Mostrando postagens com marcador mídia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mídia. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O patriarcado segundo Agostinho Carrara

Cena1
Bebel: Qual o problema de ser olhada?
Agostinho (exaltado): Não gosto! Não gosto! Não gosto de vagabundo olhando a mulher da gente, que isso!
(...)
Bebel: Quer dizer que a gente nunca mais vai à praia? (Olha para seus novos seios siliconados)
Agostinho: Maria Isabel, não tenho culpa, a gente vive num mundo em que as pessoas estão degradadas moralmente... (Exaltando-se ainda mais) Vagabundo não respeita mais a mulher dos outros! ´Cê tá com a sua mulher, nego olha pra ela, olha dentro dela! Lá de onde eu vim isso é coisa inadmissível! Não tem mais condição de ir à praia não!
Bebel: Escuta aqui, neguinho: não sou cuscuz pra morrer abafada, hein? Pronto, falei! (Levanta, estufa ainda mais o peito, e sai rebolando)


Cena 2

(Bebel tomando sol no quintal de casa. Um bando de marmanjos olhando)

Bebel: Acontece, neguinho que o corpitcho é meu!
Agostinho: Não é não! É nosso! Nós casamos em comunhão de bens, metade é meu!
Bebel: Isso diz respeito aos bens materiais, não ao meu corpo!
Agostinho: Mas, Maria Isabel, acontece que eu considero que certas partes do seu corpo são bens materiais meus!
Bebel: Tá falando de que? Do meu silicone, é?
Agostinho: É, tô falando dos 120 ml de silicone, que eu tô pagando em 36 vezes, tenho direito de não querer que marmanjo usufrua de um investimento que fui eu que fiz!



Cena 3:

Agostinho: É território! O que é dele, tem que limitar! Tem que lutar pelo o que é dele, ficar alerta, ficar de guarda, senão, vagabundo toma posse, entendeu? Toma posse! Vagabundo chega junto!

Que Simone de Beauvoir que nada! O filósofo do horário nobre Agostinho Carrara (Pedro Cardoso) sintetizou a posse do corpo feminino enquanto território do macho como ninguém, explicando o conceito e demonstrando! E ainda há quem tome as discussões de gênero como coisa de feminista ultrapassada.




Lineu Silva (Marco Nanini), quem diria, também não fica atrás. Enquanto sua esposa estava cantando como hobby, tudo bem, agora quando ela começa a gostar da brincadeira e a virar profissional, hum, não vai dar, não! Começa a se deslumbrar com o mundo, com o próprio sucesso... Isso chama a atenção de outros homens.





Assistir a Globo para esperar a transmissão da Record do voleibol feminino também enriquece meus estudos – amadores – sobre a questão de gênero.  Aliás, não sei por que tanto me espanto. Mídia serve para isso mesmo: criação e reiteração da norma. Onde está a surpresa?

Não sei porque também me surpreendo com o final. Dentro do ônibus, ao perceber um olhar de cachorro-olhando-frango-de-padaria de um malandro em sua direção, Bebel olha para Agostinho e diz: “Você não vai fazer nada, neguinho?” Quem primeiro contribui com a reiteração da norma são, em geral, as próprias mulheres. 



O mais engraçado de tudo isso é que o tiro sai pela culatra. Agostinho esquece toda sua cabra-machice ao encarar o marmanjo que estava olhando a sua mulher, que era duas vezes maior que ele, um autêntico sibito de lagoa de tão magricela. Não dá para levar este mundo a sério mesmo! Ainda neste século, tudo que a mulher ainda não conseguiu é ser dona da sua própria voz.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Eric Clapton

Como se fosse a sala de casa!
Estive no show do Clapton no último dia 12. Antes eu me perdia em um milhão de coisas desnecessárias, como por exemplo, pegar set list do show antes, e depois, ler as críticas. Ah, as críticas. Larrosa tem razão: padecemos de excesso de informação e opinião. Geralmente, não se aproveita nem 10% do Festival de Bobagens que o povo fala e que a mídia veicula. 

Saca só: estávamos no show do Eric Clapton, conhecido como DEUS da guitarra. Não é rei, não é mestre, precisamente deus. Até eu, que sou falastrona, me calo diante de um deus. Mas sempre há um entendido para cuspir informação inútil. Diante de um solo nas primeiras do show, um ser me solta um: "Que feeling!" Não é uma das piores que eu ouvi na vida, mas dava para passar sem essa. Cala a boca e escuta, ô infeliz! 

Andaram reclamando que ele não fala com o público. Isso é coisa de gente carente e desavisada. Se querem um entertainer, que tentem os animadores de auditório. Há também shows de stand-up feito por pseudo-comediantes de péssimo gosto que só sabem fazer piada de gordo e loira de primeiríssima linha pululando a cada esquina. Eles animam à beça, ó!

Artista agrada com a sua arte, não fazendo sala. Depois de tantos anos com a guitarra em punho, para que falar? A guitarra fala, grita, geme, sussurra por ele, não é necessário mais nada. 



E ao final, as críticas. Graças ao Barbudão, dispensei essas muletas para construir meu gosto. Mas ainda me reservo a ingenuidade de me indignar. Dizer que Gary Clark Jr. - guitarrista que fez o show de abertura era ruidoso e exagerado é um pouco demais. Quer botar defeito no show, fala que o telão pifou, que não se achava o local para se retirar os ingressos porque a comunicação visual não estava comunicando nada,  e que por sua vez os funcionários não passavam nenhuma informação corretamente, que o preço das bebidas e comidas era extorsivo... São defeitos de verdade, nem é necessário inventar.

Este show poderia ter rolado num estádio de grande porte como o Morumbi ou num boteco obscuro. Poderia ser o deus da guitarra, ou um tiozinho inglês de 66 anos que toca um blues desde que se entende por gente. Não mudaria muita coisa. Num lugar daquele tamanho, e todo mundo tão catatônico (e quieto) que o áudio dos vídeos está perfeito - fora quando eu resolvi cantar Layla, mesmo rouca.

À parte todos os rótulos, o que fica é a música. Nada mais importa, para quem a ama de verdade. Só quem estabelece uma relação direta com ela, sabe do que estou falando. Coisa de viciado em grau máximo.

Para os que amam a música do fundo do seu baço é que eu dedico esta cambalhota! 

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Desdobramentos da visita do Ministro

Já se passou mais de um mês desde que o Ministro da Educação, Fernando Haddad esteve na Comunidade Nossa Senhora de Fátima, no Jardim Elisa Maria. Até parece que não houve desdobramentos nesta história, o que felizmente não é verdade. Eu é que não dei conta de transmitir a notícia, mas como o movimento segue com a sua marcha, não é tarde para falar sobre isso, até porque não vamos encontrar nada sobre este assunto na primeira página de um jornal de grande circulação. Se encontrarmos, vai ser críticas. Pobre estudar, para que? Escola pública de qualidade? Para quem? 

Manhã de sábado fria, chuvosa, chatinha para deixar a cama cedo, mas muita gente não ligou para isso. A comunidade estava lotada, e assembleia pacientemente esperou uma hora a mais que o combinado.  Nem tudo eram flores à espera da visita do ministro. Grevistas do Ensino Federal marcaram presença com um protesto silencioso, apontando para vários problemas que de maneira alguma devem ser ignorados. 

