer muito mais para se tornar uma lenda. E ao que parece, até agora quase nada, não? Dançar Single Ladies e matar uma mosca em um talking show é pouco ainda, dear Mr. President, assim como fazer omeletes na Ana Maria Braga não nos mostra a que veio a Presidenta Dilma (gente, eu acho horrível essa história de presidenta, parece, sei lá, governanta!  Em termos de gênero, prefiro os comum-de-dois, como poeta, por exemplo, em vez de poetisa.)

Legal é que acabei traduzindo Mr President. Mandei para a teacher corrigir, mas quem disse que aguento esperar? Lá vai: 

Mr. President
Esta canção é para minha mãe
Esta canção é para você

Ei, Senhor Presidente
Amanhã tenho que pagar meu aluguel
O combustível está acabando
Tenho lugares para ir
E eu não posso parar

Podemos falar sobre a educação das nossas crianças?
Um livro vale muito mais do que uma bomba a qualquer tempo
E lembre-se de olhar para a África
Quem vai trazer-lhes a cura antes que seja tarde demais?

O senhor não vê a dor nos olhos deles?
Tanta desesperança em todos estes rostos
Use seu coração e não seu orgulho
Não podemos seguir em frente fingindo

Por favor, senhor presidente
Onde está todo o dinheiro que gastou?
A comida está acabando
E eles não têm para onde ir 
Então, não me segure

Peço que tenha misericórdia de nós, pai
Você acha que sabemos das regras até então
Mas não podemos seguir iniciando guerras com corações cheios de ódio
A ganância por outras nações não vai melhorar as coisas
Ou aquietar os temores em nossos corações

O senhor não vê a dor nestes olhos,  desesperança em todos estes rostos?
Use seu coração e não seu orgulho
Não podemos seguir em frente fingindo

Caro Senhor Presidente
Espero que tenha recebido a carta que mandei
Um dólar vai embora tão rápido, não importa quem sejamos

Veja, viemos de diferentes mundos e lugares
Até que haja uma terra prometida, uma nação enviada por Deus,
Os tempos vão ficando difíceis
Precisamos de você como a um Moisés para conduzir seu povo
Por favor, tenha cuidado, esteja atento
Com o que você faz

Sobre Janelle, só tenho uma coisa a dizer: a neguinha é mesmo foda. Não se encontra clipe desta canção, só boas versões de anônimos. Esta aqui arrasou:



Boa cambalhota noturna, texticular audiência! Enjoy it!


quarta-feira, 16 de março de 2011

Vamos brincar perto da usina

A capacidade do ser humano em ser egocentrado (leia-se: egoísta mesmo) é absurdamente incrível. Somente nesta semana que assisti a alguns noticiários e li alguns jornais sobre o terremoto-tsunami-acidente nuclear do Japão. De fato, desgraça pouca é besteira. Se vem, vem de lote e a galope. 

Do outro lado do mundo, o caos está completamente instalado em uma situação que só se compara a Segunda Guerra Mundial, que deixou o Japão afundado na lama. E mesmo assim  eu  só conseguia pensar em mim! Agora me sinto péssima por isso. Poderia ser qualquer um de nós! Ou ainda acha que no Brasil não existem desastres naturais? Faz-me rir! Aqui já aconteceram e acontecem terremotos, vendavais, enchentes,  queimadas, deslizamentos de terra. A Natureza é caótica, irmãozinho. Não tem nada a ver com ira dos deuses. Todas estas pessoas foram vítimas do acaso. 

Este último parágrafo é feito de um cinismo dos mais sentimentalistas e baratos. Mesmo com todo este mea-culpa, eu ainda penso só em mim. É que também o PIG é foda, né gente? Quando começa com uma coisa, não para mais. A avalanche de informações é tamanha que chega um ponto em que você filtra para não enlouquecer. O pior efeito colateral deste processo é perder a sensibilidade, anestesiar-se por completo. Odeio muito tudo isso. Aí volto para meu mundinho de textículos e intrigas. 

Na verdade, todo mundo é um pouco assim. Por isso é que gosto tanto deste poemínimo do Mário Quintana. Quem tiver a cara de pau de dizer que Quintana estava enganado, que atire na professorinha.  
 
A nós bastem nossos próprios ais,
Que a ninguém sua cruz é pequenina.
Por pior que seja a situação da China,
Os nossos calos doem muito mais...
 
