sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Ministro da Educação visita região da Brasilândia para anunciar programa de expansão das escolas técnicas e Universidade Federal


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Eu moro neste bairro há 25 anos e há pelo menos quatro também trabalho nele. Logo, não posso me furtar a divulgar este evento, apesar de não estar envolvida no movimento que resultou nele. Conheço quem está envolvido neste movimento, que tem consistência e a informação é quente.


O deputado estadual Simão Pedro irá acompanhar, no próximo sábado (20), a visita do Ministro da Educação, Fernando Haddad, à Comunidade Nossa Senhora de Fátima (região episcopal da Brasilândia). A convite do Bispo Dom Milton Kenan Jr, Haddad irá ouvir as demandas de sua pasta - educação, além de conversar sobre a criação de uma Universidade Pública na região Norte / Noroeste, o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) e a expansão das escolas técnicas.
A expectativa é que mais de 300 pessoas das subprefeituras da Brasilândia/Freguesia do Ó, Perus/Anhaguera, Pirituba/Jaraguá e parte de Casa Verde e Cachoeirinha compareçam neste evento.
O quê: Fernando Haddad na Brasilândia
Quando: 20 de agosto (sábado)
Horário: 10h
Local: Comunidade Nossa Senhora de Fátima – Rua Rômulo Naldi, 68, Jardim Elisa Maria 



Dispensa comentários, mas eu vou fazer. Mestres, doutores, mestrandos, doutorandos, e quem mais for: isto é chance de mais emprego, mesmo que esta universidade não lhes interessem de maneira direta. Para quem mora no bairro, nem se fala: a Brasilândia é um destes lugares que o mundo esqueceu, digo o poder público. Mas para ter visibilidade, o povo tem que se manifestar! Na minha cabeça dura idealista, era para este evento estar lotado de professores que trabalham por aqui na base do giz-lousa-e-saliva todos os dias, que são ameaçados, que correm riscos de vida, que precisam conviver com o tráfico, e todas estas coisas que estamos cansados de saber. Mas já cantei a bola aqui na escola, de onde eu escrevo, e a pouquíssimas se interessaram. Será mesmo que estamos insatisfeitos? Insensato Coração e quem matou a Norma é muuuuuuuuuito mais interessante. 

Só sei que eu estarei lá. Como diria Chapolin Colorado: sigam-me os bons! 

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Sobre o tempo II

Enquanto a maioria ainda insiste em esticar seus cabelos para baixo com ferro quente, ela se ocupou em levantar o seu num legítimo beehive casa-de-maribondo. Enquanto uma meia-dúzia de louras-aguadas ainda insistem em poses sexy com dedinhos fake na boca;  sua cabeleira, negra e revolta, fez questão de ir na contramão. Enquanto os nossos, com iPads na mão e notícias em tempo real,  ainda desejam ser antenados com seu tempo, ela voltou aos 1950´s e se travestiu de diva da Montown. Enquanto um monte de gente ainda faz inúmeras tentativas - frouxas, ridículas e sem sucesso - de serem cada vez mais e mais  fitter, happier, more productive* (à base de academias, livros de auto-ajuda, dietas frustradas e Prozac)  tentaram faze-la ir para a reabilitação. A resposta a gente já sabe: No, no, no!





Este desejo de ser contemporâneo é mais velho que o mundo.  É o mesmo que nos faz datados, amarelados pelo tempo. Aquele que causa espanto, estranheza ao fazer com que a gente se reencontre com uma versão velha de si mesmo. (Atire o primeiro álbum de fotografias quem se viu numa foto antiga e agradeceu aos céus por não ser mais aquela imagem, que mesmo mais velho, com mais dores para contar, deu graças a Deus porque enfim o tempo passou).

No passado, quisemos ser modernos.  E agora, queremos ser o que, contemporâneos, pós-contemporâneos? E no futuro, quereremos o que? Ser uber-ultra-right-pós o que?

A passagem do tempo é outra discussão datada, literalmente. O tempo só é linear em aulas de História e Gramática, porque de resto, nunca foi.  A piada mais velha do mundo pode ser a Descoberta da América pelo Twitter para quem ainda não ouviu.

