A outra é o livro Bullying: Mentes perigosas nas escolas (Fontanar), da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva. Eu já tinha encomendado o livro e chegou bem na semana passada. Serve para todos: estudantes, pais, professores, gestores, porque ela esclarece bem todos os ângulos da questão e ajuda a entender. Devia ser bibliografia obrigatória para todo mundo que está envolvido na educação de crianças e adolescentes em geral. Aqui está sua entrevista no Roda Viva de alguns meses atrás, ainda no formato antigo do programa.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Não tem graça nenhuma, Dooley
A outra é o livro Bullying: Mentes perigosas nas escolas (Fontanar), da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva. Eu já tinha encomendado o livro e chegou bem na semana passada. Serve para todos: estudantes, pais, professores, gestores, porque ela esclarece bem todos os ângulos da questão e ajuda a entender. Devia ser bibliografia obrigatória para todo mundo que está envolvido na educação de crianças e adolescentes em geral. Aqui está sua entrevista no Roda Viva de alguns meses atrás, ainda no formato antigo do programa.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Columbine à brasileira
Não sei se há algo novo a dizer sobre o que aconteceu hoje na escola do bairro do Realengo, no Rio de Janeiro. Toda a sorte de bobagens e coisas sensatas já foram ditas a respeito.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Orientupis, judárabes e ciganagôs
"Para mim, de todas as burrices a maior é suspirar pela Europa.
A Europa é uma cidade muito velha onde só fazem caso de dinheiro (...)
Aqui ao menos a gente sabe que tudo é uma canalha só (...)"
(Explicação, Carlos Drummond de Andrade)
Inclassificáveis!
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Tropa de Elite - primeira temporada
As UPPs representam um projeto de retomada militar de algumas áreas que interessam a um projeto de cidade. Isso não é para acabar com o tráfico, é para ter o controle militar de lugares que são estratégicos para a cidade olímpica que se pretende.
Para mim, isso é tudo. Chega de colírio alucinógeno por hoje.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
As 10 estratégias de manipulação midiática por Noam Chomsky
| Eles podem ser truculentos, mas não abrem mão de meios mais sutis de manipulação |
Dirigir-se ao público como se fossem menores de idade. A maior parte da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade mental, como se o espectador fosse uma pessoa menor de idade ou portador de distúrbios mentais. Quanto mais tentem enganar o espectador, mais tendem a adotar um tom infantilizante. Por quê? "Ae alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, em razão da sugestionabilidade, então, provavelmente, ela terá uma resposta ou ração também desprovida de um sentido crítico (ver "Armas silenciosas para guerras tranquilas")".
Utilizar o aspecto emocional mais do que a reflexão. Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional e, finalmente, ao sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de aceeso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos...
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
sábado, 23 de outubro de 2010
Tropa de Elite 2
| O coronel em seu lado humano e desarmado |
Fui assistir Tropa de Elite 2 pensando: eu vou porque o Capitão Nascimento (Wagner Moura) é o cara - ops, agora é coronel. Logo no início do filme, percebe-se que nem tanto, mestre: o conflito da trama começa com uma cagada típica da polícia brasileira, não só da carioca: o dedinho que coça no gatilho na hora errada, vide casos como do sequestro da Eloá e do ônibus 174. A diferença é que nos casos reais morreram as vítimas, na ficção o Mathias (André Ramiro) acerta o bandido. Bom de pontaria, mas mesmo assim "puta dum mané, parceiro!" Simplesmente porque seu superior - o coronel - tinha mandado não atirar, ficar só de espreita. O que o zé-ruela fez? O total oposto, invadiu e atirou pra matar. Mesmo assim, o coronel dá cobertura para o amigo e toma a responsabilidade para ele, talvez porque no fundo era isso mesmo que ele queria fazer: mandar matar!
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Se não pode convencê-los, confunda-os
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Netinho agora, só o da Dilma
![]() |
| Chupa, Netinho! |
domingo, 22 de novembro de 2009
Strange Fruit - Chapter Two
Hoje esse traço misturado do povo brasileiro é celebrado, eu mesma bem gosto de ter nascido com essa tara*. Depois de muito tempo, porém, fui perceber como a misturada rendeu formas peculiares de discriminação. Como eu já disse, não nos reconhecemos pela "raça", pelo sangue - até tentaram, havia aquela papagaiada de dizer que fulano era um "Quatrocentão", sendo que a origem desses fazendeiros paulistas era exatamente a que eu descrevi no parágrafo anterior, com o sangue índio misturado ao português. Então o que sobra é a cor da pele para se reconhecer.
