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quarta-feira, 18 de julho de 2012

Uma história de amor a três

I'm glad to see you back. I thought you were gone forever.
(Vladimir, Waiting for Godot, Act 1, Scene 1)
I
Meu kefi estava perdido, ou eu é que havia me perdido dele. Estou começando a achar que ele gosta de brincar de esconde-esconde comigo. Adora se perder para eu ter de me achar.

Desta vez o encontrei no Rio de Janeiro, batendo um sambinha numa caixa de fósforo. Estava até mais bronzeado, o danadinho. Dei-lhe um costumeiro tapa no ombro: "Onde você esteve este tempo todo, seu safado?" "Tinha ido comprar cigarros, aí resolvi ficar aqui." E sorriu daquele jeitinho zombeteiro que lhe é peculiar.

"Hum, sei." E emendei: "Vou fingir que acredito. Poderia até ficar brava com você, mas não vou não, porque te manjo é de outros tempos, camarada." 

E saímos para brincar perto dos arcos da Lapa, em frente ao Circo Voador, debaixo de uma garoa indecisa. Daquelas que de quase-chuva foi virando Sol.

Conversamos sobre este assunto também: "Você ainda não se convenceu que é movida a bateria solar, mesmo, né? Olha só pra você. Cê tá amarela, menina! Vai tomar sol!"

"Ok, você venceu, estou aqui para isso. Até estiquei minha estadia, assim teremos mais tempo juntos." Demos as mãos e fomos ver se o Rio de Janeiro realmente continua lindo. E continua.

II
Passamos tanto tempo colocando o papo em dia que quando o Sol saiu em todo seu esplendor, no clímax do seu espetáculo, a gente tinha dormido. E acordamos feito o Vagabundo, com seus raios solares soando como uma sirene: "E este Sol na minha caaaaaaaaaaaara!"




"Este Sol indireto, assim batendo nesta janela enorme, me conforta. Necessariamente porque me faz saber que ele sempre esteve aqui, nunca me abandonou. Ao contrário de você, seu vagabundo!", disse-lhe. "Não seja injusta, você sabe porque eu sumo. Senti muito sua falta, sabia? Desta vez, fiquei sinceramente preocupado com você. Cheguei a pensar que não conseguiríamos nos reencontrar!" 

"Own... Mas que fofo é você. Você faz isso de propósito, pensa que eu não sei? 'Té parece índio!  Assim você vai acabar ganhando o Campeonato Mundial de Esconde-esconde, hein? Mas a sua sorte, baby, é que eu também estou ficando craque em te encontrar! Demora, mas eu te acho."

"Elementar, minha cara. Mas desta vez você me assustou com aquela coisa de melancolia, fome, mito de Narciso... Aliás, onde você estava com a cabeça que eu poderia estar em Toronto? Puta frio do cacete!"

"Ah, queria dar umas bandas.Você teria gostado de lá sim, tenho certeza. A gente pode voltar lá na primavera, que você acha? E por que você não poderia estar no Canadá? Parecia que o Brasil tinha se mudado para lá. Até a Luíza estava!"

"Engraçadinha... Embora seu trocadilho seja extremamente sem graça, vou te dar um desconto. Pelo menos você está de volta!"

... Depois de um tempo ouvindo jazz e comendo melancia, decidimos que era hora de ver o Drummond. E ficamos de fazer isso no dia seguinte. 

III

Vimos que o poeta bronzeado (afinal ele não sai daquele banco no calçadão de Copacabana) também é um poeta vigiado, um poeta 1984. Depois de seus óculos terem sido furtados uma par de vezes, agora uma câmera zela pelo poeta do alto de um edifício na Av. Atlântica. E como tudo é passível de se tornar piada pronta neste mundo, a sua estátua é patrocinada por uma marca de lentes. Pagaram a nova armação, colaram com superbonder e instalaram a câmera para não ter mais prejuízo. Rá! Nem a poesia está salva da lógica de mercado. 

Muita gente na fila para ter com o poeta, mas era rápido porque a maioria quer só tirar foto com ele. Quem passa sempre por lá, às vezes dá um sorrisinho e uma batidinha em sua careca, como se o cumprimentasse. E eu, louca, querendo abraçar aquela coisa metálica, dizer o quanto ele está debaixo do meu couro surrado, de quantas vezes ele falou diretamente comigo... Mas ele, sabendo muito bem que não era o poeta e sim sua representação, não se furtou de tirar troça da minha cara e me salvar de uma camisa de força: "Por que você não faz igual a todo mundo e tira uma foto? O poeta sabe da sua piração!" E assim o fiz, até me ofereci para tirar foto para alguns outros passantes. E ninguém sequer desconfiava que eu estava diante do Amor da Minha Vida. 

IV
Na última noite, eu não tinha medo de voltar: tudo estava no meu corpo. O sol nas minhas costas, o vento deslizando por cima delas, o balanço do mar que levei para cama. E o conto do Borges, transformado em canção de ninar naquela voz quente e doce, feito brigadeiro recém-saído da panela. 

Adormecer naquela composição era o gozo mais profundo que eu poderia oferecer. Ele, me vendo do teto, ria da minha boca aberta. Disse que parecia que eu tinha engolido uma estrela cadente. 

V
Na hora de rearranjar as malas e cair no mundo outra vez, por puro cacoete estudei onde levaria o meu amigo, até escutar um grito que quase me faz cair da beliche: "VOCÊ TÁ DOIDA???"

"Doida, eu??? Por quê? Cheirou, bebeu ?!" 

"Você realmente acha que eu vou me dignar a viajar junto do seu biquíni molhado e cheio de areia, para não dizer das outras coisas que você está levando aí nesta mochila? Que eu fiz pra você?"

"Tá bom, tá bom! Foi sem querer. Desculpa, tá, ô Primeira Classe! Mas você não vai voltar comigo?" Caprichei na cara de Gato de Botas.

"Claro que eu vou. Mas eu vou no chapéu da aeromoça, na ponta da asa, mas dentro da sua bolsa não!"

E assim ele fez. Quando cheguei, ele estava grudado na janela do avião. Me deu uma piscadinha e depois um tapa na bunda que me encheu de coragem para enfrentar a vida. Descendo do avião, ele me disse:

"Lembra do gravador do Lucas Silva e Silva? Quando quebrou, ele ficou desesperado, pensando em como ele faria para inventar suas histórias. Seu Orlando disse que para imaginar não era necessário o gravador. Quando ele mostra o gravador consertado, o Lucas dispensa e diz que conseguiu inventar só com a imaginação."



"Claro que eu me lembro! Lucas Silva e Silva ajudou a formar meu caráter!"

"Então, sou mais ou menos como o gravador do Lucas, gata. Agora você me tem na hora que quiser!"

Abri um sorriso enorme. Até que enfim, compreendi: meu kefi é uma entidade wi-fi! Como não pensei nisso antes?

domingo, 11 de março de 2012

Poéticas da Dança I -Living on the edge!

Sim, faz mais de um mês que começaram as aulas e a professorinha está correndo mais que queniano na São Silvestre. 