Às vezes eu me divirto sendo retrô-de-mim-mesma, como a minha volta ao chanel-curumim, ou aos óculos de Velma. Em outras feitas, o que eu mais quero é não me reconhecer em nada, atirar-se no abismo do futuro é capaz de nos proporcionar um tesão irrepreensível.  Em outras, ainda, o foco no presente é tão grande que nem sequer me lembro de toda essa bobagem. Aos 28, percebi: eu sou aquilo que eu sempre fui, o que pareço ser agora e o que eu ainda vou ser. Tudo ao mesmo tempo agora. Lembrando que o verbo ser é uma falácia. Não somos absolutamente nada, somente estamos. E tá bom demais.

Assim, voltamos às origens. Ser original é isso, afinal. A ela isto nunca faltou, uma verdadeira antítese barroca: profundamente original no seu desejo de ser retrô, contrário a todo esforço da nossa geração em se fazer original e não passar de cópia (mal feita, o que é pior). Pensa rápido: quantos ensaios de moda inspirada no estilo da Amy você já viu? Pois é, inúmeros. Todos se pretendendo Invenção da Pólvora. Todos cópia.

Sinto falta de Amy. Já sentia antes mesmo dela morrer. Ela, que quando surgiu no cenário, foi pura subversão, morreu como um arremedo tragicômico entre o que ela foi e o que poderia ter sido. Fiquei puta com ela por isso. Mas acho que ela nem estava muito aí para essas coisas, ela era de levar água para os papparazi que se aboletavam na porta de sua casa! Loucos não estão neste mundo para servir aos interesses das pessoas na sala de jantar, a não ser que isto lhes interesse. E ela, de tão louca, mais de amor por aquele babaca, do que pelas drogas em si, não percebeu a hora de tocar o foda-se outra vez e voltar a ela mesma. Se ela chegou a  perceber, foi tarde. E esta foi a triste constatação de quem assistiu aos seus shows na fase da derrocada, já havia cantado essa bola.   Sábias palavras do Rafa: A Elis morreu de overdose, mas com a voz inteira! A Amy poderia pelo menos usado as drogas certas!  Ressuscita, Amy!

Este textículo passa longe de homenagens, que é para mim o que há de mais ridículo neste mundo, sendo elas póstumas ou não. Ele é mais para dizer que lá se foi minha última heroína trágica. No último dia 23, ela se juntou ao mesmo panteão de loucas, subversivas e desajustadas como Pagu, Maysa, Frida Kahlo, Billie, Piaf. Não que eu queira me ajustar, mas não posso mais sonhar com um mundo que não existe mais, e é tão engraçado que eu tenha dito isso para o professorzinho dias antes de Amy bater a caçoleta oficialmente. Tenho sérios planos de ficar velha, e quanto mais velha eu ficar, tanto mais louca de pedra também! O tempo nos atualiza. Então, já dá pra perceber que o desejo do contemporâneo também está em mim, o que eu considero bem válido, até. É só não se levar muito a sério.

She´s reborn like Sarah Vaughan!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Poema de Natal

Para Sandra Dee
Vinicius de Moraes

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
Do livro "Antologia Poética", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960, pág. 147.
http://www.releituras.com/viniciusm_natal.asp

quarta-feira, 20 de julho de 2011

A vida é um soco no estômago

"Quantas emoções você conhece que não tem nome?
Colocar nomes nas coisas é muito fácil..."
Para Adriano Ropero
Realmente, professor. É muito fácil.

Caralho, meu! VOCÊ VEM PERGUNTAR ISSO LOGO PARA MIM? Você sabe de muita coisa, professor, mas de mim você não sabe da missa a metade. Talvez não te interesse saber, mas mesmo assim eu vou contar.

Emoção, sentimento, com nome, sem nome. Que me fez sorrir, que me gargalhar, que me fez gritar de dor, chorar de desespero, gozar até me esgarçar. Muito prazer, meu nome é Montanha Russa.  Não sirvo para Roda Gigante. Esta coisa de girar em torno de um eixo fixo caberia melhor para quem, um râmster de laboratório? Talvez, mas não pra mim.