Vi isso claramente há algumas semanas atrás. Na sala de informática, Bethinha, professora de inglês, mostrava fotos e vídeos de Marthin Luther King para nossos alunos de sétima série, para montar uma encenação e eu estava lá, de xereta. Ao ver as fotos de Rosa Parks, que tinha um tom de pele um pouco mais claro, os alunos teimavam em dizer que ela não era negra, e eu tentando explicar que para o estadunidense não existe meio termo (até Michael Jackson foi de negro a branco praticamente sem escala), que para eles não existe mulato, moreno cor-de-jambo, moreno café-com-leite, moreno isso, moreno aquilo, isso é coisa de brasileiro. Até quando uma aluna negra e muito bonita diz: "Se ela é negra, sou o que? Carvão?" Aí, perdi a pose, caí na risada. "Morena cor-de-disco, que tal?"
E nesta última semana, trocando figurinhas com Bethinha, fui mostrar para ela Billie Holiday cantando Strange Fruit, marco na história da música por ter sido a primeira canção que falava abertamente sobre a situação de preconceito racial nos Estados Unidos e eu acabei por descobrir coisas sobre esta canção que nem eu mesma sabia. A letra foi escrita com base em uma foto que retrata a cena mais horrorosa que eu já vi na minha vida, por isso nem me atrevo a colá-la aqui . Ninguém faz ideia do pavor que sinto só em escrever sobre ela, em ter que lembrar e tremo só de pensar que aquilo foi real. A intertextualidade entre a cena, a poesia da letra e a interpretação doída da Lady Day é perfeita.
O resto da história está bem contada no link. Sugiro que todos cliquem e leiam atentamente, não só os corajosos e curiosos, porque é bom uma dose de realidade de vez em quando. É bom saber que gente da mesma espécie que nós, organicamente igual a você e a mim, foi capaz de cometer aquela crueldade , e nunca mais se esquecer, para que isso jamais se repita. E olha que não é difícil.
"A gente não sabia que não era um índio, a gente pensou que era um mendingo!" (1997)
Miserere nobis, Domini.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Pano pra manga
Escrevi no domingo, segunda de manhã, a UNIBAN anuncia a expulsão da aluna, com um discurso pra lá de TALEBAN. Depois, MEC aperta, UNE e entidades feministas também, a instituição volta atrás e revoga a expulsão. A única coisa que não mudou é que nenhuma punição foi sequer cogitada a quem participou da arruaça. Claro, vai desagradar o público pagante? Uma coisa é um aluno, uma mensalidade. Outra coisa são quinhentos alunos, quinhentas mensalidades. E ainda acham que vão convencer alguém falando de moral. Moral de uc é rloa, mermão. Agora o discurso é que promoverão "medidas educativas" com os envolvidos no incidente.
A farofa continua, os alunos vaiaram o protesto da UNE e a Unitaleban (ou Uniburca, como vi em algum lugar) ficou com medo da repercussão negativa em torno da instituição, recuando na sua decisão e o MEC também arquivou o caso. Agora o papo de hoje é especulação em torno da especulação que revistas masculinas poderiam talvez estar fazendo agora para quem sabe ter a aluna na capa de uma dessas publicações. Essa conversinha mole convenceu alguém? Tempo!
Como já disse, ela não tem condições de se tornar ícone feminista, por mais que as entidades militantes tentem fazer isso dela. O máximo que ela consegue mesmo é ser celebridade instantânea. Mas fica a discussão de como os estudantes de ensino superior têm sido cada vez mais sectários, com um discursinho vazio e conservador, típico de quem estuda não para adquirir mais conhecimento ou para ampliar a perspectiva com que veem o mundo e sim, para única exclusivamente "obter uma qualificação profissional para conquistar uma posição de destaque no concorrido mercado de trabalho". Não é esse o tom publicitário de qualquer Unicoisa que a gente vê por aí?