O fato é que as notícias sobre o acidente em Fukushima, e a reportagem sobre Shernobyl vinte e cinco anos depois do desastre me evocou algo bem mais corriqueiro. Lembrei de Angra dos Reis, da Legião. Uma das minhas canções de amor preferidas que titio Renato escreveu. 

Vamos brincar perto da usina. Brincar com radiatividade, perigo. Amar é bem assim mesmo, um constante brincar com fogo. E achar que não é nada. Pra que se explicar, se não existe perigo? Não adianta chorar, se por um acaso se queimar. É assim mesmo.

Não estou com dor-de-cotovelo, muito menos compatível com o nível da canção, só estou um pouco atônita. Angra dos Reis, porém, faz parte do meu relicário de lembranças adoradas. Mesmo se as estrelas começarem a cair, me diz: para onde é que a gente vai fugir?

É o que está acontecendo comigo. Estou das duas, uma: ou em ponto de fuga, ou em ponto de bala. Deixa pra lá, vai. A Angra é dos Reis.



Boa cambalhota noturna, gente! Urbana Legio Omnia Vincit!

domingo, 23 de janeiro de 2011

Summer Soul Festival

Nem sei se faz sentido falar do Summer Soul Festival uma semana depois, quando já saiu toda a sorte de críticas e resenhas sobre ele, com todos os lugares-comuns já explorados à exaustão.

O primeiro deles: o Mayer Hawthorne fez um show bacana, mas não empolgou. E deveria? Todo artista emergente com um mínimo de elegância não vai dar uma de Ivete Sangalo e querer que todo mundo já saia pulando no show de abertura. E vai do interesse do público também, que estava de fato marcando lugar para a hora do show da Amy. Para mim, ele foi ótimo: conversou com o público, tirou uma foto nossa e pediu pose, fez piada com o fato de ser desconhecido (contando que deu um autógrafo para o cara do aeroporto, confundido com o Tobey Maguire), e a música tem um balanço vintage que é uma delícia. As baladas têm uma cara de The Manhattans que tocariam no Love Line da Radio Cidade fácil, como "I wish I would rain". I love you, Spider Man!

O segundo: Janelle Monáe é uma diva em franca ascensão. Dããã! Esses críticos fazem observações muito perspicazes, hein? Até uma garota pré-balzaquiana com um blog laranja de título duvidoso já tinha cantado essa bola. Era a aposta da noite, e cumpriu o prometido. Sem chamar a atenção, sem tentar roubar a cena, com a elegância que só uma diva totalmente segura de si é capaz de ter. Ela faz um show meio como o Ney Matogrosso, entra no personagem e fica nele, totalmente concentrada. Não fica tentando animar o público como se fosse o Silvio Santos. Ponto para ela, nem precisava. Ela escolheu o filé do The Archandroid e mandou ver. O final com Come Alive foi apoteótico, com seu topete de retroescavadeira totalmente desmanchado. Apesar de tantas críticas e chavões, o comentário do Rafa sobre a Janelle foi definitivo: "Janellinha fez a lição de casa direitinho, hein?" A única coisa ruim foi que o show foi curtíssimo: 45 minutos não dá nem pra fazer cócegas, uma artista de mão cheia como essa baixinha merecia mais. Será que tinha gosto de "Volto logo" ? Pode ser.

O terceiro e principal: Amy fez um show morno. A gente é fã, mas não é idiota. Ninguém estava esperando que ela fizesse uma performance espetacular. Aliás, eu e a torcida do Curintia estávamos esperando muito mais um festival de bafões que um show de verdade, o que revela um certo sadismo por parte nossa. Mas a Amy tocou o foda-se e não deu o que o público que estava pedindo. Ela gosta de ser do contra e por isso  ela virou ícone, para o bem e para o mal. Agora, se ela resolveu surpreender poderia pelo menos fazer um  show que passasse do "Olha, eu ainda consigo cantar!" - não desafina, mas se perde nos floreios - e colocar um pouco mais de proximidade com sua própria obra. Era engraçado sua pose de diva que se economiza, como se não soubesse da sua decadência. Um tanto triste e poético, como seu olhar alheio e seus cabelos levemente movendo-se ao vento. A mídia e o público costumam ser cruéis com grandes artistas que tropeçam, logo, sua redenção provavelmente virá quando passar desta para uma melhor, tal e qual aconteceu com Elvis e Michael Jackson. Mas no caso da Amy, ela poderia pelo menos enxergar o apoio de uma plateia que topou pagar para vê-la, mesmo sabendo que ela não entregaria o seu melhor. Quem torcia por sua redenção, saiu do Anhembi convencido que ela precisa de muito mais, quem sabe uma ressurreição. Ressuscita, Amy!