E a quem mais interessa o acesso a vagas de ensino técnico e superior, estava lá e fez bonito. Camila não pensou duas vezes. Olhou bem para a cara do senhor ministro e disse, sem pestanejar, que quer estudar para ter a chance de estar no lugar dele no futuro. O que de fato prova que esta conversa mole de juventude alienada é mais velha que andar para frente. Não era todo mundo. por exemplo, que tomou borrachada e choque elétrico nos Anos de Chumbo. Uma parcela da população jovem, nestes mesmos anos, estava tranquilamente descendo a Rua Augusta a 120 por hora, tomando hi-fi com Gini Crush e dançando um twist, nem aí com a Light, enquanto o pau comia Brasil afora.   



E por fim, a fala de Haddad, que anunciou que a Brasilândia será beneficiada com o Pronatec. O objetivo do movimento agora é a escolha do local onde a escola será construída. Uma das coisas que particularmente eu gostei no discurso do ministro foi ele ter ressaltado a importância de que esta escola tenha um projeto pedagógico condizente com as demandas da população, que dialogue com a realidade do bairro. Se isso realmente acontecer, maravilha. A Educação terá, enfim, servido para alguma coisa séria. 



No Portal do Ó e no blog do movimento tem mais alguma coisa sobre. E como eu já disse, a marcha segue. Estou mantendo contato com Marcos, colega professor e ativo neste movimento, que tem me trazido informações frescas sobre o assunto. No último dia 26 recebi dele o convite:

Queridos amigos,

Escrevo para lembrar a todas e todos que remarcamos a reunião do movimento para o dia 1º de outubro às 14h00.


O local será o mesmo da reunião anterior: EMEF Padre Leonel Franca - Estrada das Taipas altura do nº 2500







Seria importante todos priorizarem, ainda que seja para ficar um tempo apenas na reunião, pois nesse dia teremos os folhetos que todos deverão sair com um punhado para ajudar na mobilização para o seminário.

Sugestão de pauta:

1 - Balanço e avaliação dos últimos dias
2 - Terrenos
3 - Seminário: 22 de outubro
4 - Outras questões

Qualquer dúvida ou proposta, é só responder para todos e pôr em discussão.



Bjo e abraço fraterno

Marcos Manoel



Repasso o convite, e se eu conseguir sobreviver à prova do inglês, quem sabe vocês não me veem lá! 





segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Metaleira, eu?

Engraçado que algumas coisas passam e outras sobrevivem na vida sem pedir a sua licença. Pois é, até eu tinha me esquecido que gostava de Metallica. Banda que me remete a tardes vagabundas na casa da Carol e do Juninho, quando a gente passava horas e horas escutando o Black Album e outras pérolas noventistas, como o Dookie do Green Day, ou Melancholy and Infinite Sadness, do Smashing Pumpkins. Ou ainda sábados na casa da Priscila ouvindo os discos mais antigos do Metallica como o Master of Puppets ou And Justice for All. Mas nostalgia é uma gripe que não me dá mais. Não sinto saudade de mais nada, não lamento mais nada. Para que se apegar a tantas lembranças?


Não sei que milagre aconteceu para a Globo transmitir o show na íntegra, sem aqueles cortes horríveis que ela costuma fazer até em show do Brasa. Não sei que outro milagre ocorreu para eu assistir o show inteiro, sem dar uma cochilada sequer. Na verdade, eu sei. Foi um puta showzaço!


Aí me dei conta: Metallica é uma banda balzaquiana, só um ano mais velha do que eu. Nem no auge, nem decadente, na confortável posição de não ter mais que provar nada para ninguém. Fez umas bobagens na vida - o Load inteiro foi limado deste show sem fazer falta, e do Reload, só foi tocada a única música que presta, Fuel. Não abusaram de hits o tempo inteiro e fizeram um line-up não linear, o que eu gostei bastante. Prova de que o tempo que passa se mistura com o de agora, e ainda com o que está por vir. Não sei o que me espera, e que eu deixei para trás era excesso de bagagem. Viajante que se preza, só carrega o essencial.



No, je ne regrette rien! Só eu mesma para começar falando de Metallica e terminar com Piaf. E daí? 

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Não tem graça nenhuma, Dooley

Está ficando chato essa história de trazer para os TM impressões minhas sobre o mundo exterior. É tudo tão igual, tão previsível que fico condenada à repetição de mim mesma. O Massacre do Realengo, como atração para o Império Romano, virou histeria coletiva sem um mínimo de reflexão. 

Colocar este assunto como pauta do dia com a molecada foi minha reação quase imediata, tentando dizer justamente isso: passado o susto, é preciso dissecar o que aconteceu, quem sabe possamos evitar. Só espero que eu não tenha caído para o discurso moralizante ou demagógico, e eu bem me conheço, é bem capaz que isso tenha acontecido. Tenho uma queda para o clichê piegas.(Acho até que funcionou, sem a pretensão de acabar com todos os casos de bullying da escola. Este assunto causou discussões inflamadas em algumas turmas, o que considerei bom sinal.)

Se há neste largo mundo mais leitores de textículos que sejam professores preocupados com esta questão do bullying - que definitivamente está sendo tratada como "carne de vaca" pelo PIG brasileiro - tenho duas singelas sugestões para alimentar uma discussão fundamentada sobre o assunto em sala de aula.

Uma é o documentário Tiros em Columbine, do Michael Moore, rodado em 2002. Não é exatamente uma novidade, pois este filme teve bastante projeção à época, ganhando até um Oscar. Assistir de novo, anos depois, só confirma que o estilão contestador e sarcástico do Moore presta grande serviço àquela nação de gente com cérebro de ameba autointitulada América. Só Borat escrachou melhor.

A outra é o livro Bullying: Mentes perigosas nas escolas (Fontanar), da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva. Eu já tinha encomendado o livro e chegou bem na semana passada. Serve para todos: estudantes, pais, professores, gestores, porque ela esclarece bem todos os ângulos da questão e ajuda a entender. Devia ser bibliografia obrigatória para todo mundo que está envolvido na educação de crianças e adolescentes em geral. Aqui está sua entrevista no Roda Viva de alguns meses atrás,  ainda no formato antigo do programa.

Bullying é um assunto que sempre me incomodou bastante, então é bem provável que eu volte a falar nisso, mas não agora. Já temos farto material inútil na grande mídia para saciar um público sedento por sangue - ou nem tanto, mas mesmo assim o sangue é oferecido. Essa notícia mostra bem onde foi parar a "liberdade de imprensa" tão sonhada por quem viveu tempos de repressão. 

Ô séculozinho XXI de merda esse que estamos vivendo. 

Ah! E no dia 20 de abril, data em que comecei a jorrar este textículo, completaram-se 12 anos do Massacre em Columbine e ainda morrem pessoas inocentes pelos mesmos motivos. Não tem graça nenhuma, Dooley. 




quinta-feira, 7 de abril de 2011

Columbine à brasileira


Não sei se há algo novo a dizer sobre o que aconteceu hoje na escola do bairro do Realengo, no Rio de Janeiro. Toda a sorte de bobagens e coisas sensatas já foram ditas a respeito.
Primeiro pensamento que me veio a mente quando soube: é um Columbine à brasileira. Pavorosamente, uma carnificina deste porte não é mais novidade para nós. 