Para encurtar um pouco este papo, a questão é: o que eu vivo cala fundo em mim. Não sem as avarias e escoriações inerentes a quem passeia na Montanha Russa sem cinto de segurança. Se não morri até agora, acho que não morro mais.

Visceral sim, mas não irracional. O cérebro também é uma víscera! Penso, logo insisto. Categorizar tudo isso, ou como diz você, dar nomes, era o meu brinquedo predileto. Acho que nem Sócrates gostava de pensar tanto. Aqui em casa, há quilos de papel, tinta e madrugadas que se transformaram em poemas, cartas, contos, diários, textículos. Metade da minha vida tenho passado escrevendo compulsivamente, doutor. Tem cura para isso? Só que houve uma mudança nestes últimos tempos.

Cansei do parquinho de diversões, Herr Professor. Porque a Montanha Russa guarda pelo menos uma semelhança com a Roda Gigante: ela também volta para o mesmo lugar, anda nos trilhos. Até tinha parado um pouco de escrever, ficar se repetindo para que? Para quem? Tenho precisado de lugares novos, apesar do meu talento infame para o lugar-comum. Também não gosto de andar nos trilhos. E você, gosta?

É relativamente recente esta habilidade para a reinvenção, me divirto com outras personas. É o que me permite estar em lugares novos, lugares estranhos. Aprendi a me camaleonar, antes que eu me acostume com o que eu vejo no espelho. Mas não vou mentir, eu me espanto muito. Nem eu sabia que era tão boa atriz. 

Outra coisa me fez cansar da Montanha Russa: ir de zero a cem em segundos durante tantos anos estava me deixando neurastênica. Se não estou agora babando verde numa sala acolchoada, é que ao que ao beirar a loucura, antes resolvi parar na terapia. Sabe quando a gente para na padaria antes de ir para casa? Assim o zero a cem se torna uma escala, pelo menos. Igual a cantar: experimentando outros tons, aprendendo a me modular. Coisas de artista.

Como pode perceber, mein lieber Lehrer, eu posso, sem medo de parecer pretensiosa, me dar o título de Honoris Causa nesta bola que sua doutíssima pessoa levantou, e me dou. Se me cansei de colocar emoções e sentimentos em caixinhas de organizar na cabeça, nessa minha cabeça dura de mula teimosa, é porque agora está no corpo tudo o que eu vivo, na verdade sempre esteve. A vida é um soco no estômago. Igual ao que você me deu no último domingo. Não sei se seus punhos cerrados doeram, porque a impressão que eu tive por aqui é que você socou um muro de concreto. Nem eu poderia supor a existência desta força.

Flávia.

PS: Esta conversa de dar nomes para emoções me lembrou duas coisas. Uma é o Marcelo, Marmelo, Martelo: essa coisa de chamar leite de suco de vaca e cadeira de sentador. A outra é o Brasa Mora: são tantas emoções, bicho! Ah vá, eu tinha que terminar assim, fazendo piada? O negócio é sério, professor. Você mexeu num vespeiro daqueles.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

It´s 4 u, Holden Caufield

Finally, I met ya, Holden Caufield. Long time no see yaguy! We´re both so different now. And still so equal!

You´re still lost and young. I´m not young as you, not even like I was when I first met you. But I have been confused as hell lately, just as you have been for all these years. I changed my mind, I changed my body, I changed my clothing and the color of my hair, for several times. What never change is: we´re still climbing up across the walls, refusing any security devices. We´re completely mad, man!
We´re so silly, boy!

Anyway, we´re both so tired of always only trying! I know you are, just as me. We wanna get it, too. You went beyond your strength, nearly succumbed, I know. I share your tiredness, that bordering on despair. This is so fucking lovely and poetic! So fucking stupid, by the way. Just as you. Stupid.  Blind as a bat.