Outras coisas passaram despercebidas da crítica, pelo menos não encontrei ninguém que comentasse: Miranda Kassin e André Frateschi, o casal Amy e Bowie, não conseguiam esconder que estavam felizes feito p no lixo abrindo o festival. A banda é muito boa, e fazem outros covers de clássicos do soul, já havia assistindo o show do Studio SP. Mas acabaram virando trilha sonora para a fila do caixa e da cerveja (Caaaaras, por sinal). E o show do Instituto foi bem bacana, achei melhor que o que eu vi no Contato de 2009, em São Carlos.

Pronto, já brinquei de crítica cultural hoje. Agora, o melhor de tudo isso: chegar em São Paulo e reencontrar os amigos. Como desculpa para isso, o Summer Soul foi excelente.

É para todos essa cambalhota, pessoal!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Summer Soul Festival 2011

Finalmente, Amy Winehouse fará shows no Brasil, em uma generosa turnê passando por quatro cidades - é, acho que é isso. Nem tão generosa, se formos pensar que a nossa Terra de Tupiniquins virou uma espécie de galinha dos ovos de ouro do mercado pop - aqui, o público é simpático e topa pagar caro até por Milli&Vanilli *  - é atração internacional, tamo dentro!
Bem que eu reconheci este topete...
Como sou fã, é claro que o show dessa adorável pinguça terá um sabor especial e que não vou perdê-lo por nada neste mundo. É claro também que ela virou uma sombra de si mesma, e ainda está se refazendo, mas eu tenho a sensação que estes shows da Amy por aqui serão como o show do Nirvana no Hollywood Rock - uma droga, mas mesmo assim, inesquecível.

Surpresas já estão acontecendo, em todo caso. Não conhecia as outras atrações que tocarão no Summer Festival, e caiu em meus olhos um clip da Janelle Monáe. Em poucas palavras, esta baixinha é fantástica, mermão. Algum guru escreveu em um comentário no Youtube, que Janelle é tudo que Lady Gaga não é e gostaria de ser. Apesar de gostar de LG, tenho que admitir que ela tem muito mais talento para publicidade que para a música, apesar de ser criativa.

...de algum lugar! Ghostbusters!
Intisgada com estes comentários, fui ouvir os álbuns da Janelle. Entendi o porquê. Som contemporâneo, mas que bebeu da fonte do melhor da música pop afro-americana. Produção e arranjos sofiscados, principalmente no mais recente, The Archandroid, com orquestras e samplers e temática teatral e futurista. Falar do timbre de voz, afinação e swing é chover no molhado. Que Beyoncé o quê.

And so it is, guys and girls. Aguardo ansiosamente a visita de Amy ao Brasil, torcendo que ela consiga sobreviver à caipirinha (de pinga, que é a legítima) e conferir de perto o show da irmã gêmea de topete do Egon. 

Para fechar, Janelle cantando a música preferida do Michael Jackson - Smile, tema do filme Tempos Modernos, do Chaplin. Dessa, nem eu sabia:



Piadinha tosca: Você se lembra do Milli&Vanilli?  Caso não se lembre, não perdeu nada.   


Essa cambalhota é para todos!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Chanel 4Ever

Copiei o corte da Mayana ou...
Gente, meu cabelo está causando.  Posei para a revista Cabelos&Cosméticos,  em (mais um) passo a passo do corte de cabelo da Melina/Mayana Moura, um dos mais pedidos nos salões de cabelereiros por aí afora. O resultado ficou muito bom: o cabelereiro (ou seria hair stylist?) é fera e meu cabelo é naturalmente liso, escuro e pesado, o que cai bem  para este corte. Lógico que o meu tutorial é o mais legal!


...ela que copiou o meu?
De fato, o chanel me persegue desde a mais tenra idade, o que faz deste meu novo visual um legítimo auto-retrô. Logo eu,  que tinha veementemente abandonado a franja reta de curumim na passagem da infância para a adolescência.

Como nunca recebi tantos apelidos diferentes e engraçados por conta do meu cabelo, resolvi fazer uma colagem de referências - das glamourosas às caricatas - para homenagear este corte de cabelo eternamente moderno, prático e chique. Viva Coco Chanel!


