segunda-feira, 14 de julho de 2008

Music makes my life

Cansei de falar do menino que eu gosto, ele é um tremendo de um boboca. Hoje vou falar do meu irmão, meu vizinho preferido e das galáxias: Luiz, Filipe, Forrest, ou se ainda preferir, Luiz Filipe.
Companheiro de blogosfera fracassada, de muro da vergonha e agora de banda, eu o conheço desde que me entendo por gente. É o meu amigo mais antigo.
Depois de passarmos por momentos muito tristes, a gente tem estado mais próximos do que nunca. E ele estreou "mais um superfracasso da blogosfera": Music Inside My Head.
Musical como ele só, consegue ouvir música tanto num copo que se quebra na cozinha, quanto no vibrafone de brinquedo do meu sobrinho. Viciado em música no último nível, de um jeito que só conheço apenas duas outras pessoas: eu e Bozoca, outra criatura mega amada que pre-ci-sa de um textículo assim, só pra ela como eu de ligas grená! (Risos)
Como ele sempre teve um senso de observação apuradíssimo, apegado a detalhes e com uma memória de elefante (não é à toa que ele virou historiador), é óbvio que ele se tornou um crítico musical da melhor qualidade. Sempre foi, na verdade. A única coisa é que agora ele parou de regular sua mixaria e resolveu socializar!
A idéia é falar das músicas que, por algum motivo, "ficam martelando na cabeça, perdemos o controle e não conseguimos parar de escutar". Canções que carregam alguma lembrança, significado, ou só prendeu a atenção naquele momento. Como ele é "historiador e contador de mentiras sobre si mesmo", suas críticas tem este charme especial, e ainda o bonitão disponibiliza as músicas de que ele fala para download. Ou seja, um verdadeiro pecado não visitar. O link está no texto e na coluna "Blogs Camaradas". Go ahead!

domingo, 13 de julho de 2008

Mensagens na garrafa

Este Blog de Vida Dupla Mais sem Audiência do Ciberspaço, como sabem, veio depois dos diários de papel, mas não os sucedeu: é como se fosse meu marido e o meu diário, o amante, que pego na calada da noite em busca de proteção e abrigo.

Recomecei com os diários no fim de 2002, na época para registrar a minha meditação. Só que eu sou samsara demais para desvendar a vida sentada em flor-de-lótus. Cá estou eu na galhofa outra vez.

Aos poucos a vida comum foi entrando nesses registros, mas é meu mundo interno que impera lá, como nos diários de Frida Kahlo. Acho que isso é resqúício da meditação, da contemplação. É o meu modo de entender a vida.

Todas as cartas de amor são ridículas, todas as mulheres são putas e todos os díários são patéticos. O meu não deixaria de ser, lindamente patético. É muito engraçado ler aquela observação tão definitiva sobre uma coisa completamente fugaz. Com algum treino você não se envergonha disso.

Ultimamente, porém, estes diários da segunda fase assumiram a forma de um diário de uma adolescente, igual ao que eu tinha quando tinha 12 anos. Daqueles que os meninos roubam para ler e tripudiar da dona depois, munidos do segredo da pobrezinha. Daqueles que se fala do seu amor secreto (o meu agora é declaradamente escancarado). Daqueles em que não se fala outra coisa a não ser do menino que se gosta. O menino que eu gosto não me dá a menor bola, sabe? (Mas não tô nem aí, isso é problema dele).

Escrevendo eu me descubro e não enlouqueço, e muito cedo nesses diários que tenho feito desde os vinte anos (blues), eu vi que o que um diário mais quer é ser revelado. Ninguém escreve nada para não ser lido. O que explica o náufrago que joga no mar uma garrafa com um bilhete para qualquer um que encontrá-la? Save our souls. (Alimento essa fantasia quase sexual: que o menino que eu gosto roubasse todos meus diários e os lesse, um por um, às escondidas. Ele sabe disso.)

Ando jogando tantas garrafas no mar, que se o Greenpeace me pega, eu estou frita. Estou escrevendo demais, como se fosse morrer amanhã. E de todos os jeitos possíveis: aqui, no diário, compondo canções, cartas inentregáveis, e-mails insuportavelmente longos. Só deixei de escrever poesia, porque nem meu muso me lê! Não tem a menor graça.