Então, eu dei um tempo, fiz o que eu tinha de fazer e só agora, à noite, fui me informar o melhor que eu podia sobre o acontecido, tentando evitar distorções e informações desencontradas. Para se ter uma ideia de como o PIG viaja na maionese em busca da tal da "notícia em tempo real", a primeira notícia que eu li, já retirada do ar, dizia que o assassino em questão era um fundamentalista islâmico. (Que absurdo, meu Deus. Só faltam agora responsabilizar o mundo árabe pelos terremotos do Japão...)

Não sou dada à manifestações emotivas ou afetadas frente à tragédias coletivas, mas dessa vez eu chorei. E queria ter ainda mais lágrimas para chorar a morte dessas crianças e a miséria da alma deste louco que fez isso. O que me deixa mais triste é que eu tive que provocar esse choro, como alguém que coloca o dedo na garganta para vomitar. "Isto não pode se tornar algo normal, a gente não pode se acostumar", eu pensava.

E fica o alerta: este cara foi vítima de bullying na escola. Não sou profeta, nem gênio, nem guru, mas o que eu disse no último textículo? Uma hora essas vítimas podem reagir, de uma hora para outra, anos depois, décadas depois. Boomerang blues, baby.

Este massacre pode ser chamado de carnificina, cenário de guerra, do que quiserem, menos de tragédia. Tragédia é teoria do caos, imponderável e imprevisível. Agora este banho de sangue foi forjado durante anos a fio, sem ninguém perceber. A única coisa imprevisível é quando isto aconteceria. Foi hoje.

Agnus Dei, qui tolis pecata mundi, miserere nobis,
Agnus Dei, qui tolis pecata mundi, miserere nobis,
Agnus Dei, qui tolis pecata mundi, dona nobis pacem.


domingo, 20 de março de 2011

Lope

" Eu quero tudo!"
Lope de Vega




Assisti a esse filme ontem no Unibanco da Augusta, depois de ter visto o cartaz no Unibanco da Pompeia e não ter conseguido assistir porque já tinha saído de cartaz por lá. Fora os oscarizados e as boas animações 3D, são os filmes mais babacas que sustentam a audiência das salas de cinema de shopping - o cinema do Bourbon é uma exceção, também apresenta opções que fogem do blockbuster. Logo, um filme que ficou pouquíssimo tempo em exibição no cinema de um shopping deveria ser no mínimo interessante. Gazelita descobriu que ainda havia sessões rolando no Unibanco da Augusta e a gente se mandou para lá. 
Na verdade, não foi só um instinto anti-mainstream que me atraiu para assistir Lope. Lope de Vega é um dos maiores dramaturgos da história do Teatro, tanto em volume de trabalho - já que escreveu feito louco -  quanto por suas inovações em termos de dramaturgia e encenação. Eu não conheço a sua vastíssima obra em profundidade (e a professorinha de Artes Cênicas deveria, né?). Mesmo que neste tipo de filme tenha quase sempre injetada uma boa dose de ficção, eles sempre ajudam a entender o contexto histórico do período em que criou,  suas referências estéticas, a atmosfera da época. Shakespeare in love fez a mesma coisa pelo Bardo e levou Oscar, quem sabe Lope não leve também no próximo ano.

Qualidade de produção para isso o filme tem. É uma co-produção Brasil-Espanha, com Andrucha Waddington na direção, Selton Mello e Sonia Braga no elenco. O único filme que eu tinha assistido dele foi Eu, Tu, Eles, que é ótimo e totalmente diferente em temática de Lope.

O início é cozido em fogo lento, quase parece monótono. Na verdade, é sua intrincada trama sendo urdida aos poucos. Quando o circo está armado por completo, aí é que fica bom. E ele literalmente pega fogo. Lope é a personificação do artista subversivo, audacioso e intempestivo, que arranja confusão com meio mundo porque não aceita se vender por pouca coisa,  mesmo que estivesse tão ferrado a ponto de vender o almoço para comprar o jantar;  habilidoso com a pena e com a espada, não leva desaforo para casa e adora se meter - literalmente - com a mulher errada. E elas adoram - afinal, ele as enlouquece com seus românticos sonetos e seus calorosos amassos. (Sem uma sacanagem, a história de um poeta louco de amor seria simplesmente inverossímil. Fosse eu uma donzelinha madrilenha em meados do século XVI, teria dado pra ele fácil, fácil. Ninguém é de ferro, né? Eu menos ainda.)

Moral da história: nem só de Almodóvar vive o cinema espanhol,  nem só de Globo Filmes vive o cinema brasileiro.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Vamos brincar perto da usina

A capacidade do ser humano em ser egocentrado (leia-se: egoísta mesmo) é absurdamente incrível. Somente nesta semana que assisti a alguns noticiários e li alguns jornais sobre o terremoto-tsunami-acidente nuclear do Japão. De fato, desgraça pouca é besteira. Se vem, vem de lote e a galope. 

Do outro lado do mundo, o caos está completamente instalado em uma situação que só se compara a Segunda Guerra Mundial, que deixou o Japão afundado na lama. E mesmo assim  eu  só conseguia pensar em mim! Agora me sinto péssima por isso. Poderia ser qualquer um de nós! Ou ainda acha que no Brasil não existem desastres naturais? Faz-me rir! Aqui já aconteceram e acontecem terremotos, vendavais, enchentes,  queimadas, deslizamentos de terra. A Natureza é caótica, irmãozinho. Não tem nada a ver com ira dos deuses. Todas estas pessoas foram vítimas do acaso. 

Este último parágrafo é feito de um cinismo dos mais sentimentalistas e baratos. Mesmo com todo este mea-culpa, eu ainda penso só em mim. É que também o PIG é foda, né gente? Quando começa com uma coisa, não para mais. A avalanche de informações é tamanha que chega um ponto em que você filtra para não enlouquecer. O pior efeito colateral deste processo é perder a sensibilidade, anestesiar-se por completo. Odeio muito tudo isso. Aí volto para meu mundinho de textículos e intrigas. 

Na verdade, todo mundo é um pouco assim. Por isso é que gosto tanto deste poemínimo do Mário Quintana. Quem tiver a cara de pau de dizer que Quintana estava enganado, que atire na professorinha.  
 
A nós bastem nossos próprios ais,
Que a ninguém sua cruz é pequenina.
Por pior que seja a situação da China,
Os nossos calos doem muito mais...
 
O fato é que as notícias sobre o acidente em Fukushima, e a reportagem sobre Shernobyl vinte e cinco anos depois do desastre me evocou algo bem mais corriqueiro. Lembrei de Angra dos Reis, da Legião. Uma das minhas canções de amor preferidas que titio Renato escreveu. 

Vamos brincar perto da usina. Brincar com radiatividade, perigo. Amar é bem assim mesmo, um constante brincar com fogo. E achar que não é nada. Pra que se explicar, se não existe perigo? Não adianta chorar, se por um acaso se queimar. É assim mesmo.

