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domingo, 27 de maio de 2012

Poéticas da Dança IV - Fome de tudo

Faz tempo, mas vou tirar o atraso da série do Poéticas. A líder do bando gostou do último textículo, então não vou largar para lá a ideia de texticular com os encontros do Poéticas.

No feriado de 21 abril, fomos assistir ao espetáculo (performance?) Kikar, do coreógrafo israelense Nir de Wolff.


Não sabia quase nada a respeito sobre Nir de Wolff e sua companhia, a Total Brutal.  Por isso  fiquei bem satisfeita ao perceber que consegui juntar o lé com cré do processo de criação com o que é visto em cena - parte do trabalho do arte-educador é este, sabe? As características do trabalho do coreógrafo citadas na reportagem do Metrópolis (que só assisti agora para escrever este textículo retardatário) ficam evidentes na performance: o resultado é carregado - por vezes incômodo - visceral, poético. 

Quando a fome surge retorcendo o estômago e a alma, não se vê mais nada na frente. Kikar significa algo como praça em hebraico, lugar público, ponto de encontro. E o espetáculo é um encontro de várias fomes - saudade, carência, desejos, necessidades - transita por todas elas, torna-as públicas, expõe a dor da ausência. Este para mim é o maior incômodo de Kikar: confrontar-se com a própria fome. Não é possível que não se tenha nenhuma: se você está vivo, está faminto.


Enquanto não se mata a fome, a gente saliva sonhando com a hora do banquete. A condição humana passa por este território nebuloso, onírico. O sonho é uma realidade em si mesma, não é somente um porvir. Sweet Dreams are made of this. Who am I to disagree? Eu que não me atrevo, que vivo com o estômago roncando.



É para todos os parceiros e parceiras do Poéticas esta cambalhota faminta! Everybody is looking for something. Quando eu encontrar eu aviso. 

domingo, 11 de março de 2012

Poéticas da Dança I -Living on the edge!

Sim, faz mais de um mês que começaram as aulas e a professorinha está correndo mais que queniano na São Silvestre. 

Há duas semanas começou a segunda fase do Projeto Poéticas da Dança, do Grupo de Pesquisa em Dança, Estética e Educação (GPDEE) do Instituto de Artes da Unesp. A primeira tarefa para o Grupo A foi registrarmos da maneira que quiséssemos como nós estávamos com nosso corpo no deslocamento da casa pro trabalho, nas tarefas cotidianas, na sala de aula e quaisquer outras coisas que quiséssemos contar. 

Como estou fazendo muitas coisas ao mesmo tempo, como tanta gente neste mundo, a única palavra que veio a minha mente foi CANSAÇO. Físico, e também emocional: cansada das mesmas coisas, dos mesmos tratamentos, dos mesmos modos engessados de ver o mundo. De saber que não se é nenhuma Leila Diniz, mas de acabar se sentindo como se fosse, de tão encaretada que está a vida, disfarçada de moderna. 

Até comecei um registro esparso das coisas, gostaria de contar (não só mostrar) aos parceiros e parceiras de viagem algumas coisas sobre a minha (re)descoberta do corpo, mas uma folha A4 com a única palavra que bastava expressava muito mais. Este olhar parece pessimista, mas é o contrário: não jogo a toalha nem a pau! 

Depois fomos convidadas a escolher outro diário de bordo, escolhi o da Bianca, várias linhas paralelas pontilhadas e em cima estava escrito: CORDA BAMBA. Descobri que o cansaço vem daí, eu gosto mesmo é de viver na corda bamba!

Os ombros suportam o mundo
Depois as pessoas se juntaram a partir dos trabalhos que escolheram. Grata surpresa foi a Marília. Também está cansada, aquela Barra Funda cheia de gente é tão anti-poética!  A partir desta discussão, a proposta era criar uma cena corporal que trouxesse à tona estas questões. Aí eu descobri que não tenho sequer metade da força que preciso, mas que tenho que criá-la de algum jeito. Chega um tempo que o cansaço é tamanho que é maior o peso dos ombros sobre o mundo! Mas Marília se mostrou muito mais resistente, aguentou o peso do mundo sobre os ombros muito mais do que eu!

Só a partir deste momento que surgiram as referências que ajudam a contar esta história, algumas deixo para vocês aqui:

Os Ombros Suportam o Mundo
Carlos Drummond de Andrade

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Reunião: 10 livros de poesia. Rio de Janeiro, José Olympio, 1975, p. 55




Se não desisti em 2004, vou desistir agora? 
 Em breve, mais Poéticas da Dança! Esta cambalhota é para vocês!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Ecce Homo

Bem que eu devia desconfiar daquele cara. Não obstante seu visu grunge que para mim ficou perdido lá nos 90 e alguma coisa, ele implicou com os bichinhos que aparecem no meu relógio digital. Disse que aquilo não parecia um canguru. É muita neurose. Comprei o relógio para ver hora, porra, não para ver canguru. Foda-se se não se parece com um. 

Lembrei-me disso numa hora bem à toa dentro do metrô, tentando trocar o canguru-que-não-se-parece-com-um-canguru pela data de hoje. Passamos mais horas dentro do metrô do que dentro do motel. E quanto mais cara de bunda você fazia por dar de cara com mais um motel lotado, mais eu ria. Nestes momentos, babe, tanto estoicismo não serve para nada: ou se tem um plano bê, pensando rápido, ou não se tem. E você não tinha. A vitória do senso prático sobre a abstração racionalista. Rá!

Saí correndo do metrô e antes de chegar ao meu destino, dei uma passada no Rei do Mate. Bem à minha frente, um copo do Romero Britto de brinde. Não aguento mais Romero Britto na minha frente. Arte Pop vendável piorada do caralho. Aí me deu vontade de rir mais ainda do que eu tinha rido da cara da recepcionista do motel barato: você detesta Romero Britto. Carne-de-vaca, você diria. 

Sabe que, se eu estivesse com tempo, até levaria um daqueles copos para você de presente? Só para ver sua boca entortando a esbravejar contra a banalização da Arte, assim, com um solene “A” maiúsculo. Só para você se recordar que é mais ordinário que aquele copo. Só para você saber que eu sou mais carne-de-vaca que todas as telas do Romero Britto juntas, e no entanto, você comeu. 

Logo, não adianta fazer cara de quem comeu e não gostou, porque você comeu, simplesmente comeu. Sem hibridismo, confluência ou contemporaneidade, pensando com o pau como qualquer um, tão carne-de-vaca quanto eu. 
Ecce homo.

domingo, 20 de março de 2011

Lope

" Eu quero tudo!"
Lope de Vega




Assisti a esse filme ontem no Unibanco da Augusta, depois de ter visto o cartaz no Unibanco da Pompeia e não ter conseguido assistir porque já tinha saído de cartaz por lá. Fora os oscarizados e as boas animações 3D, são os filmes mais babacas que sustentam a audiência das salas de cinema de shopping - o cinema do Bourbon é uma exceção, também apresenta opções que fogem do blockbuster. Logo, um filme que ficou pouquíssimo tempo em exibição no cinema de um shopping deveria ser no mínimo interessante. Gazelita descobriu que ainda havia sessões rolando no Unibanco da Augusta e a gente se mandou para lá. 
Na verdade, não foi só um instinto anti-mainstream que me atraiu para assistir Lope. Lope de Vega é um dos maiores dramaturgos da história do Teatro, tanto em volume de trabalho - já que escreveu feito louco -  quanto por suas inovações em termos de dramaturgia e encenação. Eu não conheço a sua vastíssima obra em profundidade (e a professorinha de Artes Cênicas deveria, né?). Mesmo que neste tipo de filme tenha quase sempre injetada uma boa dose de ficção, eles sempre ajudam a entender o contexto histórico do período em que criou,  suas referências estéticas, a atmosfera da época. Shakespeare in love fez a mesma coisa pelo Bardo e levou Oscar, quem sabe Lope não leve também no próximo ano.