Louise Brooks - atriz de cinema mudo
A inspiração para o cabelo da Mayana

 Playmobil
Muita chapinha e laquê de gesso

 Amelie Poulain  
Gosto dessa versão mais bagunçadinha


Velma Kelly
All that jazz! Adoro essa vedete assassina

 

Edna Moda
Gêmea perdida

Uma Thurman
Vale um twist com o Travolta!
 
Velma - ScoobyDoo
Gêmea Perdida (2)

E para terminar...


Zacarias
E essa franjinha repartida, hein, hein? Tudo!


...E é para todos esta cambalhota! Cabelos&Cosméticos esta semana nas bancas!

domingo, 24 de outubro de 2010

Sobre bruxas, vampiros, bolinhas de papel e sapatadas

O meu primo escreveu no seu MSN: "Vamos aproveitar o Halloween e acabar com uma bruxa!". Eu não sou de discutir por divergências políticas, ainda mais com a nobre linhagem dos Teodoro Alves, mas o trocadilho é muito bom, então vou ter que retrucar - eu diria para gente aproveitar o Halloween e acabar com um vampiro.

Agora o meu ex-patrão é personagem pop. O episódio tosco da bolinha de papel virou um joguinho que me lembrou um do George W. Bush, em que você escolhia um pedaço de pau com um prego na ponta, uma toalha molhada ou um peixe ( um peixe!!) para surrar a cara dele. Bem catártico. Nessa época, nem pensaram no sapato. Aliás, quem acertou a bolinha na careca do Serra era quem devia ter jogado o sapato no Bush. Teria acertado bem no meio das fuças do infeliz. Mandou o candidato até para o hospital! Nem o capitão Mathias tem tanta mira.

Mas prefiro acertar os pingos nos is. Recebi um folheto virtual com vários paralelos entre os governos Lula e FHC baseado em fontes confiáveis, provando por A + B para quem ainda duvida que o modelo neo-liberal do PSDB de governar é desastroso para o Brasil, como é para São Paulo há pelo menos 16 anos.


Em política não existe nem heroi, nem milagre. O Brasil não está uma maravilha só por causa desses indicadores, mas está sim melhor do que era. Acho que é nisso que a gente deve focar. Então, aconselho a conferirem estes dados (foi o que eu fiz, apesar de não duvidar) e se você também prefere morar no Iraque pós-Bush do que ver o Serra eleito, faiz-favô: espalha este folheto!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Netinho agora, só o da Dilma


Chupa, Netinho!
Há mais coisas entre o eleitor e a urna que possa provar sua vã filosofia, Datafolha (ou Ibope, que seja). Dilma não levou de primeira. O golpe do PIG deu certo.

Se é para palpitar, acho que Serra não leva essa. O segundo turno foi orquestrado para que o candidato do PSDB não saísse totalmente desmoralizado deste pleito. Nem o Lula levou o primeiro turno nas duas eleições que ganhou. Seria a morte do tucano e sim, eles estão em extinção. O PSDB é totalmente quebrado por dentro.

Se o Datafalha não dá uma dentro, o Educação Política acertou no palpite Marina.  Ela bagunçou o coreto e agora, mais que Cléo Pires, é "a mulher mais desejada do Brasil", como vi algum gaiato comentar no Tuiter. O discursinho em cima do muro da candidata do PV é perfeito agora para ela e para o PIG, que hoje nela jogou um confetinho básico, em razão da "votação expressiva" que ela obteve. Uhum, sei.

O clima é totalmente pessimista, afinal eu vou aguentar mais quatro anos de PSDB como meu patrão. Ouvi no rádio logo de manhã Seu Alckmin falar. Quando ele é apertado pelo jornalista da Band a respeito do fracasso retumbante da educação paulista, em quem ele bota a culpa? No professor, claro. Só podia ser o Chaves mesmo. Ele disse algo mais ou menos como: "os alunos são reprovados apenas por faltas. Se ele vai à escola e não aprende, a culpa é de quem? Existe reforço para alunos que não aprendem. "

Ele se esqueceu de dizer, no entanto, que a escola não tem nenhuma garantia legal para fazer os alunos frequentarem o reforço. Conselho Tutelar? Conta outra, irmão. Desafio a me provarem que estou enganada, adoraria estar. Tanto que há pouco, o atual governo lançou a "incrível" ideia de pagar alunos para frequentar o reforço. Ideia que de tão ruim não recebeu apoio nem da Revista Nova Escola, notório aparelho do PIG para aplaudir toda porcaria que o PSDB fizer na educação por aqui, agora e sempre, amém.