Há duas semanas começou a segunda fase do Projeto Poéticas da Dança, do Grupo de Pesquisa em Dança, Estética e Educação (GPDEE) do Instituto de Artes da Unesp. A primeira tarefa para o Grupo A foi registrarmos da maneira que quiséssemos como nós estávamos com nosso corpo no deslocamento da casa pro trabalho, nas tarefas cotidianas, na sala de aula e quaisquer outras coisas que quiséssemos contar. 

Como estou fazendo muitas coisas ao mesmo tempo, como tanta gente neste mundo, a única palavra que veio a minha mente foi CANSAÇO. Físico, e também emocional: cansada das mesmas coisas, dos mesmos tratamentos, dos mesmos modos engessados de ver o mundo. De saber que não se é nenhuma Leila Diniz, mas de acabar se sentindo como se fosse, de tão encaretada que está a vida, disfarçada de moderna. 

Até comecei um registro esparso das coisas, gostaria de contar (não só mostrar) aos parceiros e parceiras de viagem algumas coisas sobre a minha (re)descoberta do corpo, mas uma folha A4 com a única palavra que bastava expressava muito mais. Este olhar parece pessimista, mas é o contrário: não jogo a toalha nem a pau! 

Depois fomos convidadas a escolher outro diário de bordo, escolhi o da Bianca, várias linhas paralelas pontilhadas e em cima estava escrito: CORDA BAMBA. Descobri que o cansaço vem daí, eu gosto mesmo é de viver na corda bamba!

Os ombros suportam o mundo
Depois as pessoas se juntaram a partir dos trabalhos que escolheram. Grata surpresa foi a Marília. Também está cansada, aquela Barra Funda cheia de gente é tão anti-poética!  A partir desta discussão, a proposta era criar uma cena corporal que trouxesse à tona estas questões. Aí eu descobri que não tenho sequer metade da força que preciso, mas que tenho que criá-la de algum jeito. Chega um tempo que o cansaço é tamanho que é maior o peso dos ombros sobre o mundo! Mas Marília se mostrou muito mais resistente, aguentou o peso do mundo sobre os ombros muito mais do que eu!

Só a partir deste momento que surgiram as referências que ajudam a contar esta história, algumas deixo para vocês aqui:

Os Ombros Suportam o Mundo
Carlos Drummond de Andrade

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Reunião: 10 livros de poesia. Rio de Janeiro, José Olympio, 1975, p. 55




Se não desisti em 2004, vou desistir agora? 
 Em breve, mais Poéticas da Dança! Esta cambalhota é para vocês!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Melancholia

Nunca pensei que melancolia tivesse algo a ver com o mito de Narciso. Melancolia é o desapontamento de Narciso ao ver que não poderia tocar sua linda imagem refletida no lago: sem poder tê-la, morreu vidrado no redemoinho que desmanchava o seu reflexo ao ser tocado. 

Não parece, mas eu sou melancólica. E eu, que bem gosto dessa melancolia, não me assustei quando a minha terapeuta me explicou a visão da psicanálise sobre esse sentimento temido à exaustão por um mundo que insiste em fazer o jogo do contente todo o tempo. Muito pelo contrário, me encantei ainda mais. 

Passei os últimos meses contemplando o redemoinho. Era (ou é) só tristeza: algo tão normal quanto alegria, algo que passa, mas parece ser um crime ficar triste, e não é. É um luxo ao qual eu me reservo quando algo não vai bem.

Por isso gostei tanto de Melancholia, o último filme do Lars Von Trier. O estado melancólico é exatamente aquela sensação de pernas paralisadas que acometeu Justine (Kirsten Dunst). E foda-se se é o dia do seu casamento, ou se o mundo inteiro diz que gostaria de estar no seu lugar e que você deveria estar feliz. A melancolia te abraça, te enrosca pelas pernas e quando elas travam, não tem que as faça seguir.  


No entanto, as coisas mudam diante de um perigo real. Na iminência do desastre, Claire (Charlotte Gainsbourg), sempre tão centrada, se desespera e Justine, sempre tão errática, sabe exatamente o que fazer. Ela que já tinha visto a Melancholia se aproximar tantas vezes, não se assustou e buscou dentro de si a força para suportar o fim. 

Dizem que a depressão é o mal do século. Pode ser, mas tenho para mim que o mal é justamente temer tanto a tristeza, fugir dela como se pudesse fugir do planeta Melancholia. Quando a tristeza bate, quando se vai às lágrimas, só nos resta entrar na nossa cabana invisível. Quem tem medo de tristeza não sabe que isso não tem nada a ver com desistir, muito pelo contrário: é caçar o último fio de força para sobreviver e jamais entregar os pontos. Sucumbir acontece com quem não aguenta o tranco da melancolia se aproximando e saber que não se pode fazer nada. A arrogância humana é tanta, admitir impotência é algo tão inadimissível, que há quem simplesmente não sabe o que fazer, quando não há mais nada a fazer. 

Isso não é só uma metáfora de cinema. Há que se ter pernas fortes para aguentar a vida. Porque estar vivo dói, até quando é bom. Além do mais, não é qualquer soco no estômago que vai me fazer beijar a lona. 

E para quem teve pernas para subir e descer mais uma Colina Melancólica, aquele abraço!




terça-feira, 8 de novembro de 2011

Sexo

Cada dia mais admiro a quem resiste à passagem do tempo. Não como um fóssil ou peça de museu, eternamente saudoso, eternamente nostálgico ou celebrando canções do passado, e sim como um produto da contemporaneidade. Também tenho desconfiado bastante dos mitos póstumos. Morrer aos 27 e ficar eternamente jovem é fácil. Quero ver é ficar velho, ainda tendo lenha para queimar. A velhice não é um lugar para medrosos. 

Há algum tempo, estou devendo um textículo para o Tremendão. Ele tem me perseguido, e tenho gostado disso! Desde quando assisti a um show dele no SESC Belenzinho com meu pais em maio, ocasião em que ele não se furtou de deixar o público contente com clássicos como Festa de Arromba e Fama de Mau, mas também mostrou que seu caldo não é comida requentada de geladeira, tocando o então álbum mais recente, Rock n´Roll. Nesta feita, ele aprontou uma que foi sensacional. Lá pelo final do show, tocando Cover, eis que aparece para uma participação especial o sósia do seu amigo de fé-irmão-camarada, Robson Carlos, distribuindo rosas e tudo! Sem-querer-querendo, acabou mostrando de uma maneira bem sapeca que não está à sombra do seu amigo-mito (que faz um show muito bom, mas só com clássicos) e que fica muito à vontade como parceiro do Rei! Tremendão sabe do próprio molho. Há que ser muito seguro de si para tamanho bom humor! 


Recentemente, ele lançou outro álbum só de inéditas, Sexo. Que fôlego, hein, Tremendão! E desde que o tenho escutado fico procurando adjetivos para ele, o que já se mostrou inútil. Falar do ato em si sem rodeios, como em Kamasutra, sem cair na vulgaridade logo na primeira faixa, já é genial. E como se isso fosse pouco, no decorrer do álbum as canções adquirem outras texturas desta dança insana que move a humanidade desde que sacanagem existe no mundo. Roupa Suja, não dá nem pra explicar. Tento, mas não consigo. Se tivesse existido antes, teria me poupado um bom tempo de terapia. "Vai ver se eu tô na China, não volte nunca mais!" teria resolvido tudo muito mais rápido. 