Qualidade de produção para isso o filme tem. É uma co-produção Brasil-Espanha, com Andrucha Waddington na direção, Selton Mello e Sonia Braga no elenco. O único filme que eu tinha assistido dele foi Eu, Tu, Eles, que é ótimo e totalmente diferente em temática de Lope.

O início é cozido em fogo lento, quase parece monótono. Na verdade, é sua intrincada trama sendo urdida aos poucos. Quando o circo está armado por completo, aí é que fica bom. E ele literalmente pega fogo. Lope é a personificação do artista subversivo, audacioso e intempestivo, que arranja confusão com meio mundo porque não aceita se vender por pouca coisa,  mesmo que estivesse tão ferrado a ponto de vender o almoço para comprar o jantar;  habilidoso com a pena e com a espada, não leva desaforo para casa e adora se meter - literalmente - com a mulher errada. E elas adoram - afinal, ele as enlouquece com seus românticos sonetos e seus calorosos amassos. (Sem uma sacanagem, a história de um poeta louco de amor seria simplesmente inverossímil. Fosse eu uma donzelinha madrilenha em meados do século XVI, teria dado pra ele fácil, fácil. Ninguém é de ferro, né? Eu menos ainda.)

Moral da história: nem só de Almodóvar vive o cinema espanhol,  nem só de Globo Filmes vive o cinema brasileiro.

domingo, 13 de março de 2011

Penélope

Passado o carnaval,
É hora de pendurar a fantasia.
Penélope, seu destino é esperar.


Com os olhos voltados para o mar,
Enquanto urde suas tramas,
Seu Ulisses está de volta.

Meu vestido está pendurado ali.
Esticado nas estacas do sono, do sonho
Em tudo que faço

Para não perder o juízo, enquanto você não chega.
E para pôr todos os bichos à solta,
Assim que cruzar esta porta.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Valsa quaternária

Duas Flávias, duas Fridas.

Uma, completamente partida,
A outra, uma fortaleza.

Uma, manda prender e manda soltar,
A outra, deixa rolar.

Uma amou até perder o juízo,
A outra, sabe lá o que é isso!



Uma se perde em mil elucubrações,
A outra, primeiro atira para depois perguntar.

Uma delas até acha que o destino tem as suas razões,
A outra, não quer nem saber, detesta esperar.

Uma, matriarca europeia e altiva,
A outra, latina e subversiva.

Uma cortou os cabelos em sinal de revolta,
A outra cortou só pra dar uma volta.

Uma é o bordado e o avesso
A outra, fez questão de esquecer seu endereço.

Cara de uma, focinho da outra.
Cuspida, escarrada,
De corpo e alma lavada.

Duas Flávias, duas Fridas:
As duas serão verdade, as quatro serão mentira?

Sei não, pouca diferença isso faz.
Tudo é meio que uma coisa só.
                                                  

27/02/2011.

domingo, 15 de agosto de 2010

Urbana Legio Omnia Vincit

Dedicado à minha irmã Renata

1980 e alguma coisa, com 5 ou 6 anos, uma música tocava na rádio e frases soltas ficavam ecoando, dançando na minha mente. Falava de pais, filhos, de amar sem amanhã. Não consigo precisar quanto tempo isso me consumiu, mas eu já estava impressionada com a letra e nem sabia disso.

Anos depois, a professora de português da 8ª série leva logo esta música para a gente analisar! Professora Miyoko, gente boníssima, me emprestou o CD, a essa altura eu já era fã da banda. No ônibus, lendo o encarte, um garoto mais ou menos da mesma idade me aborda: "Ei, você é fã de Legião?"

"Fã? Não. Doente. D-o-e-n-t-e!"

Ficamos amigos: ele tinha banda, eu escrevia. Dois roqueirinhos deslocados em salas lotadas de gente besta e insensível, cada um na sua escola, eu estudando no Derville, ele no Cedom. A gente passou a pegar o mesmo ônibus, depois, perdemos contato e nos reencontramos um ano depois, eu acho. Rolou uma paixonite aguda adolescente, lógico. Meio torta, enviesada. Como conseguir gostar de dois ao mesmo tempo? "Flávia, tô com medo. Longe de você, tenho medo de mim mesmo." Respondi: "Sete Cidades!" Foi o único beijo. "Se eu ao menos conseguisse me salvar, Lu... Não tenho como ser sua heroína..." Depois ele sumiu, como se tivesse sido somente uma viagem minha.

Meu Deus, são tantas lembranças!  Essa banda passou feito um rolo compressor pela minha vida, e sei que não sou a única. O dia em que o Renato morreu eu tenho inteiro na minha mente. Dois dias antes do meu aniversário de 14 anos, de manhã, eu tinha ido ao shopping escolher meu presente de aniversário, um tênis - em tempos de dureza extrema, usei até o bicho se desintegrar. Chegamos em casa, ouvi a notícia no rádio. "O quê??????" (Lembrem-se, ninguém sabia que ele estava doente.) Fui para escola de cara amarrada, o Gil, meu amigo, com a mesma cara. "Com tanta porcaria, morrer logo ele! Que merda!" Peguei o ônibus, mais que rápido para dar tempo de ver o Jornal Nacional. Só estava a Cris em casa, ela nem tinha se casado. No dia do meu aniversário, todo mundo aqui, até o padre legiãomaníaco que tinha acabado de chegar na paróquia. Todo mundo meio passado, cantamos Perfeição. Estranho, os bons morrem antes.

Durante a minha fase de perda de identidade, parei de ouvir Legião, sem deixar de gostar, claro. Voltei a ouvir em 2007, aninho desgraçado, cheio de perdas. E fui recuperar logo essa parte da minha vida! Comprei o primeiro álbum da Legião, o meu preferido, 10 conto nas Americanas. Sorvi no volume máximo, como sempre Dado, Bonfá e Renato recomendaram. O especial de TV Por Toda a Minha Vida do Renato também foi um marco na minha história, porque tomei consciência dos sonhos parados no meio do caminho, de que precisava voltar à minha essência, a ser aquilo que eu sempre gostei de ser. Para que ser certinha, se gosto da perturbação? Ver a Aninha, Chiquinho, Tio Nico e Seu Fernando partindo cedo demais aumentou meu desepero. Não temos tempo a perder. Se parar pra pensar, na verdade, não há. Ruuuuuuuuuuuuuuun, Forrest, ruuuuuuuuuuuuun! Não cheguei, mas tô correndo.