Essa é a pior notícia para mim e para todos os educadores da Rede Estadual que não estão anestesiados pela ideia de ganhar um bônus de merda em abril próximo. Mas sabe que estas eleições tiveram algumas boas notícias?

Todos só conseguem ver que o Tiririca ganhou um milhão de votos, mas ao menos sua candidatura foi colocada em xeque, um pouco tarde, é fato. Em contrapartida, várias velhas raposas da política estão de fora como Genoino, Jereissati e Arthur Virgílio. A bancada do PFL (porque muda o nome, mas as moscas são as mesmas) DESPENCOU em relação aos pleitos anteriores. É só ver a composição do Congresso.

E o melhor de tudo: Netinho, só se for o da Dilma. Desacreditei quando vi o partido ao qual já fui filiada tentando colocar no Senado um "camarada" que andou por aí dando uns boxes na mulher. É como diz o Vizinho das Galáxias: "Para os homens, o Netinho não tem nenhum projeto, mas para mulher, ele tem uma porrada."

Vizinho matou a pau. Depois dessa, vou dormir, Forrest. Um beijo pro meu pai, pra minha mãe e pra você.


sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Caçando ideias

Não adianta tentar prender ideias
Como se fossem fugitivas da polícia.
Ideias são passarinhos.

Não é pasta de dente nem espinha
Que se espremer um pouquinho, sai.
Que se não desistir mais um tantinho, vai.

Deixa a ideia decantar!
Deixa a ideia cantar,
Deixa o ar entrar pelos buraquinhos
Neste chapéu de pensar.

sábado, 24 de julho de 2010

O Pequeno Nicolau

Nunca tinha ido assistir a um filme só pelo cartaz. No cinema de hoje, em que se pode assistir trailers no Youtube, e talvez nem precise ir até o cinema para ver, com a possibilidade de fazer um download e ver em casa, ou nem fazer o download e assistir em streaming, achava que cartaz só funcionava para moderninhos colocarem na parede ou fazerem camisetas de filmes icônicos como Pulp Fiction, Matrix, ou Laranja Mecânica. Lembro de uma vez que saí do cinema e havia o cartaz de "Uma noite no museu", com uma estátua de um suposto homem das cavernas. Se você passasse do lado, ele pulava na sua frente. O negócio era tão engraçado que a gente sentou no saguão do cinema só para assistir o susto dos passantes.

O fato é que um bom cartaz ainda funciona. Na fila de outro filme, vi este e achei engraçado estes meninos com nomes de velho, terninho, calça curta e cara de Mad - lembra da revista? Pois é, fiquei curiosa e fui conferir.

Hoje em dia, há animações tão boas no mercado de filmes para crianças, e agora em 3D, que é raro encontrar bons filmes "de verdade" com temática infantil. "O Pequeno Nicolau" é a adaptação de uma série de livros francesa do escritor René Goscinny com ilustrações de Jean-Jaques Sempé que eu também não conhecia.

Nicolas é um menino comum, que adora sua vida de filho único em uma família pequeno-burguesa parisiense e estuda em uma escola só para garotos. A possível gravidez de sua mãe é a ameaça para sua vida perfeita, ele sente medo de ser abandonado na floresta e faz de tudo para se desfazer desse bebê que nem existe de fato. A partir daí, é uma trapalhada atrás da outra, dele e de seus amigos.



Ri litros com as cenas de escola. O filme se passa nos anos 1950, tanta coisa mudou na família e na infância desses tempos para cá, mas é incrível como outras não mudam. A educação continua sendo um misto de martírio com sadismo. Pobre daquela professora.

Apesar dos moleques serem umas pestes, o filme é realmente muito bonitinho, singelo, sem duvidar da inteligência e perspicácia da garotada. Para adultos, nos lembra que a criança tem seu próprio universo, mas que não está dissociado do mundo em que ela vive. Os medos infantis - como o do abandono, por exemplo - podem ou não ter fundamento, mas dentro do seu universo são verdadeiríssimos. A gente já sentiu esses medos, alguns destes nos acompanham a vida toda, mesmo que a gente não admita. Se isso fosse mentira, Freud não teria causado metade do frisson que causou.