O resultado está aí: diplomas e cérebros de minhoca fabricados em série, a toque de caixa. E quem acha que isso é coisa de instituições particulares que pipocaram a partir da segunda metade da década de 90, está enganado. Alunos de instituições públicas* e tradicionais também estão com sério atrofiamento mental. Vizinhíssimo, mestrando em História, sempre fala do desencanto com que vê na bicharada que entra na USP ultimamente, por exemplo. Trabalhei com alunos da PUC como estagiária numa exposição e alguns deles eram tão tontinhos e vazios que até desencanei do complexo de vira-lata que eu tinha de não estudar em uma grande instituição tradicional.
Não estou falando só na teoria. Estudei numa instituição pequena, com público C e D, conservadora até as tampas. Vi muitos colegas que só estavam a fim de conseguir o diploma ao final de três anos e de preferência, na Lei do Mínimo Esforço. As instituições estimulam esse pensamento. Esqueçam da visão iluminista da universidade como templo de conhecimento, isso é coisa do passado, na visão pragmática e mercantilista com que a Educação é tratada nos nossos tempos. Penso, logo desisto.
*Exceção: Nem tudo está perdido. No meio das notícias sobre o caso da Uniburca, surge que uma que destoa do tom fútil com que o caso é tratado pela farofa midiática. Alunos da UnB promoveram um protesto hoje em frente a reitoria da universidade em apoio a aluna da Uniban e denunciando casos semelhantes de violência contra a mulher e outras minorias acontecidos na instituição de Brasília. Alguém precisa reagir. Meus bichos feministas voltaram, oba!
sábado, 4 de julho de 2009
Orgulho de ser gente
O fato é que certas coisas foram feitas para não dar certo e a Educação escolar, nos moldes tradicionais, é uma delas. Até porque se der certo, um monte de burocratas sentados vão perder o emprego. A gente trabalha engessado, escola é uma instituição engessada, num formato que remonta ao fim do século XVIII, aliás! Ou seja, não existe fracasso escolar, ele está dando muito certo.
Estou, a partir de agora, na contramão do coro de lamentações que até nós, professores ajudamos a engrossar: está na hora de falar de iniciativas bem-sucedidas.
A Secretaria Municipal de Educação possui um projeto de rádio escolar intitulado EDUCOM e a escola onde trabalho participa deste projeto. Como estava parado há algum tempo e na iminência de perder os equipamentos por conta disso, a coordenação pedagógica pediu para reativarmos este projeto, repletos de possibilidades pedagógicas. Nova na escola, senti meus olhos míopes brilhando neste momento, afinal eu sempre quis trabalhar com rádio, e é lógico que dei meu nome e a cara à tapa para participar desta empreitada.
Então só posso agradecer ao poder ultrajovem destes meninos e meninas. Será que vou esquecer de alguém? Vamos lá: Murilo, Douglas, Victor, Fabio, Jéssica, Sarah, Eduarda, Cássia, Cris, Alan (o único valente a operar o som das 8 às 15 da tarde), Prof Nelson, pioneiro nesta iniciativa e veterano da Radio Jovem Cidadão, e à Mariana, minha parceira no Velharia: aquele abraço!
Lembrando a todos que estamos apenas começando, porque muita coisa boa ainda está por vir!
Uma cambalhota coletiva para os que ainda preferem o fracasso escolar!
Nota:
1. Lembrei. O nome do cabra é Gustavo Ioschpe. O bonitão fez mestrado em Economia em Yale! Mas por que cargas d´água não vai falar de Economia? Só a Veja para nos brindar com bobageiras-de-terno de tão alto nível.
2. A imagem não precisa de créditos, porque é minha-feita-por-mim-mesma. Quem quiser ver as outras, estou postando no Orkut.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Vergonha de ser gente
Já disse isso anteriormente, e isso não é papo café-com-bolacha¹ apenas. É fato. A falta de valores em que se basear é tão grande que dia desses, me dei conta que esse tipo de discurso que defendo são valores burgueses puríssimos - escola, família, lutar pra ter um emprego, etc. Por mais à esquerda que eu me considere, fui criada à maneira pequeno-burguesa e outra, a crise de valores está tão grande que qualquer valor serve - burguês ou não. Se eles ainda valessem alguma coisa, a atual juventude teria porque lutar, mas como não tem, estão cada vez mais letárgicos e agressivos - outra contradição.