Semana passada, Gazela chamou a gente para assistir ao monólogo Renato Russo, em cartaz desde 2006. Como gostei da atuação do Bruce Gomslevsky no especial de TV - ele não interpreta, praticamente recebe a entidade, além do que ele naturalmente se parece muito com o Renato -  fui achando que era tiro certeiro, como bala que já cheira a sangue. De fato, foi, mas ainda havia surpresas. As soluções cênicas para resumir em duas horas uma vida de 36 anos controversa, cheia de poesia, conflitos e descobertas foram brilhantes e a produção é irretocável.

Não é só nostalgia. Legião Urbana e Renato Russo não fazem parte do meu passado. Fazem parte do meu DNA, até o fundo do osso. Ver a peça só fez aumentar essa certeza.

I´ve got you under my skin, Renato. Always, always, always. Forever.

Urbana Legio Omnia Vincit!


Ps: Renata, essa é pra você, minha irmã: UrbanaLegio...GiovannaBaby????? Kkkkkkkkkkk...

sábado, 7 de agosto de 2010

Vênus de Milo



Expressionista

Eu distante,
Sou tão mais interessante
Quando à boca da noite
Você não me vê dormir.
Com este ronco barulhento,
que chega a ser nojento
De tão anti-estético que é.

Eu distante,
Tenho a pele bem mais macia
Quando me torno retrato na parede.
Muito mais quando minhas mãos,
Ásperas como o quê, tocam as suas.

Eu distante,
Consigo ser bem mais importante
Do que estas ideias toscas sobre a vida.

Eu, que não sou nenhuma Vênus de Milo,
Não tenho talento nem para ser estátua.
Por, favor, me toque.


Veja o resto da cena de The Dreamers aqui

sábado, 17 de julho de 2010

Besta é tu

Na estreia oficial do In-pessoa, o já antológico "Live at Forest´s House - Tormenting the Neighborhood", aconteceu um negócio curioso, sem deixar de ser corriqueiro. Folheando a Rolling Stone deste mês, cai nas mãos do Renato a reportagem sobre "o melhor disco da música popular brasileira", o Acabou Chorare (Novos Baianos, 1972). E ele desce a lenha, não exatamente no disco, mas nessa mania de pegarem de tempos em tempos alguma banda brasileira para Cristo, não para crucificar, mas para fazer de O Novo Messias da MPB.

Concordo com o Renato - é um verdadeiro porre esses críticos disfarçados de Indiana Jones o tempo todo caçando o tesouro da música brasileira, quando na verdade, ninguém devia levar muito a sério estas listas. Podem ter algum fundo de razão, mas eleger um único disco como representante da brasilidade musical equivale a procurar agulha no palheiro. Lembro de coisas tão distintas quanto Chega de Saudade (João Gilberto), Elis e Tom e Da Lama ao Caos (CS& Nação Zumbi) serem alçados a este posto.

Aliás, faz algum tempo que desisti do rótulo MPB. Como todo rótulo para arte, é arbitrário e reduz mediocremente o que tenta rotular. Olha só: música brasileira pode ser samba, choro, coco, maracatu, carimbó, xote, manguebeat, guitarrada, lundu, maxixe, fora os ritmos vindos de fora e incorporarados ao nosso repertório e a infinidade de ritmos nacionais que ficaram de fora destas linhas. E MPB, o que é? Chico, Caetano, Gal e Betânia. E o rock brazuca dos anos 80, não é Música, Popular e Brasileiro? E essa "nova MPB"? Colocar Maria Gadu ao lado de Chico Buarque na mesma prateleira é uma coisa tão esdrúxula que só o Nelson Motta mesmo para fazer e tentar nos convencer que é jóia! Troféu Joinha para ele.

Mas não deixo de adorar o Acabou Chorare, tanto que graças à reportagem da RS e o desabafo nervoso do Renato, eu lembrei de baixar para matar a saudade. Em 2005, assisti no SESC Pompeia a um show que reproduzia o álbum na íntegra com gente muito diferente tocando junto, o que literalmente botou abaixo a plateia do teatro. Todo mundo desceu das cadeiras e caiu na dança!

Antológico, divertido, e ainda honrou o original. Direção musical de Rômulo Fróes. A Baby fez o papel de testemunhar que toda aquela loucura aconteceu de verdade um dia, e até esqueceu um pouco das suas crentices. Lanny Gordin, genial guitarrista, fez as vezes de Pepeu, já que foi seu primeiro mestre. Davi Moraes, que também foi morador daquele sítio lisérgico, representou o pai Moraes Moreira. Lampirônicos exerceram a função da Cor do Som, o conjunto dentro do conjunto. Elza Soares e Luiz Melodia também estavam lá.

Quem ouvir somente o disco, ignorando o blá-blá-blá da crítica, com certeza vai gostar. Simplesmente porque é vibrante, alegre, criativo. Tem raízes brasileiras, mas também é rock n´roll, como em Um Bilhete para Didi. Gosto do timbre jovem e anti-virtuosísitico da então Baby Consuelo em Tinindo Tricando e A Menina Dança, da delicadeza de Acabou Chorare, da doideira de Mistério do Planeta e Swing de Campo Grande. Também tenho uma ligação sentimental com Preta Pretinha, porque lembra meu apelido de criança, Preta. (No caso, meus cabelos.)




Imagino que quando essa galera maluquete se reuniu, eles não pretendiam genialidade. Nesse ponto, todas as bandas (pelo menos as bacanas de se ouvir) são iguais: só querem saber de tocar e se divertir. Quem coloca a vontade de ser aprovado antes da vontade de fazer música, se lasca. O reconhecimento, da crítica ou do público, vem como acréscimo.


Então, um grito para a crítica: Besta é tu! Deixem as pessoas saborearem sem análises prévias!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Wanna be startin´somethin´

É curioso ver algo que não aconteceu. É e não é ao mesmo tempo. Assistir ao This Is It ontem na televisão me causou esta impressão.

Michael Jackson's This Is It in HD



Trailer Park Movies Vídeo do MySpace


Um relato sem palavras de uma produção de grande porte e nível técnico é um prato cheio para qualquer apaixonado por música. Com ensaios, audições, marcações de palco, montagem de cenários, luzes e figurinos à exposição, o prato torna-se ainda mais saboroso. É o que realmente me encanta na arte: o caminho, o processo criativo. Justamente por ser algo que já é sem ser.

Assistir a este making-off que acabou se tornando a própria obra me deixou ainda mais inquieta, como se eu naturalmente já não fosse. Como se eu já não estivesse pensando há algum tempo em sonhos, projetos, planos ou coisas que poderiam ter acontecido, mas não aconteceram, como essa não-turnê.

De todas essas coisas, as que mais me inquietam são as que mostram uma possibilidade de acontecer. As que poderiam ter acontecido e não aconteceram, felizmente, perderam a importância. (Até mesmo This is it: não fez diferença não ter sido concluída, porque a morte do ídolo fez justiça à sua obra, como fez a outros artistas. Ele vale mais agora morto, do que decadente e endividado, tentando se reerguer, como estava vivo.)