Gostei tanto que estou pensando levar meu sobrinho mais velho para ver, que há um ano deixou de ser filho único. Só tenho medo que ele se inspire a contratar um gângster para tentar se livrar do irmãozinho. Vai saber!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Perdeu, playboy

Ninguém gosta de perder, é evidente. Mas, como ensinam os layr-ribeiros por aí, vamos pensar positivo, acertei meu palpite: Brasil pararia nas quartas-de-final. Apostasse eu num bolão teria ganhado. Fué!

Copa do Mundo em ano de eleições presidenciais é totalmente providencial - no mesmo ano em que se escolhem também os governadores e cargos legislativos - aqueles em que as pessoas geralmente não se lembram em que votaram, mas sem se furtar a achincalhá-los de uma maneira totalmente ineficente a cada vez que um deles aparece com dinheiro de propina em cuecas, meias, bolsas, panetones e congêneres. Ou quando vira purpurina, como Clodovil.


Lamentavelmente só agora, as pessoas vão se lembrar disso, até porque o quarto poder vai tirar o foco da Copa do Mundo e voltar-se para as eleições. Mais previsível que um pênalti com paradinha, é fácil cantar essa bola, mas é sempre bom lembrar. Daniel teve o cuidado de dar essa alfinetada mesmo antes de a Copa começar. Rita Lee, no ano de 1998, alfinetou a farofada em torno da Copa com uma canção inteligente e sapeca e acabou sendo profética. A França que o diga:





Fica o refrão: A gente explode se for campeão, depois se f*** na eleição! Melhor o contrário. Nunca é tarde para virar o jogo, não é mesmo, Holanda?

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O Universo Bufônico de Lady Gaga

Bufão reconhece outro bufão, mesmo a quilômetros de distância. É uma espécie de irmandade o negócio. Algo como a Maçonaria, a Internacional Comunista, sei lá.

Bufões jamais são minimalistas, tudo é exagero. Ou é muito magro, ou muito gordo. Ou é anão ou é gigante. Se não tiver nenhuma protuberância, falta-lhe uma parte do corpo. Não sendo nada disso, pode ser um excluído da sociedade, como mendicantes, putas ou bêbados. Ou somente um serzinho deslocado na galhofa. "Não tenho par nisto tudo neste mundo"...

O universo bufônico não está à parte desse mundo cão. "Os bufões estão à nossa volta. Inspirem-se neles!" - postula o Mestre dos Bufões, Jorge Didaco. Depois disso, vejo bufões a topo tempo. Onde as pessoas veem somente mais um esquisito, eu encontrei mais um bufão para me divertir e me fazer companhia.

Todos têm um bufão na alma, é questão de encontrar. E a experiência para quem encontra é doidíssima: aquele ser é você e é outro. A Susi tem muito da Flávia, a Flávia se exagera na Susi. As duas se necessitam e não se contrapõem.

Stefani Germanotta é Lady Gaga, disso todos já sabem. E o contrário, é também? Há quem diga que ela montou a personagem para entrar com os dois pés na porta no mundo pop, como entrou. Isso parece muito óbvio quando se vê seus clipes, seus figurinos amalucados e atitudes idem. Agora o mais engraçado é que ela está colocando cada vez mais a Stefani na LG. No último sábado saiu no Youtube, uma nova canção da doida, digo, da diva, em que todos disseram que é a melodia é muito mais orgânica, quente, sedutora, totalmente diferente do pop chiclete que tem mostrado. E é, de fato muito mais autêntica, com uma performance ao piano bem rock n´roll, endemoniada.


Em um dos comentários, algum gagaólogo proferiu: "não sei qual é a surpresa, antes de criar a LG, era esse o estilo com que ela se apresentava por aí, é só colocar 'Stefani Germanotta' no Google que vai aparecer." O gagaólogo tinha razão. Desde muito tempo ela mostrava maturidade na composição, segurança na performance, enfim, estava pronta faz tempo. E o bufão já estava lá.



Feinha, nariguda, meio magrela, cabelos "pretos como piche" - segundo ela mesma, uma deslocada, que se trancava no banheiro e copiava makes de estrelas hollywoodianas. Já era um ser estranho. Lady Gaga só veio para dilatar a garota esquisitinha, mas cheia de talento e decisão. Mais montada que dez drag queens juntas, tem o poder de se desmontar e remontar como bem entende.

Olhando por esse ângulo, ela não é tão doida quanto parece. Aliás, é capaz de uma lucidez que só os bufões são capazes de ter. Eu não disse que bufões se reconhecem? Ora pois, se não.