Não estou com dor-de-cotovelo, muito menos compatível com o nível da canção, só estou um pouco atônita. Angra dos Reis, porém, faz parte do meu relicário de lembranças adoradas. Mesmo se as estrelas começarem a cair, me diz: para onde é que a gente vai fugir?

É o que está acontecendo comigo. Estou das duas, uma: ou em ponto de fuga, ou em ponto de bala. Deixa pra lá, vai. A Angra é dos Reis.



Boa cambalhota noturna, gente! Urbana Legio Omnia Vincit!

domingo, 23 de janeiro de 2011

Summer Soul Festival

Nem sei se faz sentido falar do Summer Soul Festival uma semana depois, quando já saiu toda a sorte de críticas e resenhas sobre ele, com todos os lugares-comuns já explorados à exaustão.

O primeiro deles: o Mayer Hawthorne fez um show bacana, mas não empolgou. E deveria? Todo artista emergente com um mínimo de elegância não vai dar uma de Ivete Sangalo e querer que todo mundo já saia pulando no show de abertura. E vai do interesse do público também, que estava de fato marcando lugar para a hora do show da Amy. Para mim, ele foi ótimo: conversou com o público, tirou uma foto nossa e pediu pose, fez piada com o fato de ser desconhecido (contando que deu um autógrafo para o cara do aeroporto, confundido com o Tobey Maguire), e a música tem um balanço vintage que é uma delícia. As baladas têm uma cara de The Manhattans que tocariam no Love Line da Radio Cidade fácil, como "I wish I would rain". I love you, Spider Man!

O segundo: Janelle Monáe é uma diva em franca ascensão. Dããã! Esses críticos fazem observações muito perspicazes, hein? Até uma garota pré-balzaquiana com um blog laranja de título duvidoso já tinha cantado essa bola. Era a aposta da noite, e cumpriu o prometido. Sem chamar a atenção, sem tentar roubar a cena, com a elegância que só uma diva totalmente segura de si é capaz de ter. Ela faz um show meio como o Ney Matogrosso, entra no personagem e fica nele, totalmente concentrada. Não fica tentando animar o público como se fosse o Silvio Santos. Ponto para ela, nem precisava. Ela escolheu o filé do The Archandroid e mandou ver. O final com Come Alive foi apoteótico, com seu topete de retroescavadeira totalmente desmanchado. Apesar de tantas críticas e chavões, o comentário do Rafa sobre a Janelle foi definitivo: "Janellinha fez a lição de casa direitinho, hein?" A única coisa ruim foi que o show foi curtíssimo: 45 minutos não dá nem pra fazer cócegas, uma artista de mão cheia como essa baixinha merecia mais. Será que tinha gosto de "Volto logo" ? Pode ser.

O terceiro e principal: Amy fez um show morno. A gente é fã, mas não é idiota. Ninguém estava esperando que ela fizesse uma performance espetacular. Aliás, eu e a torcida do Curintia estávamos esperando muito mais um festival de bafões que um show de verdade, o que revela um certo sadismo por parte nossa. Mas a Amy tocou o foda-se e não deu o que o público que estava pedindo. Ela gosta de ser do contra e por isso  ela virou ícone, para o bem e para o mal. Agora, se ela resolveu surpreender poderia pelo menos fazer um  show que passasse do "Olha, eu ainda consigo cantar!" - não desafina, mas se perde nos floreios - e colocar um pouco mais de proximidade com sua própria obra. Era engraçado sua pose de diva que se economiza, como se não soubesse da sua decadência. Um tanto triste e poético, como seu olhar alheio e seus cabelos levemente movendo-se ao vento. A mídia e o público costumam ser cruéis com grandes artistas que tropeçam, logo, sua redenção provavelmente virá quando passar desta para uma melhor, tal e qual aconteceu com Elvis e Michael Jackson. Mas no caso da Amy, ela poderia pelo menos enxergar o apoio de uma plateia que topou pagar para vê-la, mesmo sabendo que ela não entregaria o seu melhor. Quem torcia por sua redenção, saiu do Anhembi convencido que ela precisa de muito mais, quem sabe uma ressurreição. Ressuscita, Amy!

Outras coisas passaram despercebidas da crítica, pelo menos não encontrei ninguém que comentasse: Miranda Kassin e André Frateschi, o casal Amy e Bowie, não conseguiam esconder que estavam felizes feito p no lixo abrindo o festival. A banda é muito boa, e fazem outros covers de clássicos do soul, já havia assistindo o show do Studio SP. Mas acabaram virando trilha sonora para a fila do caixa e da cerveja (Caaaaras, por sinal). E o show do Instituto foi bem bacana, achei melhor que o que eu vi no Contato de 2009, em São Carlos.

Pronto, já brinquei de crítica cultural hoje. Agora, o melhor de tudo isso: chegar em São Paulo e reencontrar os amigos. Como desculpa para isso, o Summer Soul foi excelente.

É para todos essa cambalhota, pessoal!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Tropa de Elite - primeira temporada

ou
"Limpando o Rio para Copa e Olimpíada"

Algum gaiato escreveu no Facebook que nesta última semana estavam acontecendo as gravações do Tropa de Elite 3. Para variar, Vizinho foi mais longe: "Isso já virou uma série e tem material para mais de uma temporada!". Se Ó paí ó virou série, por que não Tropa de Elite?

O fato é que quando começaram a pipocar (literalmente!) as primeiras notícias a respeito dos ataques dos traficantes e da graaaaande operação da polícia, na hora me lembrei de uma das estratégias da manipulação midiática segundo Noam Chomsky, que não copiei no último textículo, mas agora vai:

"Criar problemas e depois oferecer soluções. Esse método também é denominado "problema-ração-solução". Cria-se um problema, uma "situação" previsa para causar certa reação no público a fim de que este seja o mandante das medidas que desejam sejam aceitas. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o demandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para forçar a aceitação, como um mal menor, do retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços púbicos."

Por isso, nem me dei o trabalho de acompanhar as notícias, só vi o Fantástico para confirmar o que o Chomsky diz. Discurso infantilizante e maniqueísta de um assunto tão sério, para o povo dizer: "É isso mesmo!" Tudo isto dito por uma Patrícia Poeta e um Zeca Camargo só mais expressivos que um travesseiro sem fronha.

O Brasil de Fato publicou uma entrevista com o deputado Marcelo Freixo (Psol-RJ) - por nenhuma coincidência irônica foi "consultor" do José Padilha na produção do Tropa de Elite 2. Só alguns trechos:

Hoje temos um enfrentamento às favelas e não ao tráfico de armas. Não tem nenhuma ação no que diz respeito à entrada de armas, sobretudo na Baía de Guanabara e nas estradas. O enfrentamento ao tráfico de armas é frágil, ocorre mais no destino do que no caminho. E o destino é sempre o lugar mais pobre.

(...)



As UPPs representam um projeto de retomada militar de algumas áreas que interessam a um projeto de cidade. Isso não é para acabar com o tráfico, é para ter o controle militar de lugares que são estratégicos para a cidade olímpica que se pretende.