Sem contar que nada como o tempo para refinar o nosso gosto. O bad boy metido a besta que já cantou "Ir ao cinema é uma coisa normal, mas eu tenho que manter a minha fama de mau" ou "homem tem que ser durão", agora canta "Só pra não levar porrada/ Pra não pecar por distinção/Confundi elas por elas/Santas ou não". Para os inconvenientes do passar do tempo, existe uma pilulazinha bem acessível no mercado, agora para babaquice, meu bem... Não tem remedinho azul não! Só tempo e experiência, e olhe lá! Só adianta se bem aproveitada. Ele mesmo diz isso aqui

Eu, que geralmente assino embaixo quase todas as coisas loucas e sensatas que o Skylab escreve, tenho que discordar redondamente dele no que ele disse sobre Erasmo e Roberto*:

"Bem, como vocês todos sabem, o rei está muito bem conservado. Sua voz permanece cristalina, apesar da idade. É super exigente, não erra, e teve o bom gosto de escolher suas melhores músicas para o Maracanã. Ao contrário de Erasmo. O seu amigo de fé camarada está velho, careca, sem voz e parece doente. Quando o rei olhou seu amigo é como se tivesse deparado diante do espelho. Aquele par não apresentava uma homologia, havia uma discrepância. O par não combinava. O espelho refletia uma imagem diferente do rei, como se em lapsos de segundo, Roberto tivesse compreendido a máscara e o real. "

A Roda da Fortuna ainda gira para este Tremendão, que não sentou no trono dos seus clássicos, como tem feito seu amigo-rei há anos. Ele não parece estar fazendo esforço para ser contemporâneo, simplesmente tem sido.  Então eu, que não feito, mas que tenho escutado Sexo à exaustão, não vou me furtar de dizer o que o caro colega do Eu Ovo quis dizer e depois ficou se explicando: Sexo com o Tremendão é ótimo! Bom para o corpo e para a alma! 

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Rock Brasília

"É para um dia a gente contar a história da nossa turma."

Adoro histórias. Contá-las, ouvi-las. Uma, duas, dez, oitocentas vezes. A oralidade me encanta desde que me entendo por gente. Os causos do meu avô, as piadas da Dona Irene, do meu pai, as minhas próprias pataquadas da adolescência e início da idade adulta que adoro contar, recontar, rir delas quantas vezes me der vontade.  



Só por isso, já me conquistaria Rock Brasilia - Era de Ouro. Confesso que só não gostei muito desse subtítulo. É piração minha ou este "Era de Ouro" engessa o furacão que bagunça meus cabelos até hoje? Deve ser mesmo excesso de análise e opinião da minha parte. Vladimir Carvalho, em entrevista à TV Brasil,  fala sobre o processo de criação do documentário, que começou lá nos final dos 1970. Pegando carona na metáfora, ele estava no olho do furacão - era professor da UnB - e soube reconhecê-lo no momento. É por isso que Rock Brasília não tem cheiro de naftalina, com gente saudosa falando de um passado longínquo. Tá tudo na carne, hoje. O grito do Planalto Central ecoa em nossos ouvidos agora mesmo.



Tudo isso é a parte conhecida, é um pouco óbvio demais que eu gostaria deste documentário, sendo que não só Legião que fez minha cabeça, pele e nervos desde a adolescência. O surpreendente - ou pelo menos, desconhecido até então para mim - é a visão de dentro do furacão de momentos-chave de destas trajetórias,   como o fatídico show da Legião Urbana no estádio Mané Garrincha - onde um bando de antas brasilienses identificaram o status quo na figura do Renato e da Legião e os atacaram, literalmente. Não sei se consigo captar a dor que este engano causou em toda a sua dimensão, mas conheço muito bem o sentimento mais do que amargo de fazer o diabo para conseguir um lugar ao palanque, com a ingênua ideia de subverter a ordem com o microfone "deles" na mão e ser identificado como um aparelho do sistema. Gente burra, mais do que raiva, me dá medo.

E a pegada "Pais e filhos" do documentário não é nem um pouco forçada, afinal essa galera é mesmo filha da Revolução! Filhos de diplomatas, professores universitários, funcionários públicos, eles foram os responsáveis diretos por tudo isso, acenderam a banana de dinamite sem nem se dar conta disso. Quem mandou se mudar com a família para o meio do nada, com um bando de moleques loucos por música sem xonga nenhuma para fazer, bem no final da ditadura militar, com o punk rock pegando fogo na Inglaterra? Agradeço-os imensamente por isso!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Eric Clapton

Como se fosse a sala de casa!
Estive no show do Clapton no último dia 12. Antes eu me perdia em um milhão de coisas desnecessárias, como por exemplo, pegar set list do show antes, e depois, ler as críticas. Ah, as críticas. Larrosa tem razão: padecemos de excesso de informação e opinião. Geralmente, não se aproveita nem 10% do Festival de Bobagens que o povo fala e que a mídia veicula. 

Saca só: estávamos no show do Eric Clapton, conhecido como DEUS da guitarra. Não é rei, não é mestre, precisamente deus. Até eu, que sou falastrona, me calo diante de um deus. Mas sempre há um entendido para cuspir informação inútil. Diante de um solo nas primeiras do show, um ser me solta um: "Que feeling!" Não é uma das piores que eu ouvi na vida, mas dava para passar sem essa. Cala a boca e escuta, ô infeliz! 

Andaram reclamando que ele não fala com o público. Isso é coisa de gente carente e desavisada. Se querem um entertainer, que tentem os animadores de auditório. Há também shows de stand-up feito por pseudo-comediantes de péssimo gosto que só sabem fazer piada de gordo e loira de primeiríssima linha pululando a cada esquina. Eles animam à beça, ó!

Artista agrada com a sua arte, não fazendo sala. Depois de tantos anos com a guitarra em punho, para que falar? A guitarra fala, grita, geme, sussurra por ele, não é necessário mais nada. 



E ao final, as críticas. Graças ao Barbudão, dispensei essas muletas para construir meu gosto. Mas ainda me reservo a ingenuidade de me indignar. Dizer que Gary Clark Jr. - guitarrista que fez o show de abertura era ruidoso e exagerado é um pouco demais. Quer botar defeito no show, fala que o telão pifou, que não se achava o local para se retirar os ingressos porque a comunicação visual não estava comunicando nada,  e que por sua vez os funcionários não passavam nenhuma informação corretamente, que o preço das bebidas e comidas era extorsivo... São defeitos de verdade, nem é necessário inventar.

Este show poderia ter rolado num estádio de grande porte como o Morumbi ou num boteco obscuro. Poderia ser o deus da guitarra, ou um tiozinho inglês de 66 anos que toca um blues desde que se entende por gente. Não mudaria muita coisa. Num lugar daquele tamanho, e todo mundo tão catatônico (e quieto) que o áudio dos vídeos está perfeito - fora quando eu resolvi cantar Layla, mesmo rouca.

À parte todos os rótulos, o que fica é a música. Nada mais importa, para quem a ama de verdade. Só quem estabelece uma relação direta com ela, sabe do que estou falando. Coisa de viciado em grau máximo.