Preciso dizer que a primeira notícia mostra que este caso não passa de um refinamento de algo que existe desde tempos imemoriais na instituição escolar - o bullying - com a diferença de que este citado agora fez uso das chamadas mídias 2.0 (Orkut, principalmente). A segunda trata-se de mais uma descoberta da pólvora. Escola é, por excelência, uma instituição cruel com as pessoas, por ser um microcosmo da sociedade, uma amostra grátis do pior do ambiente em que a gente vive. Muita gente não entende o oximoro que sou: quando criança e adolescente, adorava estudar, mas detestava escola, assim como sou hoje uma professora que adora seu ofício, mas que odeia a instituição escola o triplo que odiava nos seus tempos de estudante. Ô lugarzinho medíocre, e olha que adoro as minhas escolas (eu não contente com uma, tenho duas dores de cabeça para privilegiar os dois lados do cérebro).
O poder ultrajovem vem aí. Aguardem!
domingo, 7 de junho de 2009
Grito em fatias
Ensaiei este início de textículo inúmeras vezes e para arrematar, ensaiei mais uma. Existem coisas sobre as quais penso em falar e não falo, outras, simplesmente me dão vontade de falar. E é a vontade quem manda. E o fato é que nestes últimos dias não tive a menor vontade de escrever nada, por mais que existam coisas que merecem e que precisam ser ditas.quinta-feira, 28 de maio de 2009
Subindo no banquinho e xingando a rainha 2.0
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Viva Boal
*Um de seus livros que eu li foi "O Arco-Íris do Desejo - Método Boal de Teatro e Terapia", da Editora Civilização Brasileira.
segunda-feira, 30 de março de 2009
Smells like a gunpowder spirit

Todo mundo acha um absurdo, todo mundo se pergunta onde vamos parar assim, e principalmente, coloca a culpa na direção e no corpo docente da escola, como vi pela TV. O mané-pipoca do Percival de Souza falou naquele 'espreme-sai-sangue' do Cidade Alerta que isso era falha da direção da escola. E a gente tem direito de revistar mochila de aluno por um acaso, Sr. Especialista em Generalidades?
Ano passado, em outra escola em que trabalho, eu vi, ouvi e cheirei uma bomba no corredor bem na volta do intervalo. A confusão foi tanta que me perguntei se estava na Faixa de Gaza e cogitei mudar o patrono da escola para "Bin Laden". Naquela época já fiquei atordoada, me perguntando com que tipo de gente eu estava lidando. Imagine hoje, ao saber que por pouco não tomei uns pipocos, se tivesse continuado naquela escola da prefeitura, isso sem contar a Bozonifácia, que acompanhou tudo de perto.
Certa vez, na minha sala de aula, um colega trouxe uma arma, só que era de brinquedo e a munição de chumbinho. Ainda assim, a professora ficou desesperada: "Menino, me dá essa arma!"
"Mas professora, é de brinquedo!" E a professora: "Claro que não é, menino, já estou sentindo o cheiro da pólvora, me dá isso!"
Depois dessa frase, a prô perdeu o respeito, a sala desabou a rir. Se não tinha nem munição, que dirá pólvora pra ter cheiro?
Imagino o desespero da minha ex-professora, hoje colega de profissão, mas não deixa de ser engraçado o pânico da pobre com aquele 'treisoitinho' em cima da carteira do meu colega. Se ela estivesse no lugar da Bozonifácia, ela cairia dura. Renata, que mal teve tempo de sentir o cheiro da pólvora, teve que sentir também o legítimo cheiro de sangue, afinal o tiro acertou o joelho da infeliz que fez o favor de ficar perto de um zé-ruela armado sabe-Deus-porquê.
Por essas e outras começo a achar românticos estes anos 90. As pequenas transgressões - como uma arma de chumbinho - tinham graça. Porque, para mim, esta notícia não é nem um pouco engraçada, assim como os ares de Mcgyver que ganhou o Magistério contemporâneo. Não tem graça nenhuma, Duley.
*Por razões óbvias troquei a imagem original por uma foto do Kurt com armas: http://media.photobucket.com/image/kurt%20cobain%20with%20guns/afewrandomdrunks/Kurt_20Cobain_20Gun.jpg
quarta-feira, 18 de março de 2009
E no país da piada pronta...