Para mim, isso é tudo. Chega de colírio alucinógeno por hoje.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

As 10 estratégias de manipulação midiática por Noam Chomsky

Eles podem ser truculentos, mas não abrem mão de meios mais sutis de manipulação
Há muito tempo, ouvi essa: "Sempre achei mais fácil manipular as massas, do que somente uma pessoa." Frase de conteúdo fascista até o rabo, afinal saiu da boca de Mussolini. Pior é que o verme tinha razão. O que os nazi-fascistas fizeram no passado hoje é feito magistralmente pelo PIG, com muito mais requintes. Melhor conhecer os mecanismos e tentar blindar - pelo menos um pouco - seu cérebro contra tanto lixo midiático.

Hoje, só vou retransmitir a informação. Noam Chomsky, linguista, professor do MIT e ativista político estadunidense, velho conhecido da militância brasileira pelos seus artigos, escreveu "As 10 estratégias de manipulação midiática". O artigo inteiro está na Adital. Leia e tente identificar alguns destes aspectos no que você anda lendo e assistindo:

A estratégia da distração. O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir que o público se interesse pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado; sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja com outros animais (citação do texto "Armas silenciosas para guerras tranquilas").

A estratégia da gradualidade. Para fazer com que uma medida inaceitável passe a ser aceita basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Dessa maneira, condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

Dirigir-se ao público como se fossem menores de idade. A maior parte da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade mental, como se o espectador fosse uma pessoa menor de idade ou portador de distúrbios mentais. Quanto mais tentem enganar o espectador, mais tendem a adotar um tom infantilizante. Por quê? "Ae alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, em razão da sugestionabilidade, então, provavelmente, ela terá uma resposta ou ração também desprovida de um sentido crítico (ver "Armas silenciosas para guerras tranquilas")".

Utilizar o aspecto emocional mais do que a reflexão. Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional e, finalmente, ao sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de aceeso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos...

Estimular o público a ser complacente com a mediocridade. Levar o público a crer que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto. (O que retroalimenta a mídia de manchetes profícuas como a agressão aos três rapazes na Av Paulista há duas semanas atrás, por exemplo.)

A próxima merece letras garrafais, porque tem a ver com todo o calvário dos profissionais (realmente sérios) da Educação:

Manter o público na ignorância e na mediocridade. Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. "A qualidade da educação dada às classes sociais menos favorecidas deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que planeja entre as classes menos favorecidas e as classes mais favorecidas seja e permaneça impossível de alcançar. "

Sem mais, minha gente. Se o povo não fosse importante, não seria necessário manipulá-lo. Não precisa ser o Noam Chomsky para entender isso.

Créditos: Adital Agência de Notícias e Filmofilia (foto do brilhante Christoph Waltz na pele do Coronel Hans Landa em Bastardos Inglórios)

sábado, 30 de outubro de 2010

Curtinhas

Camões ou Quasímodo?
Sinto falta do OkComput3r. Sei, porém que o Vizinho tem motivos de sobra para ter dado uma parada com seus blogs. Hoje vi uma notícia que é a cara do blog em pausa da Vizinhança: Mulher mata o próprio filho enquanto jogava Farmville. Na ausência do OkComput3r para comentar este absurdo, TM tapa este buraco, mesmo que mal e porcamente: 

Pode parecer horrível o que vou dizer, mas o bizarro dessa história não está na mãe ter matado o filho e sim, o motivo (ou circunstância causadora, como quiser). Lamentável, mas isso é mais comum do que se imagina. Eu mesma acompanhei bem de perto uma investigação policial de um caso em que a mãe era a principal suspeita da morte do filho de três anos, e foi uma das experiências mais pavorosas da minha vida. É o mito de Medéia, mais antigo que o mundo. O feminino que nutre e gera vida também é capaz de matar. Mas por causa de Farmville, porra? Que graça tem ficar plantando alface e ordenhando vaca virtual? Vai trabalhar de verdade! Além disso: "O Farmville é um jogo perfeitamente simplista, ao ponto de qualquer criança o jogar. Não requer a mínima estratégia... mas este farrapo tinha dificuldades em se concentrar com o choro da criança e assim não conseguia jogar", diz um hipotético Rui. Sem mais, assino embaixo.

Nina Becker fez dois shows no Sesc Pompeia este mês. Até pensei em ir, mas me deu uma preguiça, como diria o Rafa. Não conheço profundamente a Orquestra Imperial e fala-se tanto do duplo álbum solo lançado por ela, que acabei ignorando um pouco. Joga-se tanto confete em pouca coisa, que às vezes eu sofro de um efeito contrário - quanto mais se fala, menos eu me interesso. O excelente Zuim Podcast publicou uma playlist da Nina Becker perto da semana em que aconteceria os shows, e estou a ouvindo só agora. Pensei que era um podcast dos trabalhos dela, mas na verdade, é uma colagem das suas influências, da fontes em que ela bebe. Puta caldeirão que vai de Waldick Soriano a Baden Powell, de Carmem Miranda a Doris Monteiro. Compartilho com Nina Becker uma sincera afeição pelas canções de dor-de-cotovelo mais descaradas, mais diretas, que não enfeitam o croquete para dizer o óbvio, sem sublimação. O que não as impede que tenham sofisticação, porém. E essa viagem  musical me fez lembrar um ilustre ex-colega de turma na facu, Ednaldo Freire: original é voltar às origens. Lembro também do Skylab, no texto mais curto e mais genial que ele fez para o Godard City: "olhem com desconfiança as músicas complexas. Atrás delas pode estar um gênio. Ou uma besta." Tô com ele e não abro. Então, este show da Nina ganhou o selo de Show Que Mais Me Arrependo De Não Ter Ido Na Vida. Que SWU o quê. 

E para terminar: este debate da Globo convence alguém? De tão descaradamente manipulado, Seu Francisco pergunta: "Será que eu me acho muito esperto ou o povo é que anda burro demais?" Uma drama Tostines para matar a pau esta semana pré-eleição-com-feriado. Como diria Bob Filho: este é meu pai!

É para todos esta tripla cambalhota! Bom feriado com eleição! Se der em você alguma vontade insana de votar no Serra, vá para a praia, pule sete ondas, ofereça presentes para Iemanjá, tome você mesmo um banho de mar e vote nulo!!!!

Notitas:

  • No exato momento em que terminei o parágrafo sobre a Nina Becker, o podcast acabou. Nada a ver, mas achei interessante.
  • Para quem não se lembra do Bibo Pai & Bobi Filho:

  • Bateu uma nostalgia também do comercial da Tostines:

domingo, 24 de outubro de 2010

Sobre bruxas, vampiros, bolinhas de papel e sapatadas

O meu primo escreveu no seu MSN: "Vamos aproveitar o Halloween e acabar com uma bruxa!". Eu não sou de discutir por divergências políticas, ainda mais com a nobre linhagem dos Teodoro Alves, mas o trocadilho é muito bom, então vou ter que retrucar - eu diria para gente aproveitar o Halloween e acabar com um vampiro.

Agora o meu ex-patrão é personagem pop. O episódio tosco da bolinha de papel virou um joguinho que me lembrou um do George W. Bush, em que você escolhia um pedaço de pau com um prego na ponta, uma toalha molhada ou um peixe ( um peixe!!) para surrar a cara dele. Bem catártico. Nessa época, nem pensaram no sapato. Aliás, quem acertou a bolinha na careca do Serra era quem devia ter jogado o sapato no Bush. Teria acertado bem no meio das fuças do infeliz. Mandou o candidato até para o hospital! Nem o capitão Mathias tem tanta mira.