Só pra terminar: Uuuuuuuuuuuuuuh! Lady Gaga!

domingo, 31 de janeiro de 2010

Léxico Nordestino 2.0 - A redenção

Passei minhas férias na terrinha onde não chove, mas o mato é verde, a pequenina Paraíba. Nessa história, fui bater em mais outros três estados do Nordeste: Mossoró (RN), Tibau (CE) e Recife / Olinda (PE). A caminho do aeroporto, Zé, esse cabra bom que alegra nossa vida até quando ele não quer, me ligou e disse: "Que esta viagem te traga muitas ideias." E trouxe, até mesmo antes de partir.

Apesar de não usar constantemente, sou uma pessoa bilíngue no meu próprio idioma: falo paulistês e paraibês fluentemente. E precisava informar minha companheira de viagem, Mácia - no paraibês, este R praticamente some - a respeito de alguns verbetes, para ela não boiar muito e ainda assim, algumas vezes, ela me olhou com cara de conteúdo e disse: traduz! Mas isso durou pouco, porque rapidinho ela trocou o "cara" por cabra e em vez de falar "Isso!", começou a falar "Pronto!". Parecia até que a galega era de lá. Deu nela uma muléstia dos cachorro, que gastou tudinho as precata no forró!

Quem conhece os TM de longa data, deve se lembrar de um textículo chamado Léxico Nordestino, comentando verbetes do dicionário de Cearês e Pernambuquês. Na época, achei um de Paraibês, que de tão fulêra nem coloquei no textículo, por achar indigno da terrinha que até Gonzagão elogiou!

Acabou que antes de viajar, encontrei no Oráculo um cordelista de Patos, radicado em João Pessoa, que não contente em compilar o léxico paraibês, fez isso em forma de cordel, um cabra muito do desenrolado chamado Vicente Campos Filho!¹. Cheguei de lá com dois exemplares, e também existe um em forma de verbetes mesmo num chaveirinho, que eu também trouxe para meu cunhado, para ele começar a estudar e não chegar lá passando vergonha.

Segundo o autor, ele compilou expressões do interior, do sertanejo mesmo, e isso é tanto verdade que ouvi até a voz do velho Zaca falando algumas delas. E sentada na praça de alimentação do Mercado de Artesanato, fiz um jogo de adivinhação com o cabra safado do meu primo, Luiz Carlos, um legítimo paraibano e baieense (apesar dele negar sua procedência da Terra dos Corno, Bayeux, ele é de lá). Eu lia metade do verso, e ele tinha que dizer o resto, e pasme, ele errou várias! Normal, existem variações joão-pessoenses. Por exemplo, longe no sertão é lá na caixa-prego, na baixa da égua ou em caixa-bozó. Para Luiz Carlos, o Miami Visse, longe é lá no inferno das cuia. E por aí vai.

Não vou reproduzir parte do cordel do Vicente Campos Filho, porque ele já fez isso. Vou fazer é uma espécie de Parte Dois, de coisas que ele não colocou em seu cordel. Fica uma sugestão para você fazer isso, visse, bichin?

Pegar Ar - Ficar nervoso, estressado
Tá c´a Muléstia dos Cachorro - Mais ou menos a mesma coisa que o anterior, pode ser também uma coisa muito boa
Tá c´a Gota Serena - Sinônimo de Tá c´a Muléstia dos Cachorro. É só lembrar da Clara Nunes elogiando Sivuca em Feira de Mangaio: "Eita sanfoneiro da gota serena!"
Tá c´a Gota - O mesmo do anterior, mas da gota serena exagera a expressão.
Marminino - Interjeição de admiração. O mesmo que "Mas, menino!"
Márrapai - Variação de Marminino. O mesmo que "Mas, rapaz!"
Bilôra - Mal-estar do estomâgo, gastura, desmaio. Acontece muito com quem não tá acostumado com a soma de cumê com sustança com o calorão da bixiga de John Person. Oferece um rubacão para Mácia, para ver se ela aceita!
Rubacão - Receita que leva feijão com pedaços de queixo de coalho derretido com carne de charque picada por cima.
Cumê - Refeição. "Dê um cumê pra esse minino!"
Suadô - A suadeira que dá depois de um cumê quente e com sustança, tipo uma cabeça de galo no café da manhã.
Sustança - Alto valor nutricional, geralmente gorduroso.
Minino - Criança, sendo de qualquer sexo. "Essa mulé tá esperando minino outra vez!"
Da bixiga/ Da gota/Da porra - Expressões que exageram o valor de qualquer coisa que se fale. Por exemplo: "Eita, forró bom da gota!" ou "Remédio rim da bixiga"
Rim - O mesmo que ruim.
Com força - Muito. "Era gente com força naquele lugar!"
Pense! - Expressão praticamente multiuso, geralmente serve para fazer o seu interlocutor imaginar exatamente o que você está dizendo. "Pense numa marmota!"
Marmota - pessoa desajeitada, ou maluquice. "Que marmota é essa, menino?"
Pão Bola - o mesmo que pão de hambúrguer.
Pão Caixa - o mesmo que pão de forma.
Desenrolado - Gente decidida, ativa, vivaz, articulada, sem frescura.
Pronto! - Expressão de concordância.
Homi, pelamor de Deus!
ou Homi, por caridade! - Expressão para pedir encarecidamente um favor, ou ainda, para exagerar uma narrativa.