Para os que amam a música do fundo do seu baço é que eu dedico esta cambalhota! 

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Metaleira, eu?

Engraçado que algumas coisas passam e outras sobrevivem na vida sem pedir a sua licença. Pois é, até eu tinha me esquecido que gostava de Metallica. Banda que me remete a tardes vagabundas na casa da Carol e do Juninho, quando a gente passava horas e horas escutando o Black Album e outras pérolas noventistas, como o Dookie do Green Day, ou Melancholy and Infinite Sadness, do Smashing Pumpkins. Ou ainda sábados na casa da Priscila ouvindo os discos mais antigos do Metallica como o Master of Puppets ou And Justice for All. Mas nostalgia é uma gripe que não me dá mais. Não sinto saudade de mais nada, não lamento mais nada. Para que se apegar a tantas lembranças?


Não sei que milagre aconteceu para a Globo transmitir o show na íntegra, sem aqueles cortes horríveis que ela costuma fazer até em show do Brasa. Não sei que outro milagre ocorreu para eu assistir o show inteiro, sem dar uma cochilada sequer. Na verdade, eu sei. Foi um puta showzaço!


Aí me dei conta: Metallica é uma banda balzaquiana, só um ano mais velha do que eu. Nem no auge, nem decadente, na confortável posição de não ter mais que provar nada para ninguém. Fez umas bobagens na vida - o Load inteiro foi limado deste show sem fazer falta, e do Reload, só foi tocada a única música que presta, Fuel. Não abusaram de hits o tempo inteiro e fizeram um line-up não linear, o que eu gostei bastante. Prova de que o tempo que passa se mistura com o de agora, e ainda com o que está por vir. Não sei o que me espera, e que eu deixei para trás era excesso de bagagem. Viajante que se preza, só carrega o essencial.



No, je ne regrette rien! Só eu mesma para começar falando de Metallica e terminar com Piaf. E daí? 

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Ellington´s Song

Para quem, entre outras coisas, foi
Beata, roqueira, comunista, blogueira,
Heroína sentimental autoproclamada
(Ou talvez, só um arremedo cômico de tudo isso)

Não passar de uma garota
Alérgica aos cuidados que sua idade começa a pedir
É mais do que suficiente.
Das aventuras e trapalhadas,
O que ainda resiste, de maneira camaleônica,
É só esta retumbante, faraônica
Fome de vida.


Eu não quero comida, eu quero mesmo é a fome.

É o Enigma de Kaspar Hauser, outra vez.
No meio da madrugada,
Da vitrola brota um jazz.

segunda-feira, 21 de março de 2011

O Discurso do Obama

Ele não é gago nem rei, mas nem por isso o discurso do presidente dos Estados Unidos da América por aqui foi menos esperado. Eu nem estava acompanhando, estou na fase de pensar na morte da bezerra e no sexo das borboletas, mas hoje fui ler o tal discurso. Estivesse eu na minha fase engajada, pegaria ponto por ponto do que ele disse e ver o que é necessário fazer efetivamente para honrar tão aguardadas palavras, mesmo que eu até tenha feito isso no pensamento enquanto lia. Mas o fato que este textículo de hoje é mais uma rapidinha para se manter em atividade do que para elucubração política.


Fui ouvir Mr. President, da Janelle Monáe, pensando: será que ela e sua turma escreveram essa canção para ele? Nunca tinha feito a associação. Aí, fui ler a letra - meu listening ainda não é lá essas coisas - e pelo menos agora, foi exatamente esta leitura que eu fiz. Afinal, ele se tornou fato histórico por ser o primeiro presidente estadunidense negro, mas ele precisa fazer muito mais para se tornar uma lenda. E ao que parece, até agora quase nada, não? Dançar Single Ladies e matar uma mosca em um talking show é pouco ainda, dear Mr. President, assim como fazer omeletes na Ana Maria Braga não nos mostra a que veio a Presidenta Dilma (gente, eu acho horrível essa história de presidenta, parece, sei lá, governanta!  Em termos de gênero, prefiro os comum-de-dois, como poeta, por exemplo, em vez de poetisa.)

Legal é que acabei traduzindo Mr President. Mandei para a teacher corrigir, mas quem disse que aguento esperar? Lá vai: 

Mr. President
Esta canção é para minha mãe
Esta canção é para você

Ei, Senhor Presidente
Amanhã tenho que pagar meu aluguel
O combustível está acabando
Tenho lugares para ir
E eu não posso parar

Podemos falar sobre a educação das nossas crianças?
Um livro vale muito mais do que uma bomba a qualquer tempo
E lembre-se de olhar para a África
Quem vai trazer-lhes a cura antes que seja tarde demais?

O senhor não vê a dor nos olhos deles?
Tanta desesperança em todos estes rostos
Use seu coração e não seu orgulho
Não podemos seguir em frente fingindo

Por favor, senhor presidente
Onde está todo o dinheiro que gastou?
A comida está acabando
E eles não têm para onde ir 
Então, não me segure

Peço que tenha misericórdia de nós, pai
Você acha que sabemos das regras até então
Mas não podemos seguir iniciando guerras com corações cheios de ódio
A ganância por outras nações não vai melhorar as coisas
Ou aquietar os temores em nossos corações

O senhor não vê a dor nestes olhos,  desesperança em todos estes rostos?
Use seu coração e não seu orgulho
Não podemos seguir em frente fingindo

Caro Senhor Presidente
Espero que tenha recebido a carta que mandei
Um dólar vai embora tão rápido, não importa quem sejamos

Veja, viemos de diferentes mundos e lugares
Até que haja uma terra prometida, uma nação enviada por Deus,
Os tempos vão ficando difíceis
Precisamos de você como a um Moisés para conduzir seu povo
Por favor, tenha cuidado, esteja atento
Com o que você faz

Sobre Janelle, só tenho uma coisa a dizer: a neguinha é mesmo foda. Não se encontra clipe desta canção, só boas versões de anônimos. Esta aqui arrasou:



Boa cambalhota noturna, texticular audiência! Enjoy it!


sábado, 12 de março de 2011

Cisne Negro

"There are two tragedies in life. One is not to get your heart's desire. The other is to get it."*
George Bernard Shaw

"Estar pronto é tudo."
  Hamlet, ato V, cena II.


God save The Swan Queen!
O que dizer de um filme que já levou o Oscar, foi ovacionado pela crítica e que provalmente já foi destrinchado, dissecado, analisado por todo o tipo de gente?

Não vou dizer que este filme nasceu clássico, que a câmera dança junto com a Natalie Portman, que ela entrou definitivamente para o panteão das deusas do cinema. Sua beleza bastaria para isso, mas sua atuação é a coisa mais visceral que eu vi em toda a minha vida.

Este filme não é apenas sobre balé, ou como a perfeição atlética exigida das bailarinas pode levá-las à loucura. Também não trata somente do fio da navalha que há na intrincada relação entre intérprete e personagem.