I´m getting old, boy. What I´ve discovered just now, and I think you have not yet: we can live without all this crap which people are always saying that is important. It´s completely possible to do it. Be deaf, Caufield, and go on for your own way. It´s not easy, not at all, actually. But it is the only way for free yourself, to be happy, whatever you want. Nós gatos já nascemos livres. Protect your skin and go ahead.
 
Love,
 
Flávia.

Ps: I thought that you had nothing else to say to me, but boy, I'm so fucking scared!  We still had too much to say to each other! You knocked me out, honey.

domingo, 12 de junho de 2011

Aprendendo a amar vol. 1

Este texto é o primeiro da série "Aprendendo a amar", escrito em 2009. Dedicado a meus alunos, ex-alunos, colegas e principalmente para quem amou e se decepcionou, mas que deu a volta por cima!

Um dia no intervalo das aulas, uma conversa entre os professores: aquela escola estava muito parada ultimamente, era preciso animar o período da tarde.  Então, é surge a idéia de fazer uma festa do dia dos namorados, já que a professora de inglês estava trabalhando com textos sobre São Valentim com as sétimas séries. O professor que quisesse entrar na dança era só contribuir com a sua idéia e a professora de inglês escreveria o projeto pedagógico da coisa.

A professora de Artes aderiu ao projeto na hora, mas com a dúvida de qual trabalho poderia fazer sobre seus alunos, afinal, se resolvesse trabalhar com Arte Erótica ou com o Nu na História da Arte poderia até ser exonerada do cargo, dado o moralismo indecente de sua época. Alguém soprou no seu ouvido para fazer cartões para correio elegante com as suas turmas. Ela, que normalmente xingaria quem deu essa idéia, dessa vez, sabe Deus porque, aceitou a idéia com simpatia.

Quando os alunos começaram a fazer os cartões nas aulas, ela entendeu porque ela topou fazer uma atividade que não tinha nada a ver com sua concepção vanguardista de Arte-Educação. A última vez que tinha feito correio elegante foi para as quermesses da Igreja, que tinham ficado para trás há um bom tempo. Tinha se esquecido a diversão que era aquele recorta-e-cola, somado à chuva de glitters, purpurinas, lantejoulas e corações feitos em série, como se fosse uma linha de produção.

Corações grandes, pequenos, em duplas, em trios e, em sua grande maioria, vermelhos. Todos de um vermelho pulsante, cor de cartolina comprada na papelaria da esquina. Lá pelas tantas, a professora se pergunta que cor estaria seu coração neste momento e apostou num azul, já que seu pobre coração andava um tanto gelado.

Não que seu coração nunca tivesse sido vermelho, só que da última vez que ele ficou vermelho foi de raiva, depois de uma decepção daquelas. Já estava recuperada do tombo, mas se deu conta, às vésperas de promover uma Festa do Dia dos Namorados com seus alunos, que tinha se fechado em copas para o amor. Como poderia reclamar que ninguém gostava dela? Ela não achava mais graça em ninguém. Todo mundo era feio, todo mundo era chato.

“Sou muito nova para ficar assim”, preocupou-se a professora. E sua preocupação foi ficando cada vez mais provinciana, apavorando-se com a idéia de se tornar uma professora solteirona típica, daquelas que usam “saia-lápis na altura do joelho, coque e óculos armação-tartaruga”. Sua preocupação, porém, durou poucos segundos, até um aluno cortar seus pensamentos com uma tesourinha sem ponta e dúvidas bem menos filosóficas: “É para cortar para direita ou para a esquerda, Prô?”

Longe da bagunça das salas, a professora foi avaliar o resultado da produção dos seus alunos. Contar os cartões, ver erros de português, essas coisas. Em contato com os corações, que ora escondiam, ora revelavam mensagens apaixonadas – tão clichês para os mais velhos, mas pura novidade para aquela molecada que está começando a descobrir os prazeres do amor – sentiu o seu próprio se aquecer. Entendeu o que seus velhos professores lhe diziam com: “Ensinar é via de mão dupla, a gente também aprende com nossos alunos”. Ela passou anos achando que isso era um bordão vazio, agora viu que era pura verdade. Graças a seus alunos e àquela bagunça de cartões sem fim, estava reaprendendo a amar.