Mas prefiro acertar os pingos nos is. Recebi um folheto virtual com vários paralelos entre os governos Lula e FHC baseado em fontes confiáveis, provando por A + B para quem ainda duvida que o modelo neo-liberal do PSDB de governar é desastroso para o Brasil, como é para São Paulo há pelo menos 16 anos.


Em política não existe nem heroi, nem milagre. O Brasil não está uma maravilha só por causa desses indicadores, mas está sim melhor do que era. Acho que é nisso que a gente deve focar. Então, aconselho a conferirem estes dados (foi o que eu fiz, apesar de não duvidar) e se você também prefere morar no Iraque pós-Bush do que ver o Serra eleito, faiz-favô: espalha este folheto!

sábado, 23 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2


O coronel em seu lado humano e desarmado

Fui assistir Tropa de Elite 2 pensando: eu vou porque o Capitão Nascimento (Wagner Moura) é o cara - ops, agora é coronel. Logo no início do filme, percebe-se que nem tanto, mestre: o conflito da trama começa com uma cagada típica da polícia brasileira, não só da carioca: o dedinho que coça no gatilho na hora errada, vide casos como do sequestro da Eloá e do ônibus 174. A diferença é que nos casos reais morreram as vítimas, na ficção o Mathias (André Ramiro) acerta o bandido. Bom de pontaria, mas mesmo assim "puta dum mané, parceiro!" Simplesmente porque seu superior - o coronel - tinha mandado não atirar, ficar só de espreita. O que o zé-ruela fez? O total oposto, invadiu e atirou pra matar. Mesmo assim, o coronel dá cobertura para o amigo e toma a responsabilidade para ele, talvez porque no fundo era isso mesmo que ele queria fazer: mandar matar!

Esse tiro bem dado num traficante fudidaço em Bangu I muda a vida do Nascimento. "Os intelectuaizinhos de esquerda" e a imprensa - leia-se Diogo Fraga (Irandhir Santos), atual marido da ex-mulher do coronel - caem matando em cima do BOPE e por pouco Mathias e Nascimento não se fodem de verde e amarelo sendo expulsos da corporação. Mas a opinião pública pressiona e a Secretaria de Segurança Pública promove o coronel para o Setor de Inteligência da Secretaria de Segurança Púlica e o Mathias se fode sozinho: é expulso do BOPE, voltando para um batalhão comum e o coronel não consegue livrar a cara do parceiro. Esse é o ponto de partida da trama.



José Padilha diz que não gosta de fazer "filme intelectual" e no caso do Tropa de Elite 2 ele acerta no ponto. É um puta filmaço - a pegada pop é tão forte que fiquei imaginando que o sangue que escorria da tela do cinema tinha gosto de groselha Milani. Impagável a cena dos policiais no "crematório" - a terra do presunto perdido - com um crânio incinerado na mão, citando sarcasticamente o famoso monólogo de Hamlet e o outro policial responde: "Ê, parceiro, que mal gosto ficar citando a Bíblia aqui!" "Ê, mas como você é burro, isso é coisa da novela!"




Tropa de Elite 2 é de fato uma pérola pop, da qual Tarantino se orgulharia. Duas horas e quarenta minutos que não se desgruda os olhos da tela. Esteticamente falando é perfeito, mas politicamente falando é um desastre. Como levantar a discussão de um tema tão sério - e complexo - sendo superficial? Sim, porque o raciocínio do coronel é absolutamente simplista, como se tudo fosse um western de mocinhos e bandidos. Na verdade o fim do filme marca a mudança de pensamento do nosso heroi controverso, ele percebe um pouco tarde que o buraco é mais embaixo. A impressão que se tem é que esta película não poupa ninguém - políticos, a polícia, a sociedade, a direita, a esquerda, a mídia - mas não se livra totalmente dos clichês, como por exemplo o dos direitos humanos e a esquerda - como se direitos humanos fosse coisa só para defender bandidos sanguinários e como se a esquerda tivesse sido sempre "paz e amor". No escritório do Fraga, o intelectual de esquerda e pacifista do filme, mostra ao fundo um cartaz do Marighela e em outro momento um cartaz com o logo do MST, movimento que defende a luta armada. Como é que vai ser guerrilheiro sem pegar em armas e matar, hein, parceiro? Sem contar que o filme ainda mostra a tortura policial como método de investigação. A única vantagem é que para a grande massa a discussão do filme mostra porque NUNCA vai haver legalização das drogas aqui, simplesmente porque o tráfico beneficia o "sistema", pagando iates e caviar para muita gente caishca grossa, como diria o coronel.


O filme de fato é muito bom, mas me fez mudar de ideia. Não acho mais que o coronel Nascimento seja o cara. O Wagner Moura sim é que o é. Apesar do personagem em si ser bastante fascinante, cheio de nuances e controversões, ele não teria metade do carisma que tem se não fosse a competência do ator que o interpreta.


Tropa de Elite 2 empolga, mas não dá nenhuma vontade de fazer justiça com as próprias mãos. Dá vontade de fazer cinema.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Se não pode convencê-los, confunda-os


Parece ser esta a tática do PIG para tentar emplacar José Serra no segundo turno.

Não conseguindo convencer o povo pela sua figura, o ex-patrão joga óleo na pista. Chega a ser engraçada toda a sorte de pseudo-argumentos que andam espalhando por aí para tirar votos da candidata do governo. Recebo vários e-mails de meus amigos serristas, todos baseados em puro terrorismo.

1) Dilma Roussef seria lésbica - e daí?

2) Dilma é terrorista - este "argumento" só convence mesmo quem não conhece a história recente do nosso país. A luta armada ocorreu no Brasil como uma das tentativas de combater a ditadura militar e deu bastante trabalho para os milicos. Que tal conhecer as figuras de Marighela e Lamarca, por exemplo?

3) Dilma é a favor do aborto - este é para os setores religiosos e conservadores da sociedade. Como votar em uma ex-comunista que quer matar criancinhas? É perfeitamente possível ter uma religião e ser racional - a fé não precisa ser burra. Mas não é o que acontece com o setores ultraconservadores de várias religiões que pregam uma fé que além de burra, é burrificante. O Estado é laico e tem o dever de zelar pela vida de todas as pessoas, inclusive de quem faz um aborto. Este assunto deve ser entendido como um assunto de saúde pública pelos governos, não como um assunto religioso. Sou católica, não sei se faria um aborto, mas defendo que ele deve ser legalizado. Só se cria políticas públicas eficientes com dados consistentes sobre o assunto, a legalização seria um meio para isso. A Dilma poderia deixar os setores reacionários e fanáticos das igrejas rosnarem o quanto quisessem sobre isso, exceto pelo fato que aí está uma fatia considerável dos votos que podem dar a ela vitória ou derrota. A Adital está com vários artigos sobre este assunto.  E se fosse assim, também era para José Serra perder votos. Aqui Dilma lembra seu adversário que ele regulamentou o aborto no SUS quando foi Ministro da Saúde:



Há uma série de coisas que podem ser ditas contra o atual governo - se eu estivesse totalmente contente com ele, não teria votado no Plínio. No entanto, nenhuma destas verdades é dita pela oposição oficial, por um motivo muito simples: a oposição também rouba e leva vantagem. Serra desconversa quando é lembrado que seu vice seria o Arruda, por exemplo.