Este filme nos encara profundamente e diz, sem rodeios: incorpore sua sombra, aquela parte obscura, selvagem, incontrolável que cada um carrega dentro de si. Acolha sua sombra ou será deglutido por ela. O que seria do bordado sem o seu avesso? Então, vire do avesso de vez em quando. Exiba-o. Ame-o. Orgulhe-se dele.

Ainda pensa que Bem vai vencer o Mal? Na vida real, eles são parceiros, babe. Um exalta o brilho do outro. Nunca ouviu falar em yin e yang? Acorda, Nina.



Isso, na verdade, é bem junguiano. Cisne Negro é o processo de individuação de Nina, ela tragicamente incorpora sua sombra a seu self. (Falei alguma besteira, psicólogos? Se falei, por favor, corrijam.) Todo mundo precisa passar por este dolorosíssimo processo. Nina leva o seu magistralmente às últimas consequências e não aguenta o tranco, afinal, era uma garota presa no corpo de uma mulher, como Olga  presa no corpo de um cisne.
Saí do cinema chapada, chapadinha. A coisa mais pesada que usei foi água com gás. Entre o milhão de coisas que se passaram pela minha mente, coração e libido, me lembrei de uma canção que eu escrevi há algum tempo e que sem um pingo de modéstia, adoro. Somente agora, tendo assistido ao Cisne Negro, entendi de fato o que ela queria me dizer:
 
"Permanecer na superfície
A todo custo evitando a descida aos infernos é besteira  
(...)
Trate de abandonar a utopia
De que o ser humano é inteiro sensatez
Perca o juízo de vez
(...)Solte os bichos"
...Solte os bichos. O que mais nos resta fazer?
  
*Há duas tragédias na vida. Uma é não conseguir o que nosso coração deseja. A outra é conseguir.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Movimentos aleatórios

É melhor jorrar as ideias tão logo elas aparecem. TM não é um grande meio de comunicação em massa, por isso que não dá certo fazer pauta. Simplesmente não é sua vocação - nem a minha, que nem jornalista sou.

O que ocorre é: acabei de ouvir o novo álbum do Radiohead. Frase do outro lado da parede:

"Sabe, eles são uns filhas da puta..."

E eu: "Manda matar!"

A minha resposta foi tão orgânica que entendi o tão falado nexo entre o assassino do John Lennon e O Apanhador no Campo de Centeio. Nunca tinha visto relação entre as duas coisas.

Thom Yorke, Ed O´Brien e sua trupe que se cuidem. Aff!



Boa cambalhota noturna para vocês!

domingo, 23 de janeiro de 2011

Summer Soul Festival

Nem sei se faz sentido falar do Summer Soul Festival uma semana depois, quando já saiu toda a sorte de críticas e resenhas sobre ele, com todos os lugares-comuns já explorados à exaustão.

O primeiro deles: o Mayer Hawthorne fez um show bacana, mas não empolgou. E deveria? Todo artista emergente com um mínimo de elegância não vai dar uma de Ivete Sangalo e querer que todo mundo já saia pulando no show de abertura. E vai do interesse do público também, que estava de fato marcando lugar para a hora do show da Amy. Para mim, ele foi ótimo: conversou com o público, tirou uma foto nossa e pediu pose, fez piada com o fato de ser desconhecido (contando que deu um autógrafo para o cara do aeroporto, confundido com o Tobey Maguire), e a música tem um balanço vintage que é uma delícia. As baladas têm uma cara de The Manhattans que tocariam no Love Line da Radio Cidade fácil, como "I wish I would rain". I love you, Spider Man!

O segundo: Janelle Monáe é uma diva em franca ascensão. Dããã! Esses críticos fazem observações muito perspicazes, hein? Até uma garota pré-balzaquiana com um blog laranja de título duvidoso já tinha cantado essa bola. Era a aposta da noite, e cumpriu o prometido. Sem chamar a atenção, sem tentar roubar a cena, com a elegância que só uma diva totalmente segura de si é capaz de ter. Ela faz um show meio como o Ney Matogrosso, entra no personagem e fica nele, totalmente concentrada. Não fica tentando animar o público como se fosse o Silvio Santos. Ponto para ela, nem precisava. Ela escolheu o filé do The Archandroid e mandou ver. O final com Come Alive foi apoteótico, com seu topete de retroescavadeira totalmente desmanchado. Apesar de tantas críticas e chavões, o comentário do Rafa sobre a Janelle foi definitivo: "Janellinha fez a lição de casa direitinho, hein?" A única coisa ruim foi que o show foi curtíssimo: 45 minutos não dá nem pra fazer cócegas, uma artista de mão cheia como essa baixinha merecia mais. Será que tinha gosto de "Volto logo" ? Pode ser.

O terceiro e principal: Amy fez um show morno. A gente é fã, mas não é idiota. Ninguém estava esperando que ela fizesse uma performance espetacular. Aliás, eu e a torcida do Curintia estávamos esperando muito mais um festival de bafões que um show de verdade, o que revela um certo sadismo por parte nossa. Mas a Amy tocou o foda-se e não deu o que o público que estava pedindo. Ela gosta de ser do contra e por isso  ela virou ícone, para o bem e para o mal. Agora, se ela resolveu surpreender poderia pelo menos fazer um  show que passasse do "Olha, eu ainda consigo cantar!" - não desafina, mas se perde nos floreios - e colocar um pouco mais de proximidade com sua própria obra. Era engraçado sua pose de diva que se economiza, como se não soubesse da sua decadência. Um tanto triste e poético, como seu olhar alheio e seus cabelos levemente movendo-se ao vento. A mídia e o público costumam ser cruéis com grandes artistas que tropeçam, logo, sua redenção provavelmente virá quando passar desta para uma melhor, tal e qual aconteceu com Elvis e Michael Jackson. Mas no caso da Amy, ela poderia pelo menos enxergar o apoio de uma plateia que topou pagar para vê-la, mesmo sabendo que ela não entregaria o seu melhor. Quem torcia por sua redenção, saiu do Anhembi convencido que ela precisa de muito mais, quem sabe uma ressurreição. Ressuscita, Amy!

Outras coisas passaram despercebidas da crítica, pelo menos não encontrei ninguém que comentasse: Miranda Kassin e André Frateschi, o casal Amy e Bowie, não conseguiam esconder que estavam felizes feito p no lixo abrindo o festival. A banda é muito boa, e fazem outros covers de clássicos do soul, já havia assistindo o show do Studio SP. Mas acabaram virando trilha sonora para a fila do caixa e da cerveja (Caaaaras, por sinal). E o show do Instituto foi bem bacana, achei melhor que o que eu vi no Contato de 2009, em São Carlos.

Pronto, já brinquei de crítica cultural hoje. Agora, o melhor de tudo isso: chegar em São Paulo e reencontrar os amigos. Como desculpa para isso, o Summer Soul foi excelente.

É para todos essa cambalhota, pessoal!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Summer Soul Festival 2011

Finalmente, Amy Winehouse fará shows no Brasil, em uma generosa turnê passando por quatro cidades - é, acho que é isso. Nem tão generosa, se formos pensar que a nossa Terra de Tupiniquins virou uma espécie de galinha dos ovos de ouro do mercado pop - aqui, o público é simpático e topa pagar caro até por Milli&Vanilli *  - é atração internacional, tamo dentro!
Bem que eu reconheci este topete...
Como sou fã, é claro que o show dessa adorável pinguça terá um sabor especial e que não vou perdê-lo por nada neste mundo. É claro também que ela virou uma sombra de si mesma, e ainda está se refazendo, mas eu tenho a sensação que estes shows da Amy por aqui serão como o show do Nirvana no Hollywood Rock - uma droga, mas mesmo assim, inesquecível.