O que me causa um buraco no estômago são as coisas boas que posso e quero fazer, que ficaram para trás com a correria dos últimos anos. Mesmo que ainda seja jovem, a sensação é de estar aos 45 do segundo tempo sem direito à prorrogação. Não é pouca a dificuldade de parar com uma vida toda de elucubração e partir para a ação, ou melhor, para o ataque. A hora é mesmo agora. Tanto que nem esperei o fim do documentário para escrever este textículo.

Wanna be startin´something!





quinta-feira, 27 de maio de 2010

Raro caso de abdução

Fui abduzida. Totalmente retirada deste universo, durante os aproximadamente 7 minutos da Ária das Bachianas Brasileiras nº5, a Cantilena, na voz de Bidu Sayão. Engraçado, que abduções musicais raramente me acontecem com a música chamada erudita ou orquestral, pelo menos com gravações. (Sempre achei que nada substitui assistir uma boa orquestra ao vivo, se você estiver numa sala de concertos de acústica formidável como a São Paulo, é capaz de sentir a vibração da música até nos ossos, é uma experiência transcendental para quem ama música e a escuta até pelo fígado, como eu. E existe gente assim aos montes, felizmente.)





Mas estamos falando de Villa-Lobos, então essa discussão sobre ser ou não música erudita, de concerto, o que seja, é pura bobagem. A obra que ele deixou não conhece fronteiras entre popular e erudito, virou até lugar-comum dizer isso. Conheço ainda pouco sua obra - muito aquém do que todo brasileiro devia conhecer até de trás pra frente - e até então admirava, mas já não admiro mais. Hoje, passei a amá-la. Também, como todo brasileiro poderia amá-la, do fundo da alma, de verdade, caso conhecesse com propriedade.

É incrível como poucas pessoas sabem de fato quem foi esse compositor brasileiro admirado e executado em todo o mundo. Como já observou o caro colega ex-famosp, dar o nome de Villa-Lobos, para parques e shoppings é pouco e 50 anos após a sua morte, sua obra sequer foi catalogada ainda.

Pelo menos eu estou fazendo minha parte de professorinha de Artes. Passei a semana lendo o Crianças Famosas do Villa para a molecada das quartas séries. E está fazendo sucesso. A primeira pergunta - Prô, tem a ver com o Parque Villa-Lobos? Fazer esta associação já é um começo. Quisera eu ter ouvido Villa ainda criança e na escola!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Mr. America

A esta hora já devem jorrar resenhas e postagens sobre a exposição Andy Warhol - Mr. America, porque ela está totalmente coerente com o artista que ela retrata - mais pop, impossível. Mas quem disse que a Garota Clichê vai resistir e andar contra a corrente?

Confesso que estava ansiosa para ver os originais da série das latas de sopa Campbell´s e dos retratos da Marilyn Monroe. Então, na última quarta, assim que saí da Sala São Paulo, tive a "brilhante" ideia de ir até a Pinacoteca para ver a exposição. "Mas aos sábados a entrada é franca...", pensei. "É, mas nada paga o prazer de circular pelas salas vazias da exposição em plena tarde de quarta-feira...", respondi a mim mesma. Ódio extremo e absoluto ao saber que a exposição não está na Pinacoteca e sim na Estação Pinacoteca, ex-Memorial da Liberdade, sediado no antigo prédio do DOPS, que se tornou um anexo da Pinacoteca do Estado. Detalhe: este prédio fica DO LADO da Sala São Paulo, onde eu estava. Pensa então, na minha cara de tacho...

Estando lá dentro e com três míseros reais investidos nisso, não desisti e dei uma olhada nas exposições da Pinacoteca. E curti vários Portinaris sorvidos lentamente. Só mudou o artista, oras! Não tinha me enganado por completo. Museu deserto é uma delícia, ainda mais com Portinari.

De qualquer maneira, sábado estaria de volta à Sala São Paulo e visitei a exposição do Andy na hora do almoço, para honrar a viagem perdida de quarta.

Sempre gostei de pop art e não me lembro com exatidão quando entrei em contato com as obras do Andy pela primeira vez, só ficou gravado na memória um grafite da Tomato Soup, da série Campbell´s numa parede do Tendal da Lapa. Será que ainda está lá? Não sei, só espero que os grafites deste lugar não tenha sido tragados por paredes bege cor-de-repartição pública. Eca.

Achava que isso não aconteceria, mas a exposição me trouxe surpresas. Por exemplo, não sabia que o artista era religioso - católico ortodoxo e segundo os textos da exposição, seus refúgios foram sempre a igreja e as salas de cinema. Também desconhecia que a morte estava entre seus temas recorrentes. As famosas serigrafias do rosto da Marilyn Monroe foram feitas após a morte da atriz, já transformada em mito trágico, sem contar a série das Cadeiras Elétricas, dos Most Wanted Man, com os criminosos mais procurados da América e Car Crash: Death and Disaster Series, retratando acidentes de carro cheios de lata amassada e gente morta no asfalto. Engana-se quem pensa que Andy se contentava só com glamour e celebridades.


Na verdade, sua obra parece bem contraditória, quase conflitante. Entre autorretratos, latas de sopa, nuvens prateadas e artistas de cinema, há alguma coerência? O fato é que ele não estava preocupado em ser coerente com coisa alguma. Ele dizia apenas retratar o universo a seu redor e não se considerava crítico da sociedade norte-americana. Mas o que e como mostrar implica sim em crítica, no sentido mais puro da palavra. O olhar de Andy sobre a America que ele dizia amar era naturalmente subversivo, sem levantar bandeiras. Polêmico sem fazer força.

Mesmo sua fixação pela beleza e pelo narcisismo tem outra face. "Quando pessoas e civilizações se tornam degeneradas e materialistas, elas sempre apontam para sua beleza externa e riquezas, e dizem que se o que elas estivessem fazendo fosse errado, elas não estariam tão bem, tão ricas e bonitas. Mas beleza e riquezas não tem nada a ver com o quão bom é você, é só pensar em todas beldades que tiveram câncer. E muitos assassinos são bonitos, então isso resolve a questão."

Ele olhou para a "beleza americana" com reverência e deboche ao mesmo tempo. "Be a somebody with a body!"¹

Marlene Dietrich dizia que na América o sexo é uma obsessão e no resto do mundo, é um fato.² Para Andy, não é nem uma coisa, nem outra. "Sex is an ilusion. The most exciting thing is no making it"³. Um de seus filmes é intitulado Blow Job (boquete) e o que mostra não é óbvio ou surpreendente, fica entre as duas coisas.

Andy também se sairia um ótimo analista: "A fonte dos problemas das pessoas são suas fantasias, se você não tivesse fantasias, você não teria problemas, porque você aceitaria qualquer coisa que estivesse na sua frente. Mas aí, você não teria romance, porque romance é encontrar sua fantasia em pessoas que não são sua fantasia..."

Apesar do mundaréu de gente, me diverti bastante com a exposição, porque a criança contente aqui estava aproveitando para brincar com seu brinquedo novo, fazendo anotações no Bloco de Notas do smart, já que tirar fotos é proibido. Isso até o negócio empacar e eu me irritar, sem saber porque aquela joça não funcionava. Só depois que eu percebi que o limite de caracteres tinha acabado. Andy riria desse besteirol tecnológico, todo mundo está colocando sua vida nessas coisinhas de plástico, que por mais inteligentes que pareçam, ainda não aprenderam se fazer entender.