Logo, não sou dilmista, sou anti-Serra. Votar na Dilma para mim seria a menos pior das opções, porque ainda acho lamentável anular um voto, se lembrarmos que lutou-se anos a fio para que tivéssemos este direito. Mas gostaria de lembrar às pessoas que o governo FHC foi desastroso para o país, tanto que foi indiscutivelmente rechaçado por duas eleições seguidas.

Por que os governantes apreciem um povo calado, o povo fala! (Antígona)

Vamos ver o que as urnas vão dizer no dia 31.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Para não virar comida de porco

Fontes desinformantes da classe média brasileira
Minhas bolas voltam à esquerda, que beleza. A coisa mais entediante deste nosso tempo é que no geral, as pessoas - eu, inclusive - se esquivam de se posicionar sobre questões importantes. Parece que ninguém quer desmanchar a escova. Eu não era assim, fiquei assim. Mas agora acordei de novo e isto é o que importa. 

Como eu disse, é preci-necessário não fazer o que grande mídia quer que façamos, não pensar (ou achar que estamos pensando) do jeito que a mídia quer que pensemos. Mas como fazer isso vendo Jornal Nacional e lendo Folha todo dia?

É preciso buscar fontes alternativas e confiáveis de informação. Se tiver tempo e paciência é interessante cruzar as diferentes visões do mesmo assunto. Quem nunca fez isso, pode perceber quanta merda anda lendo. O Sedentário&Hiperativo já cantou essa bola.  

Depois da minha "grande" descoberta do Google Reader, estou entre resgatar antigas fontes e buscar novas. Então,  deixo aqui alguns links de jornais, blogs e agências de notícias que destoam deste raçãowhiskasblablablá neurótico da mídia brasileira.

Revista Caros Amigos - Publicação em circulação há mais de dez anos, tenho um precioso e pequeno acervo delas em casa. Incrível: não ficam datadas, no máximo, amareladas.

Jornal Brasil de Fato - Este curiosamente não leio muito, estive no lançamento regional de São Paulo, no Teatro Oficina. Desde 2003 em circulação.

Educação Política - Descoberta recente, e excelente. Bastante conteúdo, foi de onde eu tirei esse porquinho simpático aí em cima...

ADITAL - Agência de Informação Frei Tito para América Latina -Já conhecia, mas não acessava, assinei o Feed agora. Para quem não sabe quem foi Frei Tito, recomendável assistir ao filme Batismo de Sangue, direção de Helvécio Ratton, baseado em livro homônimo de Frei Betto.

Para começar, está de bom tamanho. Até porque ainda tenho que organizar todos estes links entre readers e feeds para voltar a lê-los religiosamente, agora e após o pampeiro das eleições. Só de não virar comida de PIG, já é grande o alívio.

"As criaturas de fora olhavam
de um porco para um homem,
de um homem para um porco.
Mas já era impossível distinguir
quem era homem, quem era porco."

(Revolução dos Bichos, George Orwell)


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Jogando na retranca

Texticular audiência,

Gostaria de usar meu meio de comunicação em massa para comentar as eleições. Um pouco tarde, mas é que o cenário político está deprimente de uma tal maneira que me calei, quase completamente. Logo agora, que é hora de se posicionar.

Assisti ao debate de ontem, foi o único até agora. De outros, vi apenas trechos. Estava envergonhada de tanta alienação - afinal antes mesmo de ter título de eleitor eu já era militante e agora tão desinformada! - depois que assisti ao debate da Record, a vergonha passou - vi que não perdi nada. Mesmo. Exceto pelo candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, todos os presentes só faziam jogar na retranca, repetindo as frases feitas ordentadas pelos marqueteiros, e quando eram confrontados mais diretamente, respondiam qualquer frase desconexa, mas sempre pronta. Parecia até jogo da última Copa.

Marina disse que Dilma e Serra são muito parecidos. A democracia burguesa, na verdade, deixa a todos eles muito parecidos, inclusive a própria Marina. Eles não só desviavam do confronto direto quando eram questionados, mas como também não encostaram de verdade seus adversários na parede. Exceto o Plínio, outra vez.

É claro que não quero que debate eleitoral vire Programa do Ratinho, em sua época de mais áurea baixaria. Mas é que eram nos debates o momento de cair as máscaras dos candidatos, principalmente quando eram questionados pelos seus opositores. As emissoras tinham um trabalho danado na edição, na hora de manipular a coisa toda. Agora o que a gente tem é um horário eleitoral ao vivo, com todos os candidatos na mesma sala, treinados para exibir o mais puro sangue de barata. E a mídia sem se dar ao trabalho de manipular o que já vem de fábrica, enlatado.

Antes do debate já tinha a minha escolha, pelo menos para presidente, consolidada. Conheci o Plínio de Arruda Sampaio ainda como uma das figuras fundadoras e mais respeitáveis de um partido que se perdeu na sua própria trajetória, chamado PT. Na Igreja, no MIRE e no MST ouvi suas palavras atentamente e várias vezes e posso dizer seu discurso continua coerente. A troca de partido se deu depois de muitas e contundentes tentativas de recobrar a trajetória de sua legenda anterior.

A minha opção pelo candidato Plínio não se refere apenas à sua coerência, mas também à minha própria. Minha militância política foi curta, mas verdadeira, ainda tenho compromisso com o que eu acredito. E posso dizer que votar neste ou noutro candidato agora não é solução mágica para o país. Mas quem tem um mínimo de consciência política e não se conforma com este jogo de compadres, sabe que agora é hora de bagunçar o coreto, jogar óleo na pista. Não vamos seguir o script da grande mídia, que elege e derruba quem ela bem quer.

"Eu me organizando posso desorganizar, eu desorganizando posso me organizar."

E viva o Chico Ciência!


sábado, 24 de julho de 2010

O Pequeno Nicolau

Nunca tinha ido assistir a um filme só pelo cartaz. No cinema de hoje, em que se pode assistir trailers no Youtube, e talvez nem precise ir até o cinema para ver, com a possibilidade de fazer um download e ver em casa, ou nem fazer o download e assistir em streaming, achava que cartaz só funcionava para moderninhos colocarem na parede ou fazerem camisetas de filmes icônicos como Pulp Fiction, Matrix, ou Laranja Mecânica. Lembro de uma vez que saí do cinema e havia o cartaz de "Uma noite no museu", com uma estátua de um suposto homem das cavernas. Se você passasse do lado, ele pulava na sua frente. O negócio era tão engraçado que a gente sentou no saguão do cinema só para assistir o susto dos passantes.

O fato é que um bom cartaz ainda funciona. Na fila de outro filme, vi este e achei engraçado estes meninos com nomes de velho, terninho, calça curta e cara de Mad - lembra da revista? Pois é, fiquei curiosa e fui conferir.