A primeira delas é a mais recente, fresquinha como a piada da androide. Depois do textículo de anteontem, vejam só o que caiu nos meus olhos assim que eu abri a página da UOL hoje: Desencalhe! Os cinco erros que estão mantendo você solteira. Eu, como boa moça casadoira que sou, fui conferir. Imperdível, gente, principalmente se quiserem passar raiva. Descobri que estou cometendo três deste cinco erros e fiquei muito triste com isso. Queria cometer os cinco na sequência. Se quiser rir, leia. É besteirol machista escrito por mulheres da mais alta qualidade.
A piada pronta número dois foi cunhada pelos meus patrões. Número dois mesmo, porque é merda das grandes, tanto que foi noticiada pela grande mídia, que geralmente passa a mão na cabeça (careca) do governo estadual. A Secretaria da Educação soltou um material para alunos e professores contendo um erro crasso em Geografia. Uma América do Sul com dois Paraguais e nenhum Uruguai, nem Equador. E o dileto patrão bota panos quentes no acontecido: "Para Serra, o fato de o material didático distribuído em escolas públicas de todo o Estado mostrar duas vezes o Paraguai em um mapa da América do Sul 'não é um erro grave, mas é um erro'." No mesmo dia, o Secretaria divulgou o Idesp das escolas, índice que seria a base de cálculo para o pagamento do bônus para os professores da rede, mas nada ofuscou o brilho da primeira notícia, que, de tão gritante, até a grande mídia teve que noticiar. Há mais coisas entre SEESP e o professorado que possa provar nossa vã filosofia, mas paro por aqui. Estou em estágio probatório, hehe. Detalhe: a piada pronta número dois é na verdade, dois-em-uma, porque o tal índice geral de qualidade das escolas estaduais está abaixo da crítica. It´s all true, folks!
Apesar da consistência de tantas piadas prontas, hoje ninguém riu delas, afinal as atenções estavam todas voltadas ao funeral de Clodovil, deputado federal que dispensa apresentações. Tanto que a última piada pronta será póstuma - e também uma piada velha - do deputado, o seu primeiro discurso na Câmara:
Quando a gente vê uma turma de alunos incapaz de calar a matraca até na hora de responder chamada, e não sabe porque isso acontece, é só ver esse vídeo. A falta de educação (no sentido mais elementar, como comer com os cotovelos na mesa, por exemplo) começa dos altos escalões de poder do país, logo, a molecada não tem nenhum bom exemplo para se mirar. Procurando o vídeo do 'Estupra, mas não mata', achei este e até comentei com uma das minhas turmas exatamente o que eu disse aqui. Não gostava muito do Clodovil, não acho que basta morrer para 'virar bonzinho', mas dessa piada velha eu gostei. Tanto que rendo uma singela homenagem póstuma a este subversivo que não vestiu as Sandálias da Humildade do Pânico nem a pau*.
*Queria terminar este textículo com alguma coisa engraçada, já que estamos falando de piadas, mas todos os meus trocadilhos pobres ficaram de extremo mau gosto. Para gente como eu, rir da morte ainda é um privilégio para poucos.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Ser diferente é normal
Nestas férias, minha irmã me trouxe Hairspray, que tem tudo que eu adoro: anos 60, muita música e o John Travolta absolutamente impagável. A menina protagonista, a Nikki Blonsky, também é ótima. É só conferir o play abaixo, do número de abertura do filme.
Os pseudo-intelectuais geralmente acusam musicais de serem filmes bobos, pouco profundos. Acho isso bobagem, basta ver as adaptações dos musicais do (gênio) Andrew Lloyd Weber. Jesus Crist Superstar e Hair, já são suficientes pra refutar este preconceito.
Os incorfomados com este argumento podem retrucar que Andrew Lloyd Weber é inglês e não está contaminado com a bobageira típica de Hollywood, só que meus musicais preferidos são bobageira hollywoodiana pura. Chigago, com todo aquele glamour, acaba discutindo a banalização e espetacularização da violência na mídia, e a gente que vê que isso é bem antigo do que se imagina. Hairspray mais parece um High School Musical dos anos 60 com uma gorda-protagonista, mas fala de segregação racial - muito mais brava naqueles tempos - e dos famigerados padrões de beleza, magreza absoluta, que também não é coisa de hoje.