É chavão que Andy Warhol estava a frente do seu tempo, só por causa daquela frase idiota que qualquer pessoa teria 15 minutos de fama no futuro - ele disse frases muito mais espirituosas. E a unanimidade - burra, como diria Nelson Rodrigues - só celebra essa frase porque ela se tornou uma profecia, em um tempo de Big Brothers, orkuts e facebooks para todo mundo expor sua vida à exaustão, chegando, muitas vezes ao ridículo. (Se há dúvidas, olhe blogs como Pérolas do Orkut ou PGA, ou ainda as fotos da Geisy pré-bafão na Uniban. Se queriam aparecer, conseguiram!). Mas o que Andy retrataria em sua obra, se vivo estivesse agora? E se vivesse no Brasil? Saí de lá com essas perguntas na cabeça. Tenho alguns palpites:

a) Casal Nardoni com julgamento cinematográfico (Popular, você é popular...)
b) Ronalducho Fenômeno
c) Barack E Michele Obama
d) Lixo tecnológico
e) Canções de uma palavra e uma nota só cantadas por apenas uma parte do corpo, como créus, rebolêixons e merdas parecidas
f) Cantoras de axé que se acham, tipo Claudia Milk e Ivete Frangalo. Alguém ainda aguenta ver a cara delas?

E por aí vai. Apareçam na exposição e façam suas apostas!

Andy Warhol - Mr. America. De 23 de março a 23 de maio na Estação Pinacoteca. Aos sábados, entrada franca.

Portinari na Coleção Castro Maia. De 10 de abril a 06 de junho de 2010 na Pinacoteca do Estado. Aos sábados, entrada franca. (A exposição que eu vi na quarta passada)


Notes:
1- Seja alguém com um corpo.
2 - In America sex is an obsession, in other parts of the world it is a fact.
3 - Sexo é uma ilusão. O mais excitante é não fazê-lo.

domingo, 20 de setembro de 2009

Che 2 - A Guerillha

No último domingo, assisti à Che 2 - A Guerrilha e gostei, mais do que o primeiro. Gosto da estética naturalista do filme, com uma ação lenta, focada na marcha da guerrilha e não nos combates, quase sem triha sonora, com iluminação natural. Benicio del Toro é um Che Guevara sem afetação nenhuma, acertou na mosca em interpretar o líder revolucionário de uma maneira humana, sem pesar para o lado do heroísmo, mesmo assim, mostrando o grande caráter do guerrilheiro.

Essas características estão nas duas partes do filme, é óbvio, mas no primeiro filme chega uma hora em que a ação se arrasta e na segunda parte isso não aconteceu, apesar do ritmo da ação ser exatamente o mesmo.

É triste você ver na sua frente uma história que você conhece bem, sabendo que o final foi desastroso. Não é nada catártico ver o fim de Ernesto Che Guevara na sua frente. Primeiro porque é História - com H maiúsculo, não tem aquela de respirar aliviado no fim porque era mentirinha, como na tregédia clássica grega. Segundo porque sabemos qual é a implicação de não termos tido uma revolução popular na América Latina. Tivemos uma série de ditaduras militares ao longo do século XX que criaram feridas que ainda não fecharam, e duvido que vão fechar, porque sempre aparece uma contrarrevolução para estancar este processo. Honduras que o diga, e isso é sim, problema nosso. O mais estapafúrdio é a justificativa para esse golpe: preservar a democracia (?!). E como um Maquiavel ao contrário, digo que pouco importam as supostas causas nobres para os fatos, e sim os métodos totalitários adotados pelo regime golpista, como por exemplo, sitiar a embaixada brasileira em Tegucigualpa, onde o presidente deposto Zelaya se encontra.

Revoltante que no caso da presença de Che na Bolívia, o próprio partido comunista de lá se opôs, não queriam estrangeiros no seu ninho e abertamente boicotaram a ação. Não sei se foi ingênuo ou corajoso da parte de Che crer que todos eram tão internacionalistas quanto ele, porém quando ele poderia sentar o traseiro em um gabiente como o segundo homem mais importante da Revolução Cubana, ele começou tudo de novo. O que prova, para mim pelo menos, que ele não estava interessado em poder e sim na transformação deste mundo de fato.
Mesmo sabendo de tudo isso, não conseguia de repetir um bocado de vezes para mim mesma, até cochichando, sozinha no cinema, que eu preferia uma revolução latino-americana triunfante, do que a figura do herói morto, tatuada na minha mente.
Depois de tudo isso, foi no mínimo indigesto sair da sala escura e dar de cara com um shopping. Não consegui tomar nem um milkshake.

domingo, 16 de agosto de 2009

Prenez Soin de Vous

Pensei que nunca mais falaria nisso, mas a exposição Cuide de Você, da artista plástica francesa Sophie Calle, botou o assunto Cartas na roda outra vez.

Lembro que eu tinha dito que a minha carta de amor era inentregável, mas não impublicável. O bruto destinatário da carta a leu no blog, onde um monte de gente pôde ler também, alguns saberiam do que tratava, outros não. Sophie fez o caminho inverso. Recebeu uma "entregável" - não de amor, mas de rompimento, não-publicável na visão do remetente e por não saber o que fazer com aquilo, a jogou no mundo, literalmente.

A atitude de Calle é, sem dúvida, surpreendente, é até lugar comum dizer isso. Mais surpreendente ainda é o que ela fez com a carta, quer dizer, as mulheres convidadas por ela para interpretar sua mensagem. De mediadora de conflitos familiares a uma papagaia, passando por uma atiradora e uma dançarina de Bharata Natian, teve de um tudo. A carta foi estripada, virada do avesso. Mas ninguém foi mais certeira que a adolescente, num SMS: "Ele se acha!" (Bruna, essa é pra você. Graças à sua postagem, quando cheguei a exposição, a "opinião" da adolescente foi a primeira que eu procurei lá, hehe.)

Mas... porque só mulheres? Seria um complô feminista? O causador da exposição crê que sim, pelo menos ele disse coisa parecida em entrevista ao Metrópolis durante a FLIP deste ano. Quando vi a exposição, não vi feminismo nenhum, todas examinaram a carta com uma neutralidade quase científica e devolveram-na em outro nível. Só mulheres poderiam fazer isso, afinal, quem recebe um óvulo fecundado no útero e o transforma num novo ser humano? A metáfora é pobre, admito - mas "X" só fez doar o semên. A vários óvulos.

Nota totalmente útil:
http://www.sophiecalle.com.br/ - A exposição está no SESC Pompeia até 07 de setembro.
http://blog.sophiecalle.com.br/ - Transforme sua experiência em Arte. Eu vou mandar o meu trabalho também.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Piada amywinehouseana pronta 2.0

Essa chegou até mim através do Vizinho, que ficou impressionado com a frase de Lupicínio Rodrigues: "As mulheres que mais me chutaram foram as que mais me fizeram ganhar dinheiro". Pois é, amizade, agora nem se vingar de um fora com arte você pode mais, tem que dar comissão para o (a) infeliz que te fez sofrer. É mole?



