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domingo, 24 de outubro de 2010

Sobre bruxas, vampiros, bolinhas de papel e sapatadas

O meu primo escreveu no seu MSN: "Vamos aproveitar o Halloween e acabar com uma bruxa!". Eu não sou de discutir por divergências políticas, ainda mais com a nobre linhagem dos Teodoro Alves, mas o trocadilho é muito bom, então vou ter que retrucar - eu diria para gente aproveitar o Halloween e acabar com um vampiro.

Agora o meu ex-patrão é personagem pop. O episódio tosco da bolinha de papel virou um joguinho que me lembrou um do George W. Bush, em que você escolhia um pedaço de pau com um prego na ponta, uma toalha molhada ou um peixe ( um peixe!!) para surrar a cara dele. Bem catártico. Nessa época, nem pensaram no sapato. Aliás, quem acertou a bolinha na careca do Serra era quem devia ter jogado o sapato no Bush. Teria acertado bem no meio das fuças do infeliz. Mandou o candidato até para o hospital! Nem o capitão Mathias tem tanta mira.

Mas prefiro acertar os pingos nos is. Recebi um folheto virtual com vários paralelos entre os governos Lula e FHC baseado em fontes confiáveis, provando por A + B para quem ainda duvida que o modelo neo-liberal do PSDB de governar é desastroso para o Brasil, como é para São Paulo há pelo menos 16 anos.


Em política não existe nem heroi, nem milagre. O Brasil não está uma maravilha só por causa desses indicadores, mas está sim melhor do que era. Acho que é nisso que a gente deve focar. Então, aconselho a conferirem estes dados (foi o que eu fiz, apesar de não duvidar) e se você também prefere morar no Iraque pós-Bush do que ver o Serra eleito, faiz-favô: espalha este folheto!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Para não virar comida de porco

Fontes desinformantes da classe média brasileira
Minhas bolas voltam à esquerda, que beleza. A coisa mais entediante deste nosso tempo é que no geral, as pessoas - eu, inclusive - se esquivam de se posicionar sobre questões importantes. Parece que ninguém quer desmanchar a escova. Eu não era assim, fiquei assim. Mas agora acordei de novo e isto é o que importa. 

Como eu disse, é preci-necessário não fazer o que grande mídia quer que façamos, não pensar (ou achar que estamos pensando) do jeito que a mídia quer que pensemos. Mas como fazer isso vendo Jornal Nacional e lendo Folha todo dia?

É preciso buscar fontes alternativas e confiáveis de informação. Se tiver tempo e paciência é interessante cruzar as diferentes visões do mesmo assunto. Quem nunca fez isso, pode perceber quanta merda anda lendo. O Sedentário&Hiperativo já cantou essa bola.  

Depois da minha "grande" descoberta do Google Reader, estou entre resgatar antigas fontes e buscar novas. Então,  deixo aqui alguns links de jornais, blogs e agências de notícias que destoam deste raçãowhiskasblablablá neurótico da mídia brasileira.

Revista Caros Amigos - Publicação em circulação há mais de dez anos, tenho um precioso e pequeno acervo delas em casa. Incrível: não ficam datadas, no máximo, amareladas.

Jornal Brasil de Fato - Este curiosamente não leio muito, estive no lançamento regional de São Paulo, no Teatro Oficina. Desde 2003 em circulação.

Educação Política - Descoberta recente, e excelente. Bastante conteúdo, foi de onde eu tirei esse porquinho simpático aí em cima...

ADITAL - Agência de Informação Frei Tito para América Latina -Já conhecia, mas não acessava, assinei o Feed agora. Para quem não sabe quem foi Frei Tito, recomendável assistir ao filme Batismo de Sangue, direção de Helvécio Ratton, baseado em livro homônimo de Frei Betto.

Para começar, está de bom tamanho. Até porque ainda tenho que organizar todos estes links entre readers e feeds para voltar a lê-los religiosamente, agora e após o pampeiro das eleições. Só de não virar comida de PIG, já é grande o alívio.

"As criaturas de fora olhavam
de um porco para um homem,
de um homem para um porco.
Mas já era impossível distinguir
quem era homem, quem era porco."

(Revolução dos Bichos, George Orwell)


domingo, 1 de novembro de 2009

Sobre minissaias e universitários

Essa fornalha anda tão parada, onde se meteu a dona dos textículos? Na roda-viva, evidentemente. É incrível, pode se passar duzentos anos, meus questionamentos são os mesmos, não por falta de criatividade, mas porque os motivos permanecem. Como diz papi: "mudam as moscas, mas a merda é a mesma!" Para variar, um monte de ideias ficaram pra trás, mas nem acho isso tão ruim. Estou vivendo, e num ritmo tão frenético que capturar certos momentos é quase impossível. Foda é que não consigo viver sem isso: sem escrever, sem criar, sem Textículos. Socooooooooorro!

O que me salva é que quando acho que já me tornei definitivamente uma professorinha adequada ao status quo, esperando pacientemente o dia em que o magistério vai me deixar totalmente louca para conseguir uma licença pinel no sexto andar do Servidor, acontece uma que solta meus bichos subversivos na rua. O que me soltou os bichos dessa vez o foi o prosaico caso da minissaia na Uniban.