Inentregáveis merecem um capítulo à parte. Cometi essa insanidade de entregar uma inentregável ao menino que gosto. E virou inlegível. O bruto não se deu o trabalho de ler, porque para ele são palavras apenas, palavras pequenas... Palavras ao vento.

Diz o ditado que palavras o vento leva, principalmente sobre essas de promessas não cumpridas, esses amores que acabam na base do 'tudo certo e nada resolvido'. Por mim, o vento pode levar minhas palavras, como aquela peninha do Forrest Gump. Alguém vai encontrar e ler as mensagens na garrafa.

O menino que eu gosto não sabe da missa a metade. Não sabe que antes de ser apaixonada por ele, sou apaixonada pela vida, que está me tratando como um cão sem dono tanto quanto ele está. E que, tanto quanto ele, me faz a mulher mais feliz do mundo, mesmo sem tê-lo agora. Mas de uma coisa ele sabe: o menino que eu gosto não é O Amor da Minha Vida. O Amor da Minha Vida é o Drummond! Só ele é capaz de me entender agora. "Porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo."

Textículo jorrado em 13/07/2008

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Sobre este meu constante exercício de duplipensar

Estou quase acabando de ler o 1984 emprestado pelo meu Vizinho das Galáxias, mas não dá para aguentar esperar o fim, para falar que ando ‘duplipensando’ horrores ultimamente. Fui ainda incentivada por Minduim. Explico.

Em Novilíngua, Duplipensar é um estado de alienação consciente (ou de consciente alienação, se preferir). Significa manter estas duas polaridades unidas para perpetuar o poder, numa Oceania imaginária, dominado por um Ingsoc tirano, totalitário e… de esquerda.

Neste mundo de ‘democracia, com responsabilidade social e ambiental’ - tenho que citar Minduim nessa, não tem como - regado a muito Jornal Nacional e Revista Veja, parece que não há mais a ‘ameaça’ de uma Ditadura do Proletariado daquelas. Até Fidel pendurou as chuteiras! A classe média-mediana-medíocre suspira aliviada. E nem precisa de Vick Vaporub.

Tenho nojo desse mundo, dessa pseudo-liberdade. Estamos vivendo o 1984 mesmo, à base de Grande Irmão, Polícia do Pensamento e Teletela. Se eu ainda vivesse o sonho pós-geração 60, mesmo atrasado, tudo bem, já até fiz isso. Mas agora, nem nas instituições de esquerda eu acredito mais. Aliás, para mim, ultimamente estas duas esferas se completam, e essa descrença veio como se fosse canção do Cazuza, num corte lento e profundo, e sem razão definida.

O auge do meu duplipensar aconteceu na última sexta. Paralisação dos professores. Eu fui, sozinha. Não quis me misturar. Em vez disso, sentei na calçada, e abri o 1984. Depois de uma hora, fui embora, não desci a Consolação junto com a passeata. Fiquei pensando que catzo que eu sou: alienada ou covarde? Pendi mais para o lado do covarde, entendo o que está acontecendo. Só que descer pro play e não brincar nunca foi comigo, então porque fui até o vão livre do MASP? Com o livro na mão, caiu a minha ficha (sou oitentista, tá bom?): é duplipensar na sua forma mais pura.

Talvez seja o que eu faça pra não enlouquecer com a minha descrença, afinal é muito triste viver sem esperança. Mas esperança burra eu também não quero. Então, “deixai toda a esperança, vós que entrais!” Seguindo Dante Alighieri, ao cruzar os portais do Inferno, troquei o idealismo pelo cinismo: não quero mais mudar o mundo, quero é mudar de mundo. O movimento ganha cada vez mais adeptos, é só entrar na minha comunidade no Orkut. Escolha o planeta de sua preferência e go ahead, com ou sem esperança, pode entrar.

Textículo jorrado em 03/07/2008

terça-feira, 24 de junho de 2008

Eu quero que você se.. Pop Pop Pop!