"O ex-marido da cantora Amy Winehouse, Blake Fielder-Civil, estaria prestes a pedir indenização à artista por ter sido usado como inspiração para músicas.

Blake deve pedir uma indenização de 6 milhões de libras (equivalente a R$ 19 milhões), de acordo com o site do jornal britânico News of The World.
No processo ele deve usar argumentos envolvendo os problemas que teve com Amy.O disco "Back to Black", responsável pelos sucessos de Amy, foi escrito no período em que os dois estavam em crise e envolvidos em boatos de traição.
"Amy escreveu Back to Black quando Blake a deixou, mas qual o motivo para ela dar algo para ele por tê-la deixado mal?", indagou uma amiga da artista ao jornal.
Já Winehouse adiantou dizendo que não pretende dar nem um centavo ao ex-companheiro.

"É mole? Mas sobe, ora essa! :
Estava caçando imagens da Amy para colocar no textículo, mas não deu, a bicha tá feia demais. Em compensação, achei uma preciosidade cômica: os antepassados brasileiros de Winehouse.
fubap.org/vladivostok/tag/amy-winehouse/
Imperdível!

sábado, 18 de julho de 2009

Um Bonde Chamado Desejo

Todo mundo já pegou este bonde, eu por pouco não me esmaguei nele, descendo ladeira abaixo. Tenessee Williams mostrou que pegar este bonde pode ser trágico, mas não se desiste dele. Tomei uma overdose desse cara nos últimos tempos.

Assisti a Gata em Teto de Zinco Quente (com um Paul Newman lindo e uma Liz Taylor deslumbrante), e como nunca tinha lido sua obra mais célebre, resolvi dar uma conferida na peça e comprei uma edição barata de bolso de Um Bonde Chamado Desejo e no último domingo, encontrei o DVD da versão cinematográfica deste texto a um preço módico, cujo título em português sei lá por qual motivo se tornou Uma Rua Chamada Pecado. O título original (A Streetcar Named Desire) é a cara do texto, achava mais justo uma tradução literal. Depois eu vi que muita coisa do original foi mudada, para escapar da censura, e que a mudança do título é um fato mínimo em relação a mudança da gênese do conflito da protagonista.

Quando se assiste a um filme baseado em um livro que já foi lido, geralmente a preferência é pela obra original ou a gente lê o livro depois de ter visto o filme e percebe que o filme não é tão bom quanto o livro - li O Diabo Veste Prada e descobri que Andrea Sachs não era aquela tonta com a cara da Anne Hathaway. No caso de Uma Rua Chamada Pecado, mesmo com as perdas em relação original, isso não aconteceu. Adorei o filme. Talvez porque o roteiro foi assinado pelo próprio Tenessee Williams e o diretor foi o mesmo da primeira montagem - Elia Kazan, com o elenco teatral em peso, exceto a protagonista, no filme vivida pela Vivien Leight, que também interpretou Blanche no teatro, só que em Londres (alguém lembra da Scarlett O´Hara, de ...E o Vento Levou ? Então, é ela alguns anos mais velha, mas uma atriz ainda sensacional que correspondeu exatamente à imagem que fiz da quase-doida Blanche DuBois enquanto lia o texto da peça).
O brucutu Stanley Kowalski é um caso à parte. É mau-caráter, nojento, semi-humano, mas está no corpo (e que corpo!) do Marlon Brando, interpretando seu personagem com uma fúria impressionante. Morre-se de ódio e de tesão por este cara.



Este DVD é um verdadeiro achado: duplo, no primeiro disco apresenta o filme em sua versão integral, contendo as cenas cortadas para o filme não ser condenado pela Legião da Decência(Pensou sacanagem? Foi só o olhar decidido da Stella antes de correr para seu marido depois de ter tomado uns sopapos do próprio e o blues quente que toca ao fundo no primeiro contato de Blanche e Stanley, simbolizando uma tensão sexual entre os dois) e o segundo, com extras sobre a montagem teatral, o teste de Marlon Brando para Um Rebelde Sem Causa (para o personagem que se tornou antológico com James Dean), detalhes sobre a censura e os takes não utilizados para o filme.

Fui totalmente tragada pelo filme, chorei mais de uma hora pelo trágico destino de Blanche Dubois e perdi uma rara tarde de ócio com este DVD de Informações Especiais. Não sou cinéfila, só ando louca por cinema ultimamente. :P

Gostou? Morra de inveja:
Uma Rua Chamada Pecado, 1951. Dir: Elia Kazan. Com Marlon Brando, Vivien Leight, Kim Hunter e outros.
Um Bonde Chamado Desejo, de Tennesse Williams. Tradução de Beatriz Viégas-Faria. L&PM Pocket, 2008.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Viva Boal

É incrível como a gente fica desinformado quanto mais a gente tenta se informar. Ainda há perigo de se enlouquecer com a quantidade absurda de informação inútil que a gente recebe. Nessa semana, deliberadamente fiquei sem assistir TV, sem acessar a internet, nem ouvindo rádio. Abri meu e-mail só na quarta-feira e só aí descobri que Augusto Boal, gênio do teatro brasileiro, diretor e dramaturgo, criador da metodologia do Teatro do Oprimido, havia falecido no sábado.

Como Villa-Lobos, Paulo Freire e outros gênios brasileiros, o trabalho de Boal é mais conhecido lá fora do que em terras tupiniquins. Sou formada em Artes Cênicas e garanto que o que sei sobre a metodologia do Teatro do Oprimido consegui aprender por fora*, porque falou-se muito pouco sobre o trabalho de Boal durante a minha formação, alicerçada no método de teatro-educação de Viola Spolin e Ingrid Koudela.


Quando um desses morre fico com medo, porque não tem gente fazendo arte da mesma envergadura que esses caras. Os renovadores do teatro brasileiro são todos da geração do Boal e continuam na vanguarda: Zé Celso, Abu, Antunes, José Renato. Boal e Gianfrancesco Guarnieri já foram ter com o Barbudão. E aí, quem vai quebrar as estruturas e renovar o que agora é consagrado? A Arte vive disso. De quebrar estruturas, sempre.


Digo isso porque tenho certeza que Boal será sempre lembrado e mais, seu trabalho continua, através do Centro do Teatro do Oprimido. Além disso, a gente precisa de outros trabalhos tão revolucionários quanto. Mas como isso vai acontecer, se vivemos cercados de gente alienada, burra e reacionária o tempo todo? Nunca se teve tantas fontes de informação, e nunca fomos tão burros para não aproveitá-las. Tá vendo como eu tinha razão?


O Teatro do Oprimido faz parte do meu relicário de lembranças adoradas, daquelas que a gente vai ver a importância anos depois, como o clipe de No Surprises no sofá da casa do Daniel.