Hoje em dia, há animações tão boas no mercado de filmes para crianças, e agora em 3D, que é raro encontrar bons filmes "de verdade" com temática infantil. "O Pequeno Nicolau" é a adaptação de uma série de livros francesa do escritor René Goscinny com ilustrações de Jean-Jaques Sempé que eu também não conhecia.

Nicolas é um menino comum, que adora sua vida de filho único em uma família pequeno-burguesa parisiense e estuda em uma escola só para garotos. A possível gravidez de sua mãe é a ameaça para sua vida perfeita, ele sente medo de ser abandonado na floresta e faz de tudo para se desfazer desse bebê que nem existe de fato. A partir daí, é uma trapalhada atrás da outra, dele e de seus amigos.



Ri litros com as cenas de escola. O filme se passa nos anos 1950, tanta coisa mudou na família e na infância desses tempos para cá, mas é incrível como outras não mudam. A educação continua sendo um misto de martírio com sadismo. Pobre daquela professora.

Apesar dos moleques serem umas pestes, o filme é realmente muito bonitinho, singelo, sem duvidar da inteligência e perspicácia da garotada. Para adultos, nos lembra que a criança tem seu próprio universo, mas que não está dissociado do mundo em que ela vive. Os medos infantis - como o do abandono, por exemplo - podem ou não ter fundamento, mas dentro do seu universo são verdadeiríssimos. A gente já sentiu esses medos, alguns destes nos acompanham a vida toda, mesmo que a gente não admita. Se isso fosse mentira, Freud não teria causado metade do frisson que causou.

Gostei tanto que estou pensando levar meu sobrinho mais velho para ver, que há um ano deixou de ser filho único. Só tenho medo que ele se inspire a contratar um gângster para tentar se livrar do irmãozinho. Vai saber!

sábado, 17 de julho de 2010

Besta é tu

Na estreia oficial do In-pessoa, o já antológico "Live at Forest´s House - Tormenting the Neighborhood", aconteceu um negócio curioso, sem deixar de ser corriqueiro. Folheando a Rolling Stone deste mês, cai nas mãos do Renato a reportagem sobre "o melhor disco da música popular brasileira", o Acabou Chorare (Novos Baianos, 1972). E ele desce a lenha, não exatamente no disco, mas nessa mania de pegarem de tempos em tempos alguma banda brasileira para Cristo, não para crucificar, mas para fazer de O Novo Messias da MPB.

Concordo com o Renato - é um verdadeiro porre esses críticos disfarçados de Indiana Jones o tempo todo caçando o tesouro da música brasileira, quando na verdade, ninguém devia levar muito a sério estas listas. Podem ter algum fundo de razão, mas eleger um único disco como representante da brasilidade musical equivale a procurar agulha no palheiro. Lembro de coisas tão distintas quanto Chega de Saudade (João Gilberto), Elis e Tom e Da Lama ao Caos (CS& Nação Zumbi) serem alçados a este posto.

Aliás, faz algum tempo que desisti do rótulo MPB. Como todo rótulo para arte, é arbitrário e reduz mediocremente o que tenta rotular. Olha só: música brasileira pode ser samba, choro, coco, maracatu, carimbó, xote, manguebeat, guitarrada, lundu, maxixe, fora os ritmos vindos de fora e incorporarados ao nosso repertório e a infinidade de ritmos nacionais que ficaram de fora destas linhas. E MPB, o que é? Chico, Caetano, Gal e Betânia. E o rock brazuca dos anos 80, não é Música, Popular e Brasileiro? E essa "nova MPB"? Colocar Maria Gadu ao lado de Chico Buarque na mesma prateleira é uma coisa tão esdrúxula que só o Nelson Motta mesmo para fazer e tentar nos convencer que é jóia! Troféu Joinha para ele.

Mas não deixo de adorar o Acabou Chorare, tanto que graças à reportagem da RS e o desabafo nervoso do Renato, eu lembrei de baixar para matar a saudade. Em 2005, assisti no SESC Pompeia a um show que reproduzia o álbum na íntegra com gente muito diferente tocando junto, o que literalmente botou abaixo a plateia do teatro. Todo mundo desceu das cadeiras e caiu na dança!

Antológico, divertido, e ainda honrou o original. Direção musical de Rômulo Fróes. A Baby fez o papel de testemunhar que toda aquela loucura aconteceu de verdade um dia, e até esqueceu um pouco das suas crentices. Lanny Gordin, genial guitarrista, fez as vezes de Pepeu, já que foi seu primeiro mestre. Davi Moraes, que também foi morador daquele sítio lisérgico, representou o pai Moraes Moreira. Lampirônicos exerceram a função da Cor do Som, o conjunto dentro do conjunto. Elza Soares e Luiz Melodia também estavam lá.

Quem ouvir somente o disco, ignorando o blá-blá-blá da crítica, com certeza vai gostar. Simplesmente porque é vibrante, alegre, criativo. Tem raízes brasileiras, mas também é rock n´roll, como em Um Bilhete para Didi. Gosto do timbre jovem e anti-virtuosísitico da então Baby Consuelo em Tinindo Tricando e A Menina Dança, da delicadeza de Acabou Chorare, da doideira de Mistério do Planeta e Swing de Campo Grande. Também tenho uma ligação sentimental com Preta Pretinha, porque lembra meu apelido de criança, Preta. (No caso, meus cabelos.)




Imagino que quando essa galera maluquete se reuniu, eles não pretendiam genialidade. Nesse ponto, todas as bandas (pelo menos as bacanas de se ouvir) são iguais: só querem saber de tocar e se divertir. Quem coloca a vontade de ser aprovado antes da vontade de fazer música, se lasca. O reconhecimento, da crítica ou do público, vem como acréscimo.


Então, um grito para a crítica: Besta é tu! Deixem as pessoas saborearem sem análises prévias!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Perdeu, playboy

Ninguém gosta de perder, é evidente. Mas, como ensinam os layr-ribeiros por aí, vamos pensar positivo, acertei meu palpite: Brasil pararia nas quartas-de-final. Apostasse eu num bolão teria ganhado. Fué!

Copa do Mundo em ano de eleições presidenciais é totalmente providencial - no mesmo ano em que se escolhem também os governadores e cargos legislativos - aqueles em que as pessoas geralmente não se lembram em que votaram, mas sem se furtar a achincalhá-los de uma maneira totalmente ineficente a cada vez que um deles aparece com dinheiro de propina em cuecas, meias, bolsas, panetones e congêneres. Ou quando vira purpurina, como Clodovil.


Lamentavelmente só agora, as pessoas vão se lembrar disso, até porque o quarto poder vai tirar o foco da Copa do Mundo e voltar-se para as eleições. Mais previsível que um pênalti com paradinha, é fácil cantar essa bola, mas é sempre bom lembrar. Daniel teve o cuidado de dar essa alfinetada mesmo antes de a Copa começar. Rita Lee, no ano de 1998, alfinetou a farofada em torno da Copa com uma canção inteligente e sapeca e acabou sendo profética. A França que o diga:





Fica o refrão: A gente explode se for campeão, depois se f*** na eleição! Melhor o contrário. Nunca é tarde para virar o jogo, não é mesmo, Holanda?