De início, me revoltei com a reação esdrúxula dessas pessoas. Gente de vinte e poucos anos chocada com minissaia? Como assim, Cabral? Depois, assisti à entrevista da garota na Record domingo passado. Primeiro, ela diz que sua vida se travestiu num inferno depois do ocorrido, mas não consegue disfarçar que está saboreando seus 15 segundinhos de fama com mucho gusto (os 15 minutos de Andy Wahrol, hoje em dia parecem uma eternidade), fazendo questão de conceder as entrevistas (sim, no plural) com o famigerado vestido que causou furor na multidão de estudantes sem cérebro do campus da UNIBAN de Diadema. Ela poderia se tornar uma heroína contra a neo-caretice do século XXI, como uma Rosa Parks do terceiro milênio, que com uma atitude simples de se recusar a se levantar de um lugar no ônibus reservado para brancos em Montgomery, no Alabama, provocou um boicote de 381 dias ao transporte coletivo capitaneado por Marthin Luther King em 1955. Mas aí é que tá, minha gente. A garota não tem cacife para isso. É burra feito uma porta. Soltou pérolas na entrevista como "Desde que eu me entendo POR EU uso roupas desse tipo" e "O tumulto era tão grande que eu não consegui nem SAIR PRA FORA". Dois pleonasmos viciosos em menos de 15 segundos. Pobre de mim, em frente a TV sonhando com uma revolução neo-feminista... Com esse nível de cultura, a tal estudante de turismo no máximo consegue uma vaga em um reality show ou um convite para posar nua e dar bastante trabalho para os arte-finalistas da revista se matando de disfarçar celulites no Photoshop.

A grata surpresa do caso minissaia da Uniban foi encontrar o blog Educação Política, do professor de Ciências Sociais da PUC de Campinas Glauco Cortez, um verdadeiro antídoto para essa burrice institucionalizada. Sobre este acontecido, ele disse: "O caso da estudante da Uniban, que foi covardemente insultada porque vestia uma minissaia, mostra um pouco a cara de São Paulo e também que há um aprendizado educacional no Brasil que está muito distante das humanidades e das capacidades reflexivas. É o exercício da irracionalidade."

Agora, me fala: que eu vou fazer nesse mundo, com uma elite universotária, que se enfurece com uma estudante indo para a faculdade de minissaia e que fala sair pra dentro e entrar pra fora? Este país não é mesmo sério. Aqui tudo vira farofa, não só o metal do Massacration. Por essas e outras continuo congregando pessoas para me acompanharem na minha mudança DE mundo. Quem quiser que follow me.


Notas:
*Sobre Rosa Parks e Martin Luther: Bethinha, obrigada pela troca de ideias e tanto entusiasmo!
*Sobre Massacration: essa farofa pelo menos é inteligente e engraçada. Nada como não se levar a sério, como estes GoodBlood Headbangers.
*Créditos da imagem: http://temasparamulheres.blogspot.com/2008/09/minissaia-e-maxipolmica.html

quarta-feira, 26 de março de 2008

Leu na Veja???? Azar o seu!

Hoje vou prestar um serviço de utilidade pública. Minhas bolas voltam para esquerda, se é que saíram de lá um dia¹.

Recebo a newsletter da excelente revista Caros Amigos, e vi que o entrevistado do mês era o jornalista Luís Nassif, que tem feito uma série de matérias intitulada Dossiê Veja, onde ele analisa os descalabros cometidos por essa revista semanal que é a de maior circulação do país. Eu já tinha recebido o link deste blog, mas não tinha lido ainda. Essa edição da Caros Amigos eu pre-ci-sa-va ter, tive que comprar.

Quando chego de viagem, amigo me conta que o site do Paulo Henrique Amorim foi inadvertidamente tirado do ar do Portal IG lá pelo dia 18 ou 19 deste mês. Segundo o portal, devido a "baixa audiência", sendo esta uma página que ganhou Prêmio Ibest. Além de tirar o site do ar, o jornalista teve que resgatar seus arquivos à base de liminar judicial. Como o próprio disse, é "como se a Veja queimasse todas as edições do Mino Carta, na ocasião de sua saída da revista." O novo site do jornalista não consegue ser captado por mecanismos de busca como o Oráculo Google, por exemplo. (A-há! Peguei o Oráculo outra vez. Ele não sabe tudo, crianças.) Na real, a saída do Conversa Afiada do IG foi o resultado de "limpeza ideológica" do portal, sem se fazerem de rogados, eliminando as críticas que PHA faz a quem jamais é criticado pela mídia gorda.

Curioso que estes dois jornalistas não se declaram 'de esquerda', tão somente dois profissionais de carreira sólida que se fundamentam nas críticas a uma mídia que simplesmente não atende ao propósito de informar corretamente, que se coloca absoluta nas suas visões. Um mínimo que se espera de uma democracia (já contei pra vocês que não acredito nisso?) é pluralismo de visões, de idéias, principalmente na mídia. E uma revista que já foi alguma coisa e hoje não passa de um tablóide com tiragem se propõe a ser a única visão, manchada até o rabo de conteúdo ideológico. Adoro quando o PHA chama a Veja de "A Última Flor do Fascio".

Como eu não sou um grande meio de comunicação em massa, não me faço de rogada para deitar e rolar aqui. É para mim mesma esta cambalhota e para os que me acompanham. Esta é a grande vantagem de ser O Blog Literário Mais Sem Audiência do Ciberespaço! Este textículo é para divulgar e apoiar o trabalho dos caras. E quem não gostou que leia a Veja.

Ps: Mesmo que seja este um Blog Mais Sem Audiência do Ciberespaço, eu faço literatura orgulhosa medíocre, depois do que aconteceu a PHA, temo pelos textículos, agora que deixei de ser engraçadinha ou poética. Vou fazer backup dos Textículos já! The Google is watching you.