Em 2002 eu fiz um curso ministrado pelo MST e pela Unicamp, no campus da mesma universidade e que foi puro risco, apesar de não ter participado de nenhuma ocupação. Eu estava com 19 anos, nunca tinha viajado sozinha e pouco sabia sobre o que ia fazer lá, só sabia que representaria o Mire, movimento do qual participei até 2004. Este evento correu em paralelo com o Fórum Social Mundial em Porto Alegre e contou com a participação de alguns feras como José Arbex Jr., João Pedro Stedile, Plínio de Arruda Sampaio, e alguns políticos, quando o PT ainda era oposição. Era gente do Brasil inteiro, um monte de sotaques, gente jogando capoeira, dançando todas as noites. Foi uma experiência maravilhosa. E foi lá, numa tarde de sábado, que fiz uma oficina de teatro com gente do CTO, porque o MST usa a metodologia do teatro do opimido. Depois participamos de uma sessão. Quem já participou, sabe: a representação acontece até o momento do conflito, quando se chama a plateia para resolvê-lo como acha que poderia ser. Eu, como toda minha cara-de-pau do mundo, fui. Nessa época, nem no meu devaneio mais maluco, imaginava que cursaria uma licenciatura em Artes Cênicas.


Minha militância (nem sei se fui militante mesmo, porque nunca arrisquei minha pele de fato) durou até 2004, ano que colocou a minha vidinha de pernas pro ar. De repente, todo aquele discurso pareceu estranho, e fiquei cansada. Não via mais motivo em militar, então simplesmente parei. Não foi fruto de uma decepção ou coisa parecida, aliás, minhas posturas políticas nunca mudaram.


Isso foi uma coisa muito estranha que nunca entendi direito. Na verdade, destes anos para cá, tenho vivido como uma "pequeno-burguesa que só pensa em si mesma", primeiro ralando para me formar, depois para conseguir um emprego minimamente decente. Então, era como se minha vida fosse dividida em duas partes totalmente diferentes. Agora sinto estas duas partes se unindo, sinto outra vez estas cócegas revolucionárias, devido a este escabroso cheiro de ditabranda no ar, suave, mas incômodo, que só eu e uns poucos "privilegiados" podemos sentir.

Não estou mais interessada em militância nem nas suas instituições, que dançam conforme a música do jogo político. Descobri que um militante pode não ser subversivo, e que não precisa haver militância para haver subversão, talvez algum engajamento. Subversão é o que me interessa. Isso com certeza, Augusto Boal foi. Um subversivo de mão cheia.

Notas inúteis:
* O CTO vai prestar uma homenagem a Augusto Boal nesta sexta-feira, se existe algum leitor de textículos no Rio, por favor, vá por mim. E se alguém souber de alguma homenagem a ele aqui na Terra da Garoa, por favor, me avise. Minhas bolas voltam para a esquerda, gente!!!
*Um de seus livros que eu li foi "O Arco-Íris do Desejo - Método Boal de Teatro e Terapia", da Editora Civilização Brasileira.

domingo, 3 de maio de 2009

Machado Skylábrico

Falta agora pouco menos de meia hora para a Virada Cultural acabar, e já rendeu bons frutos, como por exemplo, a minha vontade de matar as antas organizadoras do evento (o transporte estava uma bosta completa, mais do que nos outros dias do ano), tanto que já estou aqui texticulando sobre.

A gama de opções era tanta, mas tanta, mas tanta... que acabei indo em um evento só e perto de casa, o que não me impediu de dar uma volta pelo centro da cidade para ver o que dava pra aproveitar. Como estava tudo muito lotado, fui ao CCJ ver o Zé do Caixão e o Rogério Skylab, este último não conhecia até então, e garanto que já não vivo sem ele, hahaha.

Zé do Caixão não decepcionou, mas é muito difícil ser mito, então a surpresa da noite foi o Skylab. Sua obra é marcada pelo grotesco e pelo bizarro, não só exatamente pelo horror. Rola também uma sacanagem e um gosto pela escatologia também. Como o terror me diverte, acho que nunca dei tanta risada, perto dos muros do cemitério da Cachoeirinha, nem quando eu e a velha guarda íamos para lá tomar uns porres à meia-noite. Hoje, fui caçar informações do meu novo ídolo e sex simbol (sua reboladinha só não é mais gostosa que a do Ney) no Oráculo, obviamente.

No seu blog, descobri que ele abordou um tema que já há algum tempo me instigava, mas ainda não tinha compartilhado com a minha Seleta Audiência. Quem já leu Dom Casmurro, que não é meu caso, sabe que Bentinho deixou um soneto que só tem o primeiro e o último verso, deixando o miolo para ser preenchido por um leitor desocupado. Eu fiz o tal soneto, como um treino, já que nunca consegui obedecer métrica, número de versos, estrofes, e também pelo fato de nunca ter gostado dessa poesia romântica, fofinha. E vi que Skylab também o fez, totalmente ao seu estilo pós-vanguardista. Vi que isso era um sinal dos deuses para veicular o tal soneto. Primeiro vai a minha versão:


Soneto que Bentinho não fez


Ó, flor do céu! Ó, flor cândida e pura!
Suas pétalas exalam frescor de doçura
Ao ver-te, esqueço-me das mazelas
De não ter o teu amor, nem as estrelas

Do céu, que nos permite somente vê-las,
Como quem deseja os amores de uma donzela
E desvendar os mistérios da sua candura,
Impossível de penetrar na realidade mais dura.

O choque entre verdade e ilusão escancara
A fragilidade da pétala arrancada
Da flor do meu sonho, que a vida me roubara.

Por vencido não me dou, que a história inda não é acabada,
Pois o desejo de fato nunca falha.
Perde-se a vida, mas ganha-se a batalha!

E o do Rogério:

Oh! Flor do céu! Oh! Flor cândida e pura
às margens de um córrego
cheio de esgoto.
O adubo que te alimenta,

te fez crescer.
Flor do brejo,
onde crianças são desovadas:
é aqui teu habitat.

Floresces em meio às fezes,
epidemias e corpos mutilados.
Tua haste delicada, tuas pétalas,

foram forjadas no inferno.
Será assim teu epitáfio:
Perde-se a vida, ganha-se a batalha.

E isso é só a ponta do iceberg... Até que estou bem, para quem detestava blogs com poesia. Se eu soubesse que participariam, até relançaria o desafio machadiano à minha seleta audiência, mas acho que esse Machado Skylábrico matou a pau, quer dizer, a machadadas, quaisquer tentativas que se façam de escrever este soneto novamente.

Beijo do Bozo!

Textículo jorrado em 03/05, 18h13.

domingo, 19 de abril de 2009

Abril Pro Rock*

Não só pro Rock, mas também, pro soul, jazz, choro, MPB... Aproveitando a onda de bons shows em 2009, o mês de abril segue fodástico. Sem grandes shows (em porte, que fique bem claro), como o do Radiohead ou do Ney - sorvidos sem vão receio no mesmo fim de semana - neste mês, estou aproveitando ótimos shows nos Sesc´s da cidade, coisa que faço com assiduidade, dado o excelente custo-benefício da coisa. Todos, evidentemente, mereceriam textículos à parte, mas para deixar a audiência texticular salivando, resolvi contar todos em uma talagada só.