Surpresas já estão acontecendo, em todo caso. Não conhecia as outras atrações que tocarão no Summer Festival, e caiu em meus olhos um clip da Janelle Monáe. Em poucas palavras, esta baixinha é fantástica, mermão. Algum guru escreveu em um comentário no Youtube, que Janelle é tudo que Lady Gaga não é e gostaria de ser. Apesar de gostar de LG, tenho que admitir que ela tem muito mais talento para publicidade que para a música, apesar de ser criativa.

...de algum lugar! Ghostbusters!
Intisgada com estes comentários, fui ouvir os álbuns da Janelle. Entendi o porquê. Som contemporâneo, mas que bebeu da fonte do melhor da música pop afro-americana. Produção e arranjos sofiscados, principalmente no mais recente, The Archandroid, com orquestras e samplers e temática teatral e futurista. Falar do timbre de voz, afinação e swing é chover no molhado. Que Beyoncé o quê.

And so it is, guys and girls. Aguardo ansiosamente a visita de Amy ao Brasil, torcendo que ela consiga sobreviver à caipirinha (de pinga, que é a legítima) e conferir de perto o show da irmã gêmea de topete do Egon. 

Para fechar, Janelle cantando a música preferida do Michael Jackson - Smile, tema do filme Tempos Modernos, do Chaplin. Dessa, nem eu sabia:



Piadinha tosca: Você se lembra do Milli&Vanilli?  Caso não se lembre, não perdeu nada.   


Essa cambalhota é para todos!

sábado, 30 de outubro de 2010

Curtinhas

Camões ou Quasímodo?
Sinto falta do OkComput3r. Sei, porém que o Vizinho tem motivos de sobra para ter dado uma parada com seus blogs. Hoje vi uma notícia que é a cara do blog em pausa da Vizinhança: Mulher mata o próprio filho enquanto jogava Farmville. Na ausência do OkComput3r para comentar este absurdo, TM tapa este buraco, mesmo que mal e porcamente: 

Pode parecer horrível o que vou dizer, mas o bizarro dessa história não está na mãe ter matado o filho e sim, o motivo (ou circunstância causadora, como quiser). Lamentável, mas isso é mais comum do que se imagina. Eu mesma acompanhei bem de perto uma investigação policial de um caso em que a mãe era a principal suspeita da morte do filho de três anos, e foi uma das experiências mais pavorosas da minha vida. É o mito de Medéia, mais antigo que o mundo. O feminino que nutre e gera vida também é capaz de matar. Mas por causa de Farmville, porra? Que graça tem ficar plantando alface e ordenhando vaca virtual? Vai trabalhar de verdade! Além disso: "O Farmville é um jogo perfeitamente simplista, ao ponto de qualquer criança o jogar. Não requer a mínima estratégia... mas este farrapo tinha dificuldades em se concentrar com o choro da criança e assim não conseguia jogar", diz um hipotético Rui. Sem mais, assino embaixo.

Nina Becker fez dois shows no Sesc Pompeia este mês. Até pensei em ir, mas me deu uma preguiça, como diria o Rafa. Não conheço profundamente a Orquestra Imperial e fala-se tanto do duplo álbum solo lançado por ela, que acabei ignorando um pouco. Joga-se tanto confete em pouca coisa, que às vezes eu sofro de um efeito contrário - quanto mais se fala, menos eu me interesso. O excelente Zuim Podcast publicou uma playlist da Nina Becker perto da semana em que aconteceria os shows, e estou a ouvindo só agora. Pensei que era um podcast dos trabalhos dela, mas na verdade, é uma colagem das suas influências, da fontes em que ela bebe. Puta caldeirão que vai de Waldick Soriano a Baden Powell, de Carmem Miranda a Doris Monteiro. Compartilho com Nina Becker uma sincera afeição pelas canções de dor-de-cotovelo mais descaradas, mais diretas, que não enfeitam o croquete para dizer o óbvio, sem sublimação. O que não as impede que tenham sofisticação, porém. E essa viagem  musical me fez lembrar um ilustre ex-colega de turma na facu, Ednaldo Freire: original é voltar às origens. Lembro também do Skylab, no texto mais curto e mais genial que ele fez para o Godard City: "olhem com desconfiança as músicas complexas. Atrás delas pode estar um gênio. Ou uma besta." Tô com ele e não abro. Então, este show da Nina ganhou o selo de Show Que Mais Me Arrependo De Não Ter Ido Na Vida. Que SWU o quê. 

E para terminar: este debate da Globo convence alguém? De tão descaradamente manipulado, Seu Francisco pergunta: "Será que eu me acho muito esperto ou o povo é que anda burro demais?" Uma drama Tostines para matar a pau esta semana pré-eleição-com-feriado. Como diria Bob Filho: este é meu pai!

É para todos esta tripla cambalhota! Bom feriado com eleição! Se der em você alguma vontade insana de votar no Serra, vá para a praia, pule sete ondas, ofereça presentes para Iemanjá, tome você mesmo um banho de mar e vote nulo!!!!

Notitas:

  • No exato momento em que terminei o parágrafo sobre a Nina Becker, o podcast acabou. Nada a ver, mas achei interessante.
  • Para quem não se lembra do Bibo Pai & Bobi Filho:

  • Bateu uma nostalgia também do comercial da Tostines:

sábado, 2 de outubro de 2010

Buraco da Memória

Para o Rafa, apesar de ele não gostar de Beatles

Lá estava ela outra vez, cutucando o que restou do esmalte. “Longo o caminho para casa neste ônibus...” E colocou o Álbum Branco para rodar no celular.

Voltou a pensar nas unhas. Tinha passado a noite anterior esfregando os azulejos da cozinha e acabara com elas. Acabou também com os ombros, ressuscitando uma bursite que se acreditava extinta. A dor maior, porém, não era esta.

Estava matando lembranças depois de ele ter ido embora de vez. Os azulejos eram as mais notórias. Impossível de se meter tudo numa caixa e esquecer. Mais pichados que trem da Central do Brasil, estavam cheio de mensagens e desenhos dos amigos. O local de expressão artística da casa por excelência, onde todos fumavam, conversavam, cozinhavam, bebiam. O ateliê e a vernissage ao mesmo tempo.

Agora nem um, nem outro: branco parede de hospital. Branco da caixa de Omo inteira que se gastou para fazer o serviço da polícia do esquecimento.

Ponderou antes, pensou em tirar uma foto antes de apagar. Desistiu: uma foto porca de celular só para minimizar a culpa seria ridículo. "Dignidade já!” Ou deixa-se como está, ou apaga-se tudo. Algumas lembranças vão permanecer por algum tempo. Depois começarão a sumir, escorregando pelo Buraco da Memória, lentamente.