Para os viciados em música, como eu, às vezes é difícil admitir que se gosta de música pop. Pudera. O que lembra a expressão pop? Michael Jackson branco-transparente-sem-nariz no tribunal e Britney Spears careca. Écati!
Uma coisa, porém, devo admitir: não tem coisa melhor que um pop bem-feito. E eles duram, viu. Ou seja, quando bem produzidos, eles permanecem. Quer coisa mais pop que a Nona de Beethoven? (Risos.) Ou então, o Michael Jackson - com nariz, cantando Thriller? (Nem vem: para mim, Britney Spears não fez nada que preste nem quando era virgem.)
Estou feliz que nem pinto no lixo (Ê Jamelão!) porque baixei na íntegra os dois álbuns da excelente banda Trash Pour Quatro, que tem como proposta revisitar clássicos do Pop nacionais e internacionais de todas as épocas, com uma roupagem totalmente diferente. E o resultado é fodástico, acreditem.
Vou propor então, o Top 5 da boa música pop. Ou Pop 5, que seja. E desde já agradeço a pouca e seleta participação da audiência no Top5 das cantoras. Poucas e boas sugestões.
Lá vai o Top Pop:
1 - Girls just wanna have fun - Cindi Lauper
2 - What´s up - 4Non Blondes
3 - Whisky a go-go - Roupa Nova
4 - Estúpido cupido - Celly Campelo
5 - Será - Legião Urbana

Façam suas apostas!



Textículo jorrado em 24/06/2008

sábado, 21 de junho de 2008

Mulheres

Apesar deste Blog de Vida Dupla Mais Sem Audiência do Ciberespaço chamar-se Textículos de Mulher, sempre enfatizei os Textículos e nunca o Mulher. E hoje é o dia. Nunca contei o quanto gosto de ser mulher. É fascinante, apesar da TPM e da depilação com cera quente.

Mulheres não são perfeitas, são perfectíveis. Quando o macho previsível crê que tudo sabe sobre elas, elas já não são mais as mesmas, passaram por mais uma metamorfose. Quando se pensa que estão rendidas, destruídas, ou simplesmente, apaixonadas, o macho perdido toma delas uma bela rasteira, um frango daqueles de deixar qualquer goleiro desmoralizado. E eles parecem não aprender nunca.

É duro ter que me repetir. Então, deixo o resto pra Elisa Lucinda, que esgotou a questão com o fantástico “Aviso da Lua que Menstrua”:

Aviso da Lua que Menstrua

Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua…
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moçoàs vezes parece erva, parece hera

cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia
metade legível, metade sereia
Barriga cresce, explode humanidades

e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
mas é outro lugar, aí é que está:
cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita…
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente

que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!

Tá acostumada a viver por dentro,
transforma fato em elementoa tudo refoga, ferve, frita
ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
é que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
é que tô falando na “vera”conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela

delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado

ou sem os devidos cortejos…
Às vezes pela ponte de um beijo
já se alcança a “cidade secreta”a Atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.

Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
cai na condição de ser displicente
diante da própria serpente.
Ela é uma cobra de avental.
Não despreze a meditação doméstica.
É da poeira do cotidiano

que a mulher extrai filosofia
cozinhando, costurando
e você chega com a mão no bolso
julgando a arte do almoço: Eca!…
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado

tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
então esquece de morder devagar
esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir

chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:

VACA é sua mãe. De leite.
Vaca e galinha…ora, não ofende.

Enaltece, elogia:
comparando rainha com rainha
óvulo, ovo e leite
pensando que está agredindo
que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!


Ah! E um pequeno PS: acho uma tremenda bobagem esse papo de “homens são de Marte e mulheres são de Vênus”. My love is Venus too.


Textículo jorrado em 21/06/2008

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Quer saber? Eu vou subir num banquinho e xingar a rainha que eu ganho mais.

Foi-se o tempo em que eu queria mudar o mundo, agora eu quero mudar de mundo. Porque não pode ser possível eu ser da mesma espécie de gente que solta uma bomba no corredor da escola em pleno horário de intervalo ou que ateia fogo em área de Preservação Ambiental em dia de tempo seco. Aliás, estou me perguntando o que estes seres precisam para serem promovidos a categoria de ser humano.