Época de Ouro e Nó em Pingo D´água (Sesc Vila Mariana, 11/04/2009): Comprei para ver o Época de Ouro, antológico conjunto de choro fundado por nada menos que Jacob do Bandolim. Hoje, o único da formação original é o Jorginho do Pandeiro, mas o grupo mantém a tradição do chorinho de corte clássico, diferente do Nó em Pingo D´água, grupo carioca já das antigas, mas que faz um choro mais experimental e até pop. Deu até vontade de voltar a estudar violão só pra tocar choro. Detalhe que neste palco em 2004 vi o mestre Sivuca tocar, já bem velhinho e doente, mas não menos endemoniado com seu acordeão. Vi também o Mawaca e a Fernanda Porto neste palco. Deu saudade, viu. Mais um show antológico entrou para esta coleção.

Ed Motta (Choperia do Sesc Pompeia, 17/04/2009): Show há muito tempo aguardado, porque sei que é um evento raro. Várias vezes já ouvi o Ed Motta falar em entrevistas que prefere ficar compondo no estúdio do que fazer turnê e talz. Então, a Bozo de Calça Roliça aqui achava que seria um show sei lá, intelectualizado. Que nada, um show de Stand-up Comedy não seria tão engraçado. O Ed é um adorável doidão, como um nerd que viaja careta e falou de um tudo: desde taxistas que confundem as músicas dele com as do seu tio, Tim Maia, até questões de altíssimo cunho filosófico como: "Por onde estará Stevie Wonder?" E é claro, ele e sua banda tocaram, por assim dizer, pracaralho. A-do-rei! Passei por um doce dilema na noite desta sexta: meus amigos e companheiros de banda, Zé e Forrest estavam num show do Scandurra na mesma hora e tinham me chamado também. Só não fui porque as entradas do show do Ed estavam compradas há umas duas semanas pelo menos. Não obstante os apuros passados (meus pais quase foram barrados no baile por suas carteirinhas do SESC estarem supostamente vencidas e os meninos "roubaram" a mesa de um noia em um boteco nas imediações do Clube Berlin, onde aconteceu o show do Scandurra), essa sexta foi no mínimo fecunda, em matéria de bons shows.

Lô Borges e Milton Nascimento (Teatro Paulo Autran, Sesc Pinheiros, 18/04/2009): Não sei se o Lô Borges foi genial ou fez uma cagada em chamar o Milton Nascimento para fazer parte de seu show, porque todo mundo foi lá para ver o Milton. Apesar de a-m-a-r as músicas do Lô Borges, eu tava a fim mesmo era de ver o mestre, porque Milton Nascimento É uma lenda viva da música brasileira. Show perfeito, mesmo com a rasgação de seda mútua entre Milton e Lô. Como era um show de mineiros, eles contaram uma série de causos, até de sapos cantores acompanhando "Para Lennon e McCartney", com o Milton regendo o coro de anfíbios. (Mas eu e o Zé chegamos a conclusão que eles deram é uma bela lambida nas costas de um cururu para ter uma viagem dessas.) Durante o show, passei por vários momentos em que abri minha boca à la Didi Mocó, porque foi um clássico atrás do outro, só pra citar alguns: Paisagem da Janela, Um Girassol da Cor do seu Cabelo, Nada Será Como Antes, Dois Rios, Resposta, Para Lennon e McCartney, e Clube da Esquina 2, que eu amoooooooo! Quase me joguei do balcão do Teatro Paulo Autran, de tanto tesão auditivo e saí de lá feliz por ter um sanguezinho mineiro correndo nas veias (meu avô paterno era mineiro de "Bêrába"), porque eita gente pra fazer música boa, sô!

Los Porongas (Livraria Cultura do Shopping Bourbon, 18/04/2009): Opa, dois shows no mesmo dia? Sim, senhores! Antes de partir pro Sesc Pinheiros, estava de bobeira na Livraria Cultura, quando me vi subindo as escadarias da loja atraída pelo som da banda, tal e qual Pica-Pau sendo levado pelo cheiro de uma comida apetitosa. Peguei uns 15, talvez 20 minutos de show e fiquei hipnotizada pelo vocal afinado e ao mesmo tempo urrado, o lirismo das letras e o teclado endemoniado do violonista/tecladista que algumas vezes até me lembrou o Ray Manzarek, dos The Doors. Os caras tem uma alquimia com estes estes ingredientes na mesma medida que nós do In-pessoa estamos buscando desde que começamos. Agradabilíssma surpresa, tanto que no final fui trocar uma ideia com o baixista, o Magrão, pra saber se os caras tem My Space. E tem, oras! Segura essa: www.myspace.com/losporongas.


Gente, quem quiser que conte outra porque este final de semana me deixou exausta! Beijo do Bozo!
*Referência ao mítico festival de música independente de Recife: www.abrilprorock.com.br

domingo, 29 de março de 2009

Piada amywinehouseana pronta

Esta é pronta mesmo, texticular audiência. Saiu sem cortes do G1, portal de notícias da Globo.com:

Amy Winehouse chama produtor para ‘salvar’ novo disco
Cantora pediu ajuda para Mark Ronson, produtor de ‘Back to black’. Ronson concordou em voltar a trabalhar com Winehouse, diz tabloide.

Do G1, em São Paulo

A cantora Amy Winehouse pediu para que o produtor Mark Ronson voltasse a trabalhar com ela, na tentativa de “salvar” seu novo álbum, diz o tabloide britânico “The Sun”. As demos do disco da cantora foram rejeitadas pelos executivos da sua gravadora, a Island Records. Entre os problemas apontados estão “letras sombrias e depressivas demais” a respeito de seu relacionamento com o marido Blake Fielder-Civil e uma forte influência de reggae. Grande parte das músicas foi composta por Winehouse durante suas férias no Caribe. Mark Ronson foi o produtor de “Back to black”, disco que ajudou a cantora a alcançar a fama mundial. Ele trabalhou com Winehouse pela última vez em abril de 2008, na tentativa de gravar uma canção para a trilha sonora de um filme da série James Bond. Na ocasião, se desentenderam e a música não saiu. Ronson disse que a cantora “não estava pronta” para voltar a gravar. O produtor teria evitado Winehouse devido a seu problema com drogas, mas agora parece inclinado a colaborar com a cantora. “Ele acha que ela está muito melhor agora, então concordou em voltar à bordo e trabalhar algumas músicas com ela”, diz uma fonte não identificada do jornal. “Ele espera que a mágica de ‘Back to black’ volte a acontecer”.


Comentário infame 1:
Concordo em chamar o Mark Ronson, o Back to Black é sem dúvida uma obra-prima. Mas porque diabos esta burra não lança um álbum independente? Ela é mestre em polêmicas, ela ganharia dinheiro do mesmo jeito ou talvez mais e tem cacife para mandar estes generais de dez estrelas da Island Records ir enxugar gelo. Mesmo que ela não tivesse, poderia mandar do mesmo jeito, doida como ela é.
Comentário infame 2: As gravadoras tomam cada vez mais prejuízo, mas não aprendem nunca! Não entendem que os caminhos da arte são tortuosos e continuam atrás da mesa com o cu na mão. É só assistir Ray ou Johnny&June para ver que é velha essa piada de mandar na criação de um artista, sendo que o executivo mesmo não faz melhor, isso se souber tocar alguma coisa. Tio Ronnie que o diga. Ah, a citação de Faroeste Caboclo foi inevitável.