E quem quiser que conte outra, ou outras. Todas essas expressões são tipicamente paraibanas, ou ainda, não apareceream² nem no Dicionário de Matutês de Pernambuco, ou no Dicionário Cearês, que aproveito para atualizar os links. Deixo para outro textículo o capítulo Placas de João Pessoa e adjacências, que também me fez rir um bocado lá. E é para todos leitores de textículos essa cambalhota, quer dizer, esse cangapé!

Notas:
1 - Recomendo também o Cordel do mesmo autor "O marciano que invadiu a Paraíba para roubar a rapadura". Ri litros.
2 - Marmota apareceu no dicionário de Pernambuco.


terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Natal Tropical

Eu sei, ando consumista, frugal, mundana, quase fútil. E se eu dissesse que sinto alguma culpa nisso, é mentira. Li um texto - bem inteligente, por sinal - de um ex-famosp defendendo seu desprezo por essa época do ano. Aí fiquei pensando se eu também odeio o Natal ou não. A loucura reinante no comércio e nas ruas é desesperadora, disso eu também não gosto. (Eu ando perua e gastona, mas não boto a culpa no Natal, saca?) Assim como o caro colega, eu também tenho verdadeiro pa-vor de músicas natalinas, isso vem dos tempos em que eu cantava em coral, os ensaios começavam em agosto e quando chegava dezembro, eu já estava de saco mais cheio desse repertório que o do próprio Santa Claus. Se eu escuto um cavaquinho tocando Jingle Bells na rua, eu já começo a tremer. Também detesto os clichês europeus dessa época do ano. Todo mundo derretendo de calor e a decoração de Natal cheia de neve, renas, Pólo Norte, que agora, mais do nunca, está ficando datado, Cop15 que o diga! Nunca acreditei em Papai Noel, meus pais me fizeram esse favor. Logo, o que resta do Natal tradicionalmente celebrado?

Depois de tanta elucubração inútil, eu descobri que a-do-ro o Natal! Os clichês não estragam a minha festa. O único que impera e que eu felizmente gosto, é que festejos natalinos, mesmo para quem o comemora de uma maneira pagã - quer dizer, todo mundo, praticamente - tem cara de família. Se ela não vai bem, alguém querido foi embora ou ainda, se não liga muito para festa de fim de ano, realmente, Natal não faz muito sentido mesmo. Como a minha família é de comercial de margarina com um toque de maluquice à la Grande Família, os meus natais são divertidíssimos! E além do aniversariante tradicional, a minha irmã mais velha também completa primaveras, no caso dela, verões. Diz ela que fazer aniversário no mesmo dia de uma celebridade tão proeminente é meio chato, mas é intriga da oposição. Invariavelmente, a família toda está com ela no dia do seu aniversário.

Esta época do ano é corrida, é cansativa, mas eu adoro final de ano. Não há coisa melhor que encaixotar os diários de classe e se mandar pro playground! Não me bate nem um pouco de depressão: nos anos ruins, a gente manda o ano velho para a pqp. E quando acaba um bom, como este - apesar de toda a ralação - eu quero é mais! O cheiro quente de dezembro me deixa feliz e esperançosa.

Então, para quem gosta, para quem não gosta, para quem quer ficar em casa lendo um livro ou enchendo a cara de Cidra Cereser, para quem acredita ou não, um Feliz Natal Tropical, porque esse é o verdadeiro! See ya!