Foi dormir sem pensar em nada, tinha até se esquecido que no dia seguinte estaria sem o carro. Gostou da ideia. "Chacoalhar no ônibus é um exercício filosófico". Poderia ler, ouvir música no fone, cochilar. Fez tudo isso até perder-se nos seus pensamentos a respeito da noite passada. Apagar indícios do passado também o elimina? Memória é mesmo subversão?

Todas as perguntas cessaram quando começaram os primeiros acordes de Martha My Dear. Chorou só uma lágrima, daquelas que caem rápido. Não a surpreendeu o seu peso. Carregava os azulejos, as lembranças, o Álbum Branco, o ônibus, tudo.

O Amor virou impessoa... Silly girl.

domingo, 15 de agosto de 2010

Urbana Legio Omnia Vincit

Dedicado à minha irmã Renata

1980 e alguma coisa, com 5 ou 6 anos, uma música tocava na rádio e frases soltas ficavam ecoando, dançando na minha mente. Falava de pais, filhos, de amar sem amanhã. Não consigo precisar quanto tempo isso me consumiu, mas eu já estava impressionada com a letra e nem sabia disso.

Anos depois, a professora de português da 8ª série leva logo esta música para a gente analisar! Professora Miyoko, gente boníssima, me emprestou o CD, a essa altura eu já era fã da banda. No ônibus, lendo o encarte, um garoto mais ou menos da mesma idade me aborda: "Ei, você é fã de Legião?"

"Fã? Não. Doente. D-o-e-n-t-e!"

Ficamos amigos: ele tinha banda, eu escrevia. Dois roqueirinhos deslocados em salas lotadas de gente besta e insensível, cada um na sua escola, eu estudando no Derville, ele no Cedom. A gente passou a pegar o mesmo ônibus, depois, perdemos contato e nos reencontramos um ano depois, eu acho. Rolou uma paixonite aguda adolescente, lógico. Meio torta, enviesada. Como conseguir gostar de dois ao mesmo tempo? "Flávia, tô com medo. Longe de você, tenho medo de mim mesmo." Respondi: "Sete Cidades!" Foi o único beijo. "Se eu ao menos conseguisse me salvar, Lu... Não tenho como ser sua heroína..." Depois ele sumiu, como se tivesse sido somente uma viagem minha.

Meu Deus, são tantas lembranças!  Essa banda passou feito um rolo compressor pela minha vida, e sei que não sou a única. O dia em que o Renato morreu eu tenho inteiro na minha mente. Dois dias antes do meu aniversário de 14 anos, de manhã, eu tinha ido ao shopping escolher meu presente de aniversário, um tênis - em tempos de dureza extrema, usei até o bicho se desintegrar. Chegamos em casa, ouvi a notícia no rádio. "O quê??????" (Lembrem-se, ninguém sabia que ele estava doente.) Fui para escola de cara amarrada, o Gil, meu amigo, com a mesma cara. "Com tanta porcaria, morrer logo ele! Que merda!" Peguei o ônibus, mais que rápido para dar tempo de ver o Jornal Nacional. Só estava a Cris em casa, ela nem tinha se casado. No dia do meu aniversário, todo mundo aqui, até o padre legiãomaníaco que tinha acabado de chegar na paróquia. Todo mundo meio passado, cantamos Perfeição. Estranho, os bons morrem antes.

Durante a minha fase de perda de identidade, parei de ouvir Legião, sem deixar de gostar, claro. Voltei a ouvir em 2007, aninho desgraçado, cheio de perdas. E fui recuperar logo essa parte da minha vida! Comprei o primeiro álbum da Legião, o meu preferido, 10 conto nas Americanas. Sorvi no volume máximo, como sempre Dado, Bonfá e Renato recomendaram. O especial de TV Por Toda a Minha Vida do Renato também foi um marco na minha história, porque tomei consciência dos sonhos parados no meio do caminho, de que precisava voltar à minha essência, a ser aquilo que eu sempre gostei de ser. Para que ser certinha, se gosto da perturbação? Ver a Aninha, Chiquinho, Tio Nico e Seu Fernando partindo cedo demais aumentou meu desepero. Não temos tempo a perder. Se parar pra pensar, na verdade, não há. Ruuuuuuuuuuuuuuun, Forrest, ruuuuuuuuuuuuun! Não cheguei, mas tô correndo.



Semana passada, Gazela chamou a gente para assistir ao monólogo Renato Russo, em cartaz desde 2006. Como gostei da atuação do Bruce Gomslevsky no especial de TV - ele não interpreta, praticamente recebe a entidade, além do que ele naturalmente se parece muito com o Renato -  fui achando que era tiro certeiro, como bala que já cheira a sangue. De fato, foi, mas ainda havia surpresas. As soluções cênicas para resumir em duas horas uma vida de 36 anos controversa, cheia de poesia, conflitos e descobertas foram brilhantes e a produção é irretocável.

Não é só nostalgia. Legião Urbana e Renato Russo não fazem parte do meu passado. Fazem parte do meu DNA, até o fundo do osso. Ver a peça só fez aumentar essa certeza.

I´ve got you under my skin, Renato. Always, always, always. Forever.

Urbana Legio Omnia Vincit!


Ps: Renata, essa é pra você, minha irmã: UrbanaLegio...GiovannaBaby????? Kkkkkkkkkkk...

sábado, 7 de agosto de 2010

Vênus de Milo



Expressionista

Eu distante,
Sou tão mais interessante
Quando à boca da noite
Você não me vê dormir.
Com este ronco barulhento,
que chega a ser nojento
De tão anti-estético que é.

Eu distante,
Tenho a pele bem mais macia
Quando me torno retrato na parede.
Muito mais quando minhas mãos,
Ásperas como o quê, tocam as suas.

Eu distante,
Consigo ser bem mais importante
Do que estas ideias toscas sobre a vida.

Eu, que não sou nenhuma Vênus de Milo,
Não tenho talento nem para ser estátua.
Por, favor, me toque.


Veja o resto da cena de The Dreamers aqui

sábado, 17 de julho de 2010

Besta é tu

Na estreia oficial do In-pessoa, o já antológico "Live at Forest´s House - Tormenting the Neighborhood", aconteceu um negócio curioso, sem deixar de ser corriqueiro. Folheando a Rolling Stone deste mês, cai nas mãos do Renato a reportagem sobre "o melhor disco da música popular brasileira", o Acabou Chorare (Novos Baianos, 1972). E ele desce a lenha, não exatamente no disco, mas nessa mania de pegarem de tempos em tempos alguma banda brasileira para Cristo, não para crucificar, mas para fazer de O Novo Messias da MPB.

Concordo com o Renato - é um verdadeiro porre esses críticos disfarçados de Indiana Jones o tempo todo caçando o tesouro da música brasileira, quando na verdade, ninguém devia levar muito a sério estas listas. Podem ter algum fundo de razão, mas eleger um único disco como representante da brasilidade musical equivale a procurar agulha no palheiro. Lembro de coisas tão distintas quanto Chega de Saudade (João Gilberto), Elis e Tom e Da Lama ao Caos (CS& Nação Zumbi) serem alçados a este posto.