Ficar sabendo desse tipo de coisa já me preocuparia bastante. Presenciar me deixa com vontade de me enforcar no pé-de-salsinha mais próximo. Além dos motivos tradicionais, com questionamentos clichês e vazios do tipo "Onde nós vamos parar assim?", também me preocupa o fato de que esta falta de ordem total é capaz de fazer com que até Mahatma Ghandhi se torne um porco reacionário. É o meu caso.

Primeiro eu acreditava que as pessoas teriam que tirar habilitação para pôr mais gente no mundo. Pensa só: se as pessoas fazem merda no trânsito com habilitação, imagina se não existisse. É só ver no que dá qualquer um ser capaz de copular com uma fêmea, fecundá-la, e esta por sua vez, conceber um novo ser e jogá-lo no mundo. Eu também era a favor da restrição da distribuição de óvulos, até porque a maioria não é usado. E TPM dá um prejuízo do cacete.

Mas isso era antes de querer mudar de mundo. Habilitação para procriar era uma solução progressista, quase de centro-esquerda. Minha porção Stálin acordou e ela acredita que o melhor é esterilização em massa. Já tem gente demais no mundo. Chega. "Você gosta de sexo, meu filho? Então só brinca, sem procriar, por favor! Além do que seu DNA não tem nada de bonito.", ele diria.

Já que tem gente demais no mundo e gente que definitivamente não pensa, o meu Stálin de estimação acha que estes conjuntos de ossos e músculos flácidos podem servir para alguma coisa. Campo de trabalhos forçados, por exemplo. Minha porção Stálin saliva só de imaginar os autores das façanhas relatadas em uma pedreira sem nenhuma sombra, com Sol a pino, preso a uma bola de ferro, quebrando pedras com uma picareta.

Ter minha porção Stálin acordada me entristece. As gerações anteriores lutaram tanto por liberdade, tanto individual quanto política, para que anos depois alguém ateie fogo à uma área remanescente da Mata Atlântica e este seja tratado como "menor infrator". Esse tipo de coisa é capaz de deixar muita gente com saudades da Ditadura Militar.

O mundo padece de estupidez crônica. E acordar Stálin também é estupidez. Até porque esta desordem toda não é originada por falta de leis, ou de leis que não são cumpridas. A própria lei pode provocar a impunidade.

No Inglaterra, a lei é clara: "Não se pode ofender a rainha em solo sagrado". O cara resolveu testar esta lei. Pegou um banquinho, daqueles de alcançar as prateleiras mais altas do armário, foi até um daqueles guardas reais, que nem piscam mesmo que você peide na cara deles. Foi lá, subiu no banquinho e xingou a rainha. O guarda o levou preso. O acusado alegou: "Eu respeitei a lei. É proibido desacatar a rainha em solo sagrado. Eu estava em cima do banco. Este, que estava em solo sagrado, não ofendeu a rainha." O cara foi solto.

Chega. Vou externar a minha indignação, antes que eu entre para a TFP. Vou xingar a rainha em cima do banquinho que eu ganho mais.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Eu quero que você se...top top top!

Segundo o Yahoo Notícias, o tablóide britânico “The Sun” publicou uma lista com as 50 cantoras que jamais serão esquecidas. Algumas merecem, outras sabe Deus que estão fazendo aí. Mas não me preocupa quem está e sim quem não está.Então inauguro a categoria TopTopTop, com as cantoras verdadeiramente injustiçadas que não constam nessa bendita lista.

Top 5 - Cantoras
1 - Billie Holiday (como puderam esquecer da Lady Day?)
2 - Ella Fitzgerald
3- Etta James
4 - Amy Winehouse
5 - Cássia Eller

Falta algumas, é claro…Mas a brincadeira é sempre com 5 itens, apenas e de preferência que vem a mente primeiro. Mas nenhuma deste top que eu proponho estava na Lista do The Sun. Humpf!

Proponho agora, para minha pouca e seleta audiência a fazer seus Top5 de cantoras realmente inesquecíveis e mandar nos comentários no Blog de Vida Dupla Mais Sem Audiência do Ciberespaço!

Textículo jorrado em 09/06/2008