Claro que tudo isso é muito hipócrita, porque esse tipo de filme põe como herói quem é discriminado e marginalizado na vida real. Mas Hollywood é assim. É só dar um beijinho no Zac Efron no final que fica tudo certo. É inegável, porém, que esse filme acaba sendo uma pérola escondida. Tracy Turnblad de menina alienada por excesso de laquê acaba virando uma subversiva! Palmas pra ela.
Gosto da mensagem desse filme. Ser diferente é normal, como dizia aquela campanha com uma adolescente com síndrome de Down se acabando de dançar Elvis. E ainda hoje, em pleno século XXI (grande coisa!), existe gente careta e covarde que se acha muita coisa quando na verdade é igual a todo mundo, totalmente sem identidade. Pensei que isso tinha acabado, mas quando voltei para a escola como professora, vi como isso ainda é inaceitavelmente comum. Se alguém é um pouquinho diferente ou fora do padrão - que padrão? - é rotulado, tachado, julgado.
Isso que sempre aconteceu, agora tem um nome pomposo - bullying, e eu passei bastante por isso na escola, afinal bufões sempre causam estranhamento, e se ele é o melhor aluno da sala, fudeu! Agora, se engana quem acha que isso me deixou traumas (será que virei professora pra me vingar? huhuhuhu-hahahahaha!), muito pelo contrário. Aprendi desde cedo que não fui feita para o óbvio, e que seria evidente que gente medíocre, sem personalidade - e acha que se destaca por ser igual a todo mundo - jamais me entenderia. E é assim até hoje e me divirto chocando gente tacanha. Então viva ser gordo demais, magro demais, burro demais, inteligente demais, loiro demais, negro demais. Ser diferente é demais! E tenho dito.
Notas inúteis:
* Que Velma Kelly que nada. Queen Latifah é o canal, totalmente "big, black, blonde and beautiful". When you´re good to mama, mama´good to you!
* Para quem não se lembra da adolescente com Down se acabando de dançar:
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Sobre este meu constante exercício de duplipensar
Em Novilíngua, Duplipensar é um estado de alienação consciente (ou de consciente alienação, se preferir). Significa manter estas duas polaridades unidas para perpetuar o poder, numa Oceania imaginária, dominado por um Ingsoc tirano, totalitário e… de esquerda.
Neste mundo de ‘democracia, com responsabilidade social e ambiental’ - tenho que citar Minduim nessa, não tem como - regado a muito Jornal Nacional e Revista Veja, parece que não há mais a ‘ameaça’ de uma Ditadura do Proletariado daquelas. Até Fidel pendurou as chuteiras! A classe média-mediana-medíocre suspira aliviada. E nem precisa de Vick Vaporub.
Tenho nojo desse mundo, dessa pseudo-liberdade. Estamos vivendo o 1984 mesmo, à base de Grande Irmão, Polícia do Pensamento e Teletela. Se eu ainda vivesse o sonho pós-geração 60, mesmo atrasado, tudo bem, já até fiz isso. Mas agora, nem nas instituições de esquerda eu acredito mais. Aliás, para mim, ultimamente estas duas esferas se completam, e essa descrença veio como se fosse canção do Cazuza, num corte lento e profundo, e sem razão definida.
O auge do meu duplipensar aconteceu na última sexta. Paralisação dos professores. Eu fui, sozinha. Não quis me misturar. Em vez disso, sentei na calçada, e abri o 1984. Depois de uma hora, fui embora, não desci a Consolação junto com a passeata. Fiquei pensando que catzo que eu sou: alienada ou covarde? Pendi mais para o lado do covarde, entendo o que está acontecendo. Só que descer pro play e não brincar nunca foi comigo, então porque fui até o vão livre do MASP? Com o livro na mão, caiu a minha ficha (sou oitentista, tá bom?): é duplipensar na sua forma mais pura.
Talvez seja o que eu faça pra não enlouquecer com a minha descrença, afinal é muito triste viver sem esperança. Mas esperança burra eu também não quero. Então, “deixai toda a esperança, vós que entrais!” Seguindo Dante Alighieri, ao cruzar os portais do Inferno, troquei o idealismo pelo cinismo: não quero mais mudar o mundo, quero é mudar de mundo. O movimento ganha cada vez mais adeptos, é só entrar na minha comunidade no Orkut. Escolha o planeta de sua preferência e go ahead, com ou sem esperança, pode entrar.
Textículo jorrado em 03/07/2008