Aliás, faz algum tempo que desisti do rótulo MPB. Como todo rótulo para arte, é arbitrário e reduz mediocremente o que tenta rotular. Olha só: música brasileira pode ser samba, choro, coco, maracatu, carimbó, xote, manguebeat, guitarrada, lundu, maxixe, fora os ritmos vindos de fora e incorporarados ao nosso repertório e a infinidade de ritmos nacionais que ficaram de fora destas linhas. E MPB, o que é? Chico, Caetano, Gal e Betânia. E o rock brazuca dos anos 80, não é Música, Popular e Brasileiro? E essa "nova MPB"? Colocar Maria Gadu ao lado de Chico Buarque na mesma prateleira é uma coisa tão esdrúxula que só o Nelson Motta mesmo para fazer e tentar nos convencer que é jóia! Troféu Joinha para ele.

Mas não deixo de adorar o Acabou Chorare, tanto que graças à reportagem da RS e o desabafo nervoso do Renato, eu lembrei de baixar para matar a saudade. Em 2005, assisti no SESC Pompeia a um show que reproduzia o álbum na íntegra com gente muito diferente tocando junto, o que literalmente botou abaixo a plateia do teatro. Todo mundo desceu das cadeiras e caiu na dança!

Antológico, divertido, e ainda honrou o original. Direção musical de Rômulo Fróes. A Baby fez o papel de testemunhar que toda aquela loucura aconteceu de verdade um dia, e até esqueceu um pouco das suas crentices. Lanny Gordin, genial guitarrista, fez as vezes de Pepeu, já que foi seu primeiro mestre. Davi Moraes, que também foi morador daquele sítio lisérgico, representou o pai Moraes Moreira. Lampirônicos exerceram a função da Cor do Som, o conjunto dentro do conjunto. Elza Soares e Luiz Melodia também estavam lá.

Quem ouvir somente o disco, ignorando o blá-blá-blá da crítica, com certeza vai gostar. Simplesmente porque é vibrante, alegre, criativo. Tem raízes brasileiras, mas também é rock n´roll, como em Um Bilhete para Didi. Gosto do timbre jovem e anti-virtuosísitico da então Baby Consuelo em Tinindo Tricando e A Menina Dança, da delicadeza de Acabou Chorare, da doideira de Mistério do Planeta e Swing de Campo Grande. Também tenho uma ligação sentimental com Preta Pretinha, porque lembra meu apelido de criança, Preta. (No caso, meus cabelos.)




Imagino que quando essa galera maluquete se reuniu, eles não pretendiam genialidade. Nesse ponto, todas as bandas (pelo menos as bacanas de se ouvir) são iguais: só querem saber de tocar e se divertir. Quem coloca a vontade de ser aprovado antes da vontade de fazer música, se lasca. O reconhecimento, da crítica ou do público, vem como acréscimo.


Então, um grito para a crítica: Besta é tu! Deixem as pessoas saborearem sem análises prévias!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Perdeu, playboy

Ninguém gosta de perder, é evidente. Mas, como ensinam os layr-ribeiros por aí, vamos pensar positivo, acertei meu palpite: Brasil pararia nas quartas-de-final. Apostasse eu num bolão teria ganhado. Fué!

Copa do Mundo em ano de eleições presidenciais é totalmente providencial - no mesmo ano em que se escolhem também os governadores e cargos legislativos - aqueles em que as pessoas geralmente não se lembram em que votaram, mas sem se furtar a achincalhá-los de uma maneira totalmente ineficente a cada vez que um deles aparece com dinheiro de propina em cuecas, meias, bolsas, panetones e congêneres. Ou quando vira purpurina, como Clodovil.


Lamentavelmente só agora, as pessoas vão se lembrar disso, até porque o quarto poder vai tirar o foco da Copa do Mundo e voltar-se para as eleições. Mais previsível que um pênalti com paradinha, é fácil cantar essa bola, mas é sempre bom lembrar. Daniel teve o cuidado de dar essa alfinetada mesmo antes de a Copa começar. Rita Lee, no ano de 1998, alfinetou a farofada em torno da Copa com uma canção inteligente e sapeca e acabou sendo profética. A França que o diga:





Fica o refrão: A gente explode se for campeão, depois se f*** na eleição! Melhor o contrário. Nunca é tarde para virar o jogo, não é mesmo, Holanda?

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O Universo Bufônico de Lady Gaga

Bufão reconhece outro bufão, mesmo a quilômetros de distância. É uma espécie de irmandade o negócio. Algo como a Maçonaria, a Internacional Comunista, sei lá.

Bufões jamais são minimalistas, tudo é exagero. Ou é muito magro, ou muito gordo. Ou é anão ou é gigante. Se não tiver nenhuma protuberância, falta-lhe uma parte do corpo. Não sendo nada disso, pode ser um excluído da sociedade, como mendicantes, putas ou bêbados. Ou somente um serzinho deslocado na galhofa. "Não tenho par nisto tudo neste mundo"...

O universo bufônico não está à parte desse mundo cão. "Os bufões estão à nossa volta. Inspirem-se neles!" - postula o Mestre dos Bufões, Jorge Didaco. Depois disso, vejo bufões a topo tempo. Onde as pessoas veem somente mais um esquisito, eu encontrei mais um bufão para me divertir e me fazer companhia.

Todos têm um bufão na alma, é questão de encontrar. E a experiência para quem encontra é doidíssima: aquele ser é você e é outro. A Susi tem muito da Flávia, a Flávia se exagera na Susi. As duas se necessitam e não se contrapõem.

Stefani Germanotta é Lady Gaga, disso todos já sabem. E o contrário, é também? Há quem diga que ela montou a personagem para entrar com os dois pés na porta no mundo pop, como entrou. Isso parece muito óbvio quando se vê seus clipes, seus figurinos amalucados e atitudes idem. Agora o mais engraçado é que ela está colocando cada vez mais a Stefani na LG. No último sábado saiu no Youtube, uma nova canção da doida, digo, da diva, em que todos disseram que é a melodia é muito mais orgânica, quente, sedutora, totalmente diferente do pop chiclete que tem mostrado. E é, de fato muito mais autêntica, com uma performance ao piano bem rock n´roll, endemoniada.


Em um dos comentários, algum gagaólogo proferiu: "não sei qual é a surpresa, antes de criar a LG, era esse o estilo com que ela se apresentava por aí, é só colocar 'Stefani Germanotta' no Google que vai aparecer." O gagaólogo tinha razão. Desde muito tempo ela mostrava maturidade na composição, segurança na performance, enfim, estava pronta faz tempo. E o bufão já estava lá.



Feinha, nariguda, meio magrela, cabelos "pretos como piche" - segundo ela mesma, uma deslocada, que se trancava no banheiro e copiava makes de estrelas hollywoodianas. Já era um ser estranho. Lady Gaga só veio para dilatar a garota esquisitinha, mas cheia de talento e decisão. Mais montada que dez drag queens juntas, tem o poder de se desmontar e remontar como bem entende.

Olhando por esse ângulo, ela não é tão doida quanto parece. Aliás, é capaz de uma lucidez que só os bufões são capazes de ter. Eu não disse que bufões se reconhecem? Ora pois, se não.

Só pra terminar: Uuuuuuuuuuuuuuh! Lady Gaga!